
O cineasta Cao Hamburger entre os atores de "Xingú"
O cinema latino-americano vive a fase mais agitada de sua agenda anual no primeiro semestre. Grandes lançamentos, que serão pautados por festivais afora ao longo de 2012, são os que disputaram (e conseguiram) vaga nos principais festivais do período – Sundance, Rotterdam, Berlim, Cannes. Enquanto os novos títulos se apresentam, “sucessos” de 2011 arriscam prêmios em vitrines mais comerciais (como o Oscar) ou então se preparam para entrar em cartaz.
É, portanto, um bom momento para os interessados (mesmo sem nenhum candidato latino-americano na sub-lista de concorrentes ao Oscar de melhor filme estrangeiro, algo sempre muito bem-vindo). Títulos importantes, novos talentos e diretores já consagrados e muito filme para ver vêm aí.
Analisando seleções dos três principais eventos de janeiro e fevereiro – Sundance, Rotterdam e Berlim –, chama a atenção a preponderância de filmes brasileiros, argentinos e chilenos nas principais competições e seções alternativas. Vamos aos festivais…
O calendário começou com Sundance na última quinta-feira, dia 19, com importante presença latina na competição principal de ficção. São quatro filmes selecionados, um brasileiro, argentino e dois chilenos: “A cadeira do Pai”, do brasileiro Luciano Moura, “El último Elvis”, do argentino Armando Bo, “Violeta se fue a los cielos”, do chileno Andrés Wood (coprodução com Argentina, Brasil e Espanha), e “Joven y alocada”, da chilena Marialy Rivas. Na seção de docs, no entanto, nenhum latino. O festival termina dia 29, quando anunciará seus prêmios – ano passado, o único latino-americano premiado foi o colombiano Diego Jiménez, por melhor fotografia, pelo filme “Todos tus muertos”, de Carlos Moreno.
Em seguida vem o Festival de Rotterdam, de 25 de janeiro a 5 de fevereiro, com ótimas notícias. De todas as seções do festival, todas de olho na América Latina, a de maior destaque é a Tiger Awards, que premia primeiros ou segundos filmes de cinematografias periféricas. Dela, participam este ano três latinos – dois brasileiros e um chileno: “O som ao redor”, de Kleber Mendonça Filho, e “Sudoeste”, de Eduardo Nunes, e “De jueves a domingo”, de Dominga Sotomayor. A seção Bright Future, dedicada a talentos com carreiras em desenvolvimento, conta com outros 11 títulos da região (entre eles, quatro brasileiros, dois argentinos, um chileno), sendo duas estreias mundiais: o argentino “A la Cantábrica”, de Ezequiel Erriquez, e o colombiano “Corta”, de Felipe Guerrero.
E, antes do burburinho de Cannes, tem ainda o Festival de Berlim (9 a 19 de fevereiro), que ainda não anunciou sua seleção completa, mas que traz na seção Panorama o aguardado novo filme do cineasta brasileiro Cao Hamburger, “Xingú”, que abriu ano passado o Amazonas Film Festival. Entre os curtas-metragens selecionados pelo evento, 27 no total, cinco são latino-americanos: “Licuri Surf”, do brasileiro Guile Martins, “La Santa”, do chileno Mauricio López Fernández, e “A Mulher Chamada Yssabeau”, da mexicana Rosanan Cuellar.
Além deles, concorrerão “Nostalgia”, do venezuelano Gustavo Rodnón Córdov, e o “Loxoro”, uma coprodução hispano-argentina-peruana, da peruana Claudia Llosa, que com “La teta assustada” venceu a edição de 2009 do festival alemão.
Em Berlim, tem ainda as competições Generation Kplus e Generation 14plus, destinadas ao público infantil e adolescente, onde participam os longas “Nosilatiaj”, da argentina Daniela Seggiaro, “Una noche”, da cubana Lucy Mulloy, e a parceria entre Bolívia e México, “Pacha”, de Héctor Ferreiro. E ainda o curta brasileiro “L”, de Thais Fujinaga, o mexicano “Un mundo secreto”, de Gabriel Mariño, e o chileno “Joven & alocada”, de Marialy Rivas.
Ufa! O ano começou.