Terça, 02 de Fevereiro de 2010
Entrevista: Natalia Smirnoff, diretora de "Rompecabezas"

Apesar de ter como referência próxima o trabalho de vários diretores argentinos bem-sucedidos, a portenha Natalia Smirnoff, que trabalhou com Lucrecia Martel, Pablo Trapero e Alejandro Agresti, procura, através do cinema, fazer ecoar sua própria voz.

Rompecabezas” é o primeiro longa-metragem dirigido e escrito por Natália – e também o único filme latino que faz parte da seleção oficial do Festival de Berlim em 2010.

Confira sua entrevista exclusiva à Latina.

Como surgiu a ideia de filmar a história de “Rompecabezas”, que fala de mudar a vida, para fazer seu primeiro longa-metragem como diretora?

Queria narrar um momento de giro na vida de alguém. Gostava do momento trágico, em termos dramáticos, de uma dona de casa cujos filhos estão a ponto de ir embora de casa. Um momento que pode permitir um grande pesar, mas também uma mudança profunda, uma oportunidade. Os quebra-cabeças, como vários jogos, permitem entrar em outra dimensão. Sinto que a María del Carmen [a protagonista] consegue entrar em outra dimensão e conhecer algo mais sobre si mesma, graças a isso. E é o que conta, o tempo que a acompanhamos.

Por outro lado, eu tenho o mesmo dom da María del Carmen para os quebra-cabeças. Sou boa montando. Fui acusada muitas vezes de perder tempo. E, falando um pouco mais sério, vivi dois ou três momentos de mudanças profundas na minha vida (abandonar uma carreira e um trabalho e mudar radicalmente, por exemplo). Sempre estiveram próximos a grandes crises. Pra mim, é extremamente interessantes esses momentos, porque permitem realmente averiguar algo totalmente novo de você mesmo e que você pode nunca saber ou vivenciar. E se você descobre essa possibilidade, sua vida é outra.

Quais foram as maiores dificuldades e satisfações do processo de realização do filme?

Tive diferentes grandes dificuldades. Desde produtores que não acreditavam, que pediam mais dinheiro, os tempos dos concursos que venciam e assim se perdia o dinheiro conseguido, até ter que parir no meio do processo graças ao atraso para conseguir filmar. Meu bebê tinha cinco meses no dia que começamos a rodar. Como estava amamentando durante a filmagem, eu saia pra tirar leite a cada quatro horas.

Acho que as seleções e os prêmios são uma satisfação. Mas acho que a melhor coisa foi a equipe técnica e o elenco que trabalharam comigo e que eu escolhi. Foi realmente maravilhoso. A gente se divertiu incrivelmente, desfrutamos e acho que criamos juntos algo especial. Também tive a grande satisfação de amigos que me acompanharam e apoiaram durante todo o longo e imenso processo com uma persistência incansável. Apesar do difícil que é sustentar algo que acontece em tanto tempo. Agradeço o apoio de Martín Salinas como assessor de roteiro e na etapa de edição. De Fabiana Tiscornia em casting e roteiro. De Marisa Urruti e Jorge Gaggero. E de María Eugenia Sueiro, que também fez a direção de arte do filme. E da minha família, claro. Inesgotável.

Outro momento maravilhoso pra mim é quando durante a filmagem se vê com a mise-en-scène o que se imaginou, o que começou na sua cabeça. E se, ao mesmo tempo, você se sente em comunhão com o que os atores estão contando, vira um momento mágico. Suspeito que é o mais parecido ao que se sente ao estar iluminado. É uma emoção muito potente.

Que influências você acredita que tem, no seu trabalho, de diretores com os quais trabalhou, como Lucrecia Martel, Pablo Trapero e outros?

Acho que fazer cinema é encontrar o ponto-de-vista pessoal, a sua própria voz. Aprendi muito de todos os diretores com os que trabalhei e especialmente daqueles com que compartilhei várias experiências. Com a Lucrecia tive a sorte de trabalhar em todos seus filmes e aprendi muito dela, tavez mais como inspiração profissional. Eu a admiro muito, mas não acho que meu filme seja parecido aos seus. Apesar de que me agradaria a ideia. Mas sei que só posso ser fiel ao que eu posso contar.

O que você busca através dos seus filmes e das histórias que escolhe pra contar?

Gosto das histórias descomplicadas, fáceis na trama, cheias de pequenos detalhes. Encontrar um ponto de vista, a voz principal e explorá-la ao máximo. O personagem da María del Carmen foi meu grande guia ao longo de todo o caminho percorrido. Tento me aproximar da sua pele e ver em grande parte como ela.

Nunca gostei dos exageros, nem de utilizar recursos sem justificativa. A ideia é buscar a forma mínima de contar algo que tenha uma ressonância importante para mim. Quanto menos elementos eu precise para a metáfora, melhor. Quanto mais próximo, melhor.

Que expectativas você tem em relação à seleção de “Rompecabezas” no Festival de Berlim?

Que a estréia mundial de um filme seja neste festival é uma grande emoção. Sem falar ao lado de que diretores se compartilha a seleção. É algo realmente incrível. Simplesmente maravilhosos. Na verdade, a única grande expectativa real é que o filme seja conhecido e possa agradar. O qual já é muitíssimo.

Qual foi até agora a trajetória do filme por outros festivais e concursos?

O roteiro foi selecionado para o laboratório Toscano Sundance em Oaxaca em 2006. Logo tive a sorte de ganhar o Fonds Sud Cinema (prêmio do governo francês) e contar com o apoio do INCAA (instituto de cinema argentino). Uma vez rodado, o filme foi selecionado para o Cine en Construcción em San Sebastián e ganhou o prêmio Casa das Américas. E agora, a seleção na competição oficial de Berlim.

Como você vê o atual momento do cinema argentino?

É difícil de saber. Acho que passou o momento do auge do que se chamou “el nuevo cine”, para passarmos a outra etapa. Essa é minha sensação. Houve um tempo em que o cinema argentino era novidade. Acho que já não é. E isso me parece muito bom. Sempre que se criam modas, há partes menos autênticas. E, de alguma maneira, há condicionamento e falta de liberdade. Acho que é um momento interessante para ver o que vai surgir.

Que obstáculos você enfrentou para conseguir trabalhar ativamente em cinema e que dificuldades acha que existem hoje para quem está começando?

Conseguir trabalho em cinema foi um esforço de uns três meses ligando todos os dias para umas 60 pessoas, pedindo trabalho. A chave foi a persistência. Muitos me disseram que não. Durei, logo depois dos primeiros trabalhos, um ano e meio para conseguir uma continuidade real. Desde então, não tive grandes pausas. Só que, à medida que minha vida foi mudando (sou mãe de dois filhos), foi deixando de me interessar a quantidade de horas que o cinema exigem em fase de rodagem e comecei a procurar outras saídas. A direção de atores é ideal pra mim neste sentido. Eu adoro, porque me parece uma possibilidade de exploração da história muito interessante.

A dificuldade mais grande que sinto é que a segurança é algo que você tem que dar a si mesmo. Ao ser freelancer, você não tem nenhum trabalho seguro. A realidade é que se você é bom no que faz e lhe dedica muito tempo, trabalho e difícil faltar. Mas há que lidar com aspecto da falta de segurança.

O que você opina sobre a visibilidade do cinema latino hoje? Você acha que pode-se falar de uma cinematografia latino-americana em termos de estilo?

Realmente não me sinto capaz de responder essa pergunta. Não pude ver todos os filmes que seriam necessários para dar uma opinião. Mas tenho a tendência a acreditar que essas definições costumam ser formas de definir territórios, geografias mais que estilos. O mesmo em relação ao cinema local. O que acontece é que essa mesma definição cria um movimento, que causa um efeito, e isso se retro-alimenta. Mas não sei quanto, realmente.

Quais são seus próximos projetos?

Estou trabalhando em “El cerrajero”, a história de um homem de 38 anos que, como o nome indica, é serralheiro de profissão. Por algum assunto inexplicável, este homem começa a ter visões cada vez que vai abrir uma porta. Vê pessoas chave na vida da pessoa a quem está abrindo a porta. E quando vai falar, o que sai é a voz desta pessoa. Assim começa seu périplo. Justamente, estou interessada em abordar isso da forma mais simples possível. Que acontece com um homem simples a quem começa a acontecer isso? Aonde dispara? Estou começando a escritura da segunda versão. w

 
   
 Terça, 02 de Fevereiro de 2010
Entrevista: Natalia Smirnoff, directora de "Rompecabezas”

A pesar de tener como referencia cercana el trabajo de varios directores argentinos exitosos, la porteña Natalia Smirnoff, que trabajó con Lucrecia Martel, Pablo Trapero y Alejandro Agresti, busca a través del cine hacer sonar su propia voz.

Rompecabezas” es el primer largometraje dirigido y escrito por Natalia - y también la única película latina en la selección oficial del Festival de Berlín en 2010.
   
A continuación, su entrevista exclusiva a La Latina.

Cómo surgió la idea de filmar la historia de “Rompecabezas”, que habla de cambiar la vida, para realizar tu primer largometraje como directora?

Quería narrar un momento bisagra en la vida de alguien. Me gustaba el momento trágico, en términos dramáticos, de una ama de casa, cuyos sus hijos se están por ir. Un momento que puede permitir un gran pesar, pero también un profundo cambio, una oportunidad. Los rompecabezas, como varios juegos, permiten entrar en otra dimensión. Yo siento que María del Carmen [la protagonista] logra entrar en otra dimensión y conocer algo más sobre si misma gracias a esto. Y eso es lo que se cuenta, el tiempo que la acompañamos.

Por otro lado, yo tengo el mismo don de María del Carmen para los rompecabezas. Soy muy buena armando. Me han acusado muchas veces de perder el tiempo. Y un poco más en serio, he vivido en mi vida dos o tres momentos de profundos cambios (dejar una carrera y un trabajo y cambiar de vida por ejemplo). Siempre estuvieron cercanos a grandes crisis. Me parecen sumamente interesantes esos momentos, porque permiten realmente averiguar algo totalmente nuevo de uno mismo y que uno puede nunca enterarse ni vivir. Y si uno descubre esa posibilidad, la vida de uno es otra.

Cuáles han sido las dificultades y satisfacciones más grandes en el proceso de realización de la película?

Tuve diferentes grandes dificultades. Desde productores que no creían, que luego pedían más dinero, los tiempos de los concursos que se vencían y se perdía el dinero obtenido, hasta tener que parir en el medio por el atraso para lograr filmarla. Mi bebé tenía 5 meses el día que empezamos a filmar. Como estaba amamantando durante el rodaje, me iba a sacar leche cada 4 horas.

Creo que las selecciones y premios son una satisfacción. Pero creo que la mejor ha sido el equipo técnico y el elenco que me ha tocado y he elegido. Realmente ha sido maravilloso. Nos hemos divertido increíblemente, disfrutamos y creo que creamos juntos algo especial. También tuve la gran satisfacción de amigos que me acompañaron y apoyaron durante todo el largo e inmenso proceso con una incansable persistencia. Pese a lo difícil de sostener algo que sucede en tanto tiempo. Agradezco el apoyo de Martín Salinas como asesor de guión y en el la etapa de montaje. De Fabiana Tiscornia en casting y guión. De Marisa Urruti y Jorge Gaggero. Y María Eugenia Sueiro, que además hizo la dirección de arte de la peli. Y la familia, por supuesto. Inagotable. También incluyo la aparición de Memento Films. Empezaron a cuidar la película más que yo, y eso fue genial.

El otro momento maravilloso para mí es cuando en rodaje uno ve con la puesta en escena lo que uno imaginó, lo que empezó en tu cabeza. Y si a su vez te sentís en comunión con lo que los actores están contando, se vuelve un momento mágico. Sospecho que es lo más parecido a lo que se siente estar iluminado. Es una emoción muy potente.

Qué influencias crees que tienes, en tu trabajo, de los directores con los cuales ya has trabajado, como Lucrecia Martel, Pablo Trapero y otros?

Creo que hacer cine es encontrar el punto de vista personal, la propia voz. He aprendido mucho de todos los directores con los que he trabajado y especialmente de los que he compartido varias experiencias. Con Lucrecia tuve la suerte de trabajar en todas sus películas y aprendí mucho de ella, tal vez más como inspiración profesional. La admiro mucho, pero no creo que mi película sea parecida a las suyas. Aunque me encantaría. Pero sé que sólo puedo ser fiel a lo que yo puedo contar.

Qué buscas a través de tus películas y de las historias que eliges para contar?

Me gustan las historias sencillas, simples en trama, llenas de pequeños detalles. Encontrar un punto de vista, la voz principal y explorarla y explotarla. El personaje de María del Carmen ha sido mi gran guía a lo largo de todo el recorrido. Busco tratar de acercarme a su piel y ver bastante como ella.

Nunca me han gustado las exageraciones, ni el utilizar recursos sin estar justificados. La idea es buscar la mínima forma de contar algo que tenga una resonancia importante para mí. Cuanto menos elementos necesite para la metáfora, mejor. Cuanto más cercano, mejor.

Qué expectativas tienes en relación a la nominación de “Rompecabezas” al Festival de Berlín?

Que el estreno mundial de una película sea en este festival es una gran emoción. Ni hablar junto a qué otros directores compartir la nominación. Es algo bastante increíble. Simplemente maravilloso. La verdad que la única gran expectativa real es que la película se conozca y pueda gustar. Lo cual ya es muchísimo.

Cuál ha sido el recorrido de la película por otros festivales y convocatorias hasta ahora?

El guión estuvo seleccionado para el laboratorio Toscano Sundance en Oaxaca en el 2006. Luego, tuve la suerte de ganar el Fonds Sud Cinema (premio del gobierno francés) y contar con el apoyo del INCAA (instituto de cine argentino). Una vez filmada, fue seleccionada en Cine en Construcción en San Sebastián y ganó el premio Casa de América. Y ahora la selección en la competencia oficial en Berlín.

Cómo ves el momento actual del cine argentino; por qué fase cree que está pasando en este momento la cinematografía nacional?

Es difícil de saber. Creo que ha pasado un momento del auge de lo que se llamó el nuevo cine, para pasar a otra etapa. Esa es mi sensación. Hubo un tiempo donde el cine argentino era novedad. Creo que ya no es. Y eso me parece muy bueno. Siempre que se crean modas, hay partes menos auténticas. Y de alguna manera se condiciona y se quita libertad. Creo que es un momento interesante para ver qué va a surgir.

Qué obstáculos has enfrentado vos para lograr trabajar activamente en cine y qué dificultades crees que hay para quienes están empezando?

Conseguir trabajo en cine fue un esfuerzo de unos tres meses llamando todos los días a unas 60 personas pidiendo trabajo. La clave estuvo en la persistencia. Me dijeron muchos que no. Me llevó luego de los primeros trabajos un año y medio lograr una real continuidad. Desde ahí no he tenido grandes parates. Sólo que, a medida que mi vida fue cambiando (soy madre de dos hijos), me fue dejando de interesar la cantidad de horas que el cine exige en filmación y empecé a buscar otras formas. La dirección de casting me es ideal en ese sentido. Me encanta, me parece una posibilidad de exploración de la historia fascinante.

La dificultad más fuerte que yo siento es que la seguridad te la tenés que dar vos mismo. Al ser uno freelancer, no tiene seguro ningún trabajo. La realidad es que si sos bueno en lo que haces y le dedicás mucho tiempo, trabajo es difícil que falte. Pero hay que lidiar con el aspecto de la no seguridad.

Qué opinas sobre la visibilidad que tiene el cine latino hoy? Crees que se puede hablar de una cinematografía latinoamericana en términos de estilo?

Realmente no me siento capaz de contestar esto. No he podido ver todas las películas que dar una opinión me exigiría. Pero tengo la tendencia a creer que suelen ser formas de definir territorios, geografías más que estilos. Lo mismo en cuanto al cine local. Lo que pasa que esa propia definición crea un movimiento que causa un efecto y eso se retroalimenta. Pero no sé qué tanto realmente.

Cuáles son tus próximos proyectos?  

Estoy trabajando en “El cerrajero”, la historia de un hombre de 38 años que, como el nombre lo indica, es cerrajero de profesión. Por algún asunto inexplicable, este hombre empieza a sufrir visiones cada vez que va a abrir una puerta. Ve a personas claves de la vida de la persona que le está abriendo la puerta. Y cuando va a hablar, le sale la voz de esa persona. Así comienza su periplo. Justamente me interesa abordar esto de la forma más sencilla posible. ¿Qué le pasa a un hombre simple que le empieza a pasar eso? ¿Para dónde dispara? Estoy empezando la escritura de la segunda versión.

 Segunda, 01 de Fevereiro de 2010
Fuentes León e Escalante premiados em Sundance

Terminou ontem a 26ª edição do festival de cinema de Sundance, em Park City, com uma entrega de prêmios que garantiu troféus a dois latinos.

O primeiro é o peruano Javier Fuentes León, cuja filme “Contracorriente”, co-produzido entre Peru, Colômbia, Alemanha e França, levou o prêmio do público para melhor ficção. "Estes prêmios celebram a diversidade do programa do festival este ano", declarou o diretor de programação, Trevor Groth.

Depois vem o mexicano Amat Escalante (“Sangre” e “Los bastados”), ganhador na América Latina do prêmio Sundance/NHK, de 10 mil dólares para o desenvolvimento de seu mais novo projeto, “Heli”. Criado em 1996 pelo Instituto Sundance em parceria com a cadeia televisiva japonesa NHK, este estímulo é entregue a talentos independentes e emergentes do cinema mundial e corresponde à aquisição dos direitos de emissão dos filmes no Japão pela NKK.

Mais de 110 filmes foram apresentados nesta edição do festival, inclusive a estreia de "Segredos da tribo", de José Padilha. O Sundance Festival foi criado pelo ator e diretor Robert Redford para ser um contraponto com a produção comercial de Hollywood e uma vitrine para o cinema independente.

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