Segunda, 10 de Dezembro de 2007
A renovação do cinema colombiano

Quatro anos passados da criação da lei nacional de cinema, e a Colômbia se torna um dos casos de maior importância dentro da recente renovação do cinema latino. Altas bilheterias proporcionais, presença marcante em festivais e iniciativas importantes ao redor do ‘fazer cinema’. Um caso para se ter em conta

(Para la versión en español de este artículo, haz clic aquí).

Colocando o cinema latino-americano recente em perspectiva, salta aos olhos uma rápida primeira conclusão: são duas as cinematografias que andam se destacando em termos de esforços para impulsionar a produção nacional. A primeira é a da Venezuela, através dos incentivos criados nos últimos anos pelo governo de Chávez e do protecionismo estatal que se esforça em espantar a sombra de Hollywood e está bastante centrado na realização de grandes épicos da história do país (pelo menos, pelo que se viu até agora). A segunda é a da Colômbia, que há quatro anos lançou sua lei de cinema, mais voltada à iniciativa privada e aos apoios a projetos através de convocatórias públicas, e que agora começa a colher os frutos de seu investimento. O caso venezuelano terá que ficar para uma próxima análise, e é sobre o segundo caso que se dedica este artigo, pela experiência da autora, que passou os últimos cinco meses na Colômbia.

O audiovisual colombiano vive uma fase eufórica em relação ao seu próprio cinema: os números dos últimos dois anos indicam um grande aumento de público para as produções nacionais – que em 2006 superaram a bilheteria de títulos hollywoodianos – e as principais cidades colombianas assistem a um boom de criação de produtoras que constroem seu negócio ao redor dos estímulos da lei.

Ponto de partida: a Lei 814

A fase boa e de tantas expectativas tem raiz em 2003, quando a lei de cinema foi promulgada, 10 anos após o fechamento da Focine, a antiga instituição estatal dedicada a apoiar o cinema colombiano, criada em 1978. Seu fim se deu, segundo afirmam várias fontes entrevistadas para reportagem, por “má administração”, culminando na criação, quatro anos mais tarde, do Ministério de Cultura e da sua Direção de Cinematografia – antes pertencente ao Ministério de Comunicações.

Seis anos depois de criado o ministério, a Lei 814 foi lançada, graças ao um longo processo a cargo do próprio ministério e de um órgão especial criado por ele, o chamado Fondo para el Desarrollo Cinematográfico Proimágenes en Movimiento. Através de dela, foram estabelecidas normas para o fomento da atividade cinematográfica na Colômbia. “Com o fim da Focine, criou-se um vazio de estímulos à produção, que gerou protestos por parte dos cineastas. O ministério, quando surgiu, convocou-os então para compor uma junta, da qual participaram também agentes estatais, e discutir a criação da lei e como deveria ser a atuação do Estado frente ao fomento do cinema. Eles propuseram a criação da Direção de Cinematografia e de um fundo de apoio, e isso foi o que se fez”, explica David Melo Torres, diretor de cinematografia desde a criação do ministério.

De quase nenhum apoio, os cineastas passaram a contar com dinheiro arrecadado via um “fundo parafiscal”, prática já existente no país, através da qual impostos cobrados em determinado setor é usado para inversão nele mesmo (no caso do cinema, trata-se de uma porcentagem das entradas em salas comerciais e que, estranhamente, antes era destinada ao fisco e não reinvestido). Outra fonte de recursos criada foi a dedução do imposto de renda como estímulo tributário para o investimento de capitais privados em cinema. Segundo explica Claudia Triana, diretora do Proimágenes, “fizemos uma análise cuidadosa de leis de cinema na América Latina, principalmente do Brasil e da Argentina, e adequamos seus aportes à legislação da Colômbia”. Por fim, criou-se também a denominada “titularização”, mecanismo visto em poucos países até agora, em que um filme pode ser levado ao mercado financeiro para que compradores privados o adquiram através de ações – que terminam por gerar o apoio necessário para que ele se concretize.

Em todos os casos, o capital arrecadado é administrado pelo fundo Proimágenes e distribuído aos projetos através de concursos públicos para longas e curtas de ficção e documentários, focados nas fases de desenvolvimento de roteiro, produção e pós-produção. Em 70% dos casos, o apoio se destinada à produção, considerado o elo mais débil do setor, segundo as pesquisas realizadas para a criação da lei. Os outros 30% compreendem estímulos automáticos, como os que recebem filmes que são selecionados para festivais internacionais, gastos com divulgação e, em casos esparsos, também com distribuição. “A diferença fundamental com a lei é que o Estado passou a atuar como co-produtor dos filmes, já que as ajudas estatais não são reembolsáveis”, afirma David Melo.

Elogios versus críticas

Até o momento, além dos orquestradores da lei, os profissionais em geral parecem satisfeitos com os avanços do setor. “Em nível internacional, o cinema colombiano é um dos expoentes que tem melhor imagem nascente, porque não só inclui o incentivo fiscal, mas também o fato de que um projeto pode ser especulado no mercado secundário. É um ‘plus’ que não vi em nenhum outro lugar, além de uma grande atração para todo o tipo de investidores”, opina Cristian Conti, um dos profissionais que compõem a banca de investimento da recém-nascida empresa Dynamo, em entrevista à revista colombiana Kinestoscopio.

Mas é claro que a lei convive com críticas e críticos (algumas vezes, ferrenhos). A primeira delas diz respeito aos roteiros ou, em outras palavras, à qualidade do material que está sendo aprovado pelo ministério para a produção de filmes que, inevitavelmente, dão a cara do novo cinema colombiano.

Em relação aos projetos recebidos pelo Ministério de Cultura, a escolha dos ganhadores é feita segundo critérios de “qualidade técnica e artística, além de viabilidade financeira” por um júri composto por profissionais nacionais e internacionais com carreira no meio (entre eles, já participaram o crítico José Carlos Avelar, do Brasil, a produtora Lila Stantic, da Argentina, e o produtor Jorge Sánchez, do México). Para cada convocatória, há novos jurados, e as decisões são finalmente avaliadas pelo Consejo Nacional de las Artes y la Cultura en Cinematografía (CNACC). Para Claudia Triana, do Proimágenes: “Acredito que no cinema colombiano hoje há muito mais vontade de contar o que acontece no país de maneira sutil. Estão saindo mais histórias de amor, comédias e relatos íntimos – e todas são histórias, ao mesmo tempo, muito colombianas”.

Já um passo antes, entre as produtoras que montam os projetos, a sensação é de que falta qualidade. “Recebemos uns 130 roteiros até agora, dos quais pouquíssimos são realmente bons. As pessoas estão cheias de vontade, mas muitas não tiveram a escola necessária para atingir a qualidade que uma produtora busca”, diz o produtor Rodrigo Guerrero – que depois de estudar e trabalhar nos Estados Unidos, retornou à Colômbia atraído pelas novas perspectivas que se abriram com a lei e criou a Dynamo junto a parceiros – à revista Kinestocopio.

Seja por simples avaliação ou por razões pessoais, o fato é que algumas pessoas não estão seguras da eficácia dos processos de aprovação dos projetos e acreditam que os temas vencedores nos últimos anos são descartáveis e têm estética emprestada da televisão. “A televisão colombiana viveu um período fértil de reais incentivos. Não houve e ainda não há correspondente cinematográfico para esse processo”, acredita Jorge Villa, diretor especializado em televisão que, depois de ter sido professor na área na escola de San Antonio de los Baños, em Cuba, dedica-se ao cinema, porém realizando projetos próprios. Professional de longa experiência em cinema, o crítico Augusto Bernal, também responsável pela escola de cinema Black Maria em Bogotá, vê a lei como um “espelho retrovisor”, que reflete algo que já se viu no país. “A atual lei é a última etapa de uma longa viagem, que na verdade começou com o período da Focine. Estamos retrocedendo sobre o que já vimos: não se trata simplesmente de fazer filmes, é preciso socializar, profissionalizar e criar cultura audiovisual”, diz Bernal. E acrescenta: “Não temos identidade cinematográfica. A Colômbia ainda não encontrou seu lugar”.

Desde a promulgação da lei, estrearam no país 30 filmes nacionais, dos quais 24 se deram com apoios do Estado. São projetos que, segundo informa o Ministério de Cultura, diferem em temáticas, qualidade, estéticas e tratamentos – porém, todos com “um bom desempenho em salas”. De fato, os dois filmes nacionais recentes de maior bilheteria – Soñar no cuesta nada, com quase 1,2 milhões de espectadores, e Rosario Tijeras, com pouco mais de um milhão – são histórias bastante comerciais, feitas com atores de televisão, apesar de girar em torno de temas de raiz histórica na Colômbia – no primeiro caso, a guerrilha e, no segundo, os jovens sicários de Medellín. Rosario Tijeras, co-produção com o México, foi vendido para exibição a mais de vinte países, incluindo Argentina, Dinamarca, Itália e Polônia. De todas as maneiras, uma conquista histórica para o cinema colombiano.

Mas há quem defenda, nessa luta que na verdade se define entre comercial e comercial pero no mucho, que está na hora do país criar sua própria indústria cultural e contar histórias comerciais sem medo de ser feliz. “Uma pessoa não vai ao cinema para escutar discurso político”, afirma Rodrigo Guerrero, quem acredita que “para nós, realizadores das novas gerações, o cinema não é uma bandeira, nem um movimento político, nem um discurso de mudança social (...), mas uma questão de entretenimento”.

Onde ficam os documentários?

Outra queixa entre parte dos realizadores colombianos é o reduzido apoio financeiro destinado pela lei à produção documental. Segundo Luis Ospina, um dos documentaristas (que também realizou ficção) mais importantes do país, nascido em Cali, “enquanto a quantia para a produção de argumentais é de uns quatro milhões de dólares, há apenas 120 mil dólares destinados às convocatórias para documentários”. Em 2007, Ospina estreou seu filme Un tigre de papel, realizado em parte com apoios do Estado.

Em um país onde a relação com o real é tão presente a cada dia, essa parece uma equação realmente desequilibrada, inclusive considerando a evolução, em termos de interesse do público e presença em festivais e salas de cinema, que está experimentando o documentário em outros países. É o que pensa Diego García-Moreno: “Estão dando prioridade à ficção em detrimento do documentário. Isso me parece bastante errado, já que o documentário na Colômbia é mais que importante, é uma necessidade”, opina o documentarista de Medellín, cuja mais recente produção, El corazón, foi exibida no festival brasileiro 'É tudo verdade' em 2007.

A pouca atenção da lei com outros aspectos da produção cinematográfica é outra crítica de García-Moreno. “Precisamos também de outros tipos de ajuda, em que o objetivo seja levar o cinema ao público e recuperar sua vontade de ver filmes. É importante fazer cinema que se veja e que crie memória. Porque o que se está fazendo hoje é puro entretenimento. E longe das pessoas”.

O desafio da distribuição

É inegável que, a quatro anos da criação da lei, o setor teve uma renovação histórica no país. Dados recentes apontam 14% de espectadores conquistados pelo mercado nacional – número mais alto que os que têm, por exemplo, Brasil e Argentina, dois países cuja indústria cinematográfica é considerada forte dentro do sub-continente. Mas... Quem está vendo esses filmes?

“O problema da distribuição na Colômbia é imenso. O número de salas está ao redor de 450, um número pequeno para um país de 40 milhões de habitantes. E estão concentradas nos grandes centros urbanos: não mais de 50 municípios, em um total de 1.100, têm projeção em 35 milímetros”, revela o diretor de cinematografia David Melo, que, apesar das dificuldades, vê esperança para o setor de distribuição dentro dos planos futuros do ministério. “Estamos pensando em novas alternativas, como a saída digital e o combate à pirataria, que é a grande inimiga das salas de cinema convencionais na Colômbia atualmente”.

Outro "inimigo" seria, segundo Federico Mejía, da distribuidora independente Babilla Ciné, o acesso dos filmes aos multiplex e a dramática diminuição das chamadas salas de arte no país. “Além desses fatores, não contamos com os recursos econômicos necessários para combater a concorrência promover os filmes ‘alternativos’, sejam colombianos, latinos ou de outra origem. Nossa principal esperança termina sendo a publicação espontânea de artigos na imprensa”, conta.

O que para ele, sim, é um aspecto positivo, é que, na capital, são cada vez menores os intervalos de tempo entre as estréias internacionais e a exibição desses filmes na Colômbia. “A oferta foi ampliada, se comparamos com 10 anos atrás. O problema continua nas cidades intermediárias, onde o acesso ao cinema independente é muito limitado”, afirma Mejía, que explica que Bogotá chega a representar 75% do mercado.

Colômbia, a queridinha da hora?

Ainda é cedo para se considerar uma tendência, mas o fato é que alguns filmes colombianos têm ganhado atenção de distribuidores e boas críticas em mostras internacionais. A mesma buena onda, em outro cenário, foi o que impulsionou a Argentina nos últimos anos em eventos importantes, como o festival de Berlim. Se ao bom momento durar, a Colômbia pode se tornar a nova queridinha dos festivais.

Em 2007, PVC-1, do jovem diretor colombiano de origem grega Spiros Stathoulopoulos, chamou a atenção em Cannes e ganhou vários prêmios, incluindo o Silver Alexander, no festival de Thessaloniki, na Grécia. Outra ótima conquista nacional é a seleção de Perro come perro, de Carlos Moreno, para a principal mostra estrangeira de Sundance em janeiro de 2008. É a primeira vez na história que um filme colombiano é selecionado para o evento, o principal do cinema independente no mundo.

Já no âmbito dos remakes, quem pode comemorar é o diretor Juan Felipe Orozco, cujo filme Al final del espectro (2006) foi comprado pelo produtor Roy Lee (The ring 1, 2 e 3 e Dark water), da Vertigo Entertainment, em Hollywood. Com direção do mesmo Juan Felipe, a nova versão deve sair em 2009 com o título provisório Alone e Nicole Kidman no papel principal.

E com sorte, quem sabe Satanás, adaptação ao cinema da obra literária de mesmo nome pelo diretor Andrés Baiz, consegue uma vaga no Oscar-2008. O filme, eleito o candidato colombiano à premiação, teve cerca de 460 mil espectadores nas salas do país e ainda não foi lançado em DVD. Não que essa seja uma grande esperança de aumentar seus lucros: o mercado de home video na Colômbia é quase inexistente, praticamente limitado que está a uma coleção dos “melhores do cinema colombiano” e dominado em 85% pelos piratas.

Apagando e acendendo a luz

Como afirma Ciro Guerra, jovem realizador formado pela Universidade Nacional da Colômbia, uma das poucas no país a oferecer formação acadêmica na área de cinema: “Há um grande otimismo. A lei de cinema abriu a possibilidade de fazer muito mais filmes na Colômbia, de promover-los adequadamente, e o público está respondendo em grandes quantidades. Agora o objetivo é melhorar a qualidade”.

Sua obra-prima, La sombra del caminante, que ganhou 15 prêmios passando por 52 festivais de 45 países, é uma das esperanças locais de criação de um cinema de potencial comercial, mas com marca de autor. Ciro, que está agora em seu segundo projeto, intitulado Los viajes del viento, acredita que o cinema de seu país enfrenta todo tipo de problemas – “de dramaturgia, de narrativa, de legislação, de comercialização e distribuição, de difusão...” – mas já considera possível, com a nova fase de estímulos, “tratar de fazer filmes sem morrer de fome”.

Ele tem provavelmente boas razões para não perder a esperança – e não só dentro do filão da produção. Iniciativas ao redor do ‘fazer filmes’ também têm gerado grande otimismo. São exemplos disso o fato de que novos realizadores, inclusive experimentais, exibam seus curtas no espaço oferecido pela InVitro visual; a exposição de 110 anos de cinema colombiano no Museu Nacional de Bogotá, que convida o público a conhecer sua história cinematográfica; e a associação entre distribuidoras como a Babilla Ciné com a Rain, empresa brasileira especializada em tecnologia para exibição digital.

Como conclui o crítico Augusto Bernal: “O caminho? Que o último a sair apague a luz e que o primeiro a chegar volte a acender. Não resta outra coisa que continuar. Cinema é questão de consciência e de formação”. O momento na Colômbia é bom e, sem dúvida, já alcançou conquistas importantes, apesar do que há por consertar. Que continuem e que conquistem espaço na América Latina e no mundo.

Serviço:

* Para mais dados sobre cinema colombiano, visite: www.proimagenescolombia.com.
* Única revista colombiana impressa especializada em cinema, Kinetoscopio: www.kinetoscopio.com.
* Festival de Cartagena, o mais conhecido da Colômbia: www.festicinecartagena.org. * Festival de Cine y Video de Santa Fé de Antioquia, um festival diferente: www.festicineantioquia.com.
* Mais sobre a lei de cinema na Colômbia: Cine en Colombia – Siéntalo, entiéndalo y hágalo. Por Gonzalo Castellanos Valenzuela. Proimágenes en Movimiento, 2006.

Por Camila Moraes

 
   
 Sexta, 07 de Dezembro de 2007
Red Idea em prol do cinema ibero-americano

Além de ser tema de vários festivais, o cinema ibero-americano conta com canais de difusão, discussão e formação de espectadores, como a chamada Red Idea. Já em seu segundo encontro anual, o evento conta agora com a participação de Brasil, Costa Rica, República Dominicana e dos Estados Unidos, que se unem aos países que já eram membros (Colômbia, Chile, Argentina, Panamá, México, Porto Rico e Espanha).

O segundo foro da Rede Ibero-Americana de Desenvolvimento de Projetos Audiovisuais está acontecendo esta semana na cidade de Valência, Espanha, organizado pela Fundación para la Investigación del Audiovisual (FIA) em parceria com a Universidad Internacional Valenciana (VIU).

O objetivo é apresentar os novos sócios, além de propor a criação de uma matéria acadêmica baseada no tema “Cinema ibero-americano” nas faculdades de cinema de instituições como a Universidade Nacional da Colômbia, a UNIACC do Chile, a Universidade de São Paulo, a Universidade Sagrado Corazón de Porto Rico, a ENERC de Argentina e o Centro de Capacitação Cinematográfica do México.

Leia mais no site da FIA.

 Quarta, 05 de Dezembro de 2007
Cinema latino reunido em Havana

Com show de abertura do cantor argentino Fito Paez e exibição de Redacted, novo filme de Brian de Palma, foi dada a largada ontem, 04.12, à 29ª edição do Festival del Nuevo Cine Latinoamericano em Havana.

O evento, que acontece até a sexta-feira da outra semana, dia 14.12, reúne130 obras na mostra oficial, tendo o Brasil e a Argentina como países numericamente mais representativos. Um dos mais importantes da América Latina, ainda inclui outras 500 obras, entre curtas, longas, desenhos animados e documentários.

Segundo Alfredo Guevara, fundador do Instituto Cubano de Artes e Indústrias Cinematográficas (ICAIC), este ano "parece que há outra invasão de jovens criadores", já que as obras apresentadas na disputa pelo prêmio de estreante superam em número as da mostra competitiva de longas-metragens de ficção. Dentro da programação, Guevara também ressaltou a homenagem aos 40 anos do Festival de Viña del Mar, considerado um dos precursores do evento cubano por sua grande importância para o cinema do sub-continente nos anos de 1967 e 1968. Serão lembradas algumas das obras que marcaram a época como o documentário Maioria absoluta, do brasileiro Leon Hirszman, e Now, do cubano Santiago Álvarez.

Na competição principal, de longas-metragens de ficção, concorrem 20 obras de oito países: Brasil, Bolívia, Argentina, Cuba, Chile, Uruguai, Venezuela e Estados Unidos. Entre eles, se destaca a co-produção Brasil-México-Espanha-Argentina O cobrador, de Paul Leduc, com Lázaro Ramos, Peter Fonda e Milton Gonçalves, baseada em contos de Rubem Fonseca. Outro destaque é Luz silenciosa, do diretor mexicano Carlos Reygadas, que vai de candidato ao Oscar 2008 na categoria de melhor filme estrangeiro depois de ter sido ganhador do Prêmio do Júri em Cannes. Cuba concorrerá com os longas-metragens de ficção Madrigal, o polêmico filme de Fernando Pérez, Camino del Edén, um filme de época de Daniel Díaz Torres, e a comédia policial La noche de los inocentes, de Arturo Soto.

O Brasil compete com O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger, e Achados e perdidos, de José Joffily, entre outros. Pela primeira vez a programação inclui um espaço para o cinema fantástico e de horror na América Latina, com oito obras da Argentina e Cuba.

E mais novidade: este ano, haverá um prêmio em dinheiro, que consiste na compra dos direitos de exibição dos filmes na Venezuela. Serão US$ 30 mil para o melhor filme de ficção e US$ 25 mil para o melhor longa de cineasta estreante, além de US$ 5 mil para os diretores, segundo o diretor-geral do evento, Ivan Giroud.

Veja mais informações no site oficial do evento.

 Terça, 04 de Dezembro de 2007
Pablo Trapero: novo filme vem aí

Um dos jovens cineastas atuantes nos princípios da onda do novo cinema argentino, Pablo Trapero já terminou as filmagens do seu quinto longa-metragem, intitulado Leonera. O filme está sendo realizado por sua produtora, Matanza Films, e foi rodado em cinco prisões reais de Buenos Aires, em que cerca de 50 presas atuaram como extras. Em papéis protagônicos, estão as atrizes argentinas Guzman, Elli Medeiros e Lola García (foto).

Trapero estreou em longas em 1999, com Mundo grúa, rodado com atores não profissionais e em branco e preto. Seus outros filmes são El buonaerense (Do outro lado da lei, no Brasil), Família rodante e Nacido y criado.

 Terça, 04 de Dezembro de 2007
Direitos humanos: nas telas de oito capitais brasileiras

O que melhor que o cinema para levar informação e histórias reais de vida ao povo, sobretudo quando se trata de Direitos Humanos? Cinema é pluralidade, assim como plural é a população latino-americana, onde, por sua vez, o tema dos Direitos Humanos se faz mais presente do que nunca. Vide o Acordo Humanitário que está em plena fase de construção na Colômbia pela liberação dos seqüestrados pelas Farc, só para citarmos um exemplo.

É por isso que se torna imperdível uma olhada atenta à segunda edição da Mostra de Cinema e Direitos Humanos da América do Sul, que tem início hoje, 04.12, em oito capitais brasileiras: Brasília, Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

O evento tem o objetivo de celebrar os Direitos Humanos, cuja Declaração Universal da ONU cumpre nove anos em 10.12, e de democratizar o acesso à cultura através de 37 filmes (todos de entrada gratuita) produzidos por toda a América do Sul e que destacam a “diferença como riqueza da condição humana”, sem falar nos debates que visam a “enriquecer e arejar a discussão em torno das questões suscitadas pelos filmes”.

Entre os destaques da programação – sob curadoria do cineasta Giba Assis Brasil, fundador da Casa de Cinema de Porto Alegre em 1987, autor de vários longas e curtas-metragens próprios e montador da maioria de filmes de Jorge Furtado – estão: Você também pode dar um presunto legal de Sergio Muniz, filmado em 1971 e remontado somente em 2007, sobre a ação do Esquadrão da Morte na década de 60, além das principais obras do argentino Fernando Solanas (Memoria del saqueo e La diginidad de los nadies) e do filme Direitos humanos, do brasileiro Kiko Goifman.

Na manhã de ontem, segunda-feira, os organizadores do festival espalharam 300 vasos de flores em frente à Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, com a idéia de “cultivar os Direitos Humanos nas pessoas”. Ótimo começo: nada, além de verdadeiro, pode ser mais urgente.

Para saber mais, o site oficial do festival oferece detalhes completos sobre todos os filmes, além de uma agenda com os temas e convidados dos debates. Confira.

Por Camila Moraes

*
A 2ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul é uma realização da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, com produção da Cinemateca Brasileira, ligada ao Ministério da Cultura, e do SESC SP. Conta ainda com o apoio do Ministério das Relações Exteriores e com patrocínio da Petrobras.

s
s
s
s
s
s
s
Quem Somos?
About Us
Query invalida: You have an error in your SQL syntax; check the manual that corresponds to your MySQL server version for the right syntax to use near 'group BY (SUBSTRING(data,1,4)) order by data desc' at line 2
sql: SELECT SUBSTRING(data,1,4) AS ano from tab_blog_noticias where status='true' and id_cliente = group BY (SUBSTRING(data,1,4)) order by data desc