VEM AÍ

  • O QUÊ: Festival de Cinema de Cannes
  • Ano: 2012
  • Quando: de 16 a 27 de maio
  • Onde: Na Riviera Francesa e no www.festival-cannes.fr
  • Por quê: É considerado o Oscar do mercado cinematográfico e importante vitrine do cinema autoral.
  • Mais: o festival este ano tem boa representação de filmes latino-americanos.

Conheça os títulos latinos selecionados para a 65 edição.

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Dia 01
setembro 2011

LATINAS: debate do Festival de Curtas de SP conclui que o tal cinema feminino não existe

"Oferenda", de Ana Bárbara Ramos, realizado na Paraíba

"Oferenda", de Ana Bárbara Ramos, realizado na Paraíba

Por Camila Moraes

Falta pouco para o fim do 22. Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo! O evento, que acontece até essa sexta-feira, dia 2 de setembro, foi bastante divulgado na imprensa paulistana e, apesar das radicais mudanças climáticas que pegaram a cidade de surpresa esta semana, o público compareceu fielmente às sessões das seis cinemas participantes.

Na noite de ontem, em uma das salas da Cinemateca, aconteceu um dos debates da programação, junto a uma sessão de curtas brasileiros e latinos realizados (um deles atuado) por mulheres. O tema da discussão, batizada de “Latinas”, foi o atualmente bastante evocado “cinema feito por mulheres”.

Estavam presentes as cineastas brasileiras Cecília Araújo, responsável pela mediação, Inês Cardoso, do curta “Cocais, a cidade reinventada” (disponível no Vimeo), e Ana Bárbara Ramos, de “Oferenda”, junto à realizadora cubana Horizoe García, que participa da mostra latina com “O mundo de Raul”, e à atriz colombiana Marcela Morello, que atuou em “Simiente”, outro curta da atual mostra latina.

Dá um certo alívio constatar que o consenso entre elas, apesar das perguntas provocadoras, é que não existe – do ponto de vista estético – um cinema feito por mulheres. Cecília abriu o debate agradecendo a presença de “mulheres realizadoras jovens, independentes e unidas”, porém, uma a uma, foi sendo derrubado o mote do encontro.

Ainda que tenham relatado experiências bastante pessoais, nas quais se envolveram de maneira intensa, chegando a comparar os projetos com “processos de gestação”, negaram que haja vantagens para a sensibilidade ou até mesmo para o olhar feminino quando o assunto é fazer filmes. Ainda, claro, que “a condição de mulher provavelmente tenha influência na maneira ver as coisas e também na aproximação com o personagem”, como afirmou Horizoe García. Seja como for, cinema para todas elas é uma questão de “entrega pessoal”.

Itinerância

O Festival de Curtas tem também mostras itinerantes. Amanhã, sexta-feira, haverá em Curitiba uma sessão de curtas premiados este ano em Cannes, seguida de debate (do qual fui convidada a participar). As atividades do 1. Kinoforum paranaense acontecem no Cineplex Batel, e a entrada para todas as sessões é franca. Compareçam!

Dia 26
agosto 2011

PENSATA: cinema de mulher e a mostra “Feminino Plural”, do Festival de Curtas de SP

Por Camila Moraes

“Feminino Plural”, o curta que deu nome à mostra. Realizado pela carioca Vera Figueiredo em 1976.

“Feminino Plural”, o curta que deu nome à mostra. Realizado pela carioca Vera Figueiredo em 1976.

Bastante anda se falando, por dizê-lo de alguma maneira, sobre um cinema feminino ou, simplesmente, sobre mulheres detrás das câmeras. Assim, em tom de novidade, de movimento em ascensão. Em si, este provavelmente não é um tema relevante, se trata-se somente de elevar a “categoria feminina” (uma falência de conceito) a certa emancipação dentro deste metiê, pelo menos na minha opinião. O que seria um cinema feminino? De que importa esse esforço de definição?

Mas talvez seja relevante pensar nos olhares, nas histórias e nos resultados impressos nos filmes, simplesmente porque esse é um dado de conteúdo; um tema de relevância cultural. Não de forma. Jamais de categoria (outra vez, digo eu).

Começou ontem, em várias salas da cidade, a 22a edição do Festival Internacional de Curtas de São Paulo, cuja programação vai até o dia 2 setembro, com entradas gratuitas para uma vasta lista de filmes de vários países. Uma das mostras mais divulgadas na imprensa é a “Feminino plural”. De fato, ela é interessante pelo discurso plural que procura abarcar: são propostas discussões, reveladas inquietações, expostos temas e olhares relevantes para qualquer cinema (e seu respectivo público).

Pois bem. Dela fazem parte filmes de realizadoras brasileiras, de “diretoras de outros cantos”, trabalhos que expõem visões políticas e outros que integram a submostra “Fale sem medo” – resultado de um concurso promovido pelo Festival de Guanajuato “Expresión em Corto”, do México, com o objetivo de atrair a atenção do público para o problema da violência doméstica. Entre as diretoras estrangeiras, estão duas latinas: a chilena Dominga Sotomayor, com “Debajo”, e a mexicana Elisa Miller, com “Roma”.

Ambas já tiveram esses curtas selecionados em seções anteriores do festival. Em grandes traços, o primeiro aborda as relações familiares, e o segundo aparentemente toca questões macro, como imigração e trabalho (porém, afunilando-as para o pessoal, na medida em que a protagonista encontra em uma fábrica alívio, ajuda para os seus problemas).

Talvez resida aí a particularidade de um cinema feito por mulheres: há valor ao detalhe, à mente que não se desgruda de uma ideia de coração.

Fica, enfim, mais uma dica para quem quiser acompanhar o Festival, que por sinal está ótimo, especialmente pela mostra latina ;)

Dia 10
maio 2011

BAFICI: tendências, estéticas e rumos do atual cinema latino-americano

Os convidados do debate: Monika, Julio e Federico

Os convidados do debate: Monika, Julio e Federico

Aconteceu em meio às atividades do último BAFICI, mas o debate sobre cinema latino-americano realizado dia 7 de abril em Buenos Aires levantou aspectos relevantes (e que merecem ser mencionados) sobre o panorama atual das nossas cinematografias – chegando, inclusive, a abordar características estéticas dos filmes realizados na região e indo um pouco além de encontros parecidos.

Estavam presentes os diretores Federico Veiroj, uruguaio, realizador de “La vida útil”, e Julio Hernández Cordón, guatemalteco, diretor de “Las marimbas del infierno”, junto à diretora do Festival de Cartagena e fundadora da Cinema Tropical, a colombiana Monika Wagenberg – que por seu envolvimento já de muitos anos com o cinema latino-americano, vem observando e identificando os rumos da maioria dos filmes latinos.

Em suas exposições, rápidas porém interessantes, os três abordaram temas-chave para a discussão dos rumos e impactos do cinema local, que o La Latina – presente no evento – destaca abaixo.

O CINEMA LATINO VIVE UM ‘BOOM’ – Monika Wagenberg

“O cinema latino vive um momento de renascimento e de boom criativo. Há renovação, diversidade e evolução constante. Antes não acontecia, mas atualmente os filmes se mantém em circuitos de ‘art house’ nos Estados Unidos, por exemplo”.

O ‘BOOM’ TEM RAZÃO DE SER – Monika Wagenberg

Essa evolução não vem do nada. “Dez anos depois da criação da lei de cinema na Argentina, há processos muito parecidos [ao crescimento do cinema argentino na última década] em outros países, como a Colômbia. O boom, portanto, vem das leis de cinema, mas também da digitalização dos processos de produção e do surgimento de escolas especializadas e, por exemplo, de fundos internacionais que fomentam co-produções”.
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Dia 13
abril 2011

BAFICI: Vídeos institucionais

Já viu o quadro mais triste do mundo?

Já viu o quadro mais triste do mundo?

Descobri que o espírito do BAFICI é algo que só se pode captar in loco, mas não custa tentar agarrá-lo virtualmente com os ótimos vídeos institucionais que o festival lança a cada edição. Já são famosos, clássicos do evento, e têm um minuto de duração. Nesta edição, são quatro os filmes exibidos antes de cada função: “Traslación humana en rotación terrestre”, feito pelo Grupo Humus, “Screen test #1” e “Screen test #2”, ambos de Martín Rejtman, e “Pibes”, de Raúl Perrone. Todos compartilham aquele toque cinéfilo, seja desgarrado e óbvio ou então abstrato e netamente “independente”, no sentido mais romântico do termo. Vejam as amostras deste ano e concluam, por si mesmos, qual é o tal espírito baficiano. Para quem quiser resgatar vídeos antigos, a dica é o canal do festivais do governo de Buenos Aires no You Tube.

GRUPO HUMUS

MARTÍN REJTMAN


RAÚL PERRONE

Camila Moraes, de Buenos Aires

Dia 12
abril 2011

BAFICI: “Noche sin fortuna”, doc sobre Andrés Caicedo

Grande mito colombiano: Andrés Caicedo

Grande mito colombiano: Andrés Caicedo

A relação com a morte é o ponto de partida do documentário “Noche sin fortuna” (mostra Diálogos, seção Panorama), sobre o jovem (e falecido) mito colombiano Andrés Caicedo, apresentado nessa 13a edição do BAFICI.

Escritor, crítico de cinema e, sobretudo, mente talentosa e inquieta daquele que em dado momento se intitulou o “Grupo de Cali”, Caicedo é a (des)encarnação do artista intenso que mesmo ele defendia com seu famoso slogan: “Viver rápido, morrer jovem, deixar algo de obra”.

O filme é uma co-produção entre Argentina e Colômbia, dirigido por dois cineastas: o argentino Francisco Forbes, que antes realizou curtas e o longa-metragem coletivo “Cinco”, que estreou no BAFICI em 2010, e o colombiano Álvaro Cifuentes, também autor de curtas e dos documentários “Sierra madre tierra” (2005) e “Archivo” (2009).

O que chama a atenção em “Noche sin fortuna”, e inclusive proporciona certo alívio, é que o escritor, ao invés de ser reverenciado como costuma acontecer em tudo o que se faz ou se fala sobre ele, é retratado com menos elogios e mais documentos através de amigos e rastros de sua obra nesse filme bastante dinâmico. Anedotas, fotografias, imagens de arquivo, depoimentos e até uma simpática animação de um dos roteiros que ele escreveu com planos de vendê-lo à indústria de Hollywood compõem o documentário, feito a partir de um livro auto-biográfico de Caicedo, “Mi cuerpo es una celda”, que, por sua vez, foi recentemente “montado e dirigido” pelo escritor e cineasta chileno Alberto Fuguet.
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Dia 11
abril 2011

BAFICI: Boas novas do cinema chileno

Cena do incrível "Nostalgia da luz", doc de Patricio Guzmán

Cena do incrível "Nostalgia da luz", doc de Patricio Guzmán

O cinema feito no Chile, segundo comentou em entrevista ao La Latina o diretor do BAFICI, Sergio Wolf, “ainda está construindo sua plataforma de cineastas e buscando definir seu estilo e construir sua indústria”, porém, “tem chamado atenção” com bons filmes.

De fato, no últimos anos, o país marcou presença no festival portenho com as últimas novidades de sua produção independente. Três foram os filmes chilenos que vi em Buenos Aires, e todos são dignos de recomendação.

Abaixo, um rápido resumo de cada um pode ser uma boa dica aos interessados.
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