NÃO PERCA

  • O QUÊ: Série "Fronteras" - 8 directores cruzando límites
  • Ano: 2011
  • Quando: desde dezembro
  • Onde: No site da TNT
  • Por quê: Para conhecer diferentes lugares do mundo através do olhar de novo consagrados diretores latino-americanos - incluindo a peruana Claudia Llosa, cujo "Loxoro" será apresentado em fevereiro no Festival de Berlim.
  • Mais: Um projeto da TNT apresentado pelo cineasta argentino Juan José Campanella.

Acesse o site e assista aos episódios de 30 min.

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Dia 03
fevereiro 2012

CinEducación: protestos estudantis do Chile inspiram cineastas e realizadores amadores de vídeo

Foto de Ávaro Hoppe que aparece no documentário 'La Ciudad de los Fotógrafos'

Foto de Ávaro Hoppe que aparece no documentário 'La Ciudad de los Fotógrafos'

Os protestos estudantis que sacudiram o Chile ano passado foram fortemente influenciados pela arte e agora começam a trilhar o caminho oposto, influenciando, por exemplo, o cinema.

Foi recentemente lançada no Chile a plataforma CinEducación (cujo nome faz referência ao cinema, brincando com a expressão “sem educação”), que reúne olhares de cineastas consagrados – e outros anônimos – sobre a educação no Chile e em outros países. Dela, na verdade, pode participar qualquer pessoa que queira compartilhar vídeos sobre o sistema educacional de seu país.

Como lembra uma matéria de hoje da Folha a respeito (link aqui, para assinantes), o projeto digital chileno se parece ao outrora famoso “Cinétracts”, de Jean-Luc Godard, Alain Renais e outros realizadores franceses que expressaram sua visão sobre o Maio de 68. Um deles, inclusive – o documentarista Chris Marker, de 90 anos –, faz parte do CinEducación, manifestando seu apoio aos protestos estudantis. O vídeo dele tem pinguins (símbolo dos estudantes chilenos), Camila Vallejo (líder estudantil do Chile) e seu conhecido gato Guillaume.

Entre os latinos participantes, estão o documentarista chileno Patricio Gúzman, o ator e diretor mexicano Gael García Bernal e a artista brasileira Veronica Cordeiro.

Visite e participe: www.cineducacion.cl

Dia 01
fevereiro 2012

2011: um ano de cinema latino de imagens

Os rankings são comuns e têm sua utilidade, mas podem ser tão frios como as estatísticas. Para esquentar um pouco a seleção abaixo de “melhores” filmes latinos de 2011, pensemos nela como um apanhado de imagens que fizeram o cinema latino-americano brilhar no ano passado. Assim, em tom informal, sem maiores compromissos.

Primeiro, vem uma seleção feita com base aos filmes latinos mais falados, premiados e elogiados do ano passado. Notícias sobre eles circularam bastante neste blog.

Depois, as escolhas de diferentes profissionais brasileiros ligados a cinema latino-americano.

Confira!

SELEÇÃO LA LATINA

Las acacias”, de Pablo Giorgelli (Argentina)

Drama íntimo, filmado com maestria dentro de um caminhão

Drama íntimo, filmado com maestria dentro de um caminhão

Miss bala”, de Gerardo Naranjo (México)

Abordagem mais que relevante da violência: a de quem está no meio do tiroteio

Abordagem mais que relevante da violência: a de quem está no meio do tiroteio


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Dia 31
janeiro 2012

Entrevista: Marialy Rivas, de “Joven y alocada”, um dos filmes chilenos premiados em Sundance

Marialy Rivas

Marialy Rivas

No último domingo, 29 de janeiro, chegou ao fim o primeiro grande festival do ano. Sundance, focado em cinema independente, deu dois prêmios importantes para o cinema chileno: o de melhor drama internacional para “Violeta de los cielos”, de Andrés Wood, e o de melhor roteiro internacional para “Joven y alocada”.

O Chile, que vem aumentando sua produção cinematográfica e que em 2011 recuperou o fôlego das bilheterias, comemora os prêmios e o posto de cinematografia latina da vez nos festivais internacionais.

Nosso site-parceiro, LatAm cinema, publicou um bate-papo com a chilena Marialy Rivas, de “Joven y alocada”. Confira a entrevista abaixo (disponível completa e em espanhol aqui).

A realizadora Marialy Rivas – conhecida pelo curta “Blokes” – debuta na direção de longas-metragens com “Joven y alocada”, a história do despertar sexual de uma adolescente bissexual, que, utilizando o apelido que é o título do filme e o anonimato virtual, se permite refutar o mandato familiar e expressar livremente sua sexualidade, abafada por uma estrita educação evangélica. Um filme vivaz, moderno e arriscado, que segue o processo de amadurecimento de uma jovem dividida entre prazer e culpa. Protagonizada por Alicia Rodríguez e María Gracia Omegna e produzida por Fábula (a produtora dos filmes de Pablo Larraín), participa da competição Generation 14plus do Festival de Berlim. Depois de vencer o prêmio a melhor roteiro internacional em Sundance, sua estreia comercial no Chile está prevista para 26 de abril.

Por Cynthia García Calvo

O ponto de partida da história é um blog real, que tem o mesmo nome. Que elementos você encontrou nele para converter em filme e como foi esse processo?

O que me atraiu no blog foram os relatos vibrantes, cheios de humor negro, que a autora faz de sua vida tanto sexual como evangélica. Eram fortes e gráficos, ao mesmo tempo, ternos e divertidos. Me seduziu completamente. O processo foi longo, fizemos entrevistas com ela e criamos histórias para compor o personagem Pedro Peirano. Depois partimos da estrutura que armamos para reescrever com ela os diálogos e as vozes em off. Na verdade, a forma final do filme surgiu na edição. Inclusive, chegamos a filmar depois algumas cenas que achávamos que estavam faltando. Acho que é difícil estruturar qualquer filme, ninguém imagina… Nem eu, até que o fiz e me vi escalando o Everest.
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Dia 30
janeiro 2012

Produções do ano passado renovam fôlego do cinema latino em 2012

"Violeta se fue a los cielos", de Andrés Wood, foi o filme chileno de 2011

"Violeta se fue a los cielos", de Andrés Wood, foi o filme chileno de 2011

Interessante constatação: enquanto na internet se instala aos poucos uma caça às bruxas que pretende eliminar os piratas do oceano audiovisual, nas salas de cinema de vários países latino-americanos os números de espectadores crescem.

Resistindo – elas, sim, como bravos piratas – ao ataque de blockbusters e ao domínio dos grandes estúdios, as cinematografias da região viveram um 2011 de estatísticas animadoras. Em geral, aumentaram os índices de salas por habitante, a frequência de espectadores é mais alta que a registrada nos últimos anos e, o melhor de tudo, despertaram-se para as suas próprias telas países antes um pouco adormecidos, como Colômbia, Chile e Peru e, em menor escala, Uruguai, Paraguai e Equador.

Fazendo um rápido balanço do cinema latino no ano que passou, algumas boas notícias saltam aos olhos. Além dos números em ascensão, é evidente a tendência generalizada a uma maior diversidade temática. E não só: apesar da fronteira entre ficção e documentário representar uma forte inclinação entre as histórias, há um flerte cada vez mais intenso com os gêneros tanto em países de maior tradição cinematográfica, como a Argentina, quanto em indústrias que ainda engatinham, como a peruana, onde produtores independentes têm explorado o gosto local por terror e ação.

Claro que nem todas são manchetes que fazem sonhar. Mesmo sendo mais, ainda há poucas salas por pessoa em quase toda a região – e concentradas em capitais e grandes cidades. O público, ainda cético em relação ao “seu cinema”, cambaleia na aceitação dos títulos nacionais, o que se reflete em um baixo número de espectadores por filme. Trocando em miúdos, tem aparecido mais produções regionais reconhecidas pela crítica e, com sorte, também pela bilheteria. Esses são os casos que elevam as estatísticas e, em parte, renovam o ânimo dos profissionais da área.

Se bem o desafio da distribuição persista, os ares se renovam – e há esperança de amadurecimento quando o assunto é construir cinema (e identidade, diversidade, memória…) na América Latina.

Um breve repasso pelo que aconteceu em alguns países da região em 2011 dá o tom da esperança que paira sobre o cinema latino em 2012. Confira:
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Dia 27
janeiro 2012

Cuba, México, Argentina e Chile disputam o Goya

Os chilenos Matías Bize e Santiago Cabrera: diretor e ator de "La vida de los peces", ganhador do Goya a melhor ibero-americano de 2011. O filme estreia no Brasil em fevereiro

Os chilenos Matías Bize e Santiago Cabrera: diretor e ator de "La vida de los peces", ganhador do Goya a melhor ibero-americano de 2011. O filme estreia no Brasil em fevereiro

Antes do Oscar, vem aí o Goya, a grande premiação do cinema na Espanha, com uma categoria inteira dedicada a filmes ibero-americanos. A 26a edição cerimônia acontece em 19 de fevereiro, com os seguintes finalistas:

“Boleto al paraíso”, de Gerardo Chijona

Esse filme cubano foi lançado no Festival de Havana em 2010, selecionado para o Sundance do ano passado e passou pelo Brasil durante o 21o Cine Ceará. Conta a história de um grupo de jovens que, em meio a deterioração pela que passava Cuba no começo dos anos 90, por causa do embargo americano, decide se infectar com o vírus da Aids. O fio condutor é a personagem de Eunice, uma adolescente constantemente violada por seu pai. Os temas polêmicos abordados pelo diretor, pouco comuns no cinema cubano, não tiveram sucesso em Cuba, mas conquistaram os espanhóis.


“Miss Bala”, de Gerardo Naranjo

Um dos melhores títulos latinos de 2011, esse mexicano passou por festivais grandes, como o de Cannes e Toronto, e conquistou prêmios importantes. A partir de uma personagem desligada do narcotráfico (uma candidata a miss), o filme aborda a dramática situação de violência que acontece no México, retratando, mais do que a guerra entre o crime organizado e o governo, as vítimas já sem esperanças desse conflito. No Goya do ano passado, outro filme mexicano sobre violência foi selecionado para a mesma categoria: “El infierno”, de Luis Estrada.


“Um conto chinês”, de Sebastián Borensztein

O filme argentino de maior bilheteria de 2011 na Argentina, com 900 mil espectadores. Protagonizado por Ricardo Darín, ícone do star system argentino, o longa é uma história suave, na exata medida entre o drama e a comédia, que tanto convence o público. Darín é um veterano da guerra das Malvinas que se vê obrigado a hospedar um imigrante chinês que chega a Buenos Aires perdido – e, nessa viagem, se redescobre e renasce. Estreou comercialmente no Brasil.


“Violeta se fue a los cielos”, de Andrés Wood

A cinebiografia da cantora Violeta Parra, autora de canções icônicas da música latino-americana, como “Volver a los 17” e “Gracias a la vida”, foi lançada no Chile ano passado, justamente na época dos protestos estudantis que dominaram cidades como Santiago e Valparaíso. Dirigido por Andrés Wood (de “Machuca”), o filme fez quase 400 mil espectadores e se tornou o quinto mais visto da história do cinema feito no Chile.

Vale lembrar que a seleção do Goya é sempre mais comercial (“Boleto al paraíso” e “Um conto chinês”) ou então se esforça pra incluir hits de relevância cultural (“Miss Bala” e “Violeta se fue a los cielos”). Fiquem em dia com os filmes e façam suas apostas.

Dia 26
janeiro 2012

Do Oscar 2012 e das compensações

A cerimônia deste ano acontece dia 26 de fevereiro

A cerimônia deste ano acontece dia 26 de fevereiro

Com o anúncio dos indicados ao Oscar 2012 na última terça-feira, dia 24 de janeiro, fica confirmada a suspeita: o cinema latino-americano não conquistou a Academia americana este ano. Ou, pelo menos, não diretamente.

O fato é que, às vezes, é melhor considerar o Oscar pelo que a premiação não seleciona do que pelo que ela legitima. Claro que um prêmio a melhor filme estrangeiro, por exemplo, é sempre bem-vindo para impulsionar o público e despertar interesse por determinada cinematografia – sem falar no gás que ganha a carreira de um diretor. A lógica é simples: se esse impulso flui por aqui, melhor para nós.

Mas falemos desta vez do que é pouco alardeado e do que não entrou.

Na primeira categoria, temos a canção “Real in Rio”, composta por Carlinhos Brown e Sérgio Mendes (supostamente, em tempo mínimo). O tema faz parte da trilha da animação gringa “Rio”, dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha. Se, por um lado, não é cinema brasileiro, por outro… É talento brasileiro de exportação, algo que talvez se torne mais comum nos anos vindouros.

Falando ainda em animação, talvez aí resida uma semente de sucesso.

O que não entrou (e talvez esse caso seja mais interessante) é o curta-metragem argentino “Luminaris”, de Juan Pablo Zaramella, que ficou entre os semifinalistas da categoria de curta de animação.

Queridinho de vários festivais ao longo de 2011, muitos deles especializados em cinema de animação, “Luminaris” ganhou o prêmio de público e de crítica (FIPRESCI) no Festival Internacional de Animação de Annecy. É um dos mais importantes da área, onde, por sinal, Juan Pablo Zaramella ganhou uma retrospectiva em 2010. O filme não foi selecionado, mas a Argentina chegou perto de ter um curta celebrado em Hollywood.

Selecionado, sim, foi o longa de animação espanhol “Chico & Rita”, de Fernando Trueba e Javier Mariscal, cuja (bela) história acontece em Cuba. Não é nosso, mas já que esse ano o Oscar é das compensações… Por que não torcer?

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O primeiro site brasileiro especializado em cinema latino

Fruto de uma genuína paixão pela força cultural que emana da América Latina, o blog La Latina é um espaço dedicado ao cinema latino-americano e aos demais braços da produção audiovisual dessa região, que comprende as Américas do Sul e Central e o México. O primeiro criado com esse escopo no Brasil e em português.

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