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Sexta, 28 de Setembro de 2007
IX Festival de cine y video documental: as novidades do documentário latino |
De 06 a 13.10 acontece em Buenos Aires o IX Festival Nacional de Cinema e Vídeo Documental, bela oportunidade para conferir, gratuitamente, as últimas produções não só argentinas, mas latino-americanas que não entram habitualmente em circuitos comerciais de exibição. Todas as obras do evento têm clara referência a temáticas culturais autóctones, sociais, ambientais e de direitos humanos.
O júri do festival é composto por nomes importantes do cinema argentino e por integrantes do Núcleo Documentalistas de Buenos Aires, tais como Jorge Falcone, Maria Inês Bruzzi, Federico Urioste e Ana Maria Careaga, que elegerão os finalistas entre os mais de trezentos trabalhos inscritos. O Núcleo de Documentalistas existe desde 1996 com objetivo de desenvolver a produção e exibição de documentários argentinos e latino-americanos.
Entre os destaques, está o documentário brasileiro Iroko, el árbol sagrado. Realizado pela produtora brasileira TV Viva, com direção de Clarice Hoffmann, o longa retrata a resistência do povo negro a partir de declarações de músicos e religiosos, através dos cultos afro-brasileiros. Iroko é uma divindidade que cuida da agricultura e da fertilidade da terra; é bastante conhecida não só pelo candomblé, mas em todo o antigo reino de Daomé, que hoje envolve regiões de Benin e Nigéria.
No festival, os critérios de premiação são aspectos temáticos, narrativos e estéticos dos filmes. Também será outorgado um prêmio ao melhor documentário, além de menções e reconhecimentos e também o prêmio especial de melhor documentário jornalístico, social, antropológico, ambiental e sobre direitos humanos.
A programação pode ser conferida no site da entidade, sessão agenda.
Por Paula Skromov
Foto: Aquí va un soldado de America, documentário que percorre cada lugar por onde passou Che Guevara em sua segunda e decisiva viagem pela América do Sul, pouco antes da construção mítica de sua figura pela luta às liberdades civis e populares na América Latina. O longa é baseado em outro livro de mesmo nome, que, na verdade, trata-se da compilação de cartas de Ernesto Guevara à família. |
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Quinta, 27 de Setembro de 2007
A Casa de Alice: boa atuação de Carla Ribas
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Já fez sua estréia no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, o primeiro longa de ficção de Chico Teixeira, A casa de Alice, que fez parte da mostra Panorama durante a 57ª edição do Festival de Berlim, no começo deste ano. Bem recebido no evento graças à atuação de Carla Ribas – que veio do teatro para um ótimo debut em cinema –, o filme é o retrato cotidiano de uma problemática família de classe média baixa de São Paulo a partir da visão de Alice, manicure e mãe de família. Segundo o crítico Luiz Carlos Merten, do Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo, é “um filme perturbador e triste”, que “implode” com sus personagens, em lugar de “explodir” no final.
Definido pelo diretor Chico Teixeira como “um filme de pequenas ações”, A casa de Alice é uma produção da Superfilmes e já tem traçado um trajeto promissor para sua carreira internacional. A distribuidora americana independente FiGa Films, com sede em Los Angeles, comprou a obra durante o último Festival de Cine de Guadalajara, em março, para sua circulação nos Estados Unidos e no Canadá. No Brasil, o longa deverá ser lançado comercialmente após o festival carioca.
Veja o trailer e faça seus comentários! |
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Quarta, 26 de Setembro de 2007
Cine latino em "curtas" IV
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Notícias recentes sobre cinema latino em notas rápidas:
:: Mais países latinos escolhem seus representantes para o Oscar 2008
Depois de Colômbia, Cuba e Peru, mais três países latino-americanos fizeram suas escolhas para conseguir uma vaga no Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008. O Brasil ficou com O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger – o favorito entre 18 candidatos – após uma acirrada disputa com Tropa de Elite. Tropa, de José Padilha, entrou de última hora na competição, estreando quase às escondidas em uma sala de Jundiaí para cumprir com os requisitos da premiação americana. Apesar de ter caprichado no lobby para conseguir a vaga, o filme não venceu o páreo, segundo seus produtores, porque filme que trata de violência geralmente não atrai o júri. O ano... vai estrear nos Estados Unidos em dezembro – outro requisito da Academia para a participação no Oscar. A Venezuela, por sua vez, aposta em Postales de Leningrado, de Mariana Rondón. O filme, uma produção da Sudaca Films, estreou em 07.09. Já Porto Rico escolheu Maldeamores, dirigida por Carlos Ruiz e Mariem Pérez.
:: Festival de Cine de Bogotá acontece em outubro
Começa dia 03.10 o Festival de Cine de Bogotá (foto: cartaz), que acontece até o dia 11, tendo o Egito como “hóspede de honra”. Essa é 24ª edição do evento, que será aberto com a exibição de El sueño del paraiso, de Carlos Palau. O filme é a história de um jovem colombiano que emigra ao Japão nos anos 20. As mostras e as obras em competição podem ser conferidas no site oficial do evento: http://www.bogocine.com/xxiv.
:: Viña del Mar homenageia a Colômbia
O festival de Viña del Mar, que acontece de 21 a 27.10, escolheu a Colômbia para um ciclo especial de filmes dentro de sua 19 ª edição. Diego Rojas foi o curador da mostra, que inclui: La historia de el baúl rosado, de Libia Stella Gómez, Apocalipsur, de Javier Mejía, La sombra del caminante, de Ciro Guerra, El colombian dream, de Felipe Aljure, Dios los junta y ellos se separan, de Harold Trompetero, Malamor, de Jorge Echeverri, Buscando a Gabo, de Luis Fernando Bottía e El corazón, de Diego García Moreno. Para mais informações, visite o site oficial do evento chileno, que está entre os mais destacados da América Latina. |
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Terça, 25 de Setembro de 2007
Ponte de celulóide une o Brasil à Galícia
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No ritmo crescente das co-produções, cada vez mais comuns entre países e suas cinematografias, foi fechado no último dia 21.09 um acordo Brasil-Galícia que prevê pelo menos dois filmes anuais realizados entre ambos os territórios. Segundo seus criadores, o projeto tem o objetivo de “criar maior reconhecimento mútuo” e foi concretizado pela Ancine e o Consorcio Audiovisual de Galicia através de seus representantes, Manoel Rangel e Fernando Salgado, respectivamente. As salas de cinema – e obras em película – serão o principal destino dessaa iniciativa.
As co-produções se darão por meio de concursos que financiarão os projetos cinematográficos vencedores com 300 mil reais e 120 euros. Ao jornal espanhol El Pais, Salgado explicou que durante uma visita de realizadores galegos ao Brasil, já foram iniciadas as negociações de 50 filmes que serão realizados entre produtoras dos dois lados.
As relações entre as duas cinematografias irão se intensificar no já programado II Encontro Audiovisual Galego-Brasileiro. No primeiro seminário, que aconteceu em março deste ano, Mara Gutiérrez Andrés, da Agapi, associação de produtores independentes da Galícia, apresentou as vantagens para os brasileiros em co-produzir com a Galícia. Segundo ela, os galegos contam mecanismos de incentivo da região, da Espanha, do Ibermedia e da União Européia. Já o segundo evento, cujo objetivo é gerar novos contatos entre realizadores, acontece em novembro na Galícia. Para a ocasião, está programado também um festival de cinema com filmes brasileiros inéditos na Espanha.
Por Camila Moraes
Foto: cena de Mar adentro, película de Alejandro Amenábar rodada na Galícia. Outros exemplos de produções espanholas importantes filmadas em território galego são Segundas-feiras ao sol, de Fernando León, e, em parte, Má educação, de Pedro Almodóvar. |
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Segunda, 24 de Setembro de 2007
Festival de Curitiba oferece oficinas gratuitas de cinema
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Em Curitiba, amantes do cinema podem anotar na agenda: de 05 a 11.10, o 2º Festival do Paraná de Cinema Brasileiro e Latino oferecerá oficinas gratuitas.
Os temas são: “Roteiro cinematográfico”, com aulas de um dos fundadores da revista Pasquim, Luiz Carlos Maciel, “Direção de arte na construção da imagem cinematográfica”, pelo cenógrafo e diretor de arte José Dias, “Documentarismo”, pelo realizador Evaldo Morcazel, e “Rossellini e Multidimialidade”, com o italiano Adriano Aprá, que é crítico e historiador do cinema italiano. Os encontros acontecem no Museu Oscar Niemeyer.
O Festival do Paraná, cujo objetivo “é fortalecer mais um pólo de cinema” no Brasil, é uma iniciativa da CINETVPR (Escola Superior Sul Americana de Cinema e TV do Paraná). Dos longas em competição no evento, fazem parte o boliviano American Visa (2005), de Juan Carlos Valdivia, a co-produção Argentina-Venezuela O último bandoneón (2005), de Alejandro Saderman, e o brasileiro Querô (2007), de Carlos Cortez.
Mais informações sobre as oficinas e a programação estão disponíveis no site oficial do evento. |
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Segunda, 24 de Setembro de 2007
Fujimori no cinema
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Em momento de acerto de contas históricas, o Peru recebe de volta ao seu território Alberto Fujimori, que foi extraditado do Chile no último sábado, 22.09. Nesse contexto, o site peruano Cinencuentro aproveitou para fazer um resumo de filmes – ficções e documentários – em que o ditador aparece.
Diz que não é pouca coisa e, apesar de serem ruins as lembranças, vale a pena ativar a memória através do cinema. Por isso, veja o trailer de Estado de Miedo (State of Fear, 2005), um dos filmes que narra parte dos fatos que aconteceram durante governo de Fujimori no Peru, nos anos 90, e confira mais títulos sobre o tema aqui.
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Sexta, 21 de Setembro de 2007
Entrevista: Andrea Hirsch fala da Docfera
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Já era tempo da América Latina reunir sua produção cultural para então compartir-la, rompendo fronteiras pelo menos no plano virtual. Docfera, um banco de dados online de documentários latino-americanos com estréia prevista para novembro, é uma das primeiras iniciativas neste sentido.
Sua diretora Andrea Hirsch, ela mesma documentarista, falou à Latina para dar mais detalhes do projeto, que tem sede em diferentes países e cujo grande objetivo é chegar a cada pessoa interessada em ter acesso a documentários latinos.
Confira e, em breve, aproveite.
De onde surgiu a idéia de criar a Docfera?
Venho de uma tradição de preservar a cultura latino-americana. Em minha opinião, o documentário é uma demonstração do que é nossa cultura. Por algum motivo, na América Latina não somos muito interessados em formar arquivos, mas, por outro lado, filmamos muito. Acreditamos que, criando o arquivo mais completo de documentários latino-americanos, vamos preservar a história e, além disso, vamos fazer com que nossos excelentes realizadores possam ser vistos em todo o mundo, subtitulado no idioma que esse país, instituição ou pessoa queira. Por isso, criamos a Docfera..
Onde fica a sede principal do projeto e quais são seus braços?
A Docfera tem dois sedes principais. Buenos Aires, que é a sede operativa, e Rio de Janeiro, que é a sede legal. Tanto a Argentina como o Brasil são neste momento os países com que estamos trabalhando mais intensamente. Temos, além disso, uma sede em Bogotá e outra na Cidade do México. A sede de Buenos Aires se ocupa da Argentina e de países limítrofes, como Chile, Uruguai e Bolívia. O Brasil, como é muito grande, somente se ocupa dele mesmo. O mesmo acontece com o México. A Colômbia está em planos de se ocupar também do Peru e da Venezuela.
Qualquer um poderá ter acesso ao sistema? A quem se dirige o projeto?
O projeto é uma novidade, porque pretende se dirigir basicamente a todas as universidades fora da América Latina, que, por diversos motivos, não têm acesso a esse material. Há muitíssimas universidades que se interessam pela América Latina. Em outras palavras, não estamos pensando naquelas especializadas em documentários, senão, por exemplo, aquelas que tenham um departamento de literatura, música etc. Além disso, qualquer pessoa que tenha sua senha poderá ter acesso à Docfera.
Como se dará o acesso dos usuários depois de realizada uma busca?
Haverá diferentes tipos de acesso de acordo com a qualidade do vídeo. A Docfera pretende que se possa ver o material em celulares, palms, computadores e em plasma. Nos casos dos computadores e dos plasmas, teremos diferentes qualidades disponíveis. Por cada vídeo se cobra um preço diferente, de acordo com a qualidade do download.
Como funciona o sistema DRM e por que é um método tão seguro?
O DRM é o método de proteção de direitos autorais mais seguro que existe atualmente. Os técnicos encriptam o material, que, além disso, terá o acompanhamento da nossa equipe de advogados.
Os autores dos documentários oferecidos no banco terão como saber quem acessa suas obras?
Cada realizador poderá seguir a partir de seu próprio computador onde foram vistos seus filmes ou então onde estão sendo vistos em determinado momento. Os autores terão controle absoluto disso. A idéia é que tudo seja transparente.
Como é realizado o trabalho de curadoria para a escolha dos filmes?
Nossos curadores são pessoas de longuíssima trajetória e muito respeitadas no meio audiovisual. A maioria é de professores e participa em muitos festivais. Os curadores elegem os documentários, mas, além disso, têm que fazer todo um trabalho que implica saber os dados que farão parte da METADATA. Caso tenham alguma dúvida, os curadores podem usar a própria Docfera para ver conjuntamente um documentário e então decidir se ele deve estar no banco. Há uma comunicação fluída, e duas vezes por ano a equipe deverá se juntar para repensar os critérios de busca.
Quem organizará os já anunciados Festivais Online e para qual público?
Ainda estamos nas preliminares dos Festivais. Seria muito apressado e eliminaríamos o efeito surpresa se os anunciássemos por completo agora.
Quando será a estréia da Docfera para o público?
Será em 60 dias, com 100 documentários escolhidos por curadoria e subtitulados.
Quais são os planos para o projeto no futuro?
Poder chegar a todas as pessoas que tenham computador e estar presente nos museus mais importantes do mundo. Na verdade, já estamos em alguns... Pessoalmente, estaria muito feliz de poder integrar universidades indianas e chinesas à Docfera.
Por Camila Moraes
Foto: a documentarista colombiana Martha Rodriguez durante as filmagens de Chircales. |
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Quinta, 20 de Setembro de 2007
Festival do Rio começa; adaptação de García Márquez é destaque
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Foi dada a largada hoje, 20.09, para mais uma edição de um dos eventos de cinema mais importantes do Brasil, o Festival do Rio. Com 400 títulos, entre eles 34 longas e 24 curtas nacionais, a jornada que vai até 04.10 começou com a primeira exibição pública de Tropa de elite, o polêmico filme de José Padilha sobre a polícia carioca, já pirateado e amplamente comentado em blogs e pela imprensa.
Ao longo de 15 dias, o público terá chance única de assistir à maioria dos filmes, que não estrearão comercialmente ou ainda não têm previsão de entrar em cartaz no país. A programação inclui importantes estréias nacionais, além de obras de grandes diretores internacionais que vêm acumulando prêmios festivais afora.
O amor nos tempos do cólera
No âmbito “quase latino”, um dos destaques é a aguardada estréia de O amor nos tempos do cólera, adaptação cinematográfica do clássicos de Gabriel García Márquez feita por Mike Newell (O sorriso de Mona Lisa e Harry Potter e o cálice de fogo). Do elenco, fazem parte Giovanna Mezzogiorno, Javier Bardem e Benjamin Bratt. Nos Estados Unidos, a estréia comercial acontece em 16.11. Ao Brasil, a previsão é que o filme chegue em 23.11.
Confira os títulos selecionados para Première Latina aqui. |
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Quarta, 19 de Setembro de 2007
A primeira imagem de Blindness
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E crescem as expectativas – e as notícias publicadas pela imprensa – sobre o novo filme de Fernando Meirelles, Blindness. Como já se sabe, o longa é uma adaptação da aclamada obra de José Saramago Ensaio sobre a cegueira e conta com um casting de primeira.
Juliane Moore, a protagonista, declarou recentemente à Folha de São Paulo, durante as filmagens realizadas em Montevidéo, no Uruguai, que “Meirelles é um dos melhores diretores do mundo hoje”. O cast, que inclui Mark Ruffalo (o médico), Danny Glover (o narrador) e Gael García Bernal (um dos vilões), já partiu para São Paulo, onde participará da próxima etapa das rodagens.
Blindness, co-produção Brasil-Canadá de US$ 25 milhões de orçamento, tem previsão de estréia para 28.09 do ano que vem. Os curiosos podem acompanhar detalhes da produção, contadas pelo próprio Meirelles, no blog mantido por ele – e que tem ótimos relatos das gravações. No mais, ficamos com imagem acima, a primeira divulgada do filme. |
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Terça, 18 de Setembro de 2007
Cine latino em "curtas” III
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Notícias recentes sobre cinema latino em notas rápidas:
:: Boas notícias para o cinema nacional no Chile e no Brasil
Em sua segunda semana em cartaz, o filme chileno Casa de remolienda, de Joaquín Eyzaguirre, passou a liderar a bilheteria do país, superando blockbusters como Os Simpson. Foram contabilizados de 30.08 até agora mais de 26 mil espectadores para as 20 cópias distribuídas às salas. Enquanto isso, no Brasil, Primo Basílio, de Daniel Filho, fez frente às big productions norte-americanas e permaneceu por várias semanas entre os filmes de maior bilheteria do país. Quem informa é o Portal del Cine Latinoamericano y Caribeño.
:: Mais remakes de suspense por vir
Mais um filme de carreira bem-sucedida em festivais pelo mundo será coroado com um remake. Habitaciones para turistas (trailer acima), do argentino Adrián García Bogliano, foi realizado em 2004 pelo grupo Paura Flics com apenas três mil dólares. Agora foi adquirido pela agência americana The Collective e será refilmado pelo mesmo diretor em Mississipi, nos Estados Unidos. O longa, tipo thriller de suspense, não foi estreado comercialmente na Argentina, apesar de ter tido êxito em salas norte-americanas e também de ter sido editado em DVD nos Estados Unidos, no Canadá e em Porto Rico.
El orfanato (2007), do espanhol Juan Antonio Bayona, é outra produção ibero-americana de suspense escolhida para remake. Quem fará a nova versão é o mexicano Guillermo del Toro (O labirinto do fauno, de 2006). Enquanto a empresa New Line corre para comprar-se os direitos do remake em inglês, a versão original ainda será lançada na Espanha pela Warner, dia 11.10.
:: Festival de Toronto premia La zona, de Rodrigo Plá
Depois de ganhar em Veneza, Rodrigo Plá, uruguaio radicado no México, arrematou na 32ª edição do Festival de Toronto mais um prêmio para seu La zona. O filme, que é uma co-produção entre México e Espanha, foi o escolhido da crítica internacional da Fipresci e estreará em salas espanholas dia 09.11 pela distribuidora Alta Films. |
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Segunda, 17 de Setembro de 2007
Entrevista: Sandro Fiorin, da FiGa, fala de cinema latino rumo ao norte
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O mercado norte-americano, apesar de ainda ser um terreno difícil para a circulação do cinema latino, representa uma ótima tacada para o sucesso de um filme no exterior. Sem mencionar, é claro, a importância de se fazer com que os conteúdos viajem rumo ao norte, diminuindo o desconhecimento nos Estados Unidos e no Canadá sobre que é a América Latina.
A FiGa Films, de Sandro Fiorin e Alex García, é uma distribuidora com sede em Los Angeles que resolveu encarar o desafio e abrir caminhos na Gringolândia para cineastas latino-americanos independentes, que apresentem propostas não-comerciais, sensíveis e alternativas. Isso é o que o busca o público de lá cada vez mais, segundo o que conta Sandro em entrevista exclusiva à Latina. Confira.
Qual foi seu recorrido pessoal e profissional até hoje?
Nasci em Barra Mansa, estado do Rio, mas fui criado entre Rio e São Paulo. Tenho 41 anos. Estudei Jornalismo no Rio de Janeiro, na Faculdade da Cidade, e Cinema na FAAP, em São Paulo. Fui para Nova York no final de 87 para fazer o curso de Film Studies na New School. O plano era ficar dois anos, mas fui ficando... Já estou nos Estados Unidos há quase 20 anos. Durante este período, antes de começar a FiGa, trabalhei no jornal La Prensa, no Film Forum e para a Universal Studios em Nova York, e para a Bertelsman e First Look em Los Angeles. Ao longo da minha carreira, sempre trabalhei com publishing, como editor, ou com distribuição e exibição de filmes independentes.
Como surgiu a idéia de criar a FiGa Films?
Foi há uns 10 anos, enquanto trabalhava para o Film Forum em Nova York. Lidava diariamente com vários minidistribuidores do mundo todo. Recebíamos um monte de DVDs e videotapes semanalmente, e percebi que chegavam poucos filmes latinos, quase nenhum. Sempre senti muita vontade de ver mais filmes brasileiros, argentinos, chilenos etc. No meio da década de 90, com a retomada, comecei a notar que os filmes latinos estavam voltando à tona e que eram diferentes. Vinham com uma nova identidade, segurança e orgulho. Ninguém estava tentando copiar ninguém, pelo contrário, a América Latina começou a ditar o que de mais intrigante estamos vendo hoje em dia. Assim, cheguei à conclusão de que era preciso ter uma distribuidora de filmes de arte latino-americanos no mercado e que fosse focada na busca e no lançamento da nova geração de cineastas latinos. Vale a pena mencionar que uma das nossas principais missões é dar oportunidade às minorias e àqueles cineastas que vivem fora dos centros urbanos.
Quem são as pessoas por trás da empresa?
Somos um grupo de 10, cada um trabalhando no seu escritório em cidades diferentes. Meu sócio, Alex Garcia, e eu somos os que tocamos o dia-a-dia da FiGa. Ele é filho de cubanos, criado em Miami, formado em cinema pela Universidade da Califórnia, e traz um know-how inestimável, além de um olhar mais técnico do que o meu.
Temos uma ótima publicitária e uma superadvogada que são essenciais neste ramo, mais um booker para exibição teatral e um distribuidor associado de homevideo, além de contadores e tax manager, webmaster e designer gráfico etc. Temos muita sorte de contar com um time de profissionais de primeira, graças aos 20 e tantos anos que o Alex tem como montador em Hollywood, e aos meus contatos feitos nos últimos 18 anos entre NY/LA/RIO/SP. Contamos também com colaboradores espalhados pelo mundo, pessoas que encontramos pelos festivais afora e que se encantam com a nossa proposta e nos guiam para descobrir novos cineastas e seus projetos. Sem contar também com a mídia, pessoas como você e La Latina, dando apoio e propagando o cinema latino cada vez mais.
Como é o processo de colocar um filme latino no mercado norte-americano, desde a escolha do filme até sua exibição?
O trabalho de "descobrimento" envolve muita pesquisa, desde o começo de certas produções até o lançamento oficial nos festivais. Estamos sempre antenados para saber o que está por acontecer e ler as "trade magazines" diariamente é indispensável. Festivais são importantes meios para descobrir filmes novos e para ficar a par de novos planos e produções. Somos fãs do Cine en Construcción, que o Festival de Toulouse começou há 12 anos. Eles fazem um trabalho de curadoria excepcional, além de ajudar a terminar os projetos selecionados. San Sebastián, na Espanha, onde temos dois filmes em competição este ano, e Guadalajara, no México, são dois dos melhores festivais para nós. Tentamos a ir a todos os grandes festivais, mas alguns de médio-porte, como o MIFF (Miami International) e BAFICI (de Buenos Aires) são ótimas fontes também.
Quais são os grandes filmes de sucesso e você arrisca dizer por quê?
O último caso que me alegrou muito foi o filme do Jorge Gaggero, Cama adentro, que quase adquirimos. O filme ficou sem distribuição por dois anos e, quando finalmente chegou aos cinemas, acabou sendo um grande sucesso em Nova York, com críticas fantásticas, seções lotadas. Surpreendeu a todos e ainda está em cartaz. Além de ser muito bem atuado e dirigido, o filme conta uma história simples, mas humana e de fácil identificação, sem perder sua característica típica que, neste caso, é a classe burguesa e falida na Argentina de alguns anos atrás. É o filme latino mais bem sucedido deste ano nos Estados Unidos. Esperamos ter a mesma “sorte” com o nosso próximo lançamento, o brasileiro A casa de Alice, de Chico Teixeira, que trata de situações similares – típicas paulistanas, mas de apelo universal.
Como o público norte-americano tem recebido os filmes latino-americanos?
Com muito interesse e curiosidade. A situação está mudando rapidamente, e acredito que esteja evoluindo para o nosso beneficio. Com a popularidade da internet e da globalização, tem-se acesso a filmes estrangeiros com muito mais facilidade hoje em dia. Aqui nos Estados Unidos, a Netflix tem sido um grande instrumento de propagação de filmes estrangeiros. Apesar de ser um método sem muito futuro (aluguel de DVD), tem aberto muitas portas e cativado um grande número de expectadores fora das grandes regiões urbanas, principalmente pela comodidade. Porém, com mudanças tecnológicas quase que diárias, acredito que o grande portal de acesso a filmes, estrangeiros ou não, será o VOD (video on demand). Com esse sistema, basta selecionar o filme desejado no cardápio e assisti-lo quando quiser na sua TV, sem precisar sair do sofá.
Qual é a imagem do público norte-americano em relação à América Latina?
Um pouco confusa, mas melhor do que era. A América Latina é muito fragmentada, e eles não têm muita noção do quão diferente são países vizinhos uns dos outros. Os americanos não se sentem mais tão superiores e isolados quanto já foram, entretanto, ainda não existe uma consciência do quão diversa é a população latino-americana.
A nova geração é bem mais aberta e receptiva a outras culturas, e tanto o espanhol quanto o português não são mais considerados línguas exóticas. A assimilação de palavras latinas no vocabulário americano é bem grande, e vice-versa, e ouve-se muito mais o som latino tocando nas rádios. A comunidade latino-americana nos Estados Unidos é a minoria que cresce mais rápido. Percebo uma grande mudança nos hábitos por aqui.
O que tem de particular o cinema latino em sua opinião?
Ao meu ver, o aspecto humano dos personagens nos filmes latino-americanos é a sua grande atração, tanto em ficção quanto em documentários. Os enredos dos filmes não são tão previsíveis e calculados. São mais espontâneos e, por isso mesmo, mais interessantes e despretensiosos. As atuações são de primeira, e a equipe técnica surpreendentemente de alta qualidade, ainda que sem todo o aparato tecnológico disponível em Hollywood. Os cinematógrafos latinos são os mais cobiçados no momento, justamente pela criatividade e talento que trazem consigo. O que mais me impressiona é a sensibilidade latina, ainda não corrompida pela preguiça que assola os norte-americanos.
Como você vê a indústria nos Estados Unidos em cinco anos?
Haverá grandes mudanças nos formatos de distribuição, sem dúvida. Não acho que as pessoas vão deixar de ir ao cinema, mas a formato de exibição vai se modificar. Os grandes estúdios vão ditar o avanço tecnológico, mas pequenas empresas como a nossa vão cada vez mais aparecer para suprir a demanda de conteúdo diferente e de qualidade. Novas salas de exibição digital estão sendo abertas pelo país inteiro numa rapidez impressionante, facilitando a distribuição de filmes de low budget e sem o gasto extra de P&A (print & ads). Sou um otimista inveterado, como já deve ter percebido.
Por Camila Moraes
Foto: Alex García e Sandro Fiorin, da FiGa Films. |
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Sexta, 14 de Setembro de 2007
Iniciativas online constroem bancos de dados do cinema latino
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Na segunda-feira passada, 10.09, foi apresentada em Buenos Aires uma iniciativa que promete reunir o acervo do cinema documental latino-americano em um único endereço virtual. Docfera, como é chamada, dará acesso ao público através da venda dos filmes em formato digital, conservando os direitos de autor através dea tecnologia DRM (Digital Right Management). Segundo sua diretora Andrea Hirsch, a Docfera é um projeto cultural e educativo, voltado principalmente às escolas e universidades de todo o mundo – já que as obras serão subtituladas nos principais idiomas.
Por outro lado, o Cinevivo, portal argentino de cinema independente, convida realizadores ibero-americanos ou de qualquer outra parte a enviar seus trabalhos para fazer parte de sua oferta online. A convocatória, permanente e gratuita, é voltada a filmes de até 30 minutos de gêneros e temas variados. O Cinevivo é uma iniciativa sem fins lucrativos, cujo objetivo é apoiar a produção e a difusão de curtas-metragens. Além de um banco de dados crescente, o site oferece uma completa agenda de festivais e concursos.
Por Camila Moraes |
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Sexta, 14 de Setembro de 2007
Ari Candido: o negro no cinema dos anos 30
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Ari Candido Fernandes (Londrina, 1951) cursou cinema na Universidade de Brasília, tendo como professores Vladimir Carvalho, Geraldo dos Santos e Fernando Duarte. Em 1971, ameaçado pelo artigo 477 da Lei de Segurança Nacional, partiu para a Suécia. De Estocolmo foi para Paris, onde, a partir de 1975, continuou sua formação em cinema na Nouvelle Sorbonne. Em seu primeiro curta, Martinho da Vila Paris (1977), Candido capta o sambista Martinho da Vila, que faz reflexões a respeito das diferenças e semelhanças entre a capital francesa e o Rio de Janeiro. Em 1978, foi para a África documentar o conflito entre eritreus e etíopes, um dos últimos capítulos da história de independência dos países africanos. Filma Por quê a Eritréia? em plena guerrilha, um documentário-testemunho da luta pela independência do último país da África a conseguir liberdade. Foi vencedor do Prêmio de Melhor Documentário pelo júri popular na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 1984.
Ari Candido também atuou como fotógrafo para diversas agências de notícias européias. No Brasil, realizou mais três filmes. O rito de Ismael Ivo (2003), retrato biográfico do bailarino negro, mostra as imagens das perfomances de Ivo e traz depoimentos sobre seu trabalho, sua concepção da dança e sobre os mitos sociais que teve de transpor como artista negro. A trilha sonora foi composta por músicos como João Bosco, Dudu Tucci e Arrigo Barnabé. O moleque (2005) é uma ficção baseada em conto homônimo do escritor Lima Barreto, em que filho de uma lavadeira é alvo de gozações de outros meninos por ser negro. Por fim, Pacaembu, terras alagadas (2006) é um documentário sobre o bairro paulistano do Pacaembu, desde seus primeiros loteamentos no início dos anos 20 à urbanização ampla, passando pela inauguração do Estádio em 1940 com a presença de Getúlio Vargas. O filme reúne depoimentos de personalidades como Thomas Farkas, Juca Kfouri e comentários de moradores, artistas, arquitetos, feirantes, jogadores e torcedores de futebol.
Candido é um reconhecido ativista da comunidade negra, chegou a coordenar o Projeto Zumbi e foi um dos idealizadores do Dogma Feijoada – movimento cinematográfico que questiona os estereótipos e o modelo perverso de representação do negro veiculados pelo cinema e pela TV. Para os interessados no tema, a boa notícia é que a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, exibirá seus cinco filmes como complementos às sessões da mostra Jairo Ferreira para o São Paulo Shimbun.
Para maiores detalhes, acesse: www.cinemateca.gov.br.
Por Paula Skromov |
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Quinta, 13 de Setembro de 2007
Autor bom é autor morto
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Imagine uma série de personagens revoltados contra seus autores e liderados por outro surreal personagem conhecido como Fugitivo, que, por sua vez, é perseguido por um furioso Jards Macalé, na pele de um implacável Caçador.
Essa é a historia de Conceição – Autor bom é autor morto , o primeiro longa-metragem produzido pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e vencedor do Prêmio de Júri Popular do Cine Esquema Novo 2007.
Segundo o pesquisador e cineasta Luiz Alberto Rocha Melo, a idéia para o filme partiu de uma conversa de botequim, repleta de idéias inusitadas e personagens excêntricos que se sucedem na tela até um confronto final entre criadores e criaturas.
Conceição – Autor bom é autor morto traça, assim, um dos principais retratos autocríticos de uma juventude destinada a enfrentar o imenso deserto que é fazer cinema no Brasil. O filme tem exibição na Sala Cinemateca de São Paulo em setembro, entre os dias 19 e 23. E consegue resolver o desafio de falar em cinema, compromisso que resiste entre a a tradição, a transformação e uma boa dose de desencanto.
No elenco estão grandes personagens reais como o compositor e cantor Jards Macalé, a atriz Djin Sganzerla, filha do cineasta Rogerio Sganzerla, Augusto Madeira e Isabel Tornaghi. A direção é assinada por de André Sampaio, Cynthia Sims, Daniel Caetano, Guilherme Sarmiento e Samantha Ribeiro.
SALA CINEMATECA / PETROBRÁS
Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana
Outras informações: 3512-6111 (ramal 210) / 3512-6101
Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)
Atenção: Estudantes do Ensino Fundamental e Médio de Escolas Públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha. |
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Quarta, 12 de Setembro de 2007
Bom momento para assistir a documentários
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Além da Muestra Internacional Documental de Bogotá que agita a capital colombiana de 17 a 23.09, acontece em Caracas, de 14 a 27.09, a primeira edição do Premio Nacional de Cine Documental Documenta 2007.
O evento, realizado pela Embaixada da França na Venezuela, pela Aliança Francesa, pela Escuela de Cine Documental de Caracas e pela ANAC-Asociación Nacional de Autores Cinematográficos, selecionou 28 trabalhos que serão exibidos ao público.
Um júri especializado anunciará em 21.09 o vencedor, escolhido entre as quase 70 produções exclusivamente venezuelanas inscritas.
Mais informações no site da Embaixada francesa. |
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Quarta, 12 de Setembro de 2007
O documentário no Brasil, por Anita Tagliavini
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Vivemos anos de intensa valorização do documentário, não só no Brasil, como em todo o mundo. Aqui, a jovem cineasta paulistana Maria Anita Tagliavini fala das origens desta modalidade de cinema no Brasil e de seus laços com o Cinema Novo e também opina sobre algumas tendências atuais.
Confira o artigo de Anita para La Latina:
As origens do documentário brasileiro e o Cinema Novo
Desde seus primórdios, o cinema brasileiro começou a se dedicar a registros isolados da realidade, que logo se encadearam em forma de descrição.
Nas primeiras filmagens, realizadas em 1898, dois temas se afirmaram: o culto à beleza natural do país, representada por Berço esplêndido e pelo missionário Paulo Afonso e suas pesquisas na Amazônia, e a política nacional, através do Presidente da República em O ritual do poder.
A partir de 1922, através de cinematografistas-viajantes e dos surtos de filmagens que tomavam conta do país no momento, o enfoque principal passa a ser o homem que habita o Brasil. Mesmo sendo filmes feitos com muito inocência, a repercussão foi muito intensa, gerando reações negativas, principalmente na revista Cinearte. Isso porque a publicação era, em geral, contra os documentários, acreditando que os recursos existentes na época deveriam ser utilizados em um cinema de enredo. Também tinham medo de que esses filmes transmitissem a idéia errada do Brasil para o povo estrangeiro.
Os documentários brasileiros foram se tornando cada vez mais políticos e territoriais, chegando ao seu auge com o “Cinema Novo”. O Cinema Novo foi um movimento cinematográfico ocorrido em grande parte da América Latina, representado por nomes como: Glauber Rocha (Brasil), Julio Garcia Espinosa (Cuba), Nelson Pereira dos Santos (Brasil), Fernando Solanas (Argentina), Tomás Gutiérrez Alea (Cuba), entre muitos outros, igualmente importantes.
Mas foi o argentino Fernando Birri, com sua idéia de mostrar a verdade pura, como podemos ver no filme Tire Dié, que fez com que o cinema brasileiro mudasse de cara. Em 1959, Birri escreve seu primeiro manifesto, intitulado “Por un Cine Nacional, Realista y Popular”, que acabou gerando a obra Los inundados, em 1961. Este filme aumenta o prestígio do argentino no cinema latino-americano e, principalmente, no Brasil.
Uma retrospectiva do diretor no MASP (Museu de Arte de São Paulo), em 1963, acabou plantando de vez a “idéia/filmes”, mostrando que o documentário deveria ser utilizado para informar a população e que os problemas deveriam ser mostrados e discutidos. Assim, mudou o estilo de se fazer documentário. A nova fase foi marcada pelo nascimento de “Brasil Verdade”, produzido por Tomaz Farkas, em 1968. Ali foram criadas as idéias de uma obra de características sociológicas, que até hoje são constantemente questionadas.
Entre os nomes que foram diretamente influenciados por Fernando Birri estão os de Geraldo Sarnos, com o clássico Viramundo (1968), Vladimir Herzog, Sérgio Muniz, Paulo Gil Soares e Glauber Rocha.
O documentário brasileiro hoje
Apesar de trazer grande influência do Cinema Novo, o atual cinema documental brasileiro deixa um pouco de lado certas discussões e parte para outra linguagem. O que antes tratava de política, economia e relações sociais de uma maneira bem específica, explícita e territorial, hoje trata as coisas de um jeito muito mais superficial, não se prendendo tanto a um território ou povo específico, sem criar grandes reflexões e discussões sobre os problemas de cada lugar.
Essas mudanças são claras quando comparamos um documentário do Cinema Novo com outro atual. Por exemplo, enquanto Maranhão 66, de Glauber Rocha, mostra o discurso enganador de José Sarney enquanto vai revelando o verdadeiro Maranhão, sua miséria, seu povo e suas reais necessidades, Edifício Master de Eduardo Coutinho, não faz mais que apresentar moradores de um prédio e contar curiosidades sobre suas vidas, sem colocar em cheque qualquer problema por trás dessas histórias. O que antes tinha um objetivo político, social e cultural, hoje está mais ligado ao entretenimento.
Apesar dessas grandes mudanças na representação, o cinema documental de hoje ainda carrega consigo três das principais características do Cinema Novo: a migração, a alegoria e – às vezes – a discussão política, que aparece de uma maneira muito mais sutil e sempre tendendo ao entretenimento.
Ainda que a produção de documentários no Brasil não seja tão grande e intensa, essas características vão aos poucos se estendendo, de maneira positiva, aos filmes de enredo, que hoje não deixam de mostrar as favelas, a miséria e outros problemas que o Brasil apresenta. É o caso do mundialmente famoso Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.
* Maria Anita Bambozzi Tagliavini, 22 anos, cursa o último ano da Faculdade de Cinema na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo. Fez curso de Construção Dramática e Direção de Atores em Cuba, na Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de Los Baños, e de Direção Cinematográfica na Escola de Belas Artes em Zagreb, na Croácia. Atualmente, trabalha como assistente de direção em um curta metragem israelense que será rodado em Super 8.
Foto: Maranhão 66, de Glauber Rocha. |
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| Nome: | Rafael | | Data: | 04/12/2007 | | Contato: | elrafa1912@hotmail.com | | Comentário: | bom, naum entendo muito, mas achei muito bom e razoavel (em questao de compreensao) | | | | |
| Nome: | Jorge Forero | | Data: | 02/10/2007 | | Contato: | jorge.forero@gmail.com | | Comentário: | Nao concordo com o artigo. Acho que num filme como Edificio Master a exploraçao social é feita de um jeito menos politico e propagandista (?) que Maranhao 66. Está Edificio Master mais ligado ao entretenimiento??
Aconteçe que a arte, o cinema e a vida tem que evolucionar. Os anos 60´ de muita politica e ideias revolucionarias acabarom. Agora é preciso achar jeitos de representar o mundo de um jeito diferente.
Nossa realidade latinoamericana é a realidade que está se representando. Estamira é um documentario incrivel que trata da vida, da sociedad, da politica, mas nao de um jeito explicito! | | | | |
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Terça, 11 de Setembro de 2007
À sombra da Palma e do Leão, aguardados títulos latinos aparecem no Festival do Rio
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Depois de certa incerteza quanto à sua programação, o Festival de Cinema do Rio de Janeiro finalmente respira aliviado e anuncia que os grandes filmes de 2007 farão parte de sua programação, que se estende por 15 dias, de 20.09 a 04.10.
Four months, 3 weekes and 2 days, de Cristian Mungiu (Palma de Ouro em Cannes 2007) e Se, Jie (Lust, Caution), de Ang Lee (Leão de Ouro em Veneza 2007) viajarão, sim, à cidade maravilhosa, assim como outros títulos aclamados em eventos recentes.
Essa é a provável razão pela qual a Première Latina, que reúne 20 produções recentes da América Latina, não tem chamado a atenção da imprensa, apesar de incluir alguns títulos bastante aguardados no Brasil. Entre eles, se destacam Luz silenciosa (Stellet Licht), do mexicano Carlos Reygadas, que concorreu em Cannes este ano pela Palma, mas só levou o prêmio do júri, e Déficit, de Gael García Bernal (México), que foi exibido pela primeira vez também no festival francês.
Divididos em cinco mostras (Mostra Competitiva de Longas de Ficção, Mostra Competitiva de Longas Documentários, Hors-Concours Longa–Metragem, Mostra Retratos Longa–Metragem e Mostra Novos Rumos), os filmes brasileiros selecionados incluem estréias e êxitos festivais afora. A seleção completa dos filmes escolhidos para representar a recente produção cinematográfica nacional é composta de 34 longas e 24 curtas. Entre os longas estão Deserto feliz, de Paulo Caldas, o documentário Andarilho, de Cao Guimarães, e Mutum, de Sandra Kogut.
O grande homenageado do Festival do Rio este ano é a China. Segundo informa o site do evento, serão exibidas 12 produções recentes na mostra Foco China, entre eles, A maldição da Flor Dourada, de Zhang Yimou, e oito clássicos chineses da década de 30 e 40, como This is my life, de Shi Hui. Ao total, o Rio apresentará 300 produções de mais de 60 países em 30 pontos de exibição espalhados pela cidade.
Confira a lista já publicada dos latinos participantes (10 outros títulos ainda serão confirmados):
El otro, de Ariel Rotter (Argentina)
Madrigal, de Fernando Pérez (Espanha)
Ciudad en celo, de Hernán Gaffet (Argentina)
El camino de San Diego, de Carlos Sorin (Argentina)
Nacido y criado, de Pablo Trapero (Argentina)
El bufalo de la noche, de Jorge Hernandez Aldana (México)
Déficit, de Gael García Bernal (México)
Stellet Licht, de Carlos Reygadas (México)
Lo bueno de llorar, de Matias Bize (Espanha/Chile)
Cochochi, de Laura Amelia Guzmán, Israel Cárdenas (México)
Por Camila Moraes
Foto: Deserto Feliz, de Paulo Caldas. |
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Segunda, 10 de Setembro de 2007
La zona, único filme latino lembrado em Veneza-2007
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Apesar da ausência de produções latinas na competição oficial, profissionais do cinema latino-americano se fizeram sentir na premiação do Festival de Veneza, neste último sábado, 08.09.
Ao lado do taiwanês Ang Lee, grande vencedor da 75ª edição do evento por Lust, Caution, o uruguaio Rodrigo Plá comemorou o prêmio Luigi de Laurentis por melhor primeira obra, concedido ao seu La zona. Já o mexicano Rodrigo Prieto ganhou a estátua de Melhor Fotografia por seu trabalho com Ang Lee em Lust, Caution.
Segundo informa a agência de notícias Ansa, Plá perdeu suas malas ao voltar para Veneza para retirar o prêmio de US$ 100 mil, mais os US$ 40 mil da Kodak para seu próximo filme. Na seqüência, o uruguaio partiu o Canadá, onde La zona está em competição no Festival de Cinema de Toronto, que acontece de 06 a 15.09. |
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Segunda, 10 de Setembro de 2007
Rumo ao Oscar 2008
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Três países latinos já escolheram seus representantes para a disputa do Oscar 2008 por melhor filme estrangeiro.
Segundo o Portal del Cine y el Audiovisual Latinoamericano y Caribeño, Cuba, nominada uma única vez por Morango e chocolate (Tomás Gutiérrez Alea, 1994), elegeu seu doce La edad de la peseta (Pavel Giroud, 2006). O filme foi apresentado pela primeira vez no exterior durante o Festival de Toronto do ano passado e que recolheu prêmios em Havana, Cartagena, Ceará, Cinesul, Lima e San Francisco.
Colômbia vai com Satanás (2007), primeiro longa de ficção do diretor Andi Baiz, baseado na novela homônima de Mario Mendonza Zambrano. Segundo informações do site Proimagenes en Movimiento, especializado em cinema colombiano, o filme apresentou boa bilheteria durante os meses que esteve em cartaz em seu país e deverá viajar ao exterior.
Já o Peru aposta em Una sombra al frente, protagonizado por Diego Bertie, que afirmou ao jornal La República que somente três filmes peruanos se apresentaram ao Oscar em anos anteriores. São eles La boca del lobo (Francisco Lombardi, 1988), El bien esquivo (Augusto Tamayo San Román, 2001) y Paloma de papel (Fabrizio Aguilar, 2003). O site Cinencuentro recorda o ator que, em 2006, houve também um representante nacional: o ótimo Madeinusa (Claudia Llosa, 2006), que infelizmente não chegou às finais da competição.
No dia 22.01 do próximo ano a Academia, que para sua próxima premiação convidou um número recorde de 95 países estrangeiros, revelará os nomeados de 2008. A entrega das estatuetas acontece dia 24.02.
Por Camila Moraes
Foto: La edad de la peseta. |
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| Nome: | Johannes | | Data: | 11/09/2007 | | Contato: | jpoettering@aol.com | | Comentário: | Eine wirklich sehr schoene Seite! Es macht viel Spass hier zu lesen, auch wenn man nicht aus Südamerika kommt. Wegen dem Oscar: Nachdem der beste ausländische Film beim letzten Mal aus Deutschland kam, wird es jetzt wirklich Zeit, dass Südamerika nächstes Jahr zuschlägt... :-) | | | | |
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Sexta, 07 de Setembro de 2007
Cine latino em "curtas” II
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Mais notícias recentes sobre cinema latino em notas rápidas:
:: Festival de Biarritz presta homenagem a Bolívia e México em sua 16ª edição
Acontece, de 24 a 30.09, o Festival de Biarritz de Cinema e Cultura da América Latina. Do evento francês, que em 2007 presta homenagens ao ator mexicano Pedro Armendáriz e ao diretor boliviano Jorge Sanjinés, participarão filmes do Brasil (Ó Pai Ó, de Monique Gardenberg, e O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger), Argentina, Colômbia, Cuba, México, Uruguai e Venezuela. Além da entrega do prêmio “El Abrazo” para o melhor filme, o festival organiza também o Encontro de Jovens Diretores, com a apresentação de projetos ainda não terminados que concorrem a 7 mil euros para distribuição, além dos Encontros Literários – com as presenças de Rafael Menjivar Ochoa, de El Salvador, da cubana Mayra Montero, do colombiano Santiago Gamboa e do mexicano Fabio Morabito.
:: Seis estréias nacionais agitam a próxima semana na Argentina
A próxima semana será atípica para os cinemas da Argentina, já que mais da metade das estréias são nacionais. Os filmes que entraram em cartaz nessa quinta-feira, 06.09, são La velocidad funda el olvido (Marcelo Schapces) e El niño de barro (Jorge Algora), ambos co-produções Argentina-Espanha, La soledad (Maximiliano González), Germán, um documentário sobre o líder sindical Germán Abdala, Un peso, un dólar (Gabriel Condron) e, finalmente, o documentário La importancia de llamarse Fidel. Este último, dirigido pela cubana Amanda Chávez, teve participação argentina e será estreado com exclusividade no Centro Cultural da Cooperación.
:: Termina hoje o 4º Festival de Cinema do Panamá
O evento é dedicado a documentários em película e vídeo e, em 2007, escolheu a Colômbia e o cineasta cubano Tomás Gutiérrez Alea como homenageados. Da programação, participaram filmes de países latinos como Argentina, Brasil, Costa Rica, Chile, Cuba, Guatemala, México, Peru, Puerto Rico e Venezuela, além do Panamá.
:: Festival de cinema peruano e de povos indígenas em Paris
A associação Peru Pacha, com sede em Paris, convoca realizadores peruanos e os dedicados à temática indígena na América Latina em geral para a 4ª edição de seu festival de cinema, que acontece de 14 a 20.11. Poderão participar longas e curtas de ficção e documentários finalizados entre 2005 e 2007 e que não tenham sido exibidos na capital. A mostra irá circular por outras cidades francesas. |
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