VEM AÍ

  • O QUÊ: Festival de Cinema de Cannes
  • Ano: 2012
  • Quando: de 16 a 27 de maio
  • Onde: Na Riviera Francesa e no www.festival-cannes.fr
  • Por quê: É considerado o Oscar do mercado cinematográfico e importante vitrine do cinema autoral.
  • Mais: o festival este ano tem boa representação de filmes latino-americanos.

Conheça os títulos latinos selecionados para a 65 edição.

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Dia 01
março 2012

Entrevista: Monika Wagenberg, diretora do Festival de Cinema de Cartagena

A colombiana Monika Wagenberg, à frente do Festival de Cartagena e da distribuidora Cinema Tropical

A colombiana Monika Wagenberg, à frente do Festival de Cartagena e da distribuidora Cinema Tropical, que atua nos Estados Unidos

Com a consagração dos filmes “El estudiante”, do argentino Santiago Mitre, e “Porfirio”, do colombo-equatoriano Alejandro Landes (nascido no Brasil), terminou nessa quarta-feira, 29 de fevereiro, o 52 Festival Internacional de Cinema de Cartagena (FICCI) – o mais antigo da América Latina.

Em 2011, o evento passou por uma ampla reestruturação, com a chegada à direção de Monika Wagenberg. Com a presente edição, Monika buscou consolidar o novo perfil que hoje busca o festival: maior visibilidade no cenário internacional e mais atenção ao crescente cinema colombiano.

Este ano, foram selecionados 113 filmes de 24 países, com uma importante novidade: a entrada gratuita às mais de 200 sessões programadas. Além disso, estiveram em Cartagena mais de 150 convidados internacionais, entre eles, Isabella Rossellini, Álex de la Iglesia, Gael García Bernal e Claire Denis.

Confira trechos da entrevista da diretora do festival, publicada na íntegra (e em espanhol) no site LatAm cinema, parceiro do La Latina.

Por Cynthia García Calvo

Você assumiu a direção do FICCI ano passado, carregando o peso de ser responsável pela recuperação do festival. Quais foram os seus objetivos iniciais e quais deles foram alcançados?

Nós queríamos recuperar a importante trajetória do festival, justamente por ele o mais antigo da América Latina. Decidimos priorizar o cinema – e não o aspecto social, que havia cobrado mais força nos últimos anos, pelo fato de estarmos em uma cidade privilegiada como Cartagena. Por isso, no ano passado nosso foco foram os filmes, além de uma reestruturação das diferentes seções e da melhoria das projeções. Este ano, a infraestrutura continuou sendo alvo dos nossos esforços e também a audiência. Tratamos de manter as salas cheias com projeções gratuitas. Notamos que não havia falta de interesse do público, como se pensava, mas condições aquisitivas limitadas de alguns setores da comunidade. Outro objetivo foi reestruturar as mídias do festival, incluindo o catálogo e outras publicações, e conseguir uma boa cobertura por parte da imprensa. Finalmente, renovamos o Salão FICCI, que tem a ver com todas as atividades paralelas às projeções, onde todos os convidados participam de aulas magnas, palestras e mesas redondas.

Quais foram os novos lineamentos dados à programação?

Sentia que não havia um perfil claro. Antes da minha chegada, filmes tão diferentes como “O segredo de seus olhos” e “Gigante” faziam parte da mesma seção, o que dificultava inclusive o trabalho do júri. Além de criar um perfil, queríamos aproveitar o que está acontecendo com o cinema latino-americano. Nos anos 90, começa na Argentina o que foi o Novo Cinema Argentino, um fenômeno que se espalhou pelo resto do continente. É um renascimento liderado por cineastas não necessariamente jovens, mas estreantes. Por isso, nossa competição atualmente é de primeiros, segundos ou terceiros filmes desses cineastas, justamente porque apoiamos este renascer. Por outro lado, apesar do constante apoio ao cinema colombiano no festival, criamos a seção Colômbia 100%, agora renovada e fortalecida. O objetivo ano passado era que todos os filmes nacionais chegassem a estrear em todo o país, contando com Cartagena como a melhor plataforma de lançamento nacional e internacional. Isso foi conseguido este ano. Sentimos que os produtores colombianos responderam a essa missão proposta pelo festival de dar um lugar especial ao nosso cinema.

Como você vê o atual panorama do cinema colombiano, que vem crescendo nos últimos anos?

É interessante compará-lo com o que aconteceu na Argentina. Cinco anos depois da instauração da lei de cinema no país, em 1999, os filmes começam a levantar voo. “Mundo grua”, de Pablo Trapero, colocou a Argentina outra vez no mapa internacional. Acontece algo parecido na Colômbia. Em 2003, 2004, é lançada a nova lei, e, cinco anos mais tarde, o cinema colombiano começa a ser visto nos festivais mais importantes. Nessa época, “Perro come perro”, de Carlos Moreno, foi exibido em Sundance, e, a partir de então, a Colômbia começou a figurar em vitrines prestigiosas. E os filmes começam a ser premiados… O país passa por um momento histórico em relação ao seu cinema: passamos a ter uma produção constante (de 12 a 14 filmes por ano) e a qualidade dos filmes melhorou sem sombra de dúvidas.

Várias personalidades internacionais estiveram em Cartagena para o festival. Foi difícil trazê-las?

A Colômbia repercutiu mal na imprensa durante muitos anos, mas isso está mudando. Hoje, há muito mais interesse pelo país. Por outro lado, em termos de indústria, há muita curiosidade em relação ao cinema colombiano, o que ajuda muito o esforço do festival. Finalmente, é uma questão de trabalho, relações públicas e contatos.

Sendo uma reconhecida difusora e distribuidora de cinema latino-americano através da Cinema Tropical, como você analisa o nosso cinema atualmente?

Em determinado momento, pensamos que era um renascimento, mas hoje em dia olhamos pra trás e nos damos conta que se trata de uma verdadeira explosão de talento que continua. Surgem primeiras obras que nos surpreendem de diretores jovens e com olhares únicos e autorais a cada ano. E não somente nos países que tradicionalmente produzem mais, mas em lugares que antes não figuravam na nossa geografia cinematográfica. Então, a conclusão que tiro é que o que está acontecendo com o cinema latino não é uma etapa passageira, e sim uma transformação que veio pra ficar.

* Confira a lista de premiados em Cartagena aqui.

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