Terça, 30 de Setembro de 2008
[FESTIVAL DO RIO] Debate reúne autores de filmes sobre a violência colombiana

Paz e guerra na Colômbia e no Brasil é o tema de um dos debates internacionais organizados no âmbito do Festival do Rio com a presença de dois diretores cujos filmes, que fazem parte da programação do evento, falam sobre a violência colombiana. São eles: o colombiano Roberto Flores, realizador do longa-metragem de ficção Heridas (Feridas; foto), e o brasileiro Estevão Ciavatta, autor do documentário O veneno e o antídoto.

A eles se juntarão, na mesa de debate que se reunirá na próxima quinta-feira, dia 03.10, às 16h, Damian Platt, coordenador de parcerias internacionais do AfroReggae (grupo que participou da realização do documentário de Ciavatta), e Rodrigo Pimentel, o autor do livro A elite da tropa e personagem que inspirou o polêmico Tropa de elite, de José Padilha (além de ter sido co-roteirista do filme).

O objetivo do evento, segundo a organização do festival, é falar sobre a experiência de filmar essa realidade e tentar traçar pontes entre os dois países que, mais do que nunca, têm muito a aprender um com o outro.

Anote na agenda:

“Uma saída à vista: paz e guerra na Colômbia e no Brasil”

Debate sobre os filmes Feridas, de Roberto Flores (Colômbia, 2008), e O veneno e o antídoto, de Estevão Ciavatta (Brasil, 2007).

Local:  Pavilhão do Festival do Rio (Rua Barão de Tefé, 75).
Data:  03.10, às 16h.
Entrada gratuita.

 
   
 Terça, 30 de Setembro de 2008
[FESTIVAL DO RIO] Entrevista com Pablo Fendrik: "Cinema precisa afetar"

A seguinte entrevista foi publicada no site do Festival do Rio.

No Rio para a exibição de seu segundo longa-metragem, O sangue brota (La sangre brota), o diretor argentino Pablo Fendrik afirma que o papel do cinema é afetar o público, formar opinião. Em entrevista ao site do Festival do Rio, o diretor falou do processo de produção de seu filme, do cinema argentino e sobre a importância dos festivais internacionais.

Festival: É possível dizer que seus dois filmes, O sangue brota e El assaltante (exibido no Festival do ano passado) tratam da questão da violência?

Fendrik: A violência permeia os dois, mas ambos falam sobre a condição humana. O sangue brota, principalmente, fala de como a natureza humana sempre prevalece. Suponhamos que exista algo em sua personalidade de que você não goste e não queira mostrar ao mundo. Mas eis que essa parte vem à tona e você não consegue controlar. É sobre isso que trata o filme.

Na Argentina há de fato uma cultura de se fazer filmes de baixo orçamento?

Na Argentina há muita gente com vontade de filmar e que o faz de qualquer maneira, com pouco dinheiro ou sem dinheiro algum. Essa é a realidade, é assim. É só caminhar por Buenos Aires que você verá gente filmando. Ninguém espera pela Petrobrás ou por algum grande estúdio para conseguir dinheiro.

Aqui no Brasil se fala muito sobre o ressurgimento do cinema argentino, quer dizer, um cinema sempre com certos elementos em comum. O que você acha disso?

Para nós, diretores, não nos interessa falar disso, porque estamos dentro desse processo. Esse é o tipo de classificação feita pela crítica, pela imprensa. Nós estamos filmando e não estamos preocupados se fazemos ou não parte de um movimento estético.

Que filmes exibidos no Festival você indicaria?

Liverpool (de Lisandro Alonso) é muito bom. Também gosto dos mexicanos Ano unha (de Jonas Cuarón) e Os bastardos (de Amat Escalante).

Quais os elementos que para você torna um filme bom?

São os filmes que não deixam o espectador indiferente. O mais importante do cinema hoje é dar ao público uma opinião. Os filmes precisam ser intensos, e não aqueles em que o telespectador sai do cinema e diz apenas "que linda fotografia".

E o que você tem achado das produções brasileiras atuais?

Eu tenho visto muito pouco. Se no Brasil se fala muito de cinema argentino, na Argentina não se fala nada sobre o brasileiro. Eu vi o óbvio: Tropa de elite e Cidade de Deus, que dão uma visão muito mainstream do Brasil. Sei que há no Brasil a tradição de um cinema mais interessante, mas eu não conheço.

Em geral, para os diretores, qual a importância dos festivais de cinema internacionais?

Isso é relativo, depende do mundo em que você quer estar como diretor. Para mim e para o tipo de filme que eu quero fazer, essa é a melhor maneira de obter um feedback internacional verdadeiro. Essa é a melhor forma saber como as diferentes culturas vêem o seu filme. E assim é possível aprender bastante. Às vezes você acha que algo em seu filme é universal e na verdade não é.

 Segunda, 29 de Setembro de 2008
[ENTREVISTA – FESTIVAL DO RIO] Roberto Flores fala de Heridas: "Queria mostrar o resultado da nossa soberbia coletiva”

Heridas (Feridas, em português), junto com o novo filme do chileno Andrés Wood, La buena vida, é um dos pontos mais altos da Première Latina do Festival do Rio, que começou na última quinta-feira, dia 25. Ambos estréiam mundialmente no evento. 

Único representante colombiano da seleção (sobre Colômbia, assista também o documental brasileiro de Estevão Ciavatta, O veneno e o antídoto: uma visão da violência na Colômbia), o longa protagonizou uma espécie de polêmica em seu país ao redor dos apoios dados pelo Ministério de Cultura através da recente lei de cine colombiana, de 2004. Segundo muitos profissionais de cinema na Colômbia, os estímulos existem e representam hoje a possibilidade de renascimento do cinema nacional, porém há critérios de seleção (informais) que, de alguma maneira, rechaçam um tratamento direto do conflito colombiano. 

Roberto Flores Pietro, diretor de Heridas, nascido em Barranquilla, na costa da Colômbia no Atlântico, em 1971, autor de vários curtas-metragens e documentários e ex-aluno da Escola Internacional de Cinema e Televisão de Cuba em San Antonio de los Baños, é quem explica a polêmica, seus objetivos ao encarar seu primeiro projeto de ficção e sua expectativa em torno da estréia do filme no Festival do Rio (clique aqui para ver sinopse, biografia do diretor e horários de exibição). 

Confira sua entrevista exclusiva, na íntegra, para La Latina.

Fala-se de uma “polêmica” ao redor de Heridas na Colômbia, pelo fato de trate abertamente do conflito colombiano e que não tenha conseguido apoio do fundo cinematográfico do Ministério de Cultura para sua etapa de pós-produção. É real a polêmica? Se sim, explica o que aconteceu com o processo do filme na Colômbia. Foi rechaçada simplesmente por falar do conflito? 

A polêmica existe, alimentada basicamente por algumas pessoas do meio cinematográfico, acadêmico e jornalístico que respeitam o filme, que acharam um pouco injusto o tratamento dado pelo Ministério ao filme. Entretanto, tenho que dizer agora, como disse em outras ocasiões, que não creio que se trate de uma censura planejada, nem de um complô ou algo assim. Nem Heridas nem eu somos tão importantes pra isso. O que acredito, na verdade, é que houve certo nível de rechaço ao filme, graças a um critério errado e míope, em alguns casos, mercantilista em excesso, algumas vezes, medroso em outras. Estamos obcecados com um conceito de indústria, que ao meu ver, é inalcançável. Podemos ter a ambição de uma produção permanente e auto-sustentável, que é diferente. Mas nosso cinema, adolescente e em construção, não pode crescer e encontrar sua identidade, submetido ao implacável julgamento de uma bilheteria que, em todo caso, não está respondendo como desejam os que fundamentam o cinema-negócio, digam o que digam seus falsos positivos.

Por outro lado, existe um espírito, em alguns setores do governo atual, de minimizar a existência de um conflito armado, e algumas pessoas em postos de poder, assim que vêem um camuflado na tela, decidem evitar problemas. Outro aspecto difícil é a polarização tão forte que estamos vivendo na Colômbia. O filme resulta incômodo e suspeito, porque não se situa em nenhum dos extremos ideológicos do conflito. Isso também complicou o caminho algumas vezes. 

Em todo caso, o rechaço e as reações negativas de alguns, somados ao apoio desinteressado e permanente de outros, fizeram de Heridas o que é hoje. Que é, sem dúvida alguma, muito mais do que era quando foi apresentado por primeira vez à convocatória do Ministério em 2006. Durante dois anos me dediquei a editar e a filmar, para melhorá-lo, e me sinto muito orgulhoso do filme e de todos que o fizeram comigo. Gente com muito talento e com um coração imenso, que me ajudaram a ser teimoso e não ceder.

Que história você conta no filme e o que quis comunicar com ele?

O filme é sobre um casal da cidade em crise econômica e emocional, que cai nas mãos da guerrilha e de uma menina do campo, que escapa de um massacre paramilitar em que aniquilam sua família. Os três terminam, por coisas do destino, em uma fazenda tomada pela guerrilha e rodeada de paramilitares. O destino de todos se definirá em um fogo cruzado. 

O que quis fazer com Heridas é um filme anti-bélico. Um filme sobre os civis em meio às balas, sobre a falta de sentido da guerra, da barbárie. Mas tinha claro que não queria fazer um filme de guerra-espetáculo, manipulador ou melodramático. Encontrar o ritmo do filme, o que mostra e o que não. Poder construir ação interna por cima da externa, que é tão chamativa no universo bélico, foi realmente difícil.
Eu gosto de certo cinema contemplativo, distanciado; de certa poética de espaço e tempo que, em alguns casos, briga com o que imaginamos em primeira estância como cinema de guerra. Certa economia contraditória com a exuberância nefasta do combate. Mas tampouco queria evitar por completo as dinâmicas de enfrentamento, do tiroteio, da hostilidade. Nesse processo, tentei criar um filme em que coubessem as duas coisas, de maneira sóbria e econômica, dando a tudo um ritmo pausado, que possibilitasse a contemplação, e uma dramaturgia que não estivesse tão ligada ao efeito causal. 

Em outro nível, uma busca primordial para mim era a de construir um relato no qual as “causas” do conflito não fossem abordadas. As “causas” pertencem ao mundo ideológico, da retórica, da justificação. Queria que um pequeno fragmento da nossa tragédia nacional se pudesse observar sem o filtro deformador das posições ideológicas. Se você vê o cadáver se uma pessoa morta de maneira violenta, sem saber nada sobre as causas, simplesmente vai pensar (se for uma pessoa medianamente saudável): “Isso é um horror, não deveria acontecer, em que nos convertemos”. Essa era a idéia. Não queria dar aula, nem fazer um panfleto. Queria mostrar o absurdo resultado da nossa soberbia coletiva. 

Como você se sente estreando o filme mundialmente no Festival do Rio? Quais são suas expectativas para sua visita ao Brasil?

Muito feliz. Creio que não seria possível conseguir um espaço melhor, na América Latina, para estrear o filme. Os comentários sobre Heridas, feitos pelo comitê de seleção, me emocionaram profundamente. Perceberam coisas que muitos não tinham percebido, e acho que isso deve a uma postura ética e estética alheia aos ruídos das confrontações ideológicas. A polarização não é só colombiana, é mundial. A “guerra fria” retorna e os atores deste remake patético pretendem alienar-nos, tornar-nos solados. Para mim, qualquer pessoa que exclui, massacra ou seqüestra está equivocada, não me importam suas razões. Produzem para mim o mesmo asco histórico tanto Hitler como Stalin. 

 Qual será a agenda de Heridas depois do Rio?

Logo depois do Festival Internacional de Río de Janeiro, Heridas seguirá, por um lado, mirando festivais internacionais que possibilitem o diálogo intercultural, mas, além disso, voltará para casa para enfrentar o desafio de comunicar-se com a sociedade que o tornou possível e o inspirou. Não quero fechar o filme em um multiplex. Quero dialogar também com esse imenso país que não vai ao cinema, com os colombianos que sofreram, em qualquer borda, as inclemências da violência fratricida. Só 5% dos colombianos vai às salas de cinema. Os cinemas de bairro e das pequenas cidades desapareceram com as novas dinâmicas de comercialização dos produtos fílmicos. Os exibidores fazem negócio com os preços elevados das entradas e com suas cafeterias, mas o número de pessoas que vai às salas na Colômbia hoje é dramaticamente menor que há 30 anos. A exibição de cinema se tornou excludente, e os espectadores assíduos são, na sua maioria, gente com poder aquisitivo que busca entretenimento leve. A reflexão ética e estética gerada pelo cinema se instala em algumas universidades ou salas de arte, onde a exclusão acontece em outros níveis. O grosso da população se entrega então à televisão, com seus tratamentos maniqueístas e personagens estereotipados, em busca de um espaço de identificação de seus dramas cotidianos. Lamentavelmente, a ficção televisiva é insuficiente na hora de abordar nosso complexo universo de conflitos. Temos que abordá-los a partir do cinema. 

Que outros projetos você realizou em cinema? Seu trabalho tem algo de especial pelo fato de que você não está no centro da produção cinematográfica da Colômbia, que é Bogotá, o isso não tem nada a ver?

Quando você fala de “cinema”, se refere ao formato ou à linguagem? Me formei disparando película, em todos os seus formatos, mas amo o vídeo e o papel que desempenhou na democratização das ferramentas para a realização audiovisual. Nunca suspiro pelo celulóide, entretanto gosto do fato de que tenha feito parte da minha formação.

De 1994 a 2002, rodei mais de 20 curtas de ficção e documentários: Un viernes por la tarde, Un domingo por la mañana, 4107, Este pueblo está salao, entre outros. Sempre me desempenhei como diretor e roteirista, mas também trabalhei em outros campos do cinema – em alguns com mais sorte, em outros com menos. 

Acho interessante você bater o pé sobre o fato que estou distante do que você chama o centro de produção cinematográfica do meu país. É meu interesse consolidar um cinema de periferia. Isso inclui: sua estrutura econômica, suas histórias, sua aproximação estética, sua visão de país. Sinto que sou um artesão e gosto disso. Sou da província e isso me encanta. Muita gente no cinema padece de delírios de grandeza inspirados pelo culto à máquina e à tecnologia ou pelas permanentes conversas sobre dólares e euros. Têm sonho eróticos com a última câmera que saiu no mercado, morrem por ter um agente nos Estados Unidos e se sentem cidadãos do mundo, porque tiveram uma “conference call” com uma pessoa em Los Angeles e outra em Paris. Não tenho nada contra isso, nem contra nada que deixe alguém feliz, mas fazer cinema é outra coisa. Pelo menos, isso espero. 

O que você opina sobre a atual situação do cinema colombiano? Tanto em termos de filmes que são lançados, da imagem do cinema nacional dentro e fora do país, como do apoio dado pela atual Lei de Cinema.

Acredito que o cinema colombiano, em geral, é televisivo, publicitário e bogotano [de Bogotá] demais. Não estou tão interessado nos filmes que já foram lançados, mas nos que podemos lançar. Aposto muito em diretores como Rubén Mendoza, Ciro Guerra, Santiago Trujillo e Carlos Moreno, cada um com seu estilo e sua própria busca. Eles podem conseguir que isto que está acontecendo conosco não fique reduzido somente ao nível do exagero midiático, mas em um fenômeno cultural sólido e transcendente. A Lei de Cinema foi muito importante. Tímida e indecisa em alguns aspectos, incompleta em outros, mas fundamental. Renasceram as possibilidades e a esperança. Acredito, além disso, que em geral houve boas intenções na entrega de estímulos, mas há um problema de critério que, intuo, pelos resultados da última convocatória, que está se emendando. O jurado dos últimos prêmios foi ótimo, o critério aplicado por eles, impossível de melhorar, e em meio a uma liberdade total. Respira-se um relevo de gerações importante e, por fim, uma aposta por outra maneira de ver o cinema. Agora é nossa geração que tem que responder. 

Quais são seus próximos projetos? 

Estou na etapa de filmagem de um longa documentário que se chama Las alegres ambulancias, sobre a família do legendário e já falecido “Batata”, o percussionista folclórico colombiano mais importante da nossa história. Além disso, acabo de receber um estímulo do Ministério de Cultura na categoria de desenvolvimento de roteiro, para o que espero que seja meu próximo filme de ficção, Ruido rosa. Um projeto concebido com meu companheiro de escritura dos últimos 15 anos, Carlos Franco, e que nos tem muito emocionados. Planejamos filmar no fim de 2009, mas, enfim, você sabe como é o cinema. Nada está escrito... Só o roteiro.

Por Camila Moraes

 Segunda, 29 de Setembro de 2008
[ENTREVISTA – FESTIVAL DE RÍO] Roberto Flores habla de Heridas: "Quería mostrar el resultado de nuestra soberbia colectiva”

Heridas, junto con la nueva película del chileno Andrés Wood, La buena vida, es uno de los puntos altos de la Première Latina del Festival de Río, que empezó el último jueves, 25.09. Ambas estrenan mundialmente en el evento.

Único representante colombiano de la selección (sobre Colombia, hay también el documental brasileño de Estevão Ciavatta, O veneno e o antídoto: uma visão da violência na Colômbia), el largo protagonizó una especie de polémica en su país alrededor de los apoyos dados por el Ministerio de Cultura a través de la reciente ley de cine colombiana, del 2004. Según muchos profesionales de cine en Colombia, los estímulos existen y representan hoy la posibilidad de renacimiento del cine nacional, pero hay criterios de selección (informales) que, de alguna manera, rechazan un tratamiento directo del conflicto colombiano.

Roberto Flores Pietro, director de Heridas, nacido en Barranquila, en la costa atlántica de Colombia, en 1971, autor de varios cortometrajes y documentales y ex-alumno de la Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños, en Cuba, es quien explica la polémica, sus objetivos al encarar su primer proyecto de ficción y su expectativa alrededor del estreno de la película en el Festival de Río (haz click aquí para ver sinopsis, biografía del director y horarios de exhibición). 

Le la entrevista exclusiva y completa a La Latina

Se habla de una ‘polémica’ alrededor de Heridas en Colombia, por el hecho de que trate abiertamente del conflicto colombiano y que no haya conseguido apoyo del fondo cinematográfico del Ministerio de Cultura para su etapa de postproducción. ¿Es real esta polémica? De ser así, explica qué ha pasado con el proceso de Heridas en Colombia. ¿Fue rechazada sencillamente por hablar del conflicto?

La polémica existe, alimentada básicamente por algunas personas del medio cinematográfico, académico y periodístico que respetan la película y a las que les ha parecido un poco injusto el trato del Ministerio para con la película. Sin embargo, debo decir ahora, como he dicho en otras ocasiones, que no creo que se trate de una censura cuidadosamente planificada ni un complot o algo por el estilo. Ni Heridas ni yo somos tan importantes para eso. Lo que creo, más bien, es que cierto nivel de rechazo hacia la película se ha dado por un criterio errado y miope, en algunos casos, mercantilista en exceso, algunas veces, asustadizo en otras. Estamos obsesionados con un concepto de industria, que es, a mi juicio, inalcanzable. Podemos ambicionar una producción permanente y auto sostenible, que es diferente. Pero nuestro cine, adolescente y en construcción, no puede crecer y encontrar su identidad sometido al implacable yugo de una taquilla que, en todo caso, no está respondiendo como desean los fundamentalistas del cine-negocio, digan lo que digan sus falsos positivos. 

Por otro lado, hay un espíritu en algunos sectores del gobierno actual, de minimizar la existencia de un conflicto armado y algunas personas en puestos de poder, tan pronto ven un camuflado en pantalla, deciden evitarse problemas. Otro aspecto difícil es la polarización tan fuerte que se vive en Colombia. La película resulta incómoda y sospechosa porque no se sitúa en ninguno de los extremos ideológicos en conflicto. Eso también ha complicado algunas veces el camino. 

En todo caso, los rechazos y las negativas de unos, sumados al apoyo desinteresado y permanente de otros, han hecho de Heridas lo que es hoy. Que es, sin lugar a dudas, mucho más de lo que era cuando se presentó por primera vez a la convocatoria del Ministerio en el 2006. Durante dos años me dediqué a editar y filmar, para mejorarla, y me siento muy orgulloso de la película y de todos los que la hicieron conmigo. Gente con mucho talento y un corazón inmenso que me ayudaron a ser terco y no claudicar. 

¿Cuál es la historia que cuentas en la película y qué has querido comunicar con ella?

La película es acerca de una pareja citadina en crisis económica y emocional que cae en manos de la guerrilla y una niña de campo que escapa de una masacre paramilitar en la que aniquilan a su familia. Los tres terminan, por cosas del destino, en una finca tomada por la guerrilla y rodeada por paras. El destino de todos se definirá entre fuego cruzado. 

Lo que intenté hacer con Heridas es una película antibélica. Una película acerca de los civiles en medio de las balas, del sinsentido de la guerra, de la barbarie. Pero tenía claro que no quería hacer una película de guerra-espectáculo, manipuladora o melodramática. Encontrar el ritmo de la película, lo que muestra y lo que no. Poder construir acción interna por encima de la externa, que es tan llamativa en el universo bélico, fue realmente difícil. 

Me gusta cierto cine contemplativo, distanciado; cierta poética espacio-temporal que en algunos casos riñe con lo que imaginamos en primera instancia como cine de guerra. Cierta economía contradictoria con la exuberancia nefasta del combate. Pero tampoco quería evitar por completo las dinámicas del enfrentamiento, del tiroteo, del hostigamiento. En ese proceso, intenté crear una película en la que cupieran ambas cosas, de manera sobria y económica, imprimiéndole a todo un ritmo pausado que posibilitara la contemplación y una dramaturgia que no estuviera tan apegada a lo causal. 

A otro nivel, una búsqueda primordial para mi era la de construir un relato en el que las “causas” del conflicto no fueran abordadas. Las “causas” pertenecen al mundo de lo ideológico, de la retórica, de la justificación. Quería que un pequeño fragmento de nuestra tragedia nacional se observara sin el filtro deformador de las posiciones ideológicas. Si tú ves el cadáver de una persona muerta de manera violenta, por ejemplo, sin saber nada acerca de las causas, simplemente pensarás (si eres una persona medianamente sana): “Esto es un horror, no debería pasar, en qué nos hemos convertido”. Esa era la idea. No quería dictar cátedra, ni hacer un panfleto. Quería mostrar el absurdo resultado de nuestra soberbia colectiva.

¿Cómo te sientes al estrenar la película mundialmente en el Festival de Río? ¿Cuáles son tus expectativas para esta visita a Brasil?

Muy feliz. Creo que no sería posible obtener un espacio mejor, en Latinoamérica, para estrenar la película. Los comentarios acerca de Heridas, hechos por el comité de selección, me emocionaron profundamente. Percibieron cosas que no muchos han percibido y creo que se debió a una postura ética y estética ajena a los ruidos de las confrontaciones ideológicas. La polarización no es sólo colombiana, es mundial. La “guerra fría” retorna y los actores de este remake patético pretenden alinearnos a todos, volvernos soldados. Para mí, cualquier persona que excluye, masacra o secuestra está equivocada, no me importan sus razones. Me producen el mismo asco histórico Stalin o Hitler. 

¿Cuál será la agenda de Heridas después de Río?

Luego del Festival Internacional de Río de Janeiro, Heridas seguirá, por un lado, apuntándole a los festivales internacionales que posibiliten el diálogo intercultural, pero además volverá a casa a enfrentar el reto de comunicarse con la sociedad que la hizo posible y que la inspiró. No deseo encerrar la película en un multiplex. Quiero dialogar también con ese inmenso país que no va a cine, con los colombianos que han sufrido, desde cualquier orilla, las inclemencias de la violencia fratricida. Sólo el 5% de los colombianos asiste a las salas de cine. Los cines de barrio y de pueblo desaparecieron con las nuevas dinámicas de comercialización de los productos fílmicos. Los exhibidores hacen negocio con los precios elevados de las boletas y sus cafeterías, pero el número de personas que asiste a las salas colombianas, hoy, es dramáticamente menor que el de hace 30 años. La exhibición de cine se ha vuelto excluyente y los espectadores asiduos son, en su mayoría, buscadores de esparcimiento ligero con poder adquisitivo. La reflexión ética o estética generada por el cine se instala en algunas universidades o salas de arte y ensayo, en donde la exclusión se produce, a otros niveles. El grueso de la población se entrega entonces a la televisión, con sus tratamientos maniqueos y personajes estereotipados, en busca de un espacio de identificación de sus dramas cotidianos. Lamentablemente, la ficción televisiva es insuficiente a la hora de abordar nuestro complejo universo de conflictos. Tenemos que abordarlos desde el cine. 

¿Qué otros proyectos has realizado en cine? ¿Tu trabajo tiene algo de especial por el hecho de que no estás en el centro de la producción cinematográfica de tu país, que es Bogotá, o eso no tiene nada que ver?

¿Cuándo hablas de “cine” te refieres al formato o al lenguaje?  Me formé disparando película, en todos sus formatos, pero amo el video y el papel que ha desempeñado en la democratización de las herramientas para la realización audiovisual. Nunca suspiro por el celuloide, sin embargo me gusta que haya hecho parte de mi formación. 

Desde 1994 hasta 2002 rodé más de 20 cortometrajes de ficción y documentales: Un viernes por la tarde, Un domingo por la mañana, 4107, Este pueblo está salao, entre otros. Siempre me desempeñé como director y guionista, pero incursioné en todos los demás campos del cine, en algunos con más fortuna que en otros.
Me parece muy interesante que hagas hincapié en el hecho de que me encuentro alejado de lo que llamas el centro de la producción cinematográfica de mi país.  Me interesa consolidar un cine de periferia. Eso incluye: su estructura económica, sus historias, su aproximación estética, su visión de país. Me siento un artesano y me gusta. Soy de provincia y me encanta. Mucha gente en el cine sufre de delirios de grandeza inspirados por el culto a la máquina y la tecnología, o por las permanentes conversaciones acerca de dólares y euros. Tienen sueños eróticos con la última cámara que salió al mercado, se mueren por tener un agente en Estados Unidos y se sienten ciudadanos del mundo porque sostuvieron un conference call con una persona en Los Ángeles y otra en París. No tengo nada en contra de eso, ni en contra de nada que haga feliz a alguien, pero hacer cine es otra cosa. Por lo menos, eso espero. 

¿Qué opinas de la actual situación del cine colombiano? Tanto en término de las películas que se están sacando, la imagen del cine nacional dentro y fuera del país, cuanto del apoyo de la actual Ley de Cine. 

Creo que el cine colombiano, en general, es demasiado televisivo, publicitario y bogotano. No me interesan tanto las películas que se han sacado, sino las que podemos sacar. Creo mucho en directores como Rubén Mendoza, Ciro Guerra, Santiago Trujillo y Carlos Moreno, cada uno en su estilo y con su propia búsqueda. Ellos pueden lograr que esto que nos está sucediendo no se quede sólo en una hiperinflación mediática, sino en un fenómeno cultural sólido y trascendente. La Ley de Cine ha sido muy importante. Timorata en algunos aspectos, incompleta en otros, pero fundamental. Renacieron las posibilidades y la esperanza. Creo, además, que en general ha habido buenas intenciones en la entrega de estímulos pero hay un problema de criterio que intuyo, por los resultados de la última convocatoria, que se está enmendando. El jurado de los últimos premios fue de lujo, el criterio aplicado por ellos, inmejorable y en medio de una libertad total. Se respira un relevo generacional importante y por fin, una apuesta por otra forma de ver el cine. Ahora es nuestra generación la que tiene que responder.  

¿Cuáles son tus próximos proyectos?

Estoy en etapa de rodaje de un largometraje documental que se llama Las alegres ambulancias, acerca de la familia del legendario y fallecido “Batata”, el percusionista folclórico colombiano más importante de nuestra historia. Además, acabo de recibir un estímulo del Ministerio de Cultura en la categoría Desarrollo de Guión, para la que espero sea mi próxima película de ficción, Ruido rosa. Un proyecto concebido con mi compañero de escritura de los últimos 15 años, Carlos Franco, que nos tiene muy emocionados. Planeamos rodar a finales de 2009, pero, bueno, tú sabes cómo es el cine. Nada está escrito… Sólo el guión.

Por Camila Moraes

 Domingo, 28 de Setembro de 2008
Termina 56º Festival de San Sebastián; confira vencedores latinos

Terminou neste sábado, 27.09, a 56ª edição do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, ao qual se inscrevem muitos filmes latinos interessados não só no prestígio dos prêmios de sua seleção oficial, mas também nos estímulos em dinheiro que são dados a projetos em andamento.

O grande vencedor da Concha de Oro é o filme turco A caixa de Pandora, da diretora Yesim Ustaoglu. Entre os latinos, o maior vencedor é El nido vacío, do argentino Daniel Burman. A co-produção argentina e espanhola levou a Concha de Plata para melhor ator (Oscar Martínez; na foto em cena do filme) e o prêmio do júri por melhor fotografia (Hugo Colace).

O prêmio Horizontes, que premia primeiras obras e o ano passado foi dado para a produção uruguaia e brasileira O banheiro do papa, recebeu o filme Gasolina, do guatemalteco Julio Hernández Cordón. Nas menções especiais, foram lembrados os mexicanos Intimidades de Shakespeare y Víctor Hugo, de Yulene Olaizola, e Parque vía, de Enrique Rivero.

O prêmio da Juventude foi entregue a Amorosa soledad, de Martín Carranza e Victoria Galardi (Argentina), e o disputado “Cine en construcción”, que apóia projetos em andamento, foi para Norteando, de Rigoberto Perezcano (México). O projeto também foi premiado pela TVE, que adquiriu os direitos de emissão televisiva, e pela Casa de América, que investirá 10 mil euros na parte pós-produção.

Saiba mais no site oficial do evento.

 Quinta, 25 de Setembro de 2008
Festival do Rio projeta 20 filmes latinos até 9 de outubro; programe-se!

Começou o Festival do Rio. Última parada 174, de Bruno Barreto, deu início hoje, no Odeon, à maratona de filmes que se estende até 09.10 em 30 pontos da Cidade Maravilhosa.

A programação com os escolhidos da Première Latina – que será acompanhada de perto pela Latina – já está disponível com sinopse, ficha técnica, biografia do diretor e quadro de horários no site oficial do evento. Serão 20 títulos, dos quais nove são argentinos.

São em média cinco sessões para cada filme, muitas vezes com duas repetidas na mesma data, e os títulos estão espalhados ao longo das duas semanas de festival. Por isso, organize-se e aproveite!

Mais, em breve, aqui.

 Quinta, 25 de Setembro de 2008
Festival de Río proyectará 20 películas latinas hasta el 9 de octubre

Empezó este jueves, 25.09, el Festival de Río de Janeiro. Última parada 174, de Bruno Barreto (Gabriela, cravo e canela, de 1983), dio inicio, en el tradicional Cine Odeon, a la Maradona de películas que se extiende hasta el 09.10 en 30 puntos de la Ciudad Maravillosa.

La programación con los escogidos de la Première Latina – que será cubierta por La Latina – ya está disponible con sinopsis, información detallada, biografía del director y recuadro de horarios en el portal oficial del evento. Será 20 títulos, de los cuales nueve son argentinos.

Son en general cinco sesiones para cada película, muchas veces dos de ellas repetidas en la misma fecha, y los títulos están esparcidos a lo largo de las dos semanas de festival. Por eso, si estás en Brasil, ¡organízate y aprovecha!

Más, pronto, aquí.

 Quarta, 24 de Setembro de 2008
Cinco películas peruanas estrenan hasta el fin del año en Perú

Antes del fin de este año, según informa el portal peruano Cineencuentro, cinco películas nacionales de Perú van a estrenarse en el país. Aprovechando la temporada baja de títulos Blockbuster, tres películas de directores estresantes, una segunda obra y otro largo del veterano Francisco Lombardi ocuparán las sala sobre todo de Lima. 

El momento es histórico y considerado un “maratón de cine peruano”, el cual en años no asistió a obras nacionales estrenándose en fechas cercanas una a la otra. Abajo, una descripción breve de cada película.

:: Vidas paralelas (estreno en 25.09): primera película de Rocío Lladó, aborda el conflicto armado peruano, según Cineencuentro, a partir de la visión militar.

:: Pasajeros (estreno en 16.10): otra primera película, de Andrés Cotler, cuenta la historia de dos amigos que se enfrentan en tiempo difíciles.

:: Dioses (estreno en 30.10): esperada segunda película de Josué Mendez (Días de Santiago), pasó por los festivales de Locarno, San Sebastián, Toronto y Lima.

:: Un cuerpo desnudo (estreno en 17.11): retorno de Francisco Lombardi (su última película es Mariposa negra, del 2006), con una historia con cinco actores y una sola locación. Según nuestra fuente, “historia pequeña en la que podríamos verlo en su mejor forma”.

:: El acuarelista (estreno en 27.11): el debut de Daniel Ró, que presentó su película en el Festival de Lima antes de someterse a la aprobación del público.

Esas, sumadas a las películas ya estrenadas este año, contabilizan nueve títulos peruanos lanzados en 2008. El clima en el país, aunque algo optimista, es de “¿será que el cine peruano vive una renovación?”. Esperamos que sí.

Por Antonia Kee

 Quarta, 24 de Setembro de 2008
Cinco filmes peruanos estréiam até o fim do ano no Peru

Antes do fim deste ano, segundo informa o site peruano Cineencuentro, cinco filmes nacionais do Peru vão estrear no país. Aproveitando a temporada baixa de títulos blockbuster, três filmes de diretores estreantes, um segundo filme e mais um longa do veterano Francisco Lombardi ocuparão salas principalmente de Lima. O momento é histórico e considerado um “maratón de cine peruano”, o qual em anos não viu obras nacionais estreando em datas próximas umas à outra. Abaixo, uma descrição breve de cada filme:

:: Vidas paralelas (estréia em 25.09): primeiro filme de Rocío Lladó, aborda o conflito armado peruano, segundo o Cineencuentro, a partir da visão militar.

:: Pasajeros (estréia em 16.10): outro primeiro filme, de Andrés Cotler, conta a história de dois amigos que se enfrentam em tempos difíceis.

:: Dioses (estréia em 30.10; foto): esperado segundo filme de Josué Méndez (Días de Santiago), passou pelos festivais de Locarno, San Sebastián, Toronto e Lima.

:: Un cuerpo desnudo (estréia em 17.11): volta de Francisco Lombardi (seu último filme é Mariposa negra, de 2006), com uma história com cinco atores e uma locação. Segundo nossa fonte, “história pequena em que poderemos vê-lo em sua melhor forma”.

:: El acuarelista (estréia em 27.11):o debut de Daniel Ró, que apresentou seu filme no Festival de Lima antes de passar pela aprovação do público.

Esses, somados aos filmes que já estrearam este ano, contabilizarão nove títulos peruanos lançados em 2008. O clima no país, ainda que algo otimista, é de “será que o cinema peruano vive uma renovação?”. Esperemos que sim. 

Por Antonia Kee

 Terça, 23 de Setembro de 2008
Filmes sobre personalidades brasileiras são premiados pelo BNDES

O BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil, anunciou essa semana os projetos cinematográficos que foram premiados este ano com 12,5 milhões de reais. De 164 filmes, 18 foram escolhidos: 83% deles de ficção, 11% de animação e 6% documentários.

Entre os projetos vencedores, vários abordam personalidades brasileiras, como é o caso de Heleno, o homem que chutava com a cabeça, do diretor José Henrique Fonseca, sobre a vida do jogador de futebol Heleno de Freitas, ídolo do Botafogo que jogou também no time colombiano Júnior e no Boca Juniors, da Argentina. Rodrigo Santoro já está escalado para o papel principal. Outro filme biográfico é Somos tão jovens, de Antonio Carlos de Foura, sobre Renato Russo (foto) como líder da Legião Urbana. Já o documentário Alô, alô, Teresinha, de Nelson Hoineff, abordará a trajetória de Chacrinha na televisão.

Outros beneficiados são os novos longas de Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, de Beto Brant (Crime delicado; 2005), Mano, de Laís Bodanzky (Chega de saudade; 2007), e Paraísos artificiais (Ex-Posto 9), de Marcos Prado (Estamira; 2004).

Confira a lista completa de ganhadores no site do BNDES.

 Segunda, 22 de Setembro de 2008
Cine latino em curtas XI

:: Morre o cineasta cubano Humberto Solás

Morreu na Havana no último dia 18.09, quinta-feira, o realizador cubano Humberto Solás (foto), de apenas 66 anos, por causa até agora desconhecida. Com mais de 40 anos de carreira, Solás é considerado um dos cineastas mais importantes de Cuba. Entre seus longas estão El siglo de las luces (1991), Miel para Oshún (2001) e Barrio Cuba (2005).

:: Brasil é homenageado de festival espanhol

O Brasil será convidado de honra do 38º Festival de Cine de Alcalá de Henares, em Madri, que entre 07 e 15.11 homenageará o país com a exibição de seus melhores curtas-metragens. A região de Alcalá de Henares, cidade natal de Miguel de Cervantes, organizou uma programação que, sob o título "48 horas Brasil", promete se aproximar da realidade do país. Além dos curtas, também haverá espaço para um longa-metragem recente, assim como para a música brasileira. Entre os convidados brasileiros, está Fernando Meirelles, de Cidade de Deus e Ensaio sobre a cegueira

:: Uma geral de San Sebastián...

É forte a presença latino-americana no 56º Festival de San Sebastián – que acontece desde o dia 17 até essa sexta-feira, 26.09, na Espanha –, mas não na competição oficial. El nido vacío, co-produção Argentina-Espanha do argentino Daniel Burman, é o único latino a concorrer pela Concha de Oro, depois de ter estreado na Argentina no primeiro semestre com boa recepção do público em salas comerciais.

A combinação de cinema comercial e autoral é uma das principais características do festival, que foi criado em 1953 e este ano exibirá quase 200 filmes, dos quais 15 competem na seção oficial. O cinema produzido total ou parcialmente na América Latina é destacado na seção Horizontes Latinos, onde competirão por um prêmio de 35 mil euros. O Brasil terá dois representantes na seção Cinema em construção, que terá, no total seis obras latino-americanas: uma do Uruguai, duas da Argentina, os dois brasileiros e uma da Guatemala.

Veja saiba no site oficial: www.sansebastianfestival.com.

 Quarta, 17 de Setembro de 2008
Começa a escolha dos candidatos estrangeiros ao Oscar 2009; Brasil e Colômbia já têm os seus

Foi anunciado ontem (16.09) pelo MinC o concorrente brasileiro à pré-disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro em 2009: Última parada – 174, que ainda não estreou comercialmente e abrirá o Festival do Rio em 25.09. A decisão foi unânime, mas terminou sendo acordada entre os seis membros do comitê que faz a escolha.

O filme de Bruno Barreto, que já concorreu ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira com O que é isso, companheiro? em 1997, conta a história de Sandro, personagem inspirado no seqüestrador do ônibus 174 no Rio de Janeiro em 2000 e da mulher que o adotou como filho.

Segundo o próprio diretor, Última parada foi inspirado no documentário Ônibus 174, de José Padilha, que apresenta imagens do mesmo episódio – o seqüestro – coberto em tempo real pela imprensa na época. Mas adverte: “Me inspirou de uma maneira indireta, porque o meu filme está totalmente na contramão do documentário, que tem uma estrutura de thriller. O meu filme é uma história humana, na qual o [seqüestro do] ônibus 174 é apenas o climax", disse Barreto à reportagem do UOL Cinema.

O filme, que tem no elenco Michel Gomes, Cris Vianna, Marcello Mello Jr. e Douglas Silva, estréia em salas brasileiras em 24.10. A cerimônia de premiação do 81º Oscar, está prevista para o dia 23.02. Veja o trailer abaixo.



Colômbia escolhe Perro come perro

Já na Colômbia, os membros do Conselho Nacional de Cinematografia escolheram por unanimidade o filme Perro come perro, de Carlos Moreno, de Cali, para representar o país na disputa pelo vencedor estrangeiro do Oscar 2009. Este ano, o filme participou do Festival de Sundance, nos Estados Unidos, e, em Guadalajara, fez parte da seleção oficial e foi premiado com o troféu de melhor ator para Marlon Moreno.

 Terça, 16 de Setembro de 2008
Todo listo para el 10º Festival de Río; ¡acompaña la Première Latina aquí!

A 10 días del inicio de su 10ª edición, el Festival de Río ya anunció las principales atracciones que van a componer su programación de este año, que sucede de 25.09 a 09.10 en 30 locales de Río de Janeiro, Brasil. Serán cerca de 250 películas de más de 60 países, distribuidos por 20 muestras, con destaque especial para la Première Brasil – la única sesión competitiva del festival –, que es la primera en el país a presentar la nueva producción de películas nacionales.

Pero más allá de la muestra brasileña y de la internacional (que incluso promete los más aguardados títulos provenientes de otros festival, junto con un homenaje a Reino Unido), el plato principal del Festival para los admiradores del cine latino y, específicamente, para este portal es la Première Latina y el Doc Latino. Veinte y ocho son los títulos que componen esas dos muestras, que serán cubiertas de cerca por La Latina.

De ahí surge la buena noticia: este año, nuestro blog estará en sintonía con el portal oficial del Festival de Río para la divulgación de las diferentes películas que participan de esta parte del evento, realizando un trabajo especializado, cuyo objetivo es difundir y ampliar la información disponible para el público interesado del festival.

Por eso, estén atentos y no dejen de leer aquí, a diario, reseñas, comentarios, entrevistas, posts personalizados y todo el tipo de información relacionada a esta que es la principal vitrina del cine latino en Brasil. Y, ya calentando las expectativas en relación a la programación, ahí va un breve resumen de lo que está por venir.

Dos estrenos mundiales, argentinos en destaque y más

La Première Latina incluye este año los aguardados La mujer sin cabeza y Leonera, de los argentinos Lucrecia Martel y Pablo Trapero, respectivamente – ambos presentes en la competencia oficial de Cannes en mayo y presencia ya confirmadas en el Festival de Río. Otros destaques imperdibles son los estrenos mundiales de la nueva película del cineasta chileno Andrés Wood, La buena vida, y del largo colombiano Heridas, de Roberto Flores, protagonista en su país de una polémica alrededor del reducido apoyo del Ministerio de Cultura de Colombia a historias que prioricen el tema del conflicto colombiano.

Colombia también es tema del documental brasileño O veneno e o antídoto: uma visão da violência na Colômbia, realizado por Estevão Ciavatta. Ya de México, virá Desierto adentro, de Rodrigo Plá, aplaudido en varios festivales internacionales por su La zona. Por lo demás, el destaque va para la fuerte presencia de películas argentinas en la selección, incluyendo Liverpool, nuevo largo de Lisandro Alonso, y El nido vacío, la más reciente producción de Daniel Burman, elogiada por la crítica y al mismo tiempo bien recibida por el público argentino.

Abajo, la selección 100% confirmada de la Première Latina y ¡aguarda! Nuevas informaciones, y detalladas, estarán pronto por aquí.

PREMIÈRE LATINA

- Año uña, de Jonás Cuarón;
- Desierto adentro, de Rodrigo Plá;
- El nido vacío, de Daniel Burman;
- Heridas, de Roberto Flores;
- La buena vida, de Andrés Wood;
- La leonera, de Pablo Trapero;
- La mujer sin cabeza, de Lucrecia Martel;
- La rabia, de Albertina Carri;
- La sangre brota, de Pablo Fendrik;
- Liverpool, de Lisandro Alonso;
- Los bastardos, de Amat Escalante;
- Sleep dealer, de Alex Rivera.

Por Camila Moraes

 Terça, 16 de Setembro de 2008
Tudo pronto para o 10º Festival do Rio; acompanhe a Première Latina aqui!

A 10 dias do início de sua 10ª edição, o Festival do Rio já anunciou as principais atrações que vão compor sua programação deste ano, que acontece de 25.09 a 09.10 em 30 locais do Rio de Janeiro. Serão cerca de 250 filmes de mais de 60 países distribuídos por 20 mostras, com destaque especial para a Première Brasil – a única seção competitiva do festival –, que é a primeira no país a apresentar a nova safra de filmes nacionais.

Mas, para além da mostra brasileira e da internacional (que por sinal promete os mais aguardados títulos provenientes de outros festivais, junto com uma homenagem ao Reino Unido), o prato principal do Festival para os admiradores do cinema latino e, especificamente, para este site é a Première Latina e o Doc Latino. Vinte e oito são os títulos que compõem essas duas mostras, que serão cobertas de perto pela Latina.

É daí que surge a boa notícia: este ano, nosso blog estará em sintonia com o site oficial do Festival do Rio para a divulgação dos diferentes filmes que compõem essa parte do evento, realizando um trabalho especializado, cujo objetivo é difundir e ampliar a informação disponível para o público interessado do festival.

Por isso, fiquem de olho e não deixem de conferir aqui, diariamente, resenhas, comentários, entrevistas, posts personalizados e todo o tipo de informação relacionada a essa que é a principal vitrine do cinema latino no Brasil. E, já esquentando as expectativas em relação à programação, acompanhe um breve resumo do que vem por aí.

Duas estréias mundiais, argentinos em destaque e mais

A Première Latina inclui este ano os aguardados La mujer sin cabeza e Leonera, dos argentinos Lucrecia Martel e Pablo Trapero, respectivamente – ambos presentes na competição oficial de Cannes em maio e presenças já confirmadas no Festival do Rio. Outros destaques imperdíveis são as estréias mundiais do novo filme do cineasta chileno Andrés Wood, La buena vida, e do longa colombiano Heridas, de Roberto Flores, protagonista em seu país de uma polêmica em torno do reduzido apoio do Ministério de Cultura da Colômbia a histórias que priorizem o tema do conflito colombiano.

A Colômbia também é tema do documentário brasileiro O veneno e o antídoto: uma visão da violência na Colômbia, realizado por Estevão Ciavatta. Já do México, virá Desierto adentro, de Rodrigo Plá, aplaudido em vários festivais internacionais por La zona (Zona do crime), que estreou comercialmente em salas brasileiras. No mais, o destaque vai para a forte presença de filmes argentinos na seleção, incluindo Liverpool, novo longa de Lisandro Alonso, e El nido vacío, a mais recente produção de Burman, elogiada pela crítica e ao mesmo tempo bem recebida pelo público argentino.

Confira abaixo a seleção 100% confirmada da Première Latina e aguarde! Novas informações, e detalhadas, estarão em breve por aqui.

PREMIÈRE LATINA

- Año uña, de Jonás Cuarón;
- Desierto adentro, de Rodrigo Plá;
- El nido vacío, de Daniel Burman;
- Heridas, de Roberto Flores;
- La buena vida, de Andrés Wood;
- La leonera, de Pablo Trapero;
- La mujer sin cabeza, de Lucrecia Martel;
- La rabia, de Albertina Carri;
- La sangre brota, de Pablo Fendrik;
- Liverpool, de Lisandro Alonso;
- Los bastardos, de Amat Escalante;
- Sleep dealer, de Alex Rivera.

Por Camila Moraes

 Segunda, 15 de Setembro de 2008
Homenagem na Espanha a Lucrecia Martel

Três longas-metragens foram suficientes para que a diretora argentina Lucrecia Martel suscitasse não só admirações de fãs, como também homenagens, como a que lhe vai prestar o Festival Internacional de Cinema de Gijón, apontado como um dos mais importantes para o cinema independente na Espanha.

O evento, que acontece entre 20 e 29.11, apresentará uma mostra dedicada a importantes mulheres cineastas, batizada de “La mitad del cine. Mujeres tras la cámara” e que inclui 15 filmes de prestigiadas diretoras européias. Entre os homenageados, além de Martel, estão os libaneses Joana Hadjithomas e Khalil Joreige e o austríaco Peter Tscherkassky.

(Via Cinencuentro)

 Sexta, 12 de Setembro de 2008
Entrevista: Claudia Llosa fala de seus filmes e de cinema peruano

Diretora e roteirista de Madeinusa, sucesso latino-americano de vários festivais em 2006, Claudia Llosa é o principal nome da renovação pela qual passa o cinema peruano. Nascida em Lima, vive hoje em Barcelona, de onde toca seus projetos – entre eles, seu segundo longa-metragem, La teta asustada, que deverá estrear em festivais no começo de 2009.

Confira a entrevista exclusiva para La Latina e LatAm Cinema.

De onde saiu a idéia para escrever seu primeiro filme, Madeinusa, que a projetou internacionalmente ao aparecer em vários festivais?

Para Madeinusa não houve ponto de partida claro. Foi um acúmulo de coisas. Eu vivia no Peru ainda e sentia uma ansiedade de me conectar com o meu país, questionando muitos aspectos pessoais. A coisa do pecado durante a semana santa era algo que sondava minha cabeça, assim como as várias festividades peruanas que vi quando criança. Quis tocar uma série de arestas dramáticas que me interessavam. A premissa de uma cidadezinha onde tudo pode acontecer sem remorso veio para mim como um flash, quando estava fazendo um mestrado em roteiro em Madrid. Depois sim comecei o processo mais lento de construir os personagens e terminar de elaborar a história...

O filme circulou comercialmente no exterior? Quantos espectadores o viram?

Foi vendido a 27 países da América Latina, da Europa e dos Estados Unidos, principalmente. Para alguns em película, para outros em DVD, e em épocas de lançamento diferente. Em alguns lugares, o filme vai estrear ainda. No Peru, teve 85 mil espectadores em sala, o que é um feito para um filme nacional, e se estima que 500 mil cópias piratas foram vendidas. Ah, e também estreou na televisão. No mercado internacional, não tenho os números de espectadores... Mas o DVD original foi lançado em versões diferentes nos Estados Unidos, na Espanha e na Suíça. O que eu considero mais interessante de tudo é que no Peru e no Equador, em especial, o filme gerou um enorme debate, por estar relacionado às comunidades indígenas e ao tema da religião.

Você terminou em março de rodar seu segundo longa, La teta asustada. É uma história bastante peruana e também bem feminina, assim como Madeinusa. É esse seu estilo de contar as histórias ou seria algo precipitado de se afirmar?

Esses filmes têm a ver com meu momento de vida, com coisas que estão imersas em mim. Não que estejam focados nessas características. Em determinados momentos da nossa vida, sentimos a necessidade de falar de determinados temas. Não busco um estilo. Madeinusa e La teta são projetos extremamente distintos. Na verdade, representam coisas que eu tinha no tinteiro e precisava dizer. Espero deixar uma marca pessoal, mas que não seja evidente. Duvido que quando tenha 40 anos vou fazer o mesmo tipo de cinema que faço hoje.

Qual é a agenda de La testa asustada nos próximos meses?

Estamos retocando a última edição, e a editora de som já entrou no processo. Acredito que no final de novembro estará terminada. A idéia, no começo do ano que vem, é apresentá-lo em festivais. A estréia comercial, obviamente, só será definida depois dessa etapa... È nesses momentos que o filme consegue sair na imprensa, fechar acordos de distribuição e melhores oportunidades. Eu podia estreá-lo de uma vez no Peru, mas só iam vê-lo minha mãe mais uns quatro amigos!

O que você opina do cinema no Peru?

Acho que o Peru vive hoje um momento bonito, esperançoso... Economicamente e culturalmente, as pessoas estão olhando para o futuro, com uma imagem muito positiva de si mesmos. Já houve um incremento no ofício cinematográfico, ou seja, mais profissionais especializados estão aparecendo, o que ajuda para que haja mais filmes e mais discursos. Até muito pouco tempo, era raro que dois filmes peruanos estreassem simultaneamente no país ou em festivais. Hoje, isso acontece e é positivo: os filmes se ratificam e falam “bem” do cinema nacional. Por outro lado, há muito que aprender. A lei de cinema também precisa ser revista. Há um único prêmio do Estado, e todos competem por ele.

O que você opina do sistema de estímulos estatais ao cinema? É o único caminho para produzir e exibir filmes na América Latina?

Em todo o mundo, não só na América Latina. Na Europa, por exemplo, o cinema depende completamente do Estado. Assim como o esporte. É preciso investir... Acredito muitíssimo na ajuda estatal, que é importante para a saúde do cinema de um país. Cito um exemplo. Quando decidimos enviar Madeinusa para a seleção estrangeira do Oscar, tivemos que bancar do nosso próprio bolso a cópia da película, o envio e tudo o mais. Não tínhamos dinheiro para promover nenhuma exibição aos críticos e membros da Academia. Na Espanha, têm não sei quantos mil euros só para investir na divulgação para o Oscar. No Peru, não há qualquer apoio, e o pouco que há não alcança pra todo mundo. Sem investimento, os filmes não são feitos e não aparecem. Não tanto porque o público não aprecie o cinema de autor, por exemplo, mas porque há tanta informação hoje, que não há espectadores para tantos filmes. As salas que querem estrear Batman, porque é isso que paga suas contas, são obrigadas a comprar várias cópias em película e não uma. Que fazem com essas cópias depois? Programam... Além disso, a questão do apoio estatal tem a ver com a cota de tela para o cinema nacional. Com a invasão de filmes hollywoodianos, é o que permite que as pessoas vejam seu próprio cinema. Acredito tanto na liberdade, como na proteção. O equilíbrio entre essas duas coisas é que tem que ser saudável.

Você comentou que fez um mestrado em roteiro na Espanha. Foi uma experiência realmente útil?

Para mim, foi essencial. Eu estudei Comunicação na faculdade, porque não existia curso universitário de cinema no Peru. Acho que até hoje não existe, pelo menos não para terceiro grau. No fim, eu tinha experiência em várias coisas, mas não tinha nível técnico em nada. O mestrado especializado em roteiro me deu uma técnica importante. Melhorei muitíssimo. Por outro lado, foi uma experiência de um ano, tampouco era o mestrado de mais alta categoria... O cinema é muito técnico, em qualquer uma de suas áreas. Por isso, é da prática que se aprende. Fez muito bem para mim, assim como as oficinas da Fundação Carolina e de Sundance, pelos quais passei com o roteiro de Madeinusa.

Faz seis anos que você está em Barcelona. Por que a Espanha e não o Peru?

Vim para cá estudar e terminei ficando, porque minha vida pessoal foi se organizando dessa maneira. Eu tinha o objetivo de aprender e só, mas hoje estou construindo uma família aqui. Sou obrigada a assumir que é um sacrifício. Por outro lado, tive recompensas por esses sacrifícios, então fiquei.

Você já sabe quais são seus próximos projetos?

Já estou escrevendo meu terceiro longa... Depois, há um possível projeto para a televisão espanhola em andamento, além de um curta-metragem para um centro cultural aqui de Barcelona, para ser rodado no Peru.

Visite o site do filme La teta asustada.

Por Camila Moraes

 Sexta, 12 de Setembro de 2008
Entrevista: Claudia Llosa habla de sus películas y de cine peruano

Directora y guionista de Madeinusa, éxito latinoamericano de varios festivales en 2006, Claudia Llosa es el principal nombre de la renovación que vive el cine peruano. Nacida en Lima, vive hoy en Barcelona, desde donde gestiona sus proyectos – entre ellos, su segundo largometraje, La teta asustada, que deberá estrenarse en festivales en el comienzo de 2009.

A continuación, la entrevista exclusiva de Claudia para La Latina y LatAm Cinema.

¿De donde salió la idea para escribir tu primera película, Madeinusa, que te proyectó internacionalmente siendo exhibida en varios festivales?

Para Madeinusa no hubo punto de partida claro. Fue un cúmulo de cosas. Yo vivía en Perú todavía y sentía una ansiedad por conectarme con mi país, cuestionando muchas cosas personales. La cosa del permiso durante tiempo santo era algo que andaba por mi cabeza, igual que las varias festividades peruanas a que he asistido desde niña. Quise tocar una serie de aristas dramáticas que me interesaban. La premisa de un pueblo donde todo puede suceder sin remordimiento vino para mí como un flash, cuando estaba haciendo la maestría en guión en Madrid. Después, sí, empecé el proceso más lento de construir personajes y terminar de elaborar la historia…

¿La película circuló comercialmente en el exterior? ¿Cuántos espectadores la vieron?

Fue vendida a 27 países entre América Latina, Europa y Estados Unidos, principalmente. Para algunos, en película, para otros, en DVD, y en distintos momentos de lanzamiento. En algunos lugares, la película no se ha estrenado todavía. En Perú, tuvo 85 mil espectadores en las salas, lo que es un éxito para una película nacional, y se estima que 500 mil copias piratas fueron vendidas. Y estrenó también en televisión. En el mercado internacional, no tengo los números de espectadores… Pero el DVD original fue lanzado en versiones locales en Estados Unidos, España y Suiza. Sin embargo, lo que yo considero más interesante es que en Perú y en Ecuador, sobre todo, la película generó un enorme debate, por estar relacionada a las comunidades indígenas y al tema de la religión.

Terminaste en marzo de rodar tu segundo largo, La teta asustada. Es una historia bastante peruana y a la vez femenina, igual que Madeinusa. ¿Es ese tu estilo de contar historias o sería precipitado decirlo?

Esas películas tienen que ver con mi momento de vida, con cosas que están inmersas en mí. No que estén enfocadas en estas características. En determinados momentos de la vida de uno, uno siente la necesidad de hablar de determinados temas. No busco un estilo. Madeinusa y La teta son proyectos extremadamente distintos. En realidad, representan cosas que yo tenía en el tintero y necesitaba decir. Espero dejar un rastro, pero que no sea demasiado evidente… Dudo que haga lo mismo que hago hoy cuando tenga 40 años.

¿Cuál es la agenda de La teta asustada en los próximos meses?

Estamos retocando el último montaje, y la editora de sonido ya entró a trabajar. Creo que al final de noviembre estará lista. La idea, para el comienzo del año que viene, es presentarla en festivales. El estreno comercial, por supuesto, sólo será definido después de esta fase… Es en estos momentos que la película se consigue más prensa y mejores oportunidades. ¡Si la estrenara de una en mi país, probablemente sólo mi mamá más cuatro amigos irían a verla!

¿Qué opinas sobre el cine en Perú?

Creo que Perú vive hoy un momento bonito, esperanzador… Económicamente y culturalmente, las personas están mirando hacia el futuro, con una imagen muy positiva de si mismas. Ya hubo un incremento en el oficio cinematográfico, o sea, más profesionales especializados están apareciendo, lo que ayuda para que haya más películas y más discursos. Hasta muy poco tiempo, era raro que dos películas estrenaran simultáneamente en Perú o en festivales. Hoy eso pasa y es algo positivo: las películas se ratifican y hablan “bien” del cine nacional. Por otro lado, hay mucho que aprender. La ley de cine también tendría que ser revista. Hay un único premio del Estado en el Perú, y todos compiten por ello.

¿Qué opinas del sistema de estímulos estatales al cine? ¿Es el único camino que hay para producir y exhibir películas en América Latina?

En todo el mundo, no sólo en Latinoamérica. En Europa, por ejemplo, el cine depende totalmente del Estado. Igual que el deporte. Es necesario invertir… Creo muchísimo en la ayuda estatal, que es importante para la salud del cine de un país. Doy un ejemplo. Cuando enviamos Madeinusa para participar de la selección de películas extranjeras del Oscar, tuvimos que pagar de nuestro bolsillo la copia de la película, el envío y todo lo demás. No teníamos plata para promover ninguna exhibición para críticos y miembros de la Academia. En España, tienen no sé cuanto de plata sólo para invertir en la divulgación para el Oscar. En Perú, no hay cualquier apoyo, y lo poco que hay no alcanza para todos. Sin inversión, las películas no se hacen y no aparecen. No tanto porque al público no le guste el cine de autor, por ejemplo, sino porque hay tanta información hoy, que no hay espectadores para tantas películas. Las salas que quieren estrenar Batman, porque eso es lo que paga sus cuentas, son obligadas a comprar varias copias de la película y no una. ¿Qué hacen con esas copias después? Las programan. Además, la cuestión del apoyo estatal tiene que ver con la cuota de pantalla para el cine nacional. Con la invasión de películas hollywoodenses, eso es lo que permite que las personas vean su propio cine. Creo tanto en la libertad, como en la protección. El equilibrio entre las dos cosas es que tiene que ser saludable.

Dijiste que hiciste una maestría en guión en España. ¿Fue una experiencia realmente útil?

Para mí, fue esencial. Estudié Comunicación en la universidad, porque no existía curso de cine en Perú. Creo que hasta hoy no existe, por lo menos no en nivel universitario. Al final, yo tenía experiencias en varias áreas, pero ningún conocimiento técnico. La maestría en guión me dio una técnica importante. Mejoré muchísimo. Por otro lado, fue una experiencia de un año, tampoco era una maestría de alta categoría… El cine es muy técnico, en cualquier una de sus ramas. Por eso, es de la práctica que uno aprende. Me hizo muy bien, igual que los talleres de la Fundación Carolina y de Sundance, por los cuales pasé con el guión de Madeinusa.

Hace seis años que estás en Barcelona. ¿Por qué España y no Perú?

Vine acá a estudiar y terminé quedándome, porque mi vida personal se fue organizando de esta manera. Yo tenía el objetivo de aprender, no más, pero hoy estoy montando una familia acá. Debo decir que es un sacrificio. Por otro lado, hubo recompensas por esos sacrificios, entonces me quedé.

¿Ya tienes próximos proyectos?

Ya estoy escribiendo mi tercer largo… Después, hay un posible proyecto para la televisión española en andamiento, además de un cortometraje para un centro cultural aquí de Barcelona, para ser rodado en el Perú.

Visita la página de la película La teta asustada.

Por Camila Moraes

 Terça, 09 de Setembro de 2008
Cacá Diegues e cinema mexicano em retrospectiva no Memorial

Além de hospedar o Festival de Cinema Latino de São Paulo durante o mês de julho, o Memorial da América Latina funciona como um espaço permanente de exibição de filmes feitos do México à Argentina, sempre com entrada franca.

Em setembro, a instituição anuncia a criação do Cine Conexões, um programa de filmes projetados em formato digital (no suporte DVD), sempre às sextas-feiras às 19h. Neste primeiro mês, o tema do projeto é uma retrospectiva da obra de Cacá Diegues (veja programação do dia 12 em diante abaixo).

Outro evento permanente na casa é a Mostra de Filmes do Acervo da Biblioteca do Memorial, que neste momento está apresentando uma retrospectiva do cinema mexicano. A mostra inclui de películas antigas, como Tepeya, de 1917, El tren fantasma (1927), Viva México (1931), a produções recentes, como Amores brutos (2000) e Como água para chocolate (1992). As sessões são de terça a sexta, 12h e 15h, e aos sábados, 12h30.

Programação do Cine Conexões

Um trem para as estrelas (1986). Dia 12, sexta, 19h.

Tieta (1996). Dia 19, sexta, 19h.

Bye Bye Brasil (1979). Dia 26, sexta, 19h.

Sessão especial: no domingo, 28 de setembro, serão exibidos dois documentários, produzidos pela TAL – Televisão América Latina – para a série “Os latino-americanos”. São eles Os argentinos, de Luis Esnal (2006, 54 min.), e Os bolivianos, de Verônica Córdova (2008, 52 min.). Dia 28, 15h.

Mais informações e sinopses no site www.memorial.sp.gov.br.

 Segunda, 08 de Setembro de 2008
Corto mexicano premiado en Venecia

La 65ª Muestra de Cine de Venecia terminó este sábado, 06.09, premiando en su principal categoría el último filme presentada en la competencia por el León de Oro: The wrestler, película sobre un combatiente de lucha libre realizada por el norteamericano Darren Aronofsky.

Ni la representación brasileña con más oportunidades en el festival (Birdwatchers, la historia de un enfrentamiento entre indios y dueños de haciendas en Brasil, dirigida por el ítalo-chileno Marco Bechis), ni la única película argentina presente en el festival (Una semana solos, de Celina Murga), que agradó el público, consiguieron garantizar premios para el cine latino.

Pero un corto mexicano sí: Tierra y pan, de Carlos Armella, se llevó el principal galardón de la muestra Corto cortíssimo. Según el jurado, formado por Amos Poe, Gianni Rondolino y Joana Vicente, “en pocos minutos y en un solo espacio, el autor consiguió contar una historia dramática sobre sufrimiento y soledad, explorando al máximo las potencialidades narrativas de las imágenes cinematográficas”.

En una rueda de prensa, el cineasta vencedor (foto) afirmó que las autoridades mexicanas de cine no quisieron apoyarlo cuando él pidió ayuda al Instituto Mexicano de Cine para la postproducción de su obra. 

Armella, que estudió cine en México y en Inglaterra, dijo que Tierra y pan – que dura 8 minutos, fue filmado en un día, sin diálogo y a partir de imágenes fijas – es un “reflejo de lo que es la miseria y la pobreza en México”. El mexicano fue premiado en 2005 por su documental Toro negro en el Festival de San Sebastián, en España (trailer abajo).

 Segunda, 08 de Setembro de 2008
Curta mexicano premiado em Veneza

A 65ª Mostra de Cinema de Veneza terminou neste sábado, 06.09, premiando em sua principal categoria o último filme a ser apresentado na competição pelo Leão de Ouro: The wrestler, sobre um combatente de luta livre realizado pelo norte-americano Darren Aronofsky.

Nem a representação brasileira com mais chances no festival (Birdwatchers, a história de um choque entre índios e fazendeiros no Brasil, dirigida pelo ítalo-chileno Marco Bechis), nem o único filme argentino presente na competição (Una semana solos, de Celina Murga), que agradou o público, conseguiram garantir prêmios para o cinema latino.

Mas um curta mexicano sim: Tierra y pan, de Carlos Armella, levou o principal troféu da mostra Corto cortíssimo. Segundo o júri, formado por Amos Poe, Gianni Rondolino e Joana Vicente, "em poucos minutos e num só espaço, o autor conseguiu contar uma história dramática sobre sofrimento e solidão, explorando ao máximo as potencialidades narrativas das imagens cinematográficas".

Em uma coletiva de imprensa, o cineasta vencedor (foto) afirmou que as autoridades mexicanas de cinema não quiseram apoiá-lo quando ele pediu ajuda ao Instituto Mexicano de Cinema para a pós-produção de sua obra. 

Armella, que estudou cinema no México e na Inglaterra, falou que Tierra y pan – que dura 8 minutos, foi filmado em um dia, sem diálogos e a partir de imagens fixas – é um "reflexo do que é a miséria e a pobreza no México". O mexicano já foi premiado em 2005 por seu documentário Toro negro no Festival de San Sebastián, na Espanha (veja o trailer abaixo).

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