Terça, 31 de Julho de 2007
Argentina Latente, novo documentário de Pino Solanas

Depois de Memória do saqueio (2004) e La dignidad de los nadie (2006), o cineasta Fernando Pino Solanas lança Argentina latente, terceiro filme da tetralogia sobre seu país, que irá terminar com Los hombres que están solos y esperan, ainda em fase de filmagem. Solanas dedica seu filme “aos jovens, cientistas e trabalhadores dispostos a reconstruir a Argentina latente”.

O longa reconstrói a memória da indústria, da ciência e da tecnologia argentinas calcada em fortes contradições que vão da consagração de cientistas com três prêmios Nobel até a fuga dos maiores talentos para o exterior, o sucateamento das universidades e o abandono da escola pública.

Em clima de road movie, Argentina latente recupera 150 anos de feitos históricos do país que teve a maior malha ferroviária da América Latina e o maior parque petrolífero da região até os anos 40. Todos os avanços tecnológicos são retomados a partir de depoimentos emocionados de técnicos, engenheiros e cientistas, sem que se ignorem as principais contradições de um país que carrega a triste cifra de ter um terço da sua população vivendo abaixo da linha da pobreza e que, como seus vizinhos, está submetido ao regime de políticas econômicas internacionais.

Fernando Solanas percorreu seu país exibindo o documentário em pastorais, universidades, agremiações, fábricas e cooperativas onde a tônica é refletir sobre a sociedade civil como sujeito ativo nos rumos da história.  Argentina Latente está em cartaz na Argentina há algumas semanas e, por enquanto, não tem data para estrear no Brasil.

Por Paula Skromov

 
   
 Segunda, 30 de Julho de 2007
Chileno e equatoriano vencem segunda edição do festival latino de SP

Com casa lotada e público predominantemente jovem ao longo de seus sete dias, teve fim na noite do domingo, 29.07, a segunda edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. Na sala 1 do Memorial, foram entregues os prêmios da crítica e do público (este último significando também um apoio de R$ 30 mil ao vencedor), com apresentação da atriz Dira Paes, que destoava fortemente do ambiente vestida à la Oscar.

Das mãos da jornalista Maria do Rosário Caetano, presidente do júri especializado, composto por Cid Nader, Ricardo Calil e Sérgio Alpendre, o troféu da crítica foi entregue simbolicamente ao cineasta chileno Cristóbal Vicente, autor do documentário Arcana. Já a escolha do público, anunciada pelo curador do festival, o cineasta João Batista de Andrade, foi pela ficção equatoriana Qué tan lejos (vídeo), de Tania Hermida, ex-aluna da Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de Los Baños, em Cuba.

O filme, que retrata a jornada de duas garotas que se conhecem em uma viagem pelo Equador, é um caso recente de boa bilheteria nacional (para os padrões locais), além de ter conquistado a crítica em distintos festivais.

O grande homenageado do festival este ano, o cineasta mexicano Paul Leduc, também esteve presente no encerramento do domingo, algo reticente aos carregados elogios do presidente do Memorial, Fernando Leça, que também lhe entregou um troféu. A noite terminou com nova exibição de Frida, natureza viva, de Leduc.

Já confirmando a realização a terceira edição do festival para julho do ano que vem, a organização do evento anunciou um público presente de 16 mil pessoas para cerca de 120 filmes de 16 países, exibidos “gratuitamente” ao longo da semana. 

Por Camila Moraes

 Sexta, 27 de Julho de 2007
Festival de Cinema Latino de SP: documentário Jaguaribe Carne é destaque do domingo

Jaguaribe Carne: alimento da guerrilha cultural é parte da programação do 2º Festival de Cinema Latino Americano, que está acontecendo em São Paulo, e será exibido neste domingo, 29.07.  O documentário retrata o grupo de vanguarda Jaguaribe Carne, fundado em 1974 pelos irmãos Pedro Osmar e Paulo Ro em João Pessoa e que tem enorme projeção cultural em todo o nordeste e teve como um de seus integrantes Chico César, recém saído de sua terra natal, Catolé do Rocha. Para se ter uma idéia da obra do grupo, algumas das composições musicais de Pedro Osmar e Paulo Ró se tornaram nacionalmente conhecidas nas vozes de Lenine (Auto dos Congos, Mote dos Navios), Elba Ramalho (Nó Cego, Baile de Máscaras) entre outros artistas conhecidos.

A produção é da Gasolina Filmes, e a direção, assinada pela dupla Fábia Fuzeti e Marcelo Garcia. Aliás, Marcelo Garcia conheceu Pedro Osmar em 2004, quando surgiu a idéia do documentário que se concretizou ao ser selecionado pelo Programa Petrobrás Cultural. O projeto também contou com o apoio da FUNJOPE – Fundação Cultural de João Pessoa.

Ao longo de 29 minutos, Jaguaribe Carne: alimento da guerrilha cultural fala da criação do grupo e seu trabalho com ritmos brasileiros, tais como ciranda, coco, maracatu, caboclinho e boi – em releituras com música oriental, africana, jazz e instrumental brasileira e européia. E mostra também a fusão de linguagens: música, artes gráficas e visuais, teatro, literatura e até jornalismo. Tudo a partir do bairro de Jaguaribe, em João Pessoa.

O filme foi rodado em João Pessoa, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro, onde foram entrevistados antigos participantes, como Chico César, Escurinho e Jorge Negão, além de artistas diretamente influenciados pelo Jaguaribe Carne, como Lenine, Elba Ramalho, Babilak Bah e o poeta Jomard Muniz de Britto.  

Jaguaribe Carne: alimento da guerrilha cultural

Festival de Cinema Latino Americano
Memorial da América Latina – Sala 1
29.07 às 15h

Saiba mais sobre o documentário no site oficial: www.gasolinafilmes.com.br/jaguaribecarne.

 Quinta, 26 de Julho de 2007
Festival de Cinema Latino de SP: Reed – México insurgente com Leduc na platéia

O público que compareceu à sessão de Reed – México insurgente (cerca de trezentas pessoas) nesta segunda, 23.07, foi surpreendido com a ilustre presença do cineasta Paul Leduc na platéia da sala 2 do Memorial da América Latina. Por alguns minutos antes da exibição, o homenageado do Festival de Cinema Latino deste ano fez um breve relato sobre o cenário do cinema mexicano no período que antecedeu a filmagem de Reed, seu longa-metragem de estréia, em 1970.

Esse importante filme sobre a revolução mexicana de 1910 foi realizado com poucos recursos, mesmo para os padrões da época. Para efeito de comparação, Leduc mencionou uma outra obra do cinema mexicano, filmada no mesmo período e também dedicada à temática da revolução, porém vinculada às estruturas controladas pelos sindicatos cinematográficos. Enquanto seu filme foi realizado com cerca de US$ 200 mil, essa outra produção consumiu a enorme soma de US$ 14 milhões. 

Reed – México insurgente traz em si um resgate da força e representatividade do cinema mexicano, que perdeu alento após as frutíferas década de 40 e 50,  quando filmes produzidos no México se projetavam internacionalmente. “Não planejei Reed para ser meu primeiro filme, mas contanto com uma união de fatores, como o caso de um amigo que colocou à disposição uma fazenda para as locações, aproveitamos o momento para realizá-lo”, conta Leduc.

À película, feita em 16 mm, em tons sépia, recebeu um tratamento de envelhecimento “para reforçar o tom documental da narrativa”. Abordar o tema pela ótica de John Reed, o jornalista americano que escreveu a obra inspiradora do filme, foi o elemento central destacado por Leduc para a construção de sua proposta dialética. Reed é retratado em momentos de convivência amistosa com os combatentes e bastante envolvido com os propósitos da revolução - situação que termina transposta para um diálogo interior com seus temores e conflitos internos.

Barroco e Etnocídio são outros títulos de Leduc que serão exibidos no festival.  Confira no site do Memorial a programação do Festival de Cinema Latino de SP, que inclui a à Aula Magna com Paul Leduc no Memorial, às 14 horas deste sábado, 28.07.

Por Carlos Primo Vaz

 Quarta, 25 de Julho de 2007
Del lado de allá (julho): Pierre Menard, autor do anúncio de um anti-gripal

Del lado de allá,
a coluna de Alberto Ramos, diretamente da Espanha

Pierre Menard, autor do anúncio de um anti-gripal

O escritor Pierre Menard, protagonista de um conto de Borges, queria se colocar na pele de Cervantes para voltar a escrever Dom Quixote. O protagonista de La cáscara  (2007, de estréia na Espanha) não se chama Pierre, mas Pedro, e seu objetivo é muito mais humilde: colocar-se na pele de um companheiro de trabalho, recentemente falecido, com o propósito de lhe roubar uma idéia para o anúncio de um anti-gripal.

La cáscara é uma co-produção entre Uruguai, Argentina e Espanha, ainda que o componente uruguaio ganhe de goleada: Carlos Ameglio, diretor e roteirista, é uruguaio e, com esse primeiro longa-metragem, quis expressar, segundo suas próprias palavras, “esse sentimento tão uruguaio em que fazer algo próprio é impossível”. Por isso, Pedro, antes de ter uma idéia própria, prefere roubá-la de um morto. E aqui surge o paradoxo: para conseguir o McGuffin terá que recorrer a seu engenho. Irá se convertir em um improvável Sherlock Holmes à busca de um Graal (perdão pelo cruzamento de referências, mas é que Grial se parece com gripal e... Bom, tá valendo); seu não menos improvável Watson, por sinal, acaba sendo um simpático rapaz com problemas para vocalizar. Juan Alari é o encarregado de colocar voz, gestos e, sobretudo, cara a Pedro: uma máscara (casca?) que oculta/mostra um cérebro medíocre. Neste sentido, a interpretação de Alari acaba sendo impagável. E está engrandecida pela fotografia de Juan Carlos Lenardi, de enquadramentos elevados à caricatura, como se o protagonista tivesse vergonha de revelar o queixo.

Diz Ameglio que La cáscara é um filme sobre “a busca da identidade” (algo que, pelo jeito, também é muito uruguaio). Talvez por isso não tenha querido deixar claro qual é a profissão do protagonista; está certo, é um criador publicitário, mas poderia ser especializado em redação ou em direção de arte. Fiquei inclinado a pensar que se trata do primeiro caso, ainda que em nenhum momento o vemos escrevendo nada: somente contemplar abobado uma impassível folha de Word em branco. No entanto, ainda que seja um incidente, é convertido em sucessor do trono de seu departamento. Nada que repreender: eu conheci a algum diretor criativo (assim é o título que lhe concedem) com a mesma aridez mental.

É que La cáscara transcende o que é uruguaio: ainda que os publicitários do filme trabalham em Montevidéu, podiam ser de uma agência de Barcelona, Madrid ou Buenos Aires, por exemplo. Não sei se Carlos Ameglio já se dedicou à publicidade, mas eu apostaria meu dedinho esquerdo que sim. Por uma vez, os criativos não aparecem retratados como yuppies niilistas e/ou executivos com gravata; isto não significa que a nova imagem resulte mais favorecedora. Mas é mais reconhecível. O que posso assegurar sem medo de perder nenhum dedo é que pelo menos um dos produtores, o espanhol Luis Miñarro, é macaco velho em publicidade e já trabalhou em longas-metragens como o quixotesco Honor de cavalleria (Albert Serra, 2006) ou La silla (2006), temerário experimento de outro publicitário o argentino residente na Espanha Julio D. Wallovits.

Mesmo em menor grau, La cáscara também é um experimento arriscado e, como tal, é preciso aproximar-se dele: com precaução, mas sem medo de se queimar. Como diria seu protagonista, “o que pode dar errado?”.

Tradução:
Camila Moraes.

 Segunda, 23 de Julho de 2007
Clássico Soy Cuba é relembrado no Festival de Cinema Latino de SP através de documentário de Vicente Ferraz

Muito se fala da estética dura e marcadamente fria do período soviético, mas pouco se sabe da união imagética entre Cuba e a extinta União Soviética. O clássico Soy Cuba (1964), de Mikhail Kalatozov, vai além dos temores que circundavam a Guerra Fria. O mais curioso sobre o filme é que só foi exibido em Havana e Moscou, o que o manteve desconhecido pelo resto do mundo até os anos 90, quando os diretores Martin Scorsese e Francis Ford Copolla o recuperaram, agitando a imprensa mundial.

Soy Cuba é, sem sombra de dúvida, o filme mais atingido pelo isolamento imposto a Cuba pelos Estados Unidos. Mas é também uma película repleta de plasticidade e ousadia, mesmo no fértil momento do cinema da década de 1960.

Em plena guerra dos mísseis, o governo soviético enviou o diretor Mikhail Kalatazov e uma equipe de pré-produção - que incluía diretores de fotografia, maquinistas - para rodar “o grande filme cubano”. A história é ambientada em quatro recortes, começando com a Cuba pré-revolucionária, sem diálogos. O ritmo do filme é contemplativo, lento, e é aí que ganha sua força histórica e estética.

Soy Cuba foi patrocinado com fins ideológicos, mas acabou se tornando uma das maiores obras-primas da história do cinema com a pior audiência possível, o que provou ser este um testemunho maior do que a Guerra Fria. Por um lado, a produção não serviu aos propósitos do regime soviético por não ser “comunista o suficiente”, além de “experimental em demasia". Já os americanos o consideravam comunista demais, por isso foi impedido de ser veiculado em seu território e em países aliados. Dentro de Cuba, a reação foi de resistência, por ter sido tachado de frio e distante da real personalidade dos cubanos.

Toda saga da realização dessa obra – e de sua repercussão no mundo - é mostrada no documentário Soy Cuba, o Mamute Siberiano, de 2004, que marcou a estréia como diretor do brasileiro Vicente Ferraz. Em entrevista durante o Festival do Rio, em 2005, quando lançou seu documentário, Vicente dá sua opinião sobre o clássico cubano-soviético: “Soy Cuba era para ser um poema filmado em quatro esquetes sobre aquela ilha que acabava de se tornar o primeiro representante do regime socialista nas Américas. Porém, as lentes que registraram esse épico tinham sujeitos de outra formação cultural. Por isso, acredito que a questão da não-identidade do povo cubano foi um grande motivador para que o fracasso acontecesse”.

Soy Cuba chegou a ser re-exibido ao público cubano, na sala Chaplin, a maior de Havana. Segundo o roteirista Enrique Pineda, a reação quarenta anos depois foi outra, graças também ao documentário de Vicente Ferraz: “Era, enfim, a ressurreição do sonho de tantos trabalhadores, de toda uma nação, a transposição daquele que fora visto como um ideal falido. Foi como se o cinema voltasse a nascer pelo próprio cinema. Eu, particularmente não gostava do resultado do filme, mas a partir do documentário comecei a perceber valores essenciais”.

Para os interessados em entender a importância desse clássico, a boa notícia é a exibição do documentário Soy Cuba, o Mamute Siberiano durante o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que começa nesta segunda-feira. A sessão acontece dia 27.07 na sala 1 do Memorial.

Confira a programação completa em: www.memorial.sp.gov.br.

Por Paula Skromov

 Segunda, 23 de Julho de 2007
El Benny: mito cubano vira filme premiado

A película El Benny, uma das mais premiadas do cinema cubano contemporâneo, retrata a trajetória de Benny Moré, artista que através da música e da dança fez multidões delirarem nos salões e cabarés de luxo da Cuba pré-revolucionária. A história aborda desde sua chegada à ilha até o auge de sua jazz band, passando pelo envolvimento com políticos corruptos e por conflitos com a polícia. A trilha sonora do filme é um capítulo à parte, profundamente pesquisada e contextualizada dentro da vida e obra de Benny.

Finalmente realizada por Jorge Luis Sánchez depois de 11 anos em busca de um produtor, o filme apresenta o glamour, o brilho e o desespero de uma das figuras mais importantes do século XX para a cultura cubana. Sánchez relata ao site Cubacine: “Tive bastante tempo para pensar este filme e desenhá-lo. Ou seja, para planificar como seria o trabalho com fotografia, direção de arte, som e as atuações. Ensaiei muito com os atores as coreografias de Benny”. Sobre o resultado final, Sánchez diz relutante: “Este filme é a própria desproporção, como diria Julio García Espinosa, diretor da Escuela Internacional de Cine y Televisión de Cuba. Acho que o cinema cubano precisa de desproporção nesse sentido. É um filme feito com recursos limitados e, apesar disso, não busca o sentido naturalista da representação histórica e sim a expressão da personagem”.

El Benny foi lançado no ano passado em Havana e apenas 15 dias após sua estréia, foi visto por mais de 150 mil pessoas na capital. Esse público representa quase 10% da população da cidade. O filme teve forte reconhecimento internacional e recebeu vários prêmios, como o Prêmio Coral de Melhor Filme no 28º Festival Internacional de Havana (2006).

Saiba mais no site oficial: www.bennymorefilm.com.

Por Paula Skromov

 Sexta, 20 de Julho de 2007
Festival de cinema latino de SP homenageia Frida Kahlo, que completaria 100 anos em 2007

Terá início em 24.07, para a alegria do público cinéfilo paulistano, o 2º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. O evento foi aberto para a imprensa há uma semana, em 13.07, com a exibição do filme Frida – Natureza viva, realizado pelo mexicano Paul Leduc em 1986. O longa faz parte das homenagens aos 100 anos que Frida, falecida em 1954, completaria se estivesse viva hoje. A vinda de Leduc para uma aula magna em 28.07 promete ser o ponto alto desse tributo.

Frida – Natureza viva realiza uma reconstrução do período vivido pela pintora no México, retratando suas experiências íntimas e conflitos em face aos problemas de saúde com os quais teve de aprender a conviver desde sua infância. Leduc ambienta o enredo construindo uma narrativa que envolve o espectador na melancolia e na amargura que caracterizam a intrigante personalidade de Frida. No relato, os amores por ela despertados em homens como León Trotsky e o muralista Diego Rivera dão uma idéia de sua dimensão intelectual.

A densa atmosfera criada em cena por Leduc se distancia da proposta ficcional de Frida (2002), de Julie Taymor, último filme realizado sobre a pintora e protagonizado pela atriz mexicana Salma Hayek. Na versão de Leduc, as imagens se sobrepõem de forma mais cadenciada e intensa, atestando a atemporalidade da mensagem de Frida, mulher e artista.

Outras filmagens sobre a vida de Frida poderão ser conferidas em sessões do festival programadas para a Sala Cinemateca. Frida Kahlo, curta-metragem de Manuel Michel, tem exibição prevista às 21h de 24.07, seguida de outro filme de Leduc, Reed, México insurgente, na mesma sessão. Evocações de Frida, de Marcela Fernandéz Violante, abrirá a sessão para A adolescente, de Luis Buñuel, às 19h de 26.07, no mesmo espaço.

Além da Cinemateca, haverá atividades e exibições no Memorial da América Latina e no Cinesesc. O 2º Festival de Cinema Latino-Americano tem programadas também mesas de debate compostas por personalidades de destaque do cinema de nossa América. Privilégio que nós, paulistanos e amantes do cinema latino, aproveitaremos de bom grado.

Por Carlos Primo Vaz

 Sexta, 20 de Julho de 2007
Cinema cubano faz parceria com televisão espanhola

As muitas faces do ideário latino-americano inspiraram uma nova produção cubana para televisão, batizada provisoriamente de Libertadores. Ainda em fase de pré-produção, o projeto é um épico que aborda a vida de José Martí, o líder popular que lutou para livrar Cuba da dominação espanhola.

Com o objetivo de familiarizar o público com o tema, o diretor Fernando Pérez já iniciou a pesquisa histórica e agora estuda os cenários e a ambientação em estúdio. Pérez foi laureado em 2007 com o Prêmio Nacional de Cinema de Cuba, em reconhecimento à sua obra de grande importância para a Ibero-América, com títulos como Clandestinos, Madagascar, La vida es silbar e Suite Habana.

O diretor tomou a decisão de restringir a infância e a adolescência de Martí nos primeiros episódios, tratando de definir como se deu sua formação ética em plena Cuba colonial e que o levaria a imergir na Revolução pela independência e se tornar, mais tarde, um preso político. Segundo a jornalista cubana Mercedes Santos Moray, da revista Cubacine: “Pérez é certamente a pessoa mais adequada para tal ousadia. Se bem conheço sua sensibilidade, deve estar estudando e relendo Martí”.

O projeto é co-produzido pelo Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográficas (ICAIC) e Televisón Española e conta com a poética de um dos cineastas cubanos mais interessantes da atualidade.

Foto: Cubacine.

 Quinta, 19 de Julho de 2007
Em Cuba, estréia documentário sobre Carilda Oliver

Matanzas, Cuba. No último dia 05.07, estreou o documentário Memória de la fiebre, dedicado à poetisa cubana Carilda Oliver Labra, que completou 85 anos em julho. Carilda é ganhadora do Prêmio Nacional de Literatura de 1997.

Memória de la fiebre traz em 27 minutos parte da vida e da obra de uma das personalidades fundamentais da literatura cubana e também da América Latina, além de explicar o vínculo de Carilda com Matanzas. A cidade, que fica a 100 quilômetros de Havana, é ponto da referência da intelectualidade cubana. Como declarou o diretor e roteirista Manuel Jorge à agência Prensa Latina: “Quisemos uma première mais íntima nessa cidade, já que Carilda é Matanzas, e Matanzas é Carilda”.

Com relação à criação do documentário, disse: “Carilda é uma figura transcedental, já que sua poesia nunca morre. Eu uni sete poemas dela bailados e musicados. O fundo musical é um danzón, ritmo, aliás, que nasceu nessas terras”, conclui Jorge.

Para conhecer mais sobre Carilda Oliver Labra, acesse:
www.cubaliteraria.cu/autor/carilda_oliver/index.html.

foto: ICAIC.

Por Paula Skromov

 Quarta, 18 de Julho de 2007
Puerto Príncipe mio: documentário cubano sobre a realidade do Haiti

Nas palavras do cineasta cubano Rigoberto López Pego, “a realização de Puerto Príncipe mio foi uma experiência humana muito intensa e singular. Para mim, transcendente”, segundo declaração ao jornal cubano Granma.

O documentário, realizado em 2000, visita o espaço urbano devastado de Porto Príncipe, capital do Haiti, e o riquíssimo legado cultural do Caribe, desenhando as matrizes culturais que unem a África às Américas. É falado em creole, língua haitiana que nasceu da fusão de línguas africanas como bantu, ioruba, entre outras, com o francês, espanhol e inglês.

Puerto Príncipe mio revela, ao longo de seus 57 minutos, uma cidade caótica, empobrecida ao extremo e que devora seu próprio meio-ambiente, tamanha é a miséria de recursos. O filme aprofunda a ligação entre Cuba e Haiti, terra conhecida por relatos históricos e narrativas de escritores cubanos, como Alejo Carpentier e o poeta Nicolas Guillen.

Como ponto postivo, o documentário explora claramente um gênero documental destinado a mostrar o mundo, servindo, ao mesmo tempo, a um propósito maior através instigação de perguntas. Dessa experiência, Rigoberto quer mais. Agora prepara um projeto para rodar um longa-metragem de ficção no Haiti sobre um dos líderes populares haitianos, Henri Christophe. Em entrevista ao jornal cubano La Jiribilla, Rigoberto fala sobre o líder: “Fantasma de Henri Christophe será filmado em formato digital e terá como cenários as cidades de Citadelle e Sans Souci, fortaleza erguida por Christophe para que o povo haitiano nunca voltasse à escravidão e defendesse a sociedade tão sonhada contra invasões dos conquistadores”.

Como cineasta, Rigoberto sempre esteve ligado aos direitos humanos. Aliás, é dele também o principal projeto de cinema da região: a Mostra Itinerante de Cinema e Vídeo do Caribe, que recebe apoio do ICAIC (Instituto Cubano de Artes e Indústria Cinematográficas) e da Unesco.

Por Paula Skromov

 Quarta, 18 de Julho de 2007
XXY, a boa nova do cinema argentino

O melhor do argentino reside na arte de fazer perguntas. Com filmes que retratam realidades específicas para criar a famosa “big picture” (a que espectadores distintos podem se relacionar) e fazendo mais perguntas que oferecendo respostas, o cinema argentino conquistou primeiro os grandes festivais e, em termos, os circuitos cinematográficos de outros países.

Agora – e pouco a pouco –, alguns realizadores se arriscam mais. É o caso de Lucía Puenzo, que apesar de contar com a figura conhecida do ator Ricardo Darín (O filho da noiva) como protagonista, recorreu a um tema mais ousado, o do hermafroditismo, para filmar sua nova película, XXY.

O filme conta a história de Alex (personagem vivido por Inés Efron, ótima no papel), de 15 anos, que tem, ao mesmo tempo, os genitais masculino e feminino. Assustada com a chegada de amigos de seus pais, um deles um cirurgião que está aí para analisar seu caso, a menina (ou menino) vive o dilema de entender-se, mostrar-se e aceitar-se. No recorrido, uma série de experiências que pontuam as dificuldades do ser diferente, gerando um retrato de uma série de dilemas sexuais, tão em pauta nos dias de hoje.

Roteirista de La puta y la ballena e filha do diretor Luiz Puenzo (La historia oficial), Lucía Puenzo foi ganhadora do grande prêmio da Semana de Crítica de Cannes em 2007 com este que foi seu primeiro filme como diretora. Em XXY, fez a adaptação de um conto de seu marido, Sergio Bizzo, propondo uma aproximação a um tema desconhecido e polêmico a partir da realidade adolescente. Inquietante, o filme está em cartaz há algumas semanas na Argentina. Tem registrado boa bilheteria e também acumulado críticas positivas da imprensa. Em todo caso, e registros à parte, é sem dúvida um bom filme – com Darín – para se ter em conta.

Por Camila Moraes

 Terça, 17 de Julho de 2007
E você, quanto custa?, pergunta Olallo Rubio

Os seres humanos estão à venda… E você, quanto custa? é a proposição que faz o diretor mexicano Olallo Rubio com seu documentário Y tú, cuanto cuestas?, lançado em maio no México. Com entrevistas realizadas nas ruas da Cidade do México e de Nova York, o filme examina a relação das pessoas com o consumismo, partindo de uma análise política, econômica e cultural da proximidade entre México e Estados Unidos – que terminam por representar, respectivamente, o terceiro e o primeiro mundos.

Câmera na mão ao longo de 90 minutos, o documentário aborda temas como o mal causado pelo dinheiro, a legalização da maconha, o racismo nos Estados Unidos, os escândalos que envolvem a empresa petroleira mexicana (Pemex) e o domínio da mídia. Apesar de ter recebido críticas pelo caráter planfletário, o filme prende a atenção pela forma e pelo ritmo acelerado, que inclui animações em duas e três dimensões. Y tú, cuánto cuestas? foi exibida recentemente, durante o mês de julho, no Central Park, em Nova York, para a abertura de um evento de música dirigido por Thomas Cookman, o Latin Alternative Music Conference.

Nascido em 1977, Olallo Rubio começou sua carreira como locutor de rádio na estação Radioactivo, em que ficou famoso por seu estilo polêmico. Ingressa em cinema como roteirista e, em 2007, estréia Y tú, cuánto cuestas?, seu primeiro filme como diretor. Seu próximo projeto, já anunciado, se entitula Esta no es una película.

Visite o site oficial: http://www.sowhatsyourprice.com/

Por Camila Moraes

 Terça, 17 de Julho de 2007
São Paulo sob a lente de Jorge Durán

Depois de lançar Proibido Proibir (2006), Jorge Durán tem um novo projeto, já batizado de Gabriel à sombra do edifício. O diretor chileno, radicado no Brasil há mais de 20 anos, passou uma temporada como consultor do Festival de Sundance e ministrando seminários de cinema no Chile, México e Brasil. Isso fez com que se colocasse no outro lado do balcão, com um projeto próprio que ele começou a pré-produzir.

Convidado a ir à Barcelona conversar sobre o tema, Duran entrou em contato com roteiristas, uma atriz, um produtor e gente de televisão. Em entrevista ao site Cinestel, ele conta: “Isso já faz seis, sete anos e, no entanto, só ano passado consegui parte considerável dos fundos. Acredito que posso começar a filmar já neste ano”.

O que o diretor adianta sobre Gabriel à sombra do edifício é que o filme narra a vida de sete personagens que vivem à sombra de um edifício em São Paulo, dentre eles o menino Gabriel. Durán justifica a escolha de São Paulo como cenário da história: “É uma cidade de que gosto muito em toda sua monstruosidade. E acredito ter encontrado personagens desconhecidos que, de alguma maneira, modificam suas vidas e o fazem vê-la de outro modo. Em uma cidade enorme é muito difícil encontrar isso!”. E explica: “Também queria contrastar a dimensão humana com a dimensão de uma megalópole”.

Um chileno no cinema brasileiro

De origem chilena, Jorge Durán estudou teatro na Universidade do Chile, onde realizou trabalhos no palco e na coxia, atuando como cenógrafo, roteirista e ator. Radicado no Brasil desde 1973, veio exilado ao país quando Pinochet assume o governo chileno. Ainda no Chile, viveu sua primeira incursão no cinema com o controverso Voto más fusil, realizado em 1969 pelo conterrâneo Helvio Soto. Quando ainda vivia em seu país, foi contratado como assistente de direção do diretor grego Costa-Gravas para as gravações da obra-prima Estado de sítio.

No cinema brasileiro, Durán estreou como assistente de direção em 1976 no clássico Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto. Em 1977, atuou também como assistente de direção em Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, de Cacá Diegues, com quem voltaria a trabalhar em Quilombo em 1984. Daí por diante, foi roteirista de filmes como Gaijin, os caminhos da liberdade (1980), de Tizuka Yamasaki e assistente de direção de Pixote, a lei do mais fraco (1981), de Héctor Babenco. Pouco depois, Durán realizaria seu primeiro filme: A Cor do seu destino, de 1986, sobre um adolescente chileno exilado no Brasil depois de ter seu irmão ser assassinado pelo exército de Pinochet. O filme, que participou da sessão Panorama do Festival de Berlim, traz no elenco Norma Bengell, Julia Lemmertz, Chico Diaz e Guilherme Fontes.

Seu mais recente filme, Proibido Proibir, foi um projeto que venceu o concurso de filmes de baixo orçamento do Ministério da Cultura do Brasil, custou 1,2 milhão de reais e tão logo foi lançado, consagrou-se como um dos filmes brasileiros mais premiados dos últimos anos. É vencedor do Prêmio Cine en Construcción 8 de las Indústrias Técnicas na Espanha, Prêmio Signis do Festival de San Sebastián de 2005, melhor filme no Festival de Biarritz, Viña del Mar, Prêmio Júri Especial no Festival de Havana, melhor diretor no Festival de Valdívia.

Por Paula Skromov

 Terça, 17 de Julho de 2007
Araya: obra-prima do cinema venezuelano no Festival de Cinema Latino de SP

Na recente edição do Festival de Cinema Venezuelano, sediado no Memorial da América Latina, em São Paulo, o público pôde assistir a um dos mais importantes títulos do cinema latino-americano, o documentário Araya. Para os que perderam a oportunidade, a boa notícia é que o filme faz parte do Festival de Cinema Latino Americano, que acontece em breve em São Paulo, de 23 a 29.07, com exibições no Memorial da América Latina, na Sala Cinemateca e no Cinesesc.

Araya é considerado patrimônio da cultura venezuelana e narra de forma épica a vida de trabalhadores de uma usina de sal no oriente do país. O filme venceu o Festival de Cannes de 1959 e compartilhou o Prêmio Internacional da Crítica com Hiroshima, Mon Amour, de Alain Resnais. Em 1990, foi eleito pela Latin American Visions um dos cinco melhores filmes latino-americanos de todos os tempos. 

Dirigido por Margot Benecerraf, caraquenha que estudou cinema no IDHEC (Instituto de Altos Estudos Cinematográficos) de Paris. Seus filmes mais conhecidos são documentários, dentre eles: Reverón, obra sobre a vida do pintor venezuelano.  Benecerraf também fundou a Cinemática Nacional em 1966 e, com a ajuda do escritor colombiano Gabriel García Márquez, criou a Fundavisual, fundação que tinha a seu encargo a divulgação de produtos audiovisuais da América Latina.

Araya no II Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo:

:: 25.07 (Memorial da América Latina) às 13h
:: 28.07 (Memorial da América Latina) às 21h

 Segunda, 16 de Julho de 2007
Fabricando Tom Zé estréia em meio a controvérsia

O próprio Tom Zé adianta o que podemos esperar do documentário Fabricando Tom Zé: “O filme está ótimo, mas eu vou processar o diretor!”, disse, em declaração ao jornal O Globo durante a Première Brasil do Festival do Rio 2006. 

É que músico trocou farpas com Décio Matos Jr, que estréia como diretor agora, quando pediu que não fossem colocados depoimentos de Gilberto Gil e Caetano Veloso no filme. Explica o mais controverso dos tropicalistas: “Dei autorização para que ele fizesse o filme, contanto que não usasse depoimentos nem de Gil, nem de Caetano. Fui ver o filme, e lá estavam os dois. Quando me queixei, Décio me disse que me respeita como músico e que eu o respeitasse como documentarista!”.

Nada na vida de Tom Zé foi fácil, e com o documentário não seria diferente. Tanto é que estreou em plena sexta-feira 13 (13.06), o que para o diretor Décio Matos Jr soa quase catártico: “Pode parecer loucura, mas para nós não poderia ser outra após tudo que passamos para realizar este documentário”, afirmou em nota do site Overmundo.

Fabricando Tom Zé retrata a vida de um dos músicos mais experimentais e vanguardistas do país. Por muitos anos marginalizado pela cena cultural brasileira, Tom Zé conquistou reconhecimento no exterior. Para a Rolling Stone Magazine, Tom Zé é: “O último herói do pop underground”. Buscando alcançar esse tom, o documentário faz um recorte interessante sobre sua figura tão rica e contestadora. “Tom Zé nos deu acesso livre a tudo, concedeu uma entrevista maravilhosa em seu quarto de hotel em Montreux, fez os europeus cantarem em português e tudo isto entrou no filme”, contou Matos Jr ao Overmundo.

Muitos filmes sobre músicos têm sido produzidos: Buena Vista, Vinícius, Bethânia e outros. O próprio Tom Zé satiriza: “Quando arrefecer essa onda, vai ter artista que vai falar com orgulho: não tenho filme sobre minha vida!”.

Veja mais: http://www.fabricandotomze.com.br.

Por Paula Skromov

 Segunda, 16 de Julho de 2007
Latinos em Nova York

Realizadores latinos a postos, começa a contagem regressiva para a oitava edição do Festival Internacional de Cine Latino de Nova York, que acontecerá entre os dias 24 e 29.07. Este ano, o evento reúne 80 filmes, dos quais somente 16 estréiam mundialmente. 

São longas-metragens de ficção, documentários e curtas produzidos nos Estados Unidos, Porto Rico, Chile, México, Brasil, Cuba, Argentina, República Dominicana, Bolívia e Espanha.

Entre os destaques, estão o filme cubano El Benny, de Jorge Luis Sánchez, American Visa, co-produção México-Bolívia, B-Happy, do Chile, Espanha e Venezuela, Más que a nada en el mundo, do México, e Nordeste, produção realizada entre Argentina, França e Espanha.

Os latinos dos Estados Unidos não ficam de fora: o festival será encerrado com o filme El cantante, dirigido por Leon Ichaso, sobre a vida do cantor de salsa Héctor Lavoe. Os protagonistas são o casal Marc Anthony e Jennifer López. 

Já entre os pontos fortes, estão as mostras especiais La Noche Dominicana, Cine Bajo las Estrellas, La Nueva Música del Festival e o Día de la Família.

Imagem: Nordeste, de Juan Solanas.

 Segunda, 16 de Julho de 2007
Karim Anoüz participa de curso sobre cinema e diversidade sexual

Depois de retratar a sexualidade sob as mais diversas formas em seus filmes, de Madame Satã a Céu de Suely, o diretor de cinema Karim Anöuz participa do curso sobre Cinema e Diversidade Sexual em São Paulo. 

O curso nasce da parceria entre o Espaço Gafanhoto e o MixBrasil e traz à tona temas relacionados à diversidade sexual e políticas de inclusão e representação gay no audiovisual. 

Durante as aulas, os alunos deverão analisar obras de cineastas conhecidamente engajados: desde os profundos questionamentos e a crítica política de Píer Paolo Pasolini até a irreverência, não menos contestadora, de Pedro Almodóvar.

Gafanhoto
Av. Rebouças, 3181
Tels.: (11) 3816-2859 / 3816-2857
www.gafanhoto.com.br

 Sexta, 13 de Julho de 2007
Gramado anuncia concorrentes brasileiros e latinos, além homenagens a Coutinho e Zezé Mota

Entre os dias 12 e 17.07, acontece o 35º Festival de Gramado, cujos filmes escolhidos para a competição já foram anunciados. Do Brasil, foram selecionados seis filmes: São Condor, de Roberto Mader, Deserto feliz, de Paulo Caldas (exibido em uma das mostras paralelas do Festival de Berlim), Castelar e Nelson Dantas no país dos generais, de Carlos Prates, Valsa para Bruno Stein, de Paulo Nascimento, Otávio e as letras, de Marcelo Masagão, e Olho de boi, de Hermano Penna.

A contribuição dos latinos para esquentar o festival vem dos títulos In God we trust, El cobrador (co-produção México-Brasil), de Paul Leduc, Cocalero, produção argentina assinada pelo brasileiro-equatoriano Alejandro Landes, e El Baño del Papa, de Enrique Fernández e César Charlone (grande fotógrafo dos filmes de Fernando Meirelles. O filme é uma co-produção Brasil-Uruguai, já exibida também em uma das sessões paralelas do Festival de Cannes em maio.

Faz parte do festival há seis edições o Prêmio Eduardo Abelim, em homenagem ao pioneiro do cinema gaúcho, destinado a produtoras e instituições que fomentem o cinema brasileiro. Neste ano, o prêmio será outorgado à Casa de Cinema de Porto Alegre, comandada pelo cineasta Jorge Furtado, que se prepara para lançar sua mais nova produção: Saneamento básico, o filme.

Um das homenageadas com o prêmio Oscarito será a atriz Zezé Motta, que completou recentemente 40 anos de carreira e atuou em filmes como A Rainha Diaba, Quilombo, Águia na cabeça, Jubiabá, Anjos da noite, Tieta, Orfeu, Cronicamente inviável, entre outros.

Além dos prêmios já tradicionais, Gramado traz este ano o Kikito de Cristal, espécie de “Life Achievement Award”, que vai para o documentarista Eduardo Coutinho, em reconhecimento à sua grande contribuição ao cinema nacional. Sua extensa obra que inclui títulos como: Cabra marcado para morrer, Edifício Master e Peões.

Para mais informações, consulte o site oficial do festival: www.festivalgramado.com.br.

 Quinta, 12 de Julho de 2007
Documentário de El Salvador narra a vida de mulher transexual

O filme salvadorenho Rosa, história de vida de uma mulher transexual ganhou como melhor documentário no Festival de Cinema Independente de Nova York em 2006, apesar de ter sido exibido somente em El Salvador, país de seus realizadores e da protagonista. E conquistou também projeção internacional em outros festivais como o Festival Ícaro da América Central e Caribe de 2006 e o Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz, na França.

O documentário tomou forma quando Érika Saca, Chiki Vasquez e Orlando Alvarez, produtores e diretores do projeto, depararam-se com uma loira escultural que dizia se chamar Ginger Lorena Bobbit, em homenagem a uma mulher estadunidense que decepou o pênis do marido. Em um bairro de San Salvador, Ginger acabou por explicar à câmera Hi 8 de Érika a diferença entre transexuais e travestis. Daí para encontrar a transexual Rosa Marcela não tardou muito.

O enfoque documental sobre a vida de Rosa Marcela, transexual salvadorenha, cravada na marginalidade de uma cultura machista é repleto de críticas à violência e intolerância em todos os níveis. O documentário transcorre também sobre a abordagem sensacionalista e perversa dos meios de comunicação. Foram 22 horas gravadas que originaram os 27 minutos do documentário composto por relatos comoventes de Rosa Marcela, que nasceu Luis Antonio, cujo desejo em ser como a atriz mexicana Thalia o levou à mudança de sexo. Rosa Marcela disse, em entrevista a um jornal salvadorenho: “Sou transexual, porque me sinto como uma mulher. Sou como uma mulher dentro de um corpo errado”.

Mas as mudanças foram grandes também para os realizadores que agora se dizem determinados a revelar o rosto da marginalidade, onde quer que seja. Segundo a Érika, a experiência valeu “para que o nosso país tenha, ao menos, a opção de ver as coisas de outra forma”. Ela acrescenta: “Fazer este documentário para nós não significa só promover um estilo de vida transexual. O que queremos é que exista tolerância”.

Por Paula Skromov

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