
Cinema se rende aos encantos históricos do Peru
No caminho inverso ao dos saques e pilhagens do conquistador Pizarro, o Peru agora vê um de seus maiores tesouros históricos chegar ao cinema.
Anos depois de estabelecer uma parceria, as produtoras espanholas El Deseo, de Pedro e Agustín Almodóvar, e a Explora Films anunciam o início das filmagens de El Señor de Sipán. Docudrama sobre um dos governantes mais poderosos do Peru, que viveu há cerca de 700 anos, o filme remonta a mais importante descoberta arqueológica do século XX: a necrópole de Huaca Rajada, que compreende duas pirâmides e as tumbas do Senhor de Sipán, além de suas riquezas e a de seus antepassados. “Huaca”, em quéchua, significa “sagrado”.
Foi o arqueólogo peruano Walter Alva quem trouxe à luz as riquezas do imperador mochica. Ele integra o projeto de El Señor de Sipán, cujo anúncio causou a retomada dos trabalhos na região, parados desde 2000, já que agora parte das escavações também será financiada pela El Deseo e Explora Films. Para que se tenha uma idéia do valor de Huaca Rajada, sua descoberta tem o mesmo peso histórico dos sítios faraônicos e, como tal, a necrópole teve suas riquezas contrabandeadas internacionalmente. Até o F.B.I. entra na história contemporânea do legado mochica por ter recuperado algumas raridades desse patrimônio.
O diretor será o espanhol José Manuel Novoa (Eyengui, el dios del sueño, 2003), documentarista, que pretende tornar a produção ainda mais ambiciosa, dando a ela um caráter de drama. Além de narrar a descoberta das tumbas e sua violação, ele quer reconstruir parte da vida do próprio líder dos mochica – povo cujos avanços técnicos são vistos na região nos canais hídricos usados até hoje.
Novoa está eufórico, segundo revelam notas da imprensa peruana, e chegou até a reclamar mais de apoio dos arqueólogos. O cineasta já escalou o elenco, composto por atores peruanos e espanhóis, e tem previsão para começar a filmar em setembro deste ano.
Por Paula Skromov