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Dia 08
julho 2010

Entrevista: Francisco César Filho e o Festival Latino de SP

Francisco César Filho sorri para o cinema latino

Francisco César Filho sorri para o cinema latino

Por Camila Moraes

As ânsias do público pelo evento e sua ampla divulgação na mídia mostram que o Festival Latino de São Paulo encontrou finalmente sua vocação: difundir a produção cinematográfica contemporânea da região e gerar interesse entre os brasileiros sobre cultura latina em geral.

Atualmente em sua 5a edição, o festival é uma iniciativa da Fundação Memorial da América Latina, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura, o que se traduz em entradas gratuitas a todos os filmes de sua programação.

Por trás de cinco anos de esforços para que ele cresça – e, voando ainda mais alto, para que São Paulo vire a capital do cinema latino –, está Francisco César Filho, diretor do evento e também um de seus curadores.

Ele falou ao La Latina e ao LatAm cinema sobre a atual edição e também sobre os rumos de seus altos objetivos. Confira a entrevista exclusiva.

Estamos na 5a edição do festival. Em que momento de sua evolução você acha que ele se encontra?

Em 2010, o Festival de Cinema Latino de São Paulo atinge o ponto em que estabelece seu perfil, que é o de fazer circular a produção cinematográfica recente da América Latina no Brasil, recuperar momentos chaves na história do cinema da região e estimular co-produções, entre outros objetivos. E descobre que é voltado para novas gerações de cineastas latinos, o que é importantíssimo, porque atualmente há narrativas e estéticas muito interessantes aqui. Não é por menos que os filmes latinos têm recebido prêmios em festivais de muita relevância, como o de Berlim, que recentemente tem favorecido vários títulos nossos a cada ano. Esta 5a edição do festival será aberta por “Água fria do mar”, da costa-riquense Paz Fábrega, que é o filme ganhador do Festival de Rotterdam deste ano. Além disso, é o marco da retomada do cinema da Costa Rica. Esse tipo de filme mostra como é significativa a renovação de talentos do cinema latino-americano, que temos o imenso prazer de difundir.

O que você destacaria na programação deste ano?

Selecionamos 137 filmes que serão exibidos gratuitamente em seis salas de São Paulo. É uma programação variada e muito interessante. Entre tantas atividades, eu destacaria as homenagens deste ano, que são a dois cineastas latinos emblemáticos e em plena atividade: o brasileiro João Batista de Andrade e o argentino Marcelo Piñeyro. O festival já homenageou ícones da nossa história cinematográfica, como Nelson Pereira dos Santos e Fernando Birri, e agora chega a esses diretores de carreiras inquietas, variadas e maduras e que buscam o diálogo com o público.

Como é feita a seleção dos filmes? Há preferências por países, diretores ou títulos específicos?

Há um mix de critérios. Certamente estamos muito atentos a novos títulos, mas também buscamos ter o maior número possível de cinematografias representadas na programação, o que nos implica uma enorme pesquisa. Localizamos filmes de qualidade e também prestamos atenção à repercussão deles, como no caso de “Água fria do mar”, da Paz Fábrega. Mas o critério maior é a qualidade. Tem que ser bom.

Qual tem sido o principal público do festival? Na sua opinião, os brasileiros, ao contrário de alguns anos atrás, têm se aproximado da cultura latina?

Sem dúvida. Foi uma surpresa para nós, desde a primeira edição, que o principal público do festival seja de jovens interessadíssimos em cinema latino. Nossos espectadores mais “constantes” são secundaristas e universitários apaixonados por cultura latino-americana. É interessante notar que a postura deles, sendo tão curiosos, é muito significativa dos tempos que vivemos. Há 10 anos, todos eram muito desinteressados. Hoje, para dar alguns exemplos, ensina-se espanhol nas escolas e há cerca de cinco festivais no Brasil que se dedicam ao cinema latino. Entre eles, o mais bem-sucedido é o de São Paulo.

Indo além dos festivais, que iniciativas você acha que poderiam ser tomadas para facilitar a distribuição comercial dos filmes latino-americanos?

Essa é uma questão complexa, pela própria configuração do circuito comercial. É cada vez mais afunilado o tipo de cinema que exibem nas duas mil e poucas salas que existem no Brasil. É um perfil de entretenimento, de espetáculo, que elimina outros tipos de cinema. Nos Estados Unidos, muitos exibidores já afirmam que, para eles, é muito mais interessante comercialmente exibir filmes em 3D. No Brasil, onde os exibidores só não exibem apenas 3D porque não tem dinheiro para atualizar os equipamentos das salas, sofre o cinema brasileiro e, claro, o latino em geral. Os festivais terminam sendo uma saída, mas isso é uma distorção, porque são espaços reduzidos pensados para apresentar propostas e não servir como única alternativa para ver determinados filmes. Há a saída do DVD e da internet. Espera-se que a solução esteja por aí.

Em sua opinião, que momento vive o cinema latino hoje?

Está mais consolidado. Os filmes são cada vez mais bem-sucedidos culturalmente e artisticamente. Há produções de grande aceitação popular, como “Cidade de Deus”, que teve uma das bilheterias mais significativas da região, além de uma importância estética que influenciou cinemas do mundo inteiro. É um momento muito mais interessante, sem dúvida, que o que vivemos nos anos 80 e 90.

Obs: mais sobre o festival você acha aqui.

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