
"Oferenda", de Ana Bárbara Ramos, realizado na Paraíba
Por Camila Moraes
Falta pouco para o fim do 22. Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo! O evento, que acontece até essa sexta-feira, dia 2 de setembro, foi bastante divulgado na imprensa paulistana e, apesar das radicais mudanças climáticas que pegaram a cidade de surpresa esta semana, o público compareceu fielmente às sessões das seis cinemas participantes.
Na noite de ontem, em uma das salas da Cinemateca, aconteceu um dos debates da programação, junto a uma sessão de curtas brasileiros e latinos realizados (um deles atuado) por mulheres. O tema da discussão, batizada de “Latinas”, foi o atualmente bastante evocado “cinema feito por mulheres”.
Estavam presentes as cineastas brasileiras Cecília Araújo, responsável pela mediação, Inês Cardoso, do curta “Cocais, a cidade reinventada” (disponível no Vimeo), e Ana Bárbara Ramos, de “Oferenda”, junto à realizadora cubana Horizoe García, que participa da mostra latina com “O mundo de Raul”, e à atriz colombiana Marcela Morello, que atuou em “Simiente”, outro curta da atual mostra latina.
Dá um certo alívio constatar que o consenso entre elas, apesar das perguntas provocadoras, é que não existe – do ponto de vista estético – um cinema feito por mulheres. Cecília abriu o debate agradecendo a presença de “mulheres realizadoras jovens, independentes e unidas”, porém, uma a uma, foi sendo derrubado o mote do encontro.
Ainda que tenham relatado experiências bastante pessoais, nas quais se envolveram de maneira intensa, chegando a comparar os projetos com “processos de gestação”, negaram que haja vantagens para a sensibilidade ou até mesmo para o olhar feminino quando o assunto é fazer filmes. Ainda, claro, que “a condição de mulher provavelmente tenha influência na maneira ver as coisas e também na aproximação com o personagem”, como afirmou Horizoe García. Seja como for, cinema para todas elas é uma questão de “entrega pessoal”.
Itinerância
O Festival de Curtas tem também mostras itinerantes. Amanhã, sexta-feira, haverá em Curitiba uma sessão de curtas premiados este ano em Cannes, seguida de debate (do qual fui convidada a participar). As atividades do 1. Kinoforum paranaense acontecem no Cineplex Batel, e a entrada para todas as sessões é franca. Compareçam!