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Quinta, 31 de Maio de 2007
"Os filmes tem que circular", diz autora de "Vizinhos Distantes" |
Analisando a circulação de longas-metragens de ficção nos quatro países fundadores do Mercosul a partir de 1991, “Vizinhos Distantes”, da brasileira Denise Mota, é uma das últimas novidades editorais do meio cinematográfico, além de uma ótima notícia para o cinema latino.
A partir de iniciativas como essa, profissionais, estudantes e pensadores da área poderão se debruçar sobre questões que impedem nosso cinema de circular, em primeiro lugar, em seu próprio território, para então criar saídas aos empecilhos existentes. “Os filmes tem que circular”, afirma Denise.
Confira a entrevista exclusiva da jornalista à Latina:
Fale um pouco de você, da sua formação e de sua experiência profissional em cinema.
Sou jornalista formada há 11 anos, trabalho profissionalmente na área há 13. Por oito anos trabalhei no jornal Folha de S.Paulo em diversas funções, de redatora a editora-assistente, a maior parte desse tempo no caderno "Ilustrada", seção cultural do jornal, e dentro desse segmento quase sempre me ocupando de cinema, minha área maior de interesse. Também sou mestre pela Universidade de São Paulo, com especialização em cinema latino-americano. Minha dissertação de mestrado foi, justamente, circulação cinematográfica no Mercosul, trabalho que depois se transformou em livro. Hoje sou colaboradora e correspondente para diversos meios impressos e eletrônicos do Brasil e da América Latina desde Montevidéu, onde moro.
Como começou seu interesse por cinema e por que América Latina?
O interesse por cinema veio por pura paixão. Considero cinema a mais completa das artes, a que reúne todas as outras (literatura, fotografia, pintura, escultura, artesanato, teatro, dança, música, circo). O interesse por América Latina veio da constatação, no meu dia-a-dia jornalístico, de que este continente era o menos abordado, ao menos no Brasil, era um continente absolutamente secreto, apesar de estarmos mergulhados nele. A cultura latina é muitíssimo mais ampla do que se pode depreender das poucas notas que saem nos meios culturais brasileiros, e esse descompasso entre a realidade cultural do continente e sua difusão no Brasil foi o início de um questionamento que me levou a investigar que filmes – e por quais motivos – conseguiram romper essa cortina de aparente descaso e chegar ao Brasil.
O que a estimulou a começar essa investigação sobre as condições do cinema latino que deu origem ao livro?
Como menciono acima, a disparidade entre o que se faz na América Latina e o que se vê nas telas brasileiras, e vice-versa: o que se produz no Brasil e o pouco que se assiste disso nas telas do resto do continente. Meu objetivo era destrinchar que obstáculos, para além da diferença de idioma, nos afastam da cultura de nossos vizinhos.
Como foi realizada sua pesquisa? Foi uma iniciativa pessoal ou você recebeu apoio?
Minha pesquisa foi uma iniciativa pessoal. Realizei o mestrado por conta de um concurso público que a USP empreende entre jovens pesquisadores que desejem desenvolver alguma linha de investigação. Meu projeto foi analisado pelo PROLAM - Programa de Pós-Graduação em Integração na América Latina da USP e fui convidada para realizar a pesquisa por lá. Foram quatro anos de estudos, entrevistas, auto-remodelações do foco da pesquisa, ora restringindo-a, ora ampliando a investigação, e por fim a dissertação foi concluída em 2004. Depois disso, e com o apoio expresso do meu orientador da pesquisa e dos professores da banca que analisou meu trabalho, comecei a procurar meios de publicar a dissertação. Através de meu orientador, consegui apoio da Fapesp, que co-custeou a publicação do livro junto à editora Annablume, sem a qual não teria sido possível que essa investigação saísse à luz para um público mais amplo.
Por que a escolha de quatro países (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai)? Há alguma consideração no livro sobre os demais países latino-americanos? Ou então, há um projeto de investigar essas outras realidades no futuro?
A pesquisa tem um marco muito definido. A análise é: que filmes, por quais motivos e de que forma cruzaram fronteiras a partir do que se instituiu como Mercosul. O Mercado Comum do Sul foi criado em 1991, com o Tratado de Assunção, e esse documento fundacional gerou diversos outros, como tratados focados diretamente à cultura e à circulação de bens, legislações que naturalmente geraram projetos e expectativas na comunidade cinematográfica dos países envolvidos. Coincidentemente, os anos 90 também foram a década em que o cinema brasileiro morreu e ressurgiu, dentro da chamada "retomada", e foi o reinício da glória do cinema argentino tanto dentro como fora de casa: filmes como Pizza, Birra y Faso e Nueve Reinas são da virada 90/2000. Todas essas confluências apontavam os anos 90 como terreno fértil para investigar que movimentos estavam definindo e sobre quais bases estavam sendo recriadas duas das principais cinematografias da América Latina e, naturalmente, o fato de esses fenômenos virem emoldurados por mudanças de ordem político-econômica não podia ser desconsiderado. Assim, o Mercosul foi o marco institucional da pesquisa, e, portanto, os países analisados foram, além de Brasil e Argentina, Uruguai e Paraguai, os quatro países-membros fundadores do bloco.
No livro, são consideradas outras cinematografias, como a mexicana, e é feito um retrospecto do Novo Cinema Latino-Americano, como precedente histórico da tentativa de harmonizar e desenvolver em conjunto as potencialidades do cinema latino. Mas o foco principal, pelos motivos expostos, está no cinema desses quatro países. Sim, no futuro tenho projetos de continuar a investigação, construindo novas relações que possam iluminar outros aspectos da produção no continente.
Que problemas você identifica como sendo os mais graves para o cinema latino? Qual é, na sua visão, o caminho a ser tomado para a superação gradual desses problemas?
Os obstáculos são diversos e de graus e naturezas distintos, como explicito e discuto no livro. Em termos gerais, diria que o principal problema é o fato de o filme nacional, na América Latina, competir em território local dentro de um modelo erguido para o filme estrangeiro. O aparente paradoxo é histórico: as primeiras companhias cinematográficas a se instalar no continente foram gigantes como Paramount, Metro etc, e toda uma cadeia industrial, o famoso "star system" incluído, foi construída para que o filme fosse produzido, comercializado e exibido, tanto nos EUA como fora dele, com claras vantagens para o produto norte-americano. Claro está que esse não é o único obstáculo, também jogam contra as produções nacionais e latinas a ainda pouca sustentabilidade dos mecanismos de fomento desenvolvidos nos diversos países, o não desprezível fato de que cinema é um "esporte" caro - os insumos são em dólar -, as diversas convicções e apostas de cada país e de sua classe cinematográfica, as diferentes relações culturais que cada um deles tem com a Europa e os EUA, as distintas maneiras de buscar financiamento, os diferentes mercados a que estão apontando etc.
O caminho a ser tomado para a superação gradual desses problemas é a criação de um constante, ainda que pequeno, movimento de circulação de filmes entre os países latinos, circulação que passe ao largo dos grandes sistemas internacionais de compra e distribuição de filmes, trabalhos de formiga mesmo, mais e mais diversificadas exibições de produções do continente e novas idéias de produção e distribuição conjunta. Uma tática maravilhosa e que vem sendo defendida por Fernando Solanas há anos seria a exibição mútua de filmes latinos nas TVs de cada país do continente.
Acabo de chegar de uma viagem pela América do Sul, em que um dos meus objetivos era voltar cheia de filmes, como material de pesquisa. São muito poucos os títulos que encontrei no original. Qual é sua opinião sobre a circulação de cópias piradas desde o ponto de vista do acesso à informação?
As cópias piratas servem como fonte de informação do pesquisador, mas naturalmente -- e ainda mais em um cinema combalido como o latino-americano - não são nem podem ser uma alternativa recomendável de difusão dessas cinematografias. Um dos fatores primordiais do cinema de hoje é a qualidade e, para melhorar e intensificar as relações intra-latino-americanas, se fazem necessárias, na minha opinião, relações claras e de interesse mútuo para todas as partes. Que interesse pode ter um realizador que uma cópia pirata de seu filme chegue a outros países? Para ele é muito mais interessante que, mesmo sem fins comerciais ou com poucas possibilidades lucrativas, seu filme chegue em cópia original, tal qual sua obra foi pensada e concebida, que ele esteja ciente de sua exibição e que todo e qualquer direito decorrente dessa exibição estejam assegurados para ele e para sua produção. Circular cópias piratas não vai melhorar as possibilidades de consolidação das cinematografias nacionais na América Latina.
O que, em sua opinião, diferencia o cinema latino do cinema produzido no resto do mundo? Há características particulares
Não acho que haja características particulares mais além das características particulares dos lugares que representam.
Muita gente fala de um momento bem favorável para o cinema latino hoje, com bastante destaque para o cinema argentino. Qual é sua opinião a respeito dessa suposta "buena onda"?
Acho que houve, sim, uma "buena onda", mas que ela já passou. O cinema argentino se destacou sobretudo nos anos 2001, quando, em meio a uma das maiores crises institucionais de sua história, o país parou enquanto o cinema era a única força viva, pulsante, vigilante e incrivelmente sintonizada com o que estava passando. Filmes populares como O abraço partido demonstram a vitalidade desse momento e o poder da ficção para deixar patentes realidades muitas vezes indescritíveis. O cinema argentino é detentor de um despojamento e de uma liberdade de linguagens, abordagens, visões de mundo notáveis.
Digo que essa onda passou porque, apesar da louvação internacional, fazer cinema na Argentina hoje é tão difícil como sempre, e isso qualquer diretor do país vai te dizer em qualquer conversa que você tenha com ele. Fazer cinema na Argentina se tornou altamente respeitável, é altíssimo o número de estudantes que estão optando pela carreira de cinema ao concluir o segundo grau, mas o nível de desistência também é expressivo e, por fim, não são todos os formados que conseguirão estrear um filme. Uma vez estreado, nem todos conseguirão sobreviver na área. Ou seja: a onda serviu para jogar luz para uma cinematografia verdadeiramente surpreendente e sem dúvida a melhor do nosso continente nos últimos anos. Mas não serviu para garantir mais estabilidade aos realizadores argentinos.
Você tem projetos futuros sobre o tema?
Sim, mas por enquanto estou concentrada no debate e na divulgação de "Vizinhos Distantes", o que tem sido um grande prazer.
Por Camila Moraes
(crédito: foto Denise por Mauricio Erramuspe) |
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Quarta, 30 de Maio de 2007
Rodolfo Walsh: o corpo e a escrita
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No gancho da homenagem dos documentaristas argentinos à figura contestadora e transformadora da realidade que foi Rodolfo Walsh, faz-se importante um depoimento esclarecedor sobre a biografia do escritor. Aqui, a contribuição de Silvia Beatriz Adoue, argentina, professora de literatura e estudiosa do assunto.
Rodolfo Jorge Walsh nasceu em Choele-Choel, na Patagônia argentina, em 1927, filho de sitiantes empobrecidos de ascendência irlandesa. Corretor, tradutor, adaptador e autor de novelas policiais, abrigava a ambição de se tornar um escritor.
O acaso o tornou testemunha de fuzilamentos ilegais de 13 homens, culpados por serem pobres e peronistas, durante um levantamento contra a ditadura que derrubou Perón em 1955. A investigação que empreendeu para descobrir os responsáveis resultou na publicação de “Operação Massacre”. A escrita desse livro mudou sua vida. Passou da novela policial ao jornalismo de investigação. E, desse, para a literatura e então à ação militante. Literatura como parte dessa ação.
Fazia dos seus textos espaço de reflexão e campo de batalha, ao mesmo tempo em que cumpria tarefas de imprensa e de inteligência, primeiro na central sindical CGTA e depois em Montoneros.
Seus heróis, tanto os da sua ficção quanto os da sua obra de investigação jornalística, não são heróis de epopéia. São seres precários. Walsh registrou seus sonhos e sua voz, sua fragilidade e o pequeno gesto teimoso em que sua existência brilhou. Luz vacilante, condenada ao abandono, o escritor a colocou no centro mesmo dos seus relatos, ao mesmo tempo em que a fez causa da ação militante das organizações das quais participava. O pequeno gesto plebeu dos seus personagens, vindicado como razão para a luta.
E é pela ação literária que o gesto destinado ao esquecimento vira episódio fundador de um relato maior, escrito nos corpos e que tende para o épico. O corpo como suporte para uma narrativa aberta, e o gesto literário como registro também sempre em aberto. Essa é a literatura de Walsh.
No dia 24 de março de 1977 saiu da sua casa para um encontro, cujo local e horário haviam sido arrancados de um detido na mesa de tortura pelos repressores. Na noite anterior, Walsh havia terminado um conto, “Juan ia embora pelo rio”, e também a “Carta aberta à Junta Militar”, na que fazia um balanço do primeiro ano da ditadura das juntas. Carregava com ele cinco exemplares da carta e um revólver calibre 22. O disfarce de aposentado inofensivo e a arma igualmente inócua não evitariam a emboscada. Respondeu à bala à voz de prisão. Só não queria se entregar vivo.
A última imagem que temos dele é a descrita por um sobrevivente do campo de detenção e tortura da Escola de Mecânica da Armada. O corpo agonizante de Walsh junto aos seus escritos inéditos, ambos correndo a mesma sorte. Corpo e texto desaparecidos. A sua última metáfora escrita com o corpo na memória do seu país, eternamente sagrando, corpo e relato, sem chegar nunca a morrer.
Silvia (em trânsito: Rodovia Cândido Portinari) |
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Quarta, 30 de Maio de 2007
Del lado de allá (maio): Cubas cruzadas, por Alberto Ramos
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Del lado de allá,
a coluna de Alberto Ramos, diretamente da Espanha
Cubas cruzadas
No Brasil, me disse a Camila, a primeira coisa que se tem que fazer ao ligar para alguém é se apresentar. Pois bem, vou me apresentar: me chamo Alberto Ramos e sou o correspondente dessa revista na Europa Latina.
Agora, bem, tenho que confessar uma coisa: não fiz os deveres. Espera-se que, uma vez ao mês, eu entregue uma coluna centrada nas relações entre o cinema latino-americano e o ibérico. Mas não o fiz. Isso de ter a chefe em outro continente me provocou um efeito de relaxamento. Além do que, tenho estado muito ocupado escrevendo um roteiro cinematográfico. Bem, na realidade por enquanto só tenho a sinopse, mas por algo se começa, certo? Por sinal, é essa:
O cineasta norte-americano Oliver Stone viaja para Cuba para entrevistar Fidel Castro. A ocasião merece: o ditador marcou data para eleições gerais na ilha. Mas em Havana as coisas não parecem ter mudado muito. As pessoas continuam tentando abandonar o país como quer que seja: em balsas, arriscando sua integridade física, ou através de um contrato musical, arriscando sua integridade moral. Por mais que esta última tampouco esteja totalmente garantida para quem opta pela balsa: a vida nos Estados Unidos pode transformar qualquer um. Entretanto, Papito, um ator, viaja à Espanha roubando a identidade de um ricaço recentemente falecido: deste modo pretende embolsar sua fortuna. Quem também quer fazer fortuna é Martín, um espanhol ex-convicto que chega à Cuba de Batista (esta trama acontece 50 anos antes, em uma montagem de flashbacks que poderia lembrar a segunda parte de “O poderoso chefão”) para recuperar a porção que lhe corresponde da divisão de um assalto. Mas Oliver Stone permanece alheio a tudo isso: apenas quer falar com o comandante. No entretanto, este não aparece. Dizem que está doente, mas a realidade é outra: depois de sobreviver a um atentado na costa, Fidel Castro chegou de balsa à Miami.
E por que escrevi uma história tão... cubana? Porque na Espanha o que é cubano vende, estou convencido. E não creio que seja uma moda passageira. De fato, a coisa remonta a 1898, quando Cuba deixou de ser uma colônia espanhola. Esta circunstância marcou profundamente toda uma geração de escritores: a de 98. E dura até hoje. Certamente isso se deve à síndrome do membro amputado: isso de que lhe cortam um braço e você o sente, como se ainda estivesse aí. Pelo menos, isso é o que dizem, porque eu ainda conservo todas as minhas extremidades. Enfim, não sei muito bem a que veio tudo isso. Dá no mesmo. Dizia que aqui o que é cubano vende. Com essa idéia fui a uma produtora. Apresentei a eles a sinopse. E isso foi o que me disseram:
“Amigo, vejo muitas possibilidades para essa história. De fato, já a vejo na tela grande. É mais, eu já a vi”.
Como eu tinha cara de não entender (em realidade, quando entendo, também faço cara de que não entendi, não sei por quê), o cara da produtora me explicou que o que acabava de apresentar era um pout-pourri de vários argumentos. De maneira concreta, de Comandante, Cuba libre, Habana blues, Balseros, Un rey en La Habana, Hormigas en la boca e I love Miami. Casualmente, todos eles são filmes de produção (ou co-produção) espanhola, o que demonstra que eu tinha razão: na Espanha, o que é cubano vende. No entanto, o cara da produtora não parecia nada disposto a me agradar. Na verdade, o homem me disse que se não fosse embora imediatamente e abandonasse para sempre minhas pretensões de me dedicar ao cinema, ia me dar me meter um charuto (1) por atentado múltiplo à propriedade intelectual.
Assim que, no mês que vem, apresentarei minha primeira coluna sobre o cinema latino-europeu ou euro-americano.
Comandante (2003)
Direção: Oliver Stone
Roteiro: Oliver Stone
País: Estados Unidos/Espanha
Cuba libre (2005)
Direção: Raimundo García
Roteiro: Ulises Bermejo, Enrique Calvo, Raimundo García
País: Espanha
Habana blues (2005)
Direção: Benito Zambrano
Roteiro: Ernesto Chao y Benito Zambrano
País: Espanha /Cuba/França
Balseros (2002)
Direção: Carlos Bosch, Josep Maria Domènech
Guión: Carlos Bosch, David Trueba
País: Espanha
Un rey en La Habana (2005)
Direção: Alexis Valdés
Roteiro: Alexis Valdés
País: Espanha
Hormigas en la boca (2005)
Direção: Mariano Barroso
Roteiro: Mariano Barroso, Alejandro Hernández, Tom Abrams; a partir da novela Amanhecer com formigas na boca, de Miguel Barroso
País: Espanha/Cuba
I love Miami (2006)
Direção: Alejandro González Padilla
Roteiro: Mónica Abin, a partir do argumento de Alejandro González Padilla
País: México/ Espanha
(1) Meter un puro: (fig. vulg) levar ou tomar na tarraqueta.
Tradução: Camila Moraes. |
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Terça, 29 de Maio de 2007
Danny Glover encabeça épico haitiano
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As telas do cinema mundial preparam-se para assistir a um épico sobre a história haitiana realizado pelo ator americano Danny Glover (astro da saga Máquina Mortífera). Simpatizante do governo chavista desde 1999, Glover terá o apoio da Villa del Cine, estúdio estatal venezuelano criado em 2006, segundo palavras de Chávez, “para combater a ditadura de Hollywood e difundir a história da América Latina”.
A expectativa é de que o longa, graças à verba de que dispõe, circule por vários mercados cinematográficos. Com o apoio de co-produtores, a produção terá um budget de 30 milhões de dólares e irá contar a história de François Dominique Toussaint-Louverture (1743-1803), um dos maiores revolucionários do Haiti.
Há quem não concorde totalmente com o projeto: “Rodando na Venezuela, o filme custaria um terço do que custará em Hollywood”, afirmou à Variety Lorena Almarza, diretora da Villa del Cine, que atualmente está produzindo Miranda regresa, uma biografia sobre o revolucionário venezuelano Francisco de Miranda, e uma série sobre Ezequiel Zamora. O estúdio também já anunciou a encenação de mais um livro de Gabriel García Márquez, El general en su laberinto. |
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Terça, 29 de Maio de 2007
A palavra e a ação: um olhar sobre Rodolfo Walsh
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A partir dos últimos cinco anos, o dia 27.05 tem sempre um tom de luta, pois o Movimento de Documentalistas de Buenos Aires celebra nomes que fizeram história na América Latina.
Neste ano, o homenageado foi o argentino Rodolpho Walsh, ensaísta e repórter, que há trinta anos foi assassinado por denunciar as atrocidades do regime militar de seu país. Por acreditar que o ofício de documentar a realidade não se reduz aos meios audiovisuais, cineastas, documentaristas, escritores, intelectuais e lutadores sociais da Argentina celebram Rodolfo Walsh e seu legado.
Walsh se enveredou pela literatura, sem nunca deixar de lado seu dom de grande observador da natureza humana - logo após publicar a obra-prima do jornalismo investigativo Operación Masacre, disse: “Operación Masacre mudou a minha vida. Escrevendo-o descobri, além das minhas perplexidades íntimas, que existia um ameaçante mundo exterior”.
Não é de se espantar que tal personagem renda inúmeros debates na Universidade de Buenos Aires, entre outras, tenha suas obras relançadas e sua vida retratada em diversas biografias recentes e ainda mereça atos públicos no Museu da Memória, onde ficava a Escola de Mecânica Armada, antigo centro de torturas. Walsh lutou pelos direitos humanos em nosso continente e não deve cair no esquecimento, enquanto houver em nossas democracias tantos temores e segredos.
Em breve, mais sobre Rodolfo Walsh na Latina. Por hora, para conhecer um pouco mais sobre ele, acesse:
www.edicionesdelaflor.com.ar
www.rodolfowalsh.org
Por Paula Skromov |
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Segunda, 28 de Maio de 2007
Cannes 2007 termina sem impressionar
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Depois de dias badalados de festival, entre flashes, festas, discursos proclamados e negócios acertados, Cannes encerrou ontem, 27.05, sua 60ª edição com a entrega da Palma de Ouro 2007 ao filme romeno 4 luni, 3 saptamini si 2 zile (4 meses, 3 semanas e 2 dias), do diretor Cristian Mungiu, 39. O resultado, comemorado por alguns, não encantou a maioria dos jornalistas, que julgaram esta uma edição medíocre, segundo o que foi registrado na mídia.
O longa, que relata a história de um aborto proibido na Romênia do ditador Nicolau Ceaucescu, deixou para trás concorrentes de peso, como a elogiada nova produção dos irmãos Coen, No country for old men, e o aplaudidíssimo Auf der anderen Seite, do diretor alemão de origem turca Fatih Akin, que acabou levando para casa o prêmio de melhor roteiro.
Entre os latinos, o México saiu duplamente premiado, ainda que distante dos troféus de maior destaque. Carlos Reygadas, o único latino-americano a concorrer pelo prêmio máximo do festival, dividiu com a animação francesa Persepolis (de Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi) o prêmio do júri por Luz silenciosa.
Já Ver llover, de Elisa Miller (foto), 24, ganhou como melhor curta. Trabalho apresentado pela mexicana para a conclusão de seu terceiro ano no curso de cinema no Centro de Capacitación Cinematográfica da Cidade do México, o filme conta a história de um amor adolescente em uma cidade habitada só por mulheres. |
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Sexta, 25 de Maio de 2007
Direção de cinema por Rodrigo Moreno, em São Paulo
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Mais na ponte cinematográfica Brasil-Argentina: Rodrigo Moreno, cineasta argentino premiado no Festival de Berlim por seu último filme, El Custodio (2006), virá a São Paulo para oferecer um workshop de direção na Academia Internacional de Cinema, de 19 a 22.06.
O trabalho dos alunos será focado no processo de realização de um longa metragem, decupagem e direção de atores, segundo explica o site da escola. Os interessados em participar deverão enviar seus currículos para análise até o dia 10.06 e, só depois de selecionados, pagam a taxa de R$ 480. As vagas são limitadas, e o resultado da seleção será anunciado no dia seguinte.
Antes do início do curso, em 18.06, será oferecida uma palestra ao público em geral, que deverá comparecer à AIC na mesma data para a retirada de senha. Com poucos lugares, o evento irá tratar do trabalho de Moreno, que já realizou quatro filmes como diretor. |
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Sexta, 25 de Maio de 2007
Nasce a Cha Cha Cha
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De acordo com a Wikipedia, a expressão "Cha Cha Cha" dá nome, ao mesmo tempo, a um ritmo cubano criado na década de 50 e a um seriado de humor argentino transmitido pelo canal América TV entre 1992 e 1997.
Desde o último dia 19.05, porém, após um anúncio feito em Cannes, Cha Cha Cha passou também a denominar uma nova (e já muito comentada) produtora de cinema, criada pelos diretores mexicanos Alejandro González Iñárritu, Guillermo del Toro e Alfonso Cuarón. Juntos, os três mosqueteiros levaram, no Oscar do ano passado, 16 indicações e quatro estatuetas, com os filmes Babel, Filhos da esperança e O labirinto do fauno.
Segundo informações da revista Screen, publicada diariamente durante o festival, a produtora estará associada à Universal Pictures e à Focus Features. O valor do acordo não foi revelado, mas a edição de sábado do Los Angeles Times afirma divulgou cifras estimadas em 100 milhões de dólares.
O que se sabe é que, ao todo, cinco filmes serão financiados, sendo um de cada cineasta, mais um de Rodrigo García, filho de Gabriel García Márquez, e outro de Carlos Cuarón, irmão de Alfonso. O diretor de E sua mãe também, aliás, será o responsável pela estréia da Cha Cha Cha, pois assina a primeira produção: Rudo y cursi, na qual deve repetir a dupla de protagonistas vividos por Gael García Bernal e Diego Luna.
Apesar da associação a uma das maiores empresas do mercado cinematográfico mundial, Iñárritu, Del Toro e Cuarón garantem que terão total liberdade para criar as obras, que serão gravadas em espanhol e inglês e distribuídas mundialmente.
Felizmente, nem só de notícias ruins vive o noticiário mexicano. A despeito de crises institucionais envolvendo a eleição presidencial, conflitos entre manifestantes e autoridades em Oaxaca e incontáveis assassinatos relacionados ao narcotráfico, o nascimento da Cha Cha Cha se vale do prestígio de seus criadores para reafirmar a riquíssima cultura de um país que vive entre na extrema fronteira da latinidade.
Por José Henrique Lopes
Foto: Del Toro, Cuarón y Iñárritu. |
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Quinta, 24 de Maio de 2007
Memorial abriga III Mostra de Cinema Argentino
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Admiradores do cinema argentino já podem se preparar: foi anunciada a terceira edição da Mostra de Cinema Argentino, a ser realizada novamente no Memorial da América Latina, entre os dias 31.05 e 03.06, com entrada gratuita.
Parte da produção cinematográfica mais recente daquele país fará parte do evento com títulos estreados em 2006, como Whisky Romeo Zulu, do premiado diretor argentino Enrique Piñeyro, e Água, de Verónica Chen, além de dois documentários dos anos 90 sobre Jorge Luis Borges e Julio Cortázar.
A III Mostra é uma parceria do Memorial e da Libreria Española e Iberoamericana e faz parte das comemorações da data da independência argentina (25.05). Os “novos” filmes serão exibidos em formato digital, e, em paralelo, a videoteca do Memorial exibirá títulos antigos durante todo o mês de junho.
Maiores informações podem ser encontradas no site do Memorial.
Foto: cena de Água, drama sobre ex-campeão de natação em águas abertas, que abandona sua carreira após acusação de doping. |
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Quinta, 24 de Maio de 2007
Cinema se rende aos encantos históricos do Peru
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No caminho inverso ao dos saques e pilhagens do conquistador Pizarro, o Peru agora vê um de seus maiores tesouros históricos chegar ao cinema.
Anos depois de estabelecer uma parceria, as produtoras espanholas El Deseo, de Pedro e Agustín Almodóvar, e a Explora Films anunciam o início das filmagens de El Señor de Sipán. Docudrama sobre um dos governantes mais poderosos do Peru, que viveu há cerca de 700 anos, o filme remonta a mais importante descoberta arqueológica do século XX: a necrópole de Huaca Rajada, que compreende duas pirâmides e as tumbas do Senhor de Sipán, além de suas riquezas e a de seus antepassados. “Huaca”, em quéchua, significa “sagrado”.
Foi o arqueólogo peruano Walter Alva quem trouxe à luz as riquezas do imperador mochica. Ele integra o projeto de El Señor de Sipán, cujo anúncio causou a retomada dos trabalhos na região, parados desde 2000, já que agora parte das escavações também será financiada pela El Deseo e Explora Films. Para que se tenha uma idéia do valor de Huaca Rajada, sua descoberta tem o mesmo peso histórico dos sítios faraônicos e, como tal, a necrópole teve suas riquezas contrabandeadas internacionalmente. Até o F.B.I. entra na história contemporânea do legado mochica por ter recuperado algumas raridades desse patrimônio.
O diretor será o espanhol José Manuel Novoa (Eyengui, el dios del sueño, 2003), documentarista, que pretende tornar a produção ainda mais ambiciosa, dando a ela um caráter de drama. Além de narrar a descoberta das tumbas e sua violação, ele quer reconstruir parte da vida do próprio líder dos mochica – povo cujos avanços técnicos são vistos na região nos canais hídricos usados até hoje.
Novoa está eufórico, segundo revelam notas da imprensa peruana, e chegou até a reclamar mais de apoio dos arqueólogos. O cineasta já escalou o elenco, composto por atores peruanos e espanhóis, e tem previsão para começar a filmar em setembro deste ano.
Por Paula Skromov
Foto: réplica do Senhor de Sipán. |
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Quarta, 23 de Maio de 2007
América Latina aos domingos na Globo
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A partir de 1º de julho, o Brasil assistirá a uma iniciativa do tipo “América Latina para as massas”. Trata-se de Te quiero América, novo quadro do Fantástico, protagonizado por Denise Fraga e João Miguel, de Cinema, Aspirinas e Urubus (de 2005, por Marcelo Gomes), que será exibido aos domingos.
Segundo contou Luiz Vilhaça, produtor do programa e marido da atriz, à coluna de Daniel Filho na Folha de São Paulo, “o quadro nasceu da premissa de que o brasileiro não conhece seus ‘hermanos’ da América Latina”. A idéia, portanto, é aproximar os atores – que seguirão roteiros pré-determinados – a pessoas comuns, para tirar destas experiências em grande parte improvisadas retratos do que são os países por onde a equipe irá passar.
Serão 11 episódios gravados em duas viagens a destinos pouco tradicionais, uma de 12 de maio a 1º de junho e outra de 15 de junho a 7 de julho. No quadro, Denise vive Maria, vendedora de seguros que se apaixonará por Francisco (João Miguel). Após um encontro em São Paulo, ela se perde dele, mas decide reencontrá-lo de qualquer jeito. Assim começa sua peregrinação pela América Latina, a partir da Argentina.
A iniciativa, muito bem vinda, traz o tema latinidade finalmente ao mainstream.
* Foto: Denise Fraga para o quadro Retrato Falado, também do Fantástico. |
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Terça, 22 de Maio de 2007
El baño del papa, o próximo Whisky?
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Aconteceu em Cannes nesta segunda-feira, 21.05, a estréia do filme uruguaio El baño del papa, de César Charlone e Enrique Fernández. Ambos são diretores em sua primeira produção própria e esperam seguir o mesmo caminho bem-sucedido de Whisky (de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll), a mais famosa película do Uruguai internacionalmente, que começou sua carreira de sucesso no festival francês em 2004.
El baño... é uma co-produção entre o Uruguai, a França e a produtora O2, do cineasta Fernando Meirelles, parceiro constante de Charlone e Fernández, que participaram, entre outros, de Cidade de Deus e Cidade dos Homens. Simultaneamente convidado para a mostra paralela Um Certo Olhar e para participar da Semana de Crítica, o filme acabou entrando na disputa pelo troféu Câmera de Ouro para cineastas estreantes (prêmio concedido ao ganhador de Um Certo Olhar).
Segundo comentário recente dos diretores ao Jornal do Brasil: “Foi uma escolha difícil. Acabamos decidindo por Um Certo Olhar porque é considerada a grande vitrine dentro do festival, depois da competição oficial, claro. E precisamos de toda visibilidade possível, porque El baño del papa é um filme pobre e precisa de toda a ajuda que pudermos receber”, diz Charlone, que em 2002 foi indicado ao Oscar pela fotografia de Cidade de Deus, de Meirelles. A decisão, aparentemente acertada, já rendeu bons frutos ao longa: logo depois do convite a Cannes, a produtora européia Bavaria entrou no filme.
Com orçamento de um milhão de dólares, El baño del papa foi filmado em uma pequena cidade uruguaia na fronteira com o Brasil chamada Melo. Sua história, “metáfora para a característica do Uruguai que conhecemos hoje, que passou por um período de estagnação, obrigando as pessoas a buscarem fontes alternativas de vida”, conforme contou Charlone ao JB, fala da frustração do povo local com a visita do papa João Paulo II ao lugar, o que nunca aconteceu. |
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Segunda, 21 de Maio de 2007
Agenda em Cannes: 24.05 é dia de cinema colombiano
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Todos os Cinemas do Mundo, seção não competitiva de Cannes criada há dois anos que seleciona países com o objetivo de difundir suas cinematografias, elegeu a Colômbia, entre outros países, para seu programa da 60ª edição do festival. Dia 24.05 será o dia dedicado ao país latino, do qual foram eleitos os filmes La sombra del caminante, de Ciro Guerra, Soñar no cuesta nada, de Rodrigo Triana, Al final del espectro, de Juan Felipe Orozco, e Bluff, de Felipe Martínez.
Além de ser representada por quatro filmes anteriormente distribuídos, a Colômbia comparece a Cannes com dois novos títulos. Competindo pela Câmera de Ouro, está o filme PVC-1, do jovem diretor de origem grega Spiros Stathoulopoulos, que conta a história de uma brutal extorsão. O filme, que já foi exibido no Brasil durante a última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2006, é todo feito em plano seqüência, com duração de 85 minutos.
O segundo deles, Los viajes del viento, é a nova produção de Ciro Guerra, que participa em L´Atelier, seção em que o festival reúne 15 cineastas do mundo inteiro e os convida a apresentar suas segundas obras. O objetivo é a promoção de seus trabalhos através de um fórum de co-produção e da busca de quem patrocine essas produções. É, portanto, dupla a participação de Guerra nesta edição: sua primeira película, La sombra del caminante, de 2004, é uma das que integra a seleção de “Todos os Cinemas do Mundo”.
Colombianos em Cannes
O colombiano a chegar mais longe nas competições de Cannes foi o realizador Victor Gaviria, que participou duas vezes da competição oficial. A primeira, em 1990, foi com Rodrigo D, e a segunda, em 1998, com La vendedora de rosas. Além de Gaviria, Francisco Norden competiu pela Palma de Ouro em 1983 com Cóndores no entierran todos los días.
No grupo dos curta-metragens, competiu pela Câmara de Ouro o jovem cineasta Rubén Mendoza, com La cerca. Atualmente, Medonza está produzindo seu primeiro longa, intitulado La sociedad del semáforo. |
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Quarta, 16 de Maio de 2007
Luz Silenciosa: Reygadas em Cannes pela terceira vez
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Foi com apoio recebido do World Cinema Fund (WCF) – criado pela Fundação Federal de Cultura da Alemanha e pelo Festival Internacional de Cinema de Berlim, em cooperação com o Goethe Institut – que o cineasta mexicano Carlos Reygadas realizou seu terceiro longa-metragem como diretor, intitulado Luz Silenciosa e que concorre a partir de hoje, 16.05, à Palma de Ouro na 60ª edição do Festival de Cannes.
Com 35 mil euros, Reygadas filmou no norte do México uma história ambientada em uma comunidade menonita, no estado de Chihuahua, perto da fronteira com o Texas, onde, graças à colonização, ainda se fala uma antiga forma holandês. Filmada a partir do olhar poético que também marca as produções anteriores do diretor, Luz... (ou Stellet Licht, título holandês, que é o que será apresentado em Cannes) conta a história de um homem que vive um dilema ético e moral, bastante recorrente em sua obra: “está casado, ama muito sua família, seus filhos e sua mulher, mas está apaixonado por outra mulher”, revelou Carlos Reygadas em entrevista à AP.
Essa é a terceira vez que o cineasta participa do festival, onde ganhou o prêmio especial “Câmera de Ouro” por Japão em 2002 e, em 2005, competiu na seleção oficial com Batalla en el cielo. Sem expectativas de arrematar o prêmio ao qual concorrem nomes fortes como os de Quentin Tarantino, Joel e Ethan Coen e Gus Van Sant, Reyadas disse à AP que “é muito importante para os filmes que não se baseiam em estrelas o que não seguem o mercado de Hollywood poder ir a Cannes. Sinto que tenho sorte por ter sido levado em consideração”. Segundo ele, a má distribuição de películas não hollywoodianas é um fenômeno mundial e, mais do que se queixar, é preciso fazer algo a respeito.
Nascido em 1971 na Cidade do México, Carlos Reygadas estudou Direito Internacional na capital de seu país e em Londres, onde se especializou em conflitos armados. Na Bélgica, envolveu-se com cinema e realizou seu primeiro curta metragem, para participar de um concurso. Depois de produzir Sangre em 2005, já anunciou seu próximo projeto como produtor: Una historia mexicana, cujo lançamento está previsto para 2007.
Para um gostinho do que é o único filme latino a disputar Cannes em 2007, confira os trailers de filmes anteriores do diretor: Japón e Batalla en el Cielo.
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Terça, 15 de Maio de 2007
Cannes 2007 começa: mexicano é o único latino a competir
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Se em 2006 Cannes teve especial brilho latino, em 2007 – ano de seu 60º aniversário – o festival que se declara dedicado ao “cinema de autor para o grande público” conta com apenas um filme mexicano em sua competição principal.
O evento, que começa nesta quarta-feira, dia 16, e vai até 27.05 na Riviera Francesa, será aberto com a exibição do filme My Blueberry Nights, a primeira produção em inglês do diretor chinês Wong Kar-Wai. Em meio a um reforçado mar de estrelas, a atriz alemã Diane Kruger, 30 anos, será a mestre de cerimônias de uma edição é tida pela crítica como uma das mais fortes dos últimos anos.
É também forte (ou pelo menos numerosa) a presença de longas metragens estadunidenses na seleção oficial. Em entrevista à seção Ilustrada da Folha de São Paulo, o diretor artístico Tierry Frémaux explicou que tal escolha se deu pela qualidade dos filmes. “O cinema norte-americano é um dos maiores do mundo e voltará a provar isso”, disse.
Dos Estados Unidos também vem o filme já esperado para ocupar posição polêmica, por denunciar as falhas do sistema de saúde do país: Sicko, de Michael Moore, vencedor da casa em 2004 por melhor filme com Fahrenheit 11 de setembro. Desta vez, porém, Moore ficou fora da seleção oficial – e de comum acordo com a organização, “para evitar a pressão do retorno após a Palma de Ouro”, segundo afirmou Frémaux à Folha.
Segunda chance
Luz silenciosa (2007) é o título do único representante latino-americano entre os pesos pesados da competição. Seu diretor Carlos Reygadas foi um dos prováveis candidatos a vencer Cannes por melhor filme em 2005, quando competiu com sua segunda e aclamada película, entitulada Batalla en el cielo.
A primeira, Japón, tida no México como “obra-prima” do cineasta de apenas 36 anos, também já teve passagem pelo burburinho do cinema francês em 2002, quando participou da Semana da Crítica, evento que acontece paralelamente ao festival.
Nova geração: cone sul
Este ano, é à margem dos holofotes que as produções latino-americanas, vindas sobretudo do sul do continente, ganham destaque. Na mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar), dedicada a jovens diretores que realizaram até no máximo dois filmes, competem:
• Calle Santa Fe, de Carmen Castillo (Chile).
• El baño del papa, de Enrique Fernandes e César Charlone (Uruguai).
• Una novia errante, de Ana Katz (Argentina).
Boa notícia: Semana da Crítica
Se na seleção oficial do Festival de Cannes, a presença latina é pouco representativa, na Semana da Crítica, agora em sua 46ª edição (que acontece de 17 a 25.05), ela é enorme, chegando a mais da terceira parte dos participantes.
Em entrevista à agência de notícias Efe, o diretor Jean-Christophe Berjon declarou: "A Semana escolhe seus filmes mediante um comitê em que todos os membros têm o mesmo peso. Não decido sozinho. E, neste ano, a primeira escolha de cada um deles continha vários filmes latinos. Para ser honesto, poderíamos ter feito uma seleção exclusivamente latina, porque o cinema jovem na América Latina está em plena ebulição e a qualidade das obras recebidas nos deixou surpresos e convencidos".
Segundo Berjon, o México ocupará um lugar especial no evento, já que Gael García Bernal, ator, produtor, distribuidor e agora também diretor, será o convidado de honra da vez. Seu primeiro filme, Déficit, será estreado na programação, porém fora de concurso. "Uma vez que vimos que a edição seria latina, a proposta de Gael como embaixador ficou mais forte", disse Jean-Christophe.
Um longa-metragem e dois curtas-metragens brasileiros foram selecionados para a competição. A via láctea, de Lina Chamié, está na mostra de longas-metragens. Um Ramo, de Juliana Rojas e Marco Dutra, e Saliva, de Esmir Filho, foram selecionados para competir entre os curtas. Outros filmes latino-americanos foram selecionados para mostra principal: Párpados Azules, do mexicano Ernesto Contreras, e XXY, da argentina Lucía Puenzo. Em sessões especiais serão exibidos Malos hábitos, do mexicano Simón Bross, El asaltante, do argentino Pablo Fendrik e o já citado Déficit, de García Bernal.
Em tempo: entre os diretores que a Semana revelou estão o mexicano Alejandro González Iñárritu, de Amores Brutos, selecionado e premiado em 2000.
Brasil: Quinzena de Realizadores + novíssima geração
Segundo conta a AFP, para Quinzena de Realizadores foi selecionado o longa Mutum, da cineasta brasileira Sandra Kogut. Além disso, a carioca terá a honra de encerrar a mostra paralela com sua adaptação de Manuelzão e Miguilim de João Guimarães Rosa.
A Quinzena também inclui em seu programa a produção portuguesa O estado do mundo, filme coletivo que conta com a participação do brasileiro Vicente Ferraz, diretor do documentário Yo soy Cuba: el mamute siberiano.
Já do Cinéfondation, programa do Festival de Cannes dedicado aos estudantes de cinema, participam os curtas brasileiros Saba, dos diretores Thereza Menezes e Gregorio Graziosi, e The Last 15, de Antonio Campos, filho do jornalista brasileiro Lucas Mendes e da produtora americana Rose Ganguzza.
Antonio, de apenas 23 anos, já é figura habitual do festival desde 2005, quando ganhou o prêmio de melhor curta-metragem por Buy It Now. Em 2006, Campos recebeu uma das bolsas de estudos de Residência do Festival, junto a outros cinco jovens produtores.
Site oficial de Cannes
Crônicas de um festival: 60 anos em Cannes
Semana da Crítica |
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Terça, 08 de Maio de 2007
Anti-aborto em cartaz na Venezuela
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O projeto de liberação do aborto na Venezuela foi o que inspirou uma de suas recentes produções cinematográficas nacionais, atualmente em cartaz nas inúmeras multisalas do país.
Escrito e dirigido pelo venezuelano Freddy Fardel, também autor de Mi Mujer Es La Que Manda, seu primeiro filme, o longa metragem foi entitulado 13 Segundos e conta com a atuação de atores venezuelanos como Daniela Alvarado, Víctor Cámara, Carmen Julia Álvarez, Emma Rabbe, Gabriela Vergara, Roberto Lamarca e Lourdes Valera, famosos por trabalhos anteriores em televisão.
Depois da experiência de acompanhar o crescimento de sua primeira filha através dos chamados “ecosonogramas”, uma técnica de controle da gestação através exames mais avançados do que o ultrassom, o diretor resolveu contar a dura luta de cinco bebês que “lutam para sobreviver”. As histórias, inspiradas em fatos reais e acompanhadas de imagens também reais dos exames, correm paralelas e se entrelaçam em uma espécie de apologia do não-aborto, cujo resultado é medíocre por se tratar de uma visão dramaticamente carregada e até ingênua.
Segundo contou Fardel ao jornal La Verdad, sua intenção não foi mudar a opinião das pessoas sobre o tema, mas “fazer com que falem do assunto e do projeto de lei que pretende despenalizar esse ato, o que deveria contar com o consenso da maioria dos venezuelanos”.
Para o mercado cinematográfico da Venezuela, a boa notícia vem de fora: Warner Brothers, Lion´s Gate e o grupo francês do Canal Plus já demonstraram interesse em distribuir 13 Segundos em caráter internacional.
Mais no site oficial: www.13segundos.com |
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Segunda, 07 de Maio de 2007
Um segundo debut
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O blog da Latina nasceu na estrada, durante uma viagem de pesquisa pela América do Sul e inspirada por ela. Animadíssimo, seu debut foi tímido, e seus primeiros meses de vida serão construídos a passos tranqüilos, mas firmes, que serão dados a partir de agora.
De volta à minha sede, começo a estruturar o projeto que crescerá a partir de uma revista e que com êxito chegará ao patamar de um banco de dados, construído com a colaboração ativa de leitores interessados e com o precioso apoio da Anydesign.net.
Essa mensagem é, portanto, um segundo convite e uma segunda estréia da página. Participem, opinem e saibam que, apesar de ainda pequena, La Latina tem um longo e proveitoso caminho a seguir.
Conto sempre com o apoio de vocês!
Camila Moraes
Crédito da imagem: Alberto Ramos, que registrou com graça um dos meus momentos de reflexão no meio do caminho. |
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