VEM AÍ

  • O QUÊ: Festival de Cinema de Cannes
  • Ano: 2012
  • Quando: de 16 a 27 de maio
  • Onde: Na Riviera Francesa e no www.festival-cannes.fr
  • Por quê: É considerado o Oscar do mercado cinematográfico e importante vitrine do cinema autoral.
  • Mais: o festival este ano tem boa representação de filmes latino-americanos.

Conheça os títulos latinos selecionados para a 65 edição.

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Dia 05
outubro 2011

Western é aposta da Argentina na disputa por uma vaga no Oscar 2012

Pistolas, cavalos e paixões povoam "Aballay, el hombre sin miedo"

Pistolas, cavalos e paixões povoam "Aballay, el hombre sin miedo"

Os gêneros têm marcado a recente produção cinematográfica da Argentina. Há quem negue que se trate de um esforço planejado para conquistar público, mas a questão se deixa notar sem esforços com o surgimento de relatos clássicos que antes não se contavam, com forte apelo comercial. Das histórias mínimas, muitos filmes passaram a apostar na ficção científica, como no caso de “Fase 7”, no drama romântico, como o oscarizado “O segredo dos seus olhos” e, agora, no western, com “Aballay, el hombre sin miedo”.

A produção, realizada em parceria com a Espanha, foi escolhida pela academia de cinema argentina para representar o país na disputa por um lugar nos concorrentes ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2012. Com 22 votos de uma comissão composta por 69 especialistas, deixou para trás “Um conto chinês” (12 votos), grande bilheteria do ano passado na Argentina e atualmente em cartaz no Brasil, e “El estudiante” (16 votos), filme mais aplaudido na última edição do BAFICI, o mais importante festival argentino hoje.

“Aballay, el hombre sin miedo”, assim como “O segredo de seus olhos”, é uma adaptação de uma obra literária: o conto “Aballay” de Antonio di Benedetto. É uma história de vingança e culpa, em que o formato do western ajuda a resgatar o esquecido gênero “gauchesco”. Segundo seu diretor, Fernando Spiner, “é uma honra que as pessoas que fazem cinema na Argentina tenham visto nesta história o filme que mais méritos tem para nos representar no Oscar… É um filme de ‘gauchos’, assim que nos caracteriza com muita ‘argentinidade’. Neste sentido, creio que se escolheu algo muito autêntico da nossa cultura para ser mostrado no exterior”.

Spiner, 53 anos, tem ampla experiência como produtor, roteirista e diretor de séries e filmes televisivos e também realizou curtas e documentários. Esse é seu segunda longa-metragem de ficção para o cinema (o primeiro foi “Adiós, querida luna”, de 2005).

Vale comentar que a escolha de “Aballay” foi inesperada (o favorito era “Um conto chinês, de Sebastián Borensztein). Tendo feito entre 20 e 30 mil espectadores nas salas argentinas e ainda sem distribuição nos Estados Unidos, talvez não leve a Argentina aos Oscar do ano que vem.

Assista ao trailer:

Dia 21
setembro 2011

A efetivação do acordo de coprodução entre Brasil e Argentina

Imagem de "La suerte en tus manos", divulgada no site da produtora de Daniel Burman

Imagem de "La suerte en tus manos", divulgada no site da produtora de Daniel Burman

Acaba de sair o resultado do primeiro concurso para a distribuição dos fundos do acordo de cooperação cinematográfica estabelecido entre Brasil e Argentina, através de seus institutos de cinema, a ANCINE e o INCAA. Os ganhadores foram anunciados em uma cerimônia que aconteceu na Embaixada do Brasil, em Buenos Aires, com representantes dos dois países.

Dos 14 projetos de coprodução inscritos por produtoras de lá e de cá, foram escolhidos quatro longas-metragens: “Al oeste del fin del mundo”, de Bufo Films (Argentina) e Accode Filmes (Brasil); “Hermanos”, de Carrousel Films (Argentina) e Cinematográfica Pampeana LTDA (Brasil); “La suerte en tus manos”, de BD Cine S.R.L. (Argentina) e Gullane Entretenimento S.A. (Brasil); “Habi la Extranjera”, de Lita Stantic Producciones (Argentina) e Videofilmes Produções Artísticas Ltda (Brasil). Como se vê, há grandes nomes envolvidos, como o cineasta Daniel Burman e a produtora Lita Stantic.

Um júri de três especialistas argentinos e três brasileiros fez as escolhas: Octavio Getino (diretor de cinema e televisão), Axel Kutchevasky (produtor e jornalista especializado em cinema) e Bernardo Bergeret (gerente de Assuntos Internacionais do INCAA) e Alberto Flaksman (ex-assessor da ANCINE), Carlos Alberto de Mattos (crítico de cinema) e Flavio Tambellini (diretor e produtor). O prêmio é de US$ 200 mil por projeto.

Interessante lembrar que o acordo original de coprodução entre Brasil e Argentina data de 1988, sem que tivesse sido efetivado até o momento. Já a iniciativa em questão, do estabelecimento de um fundo com valores específicos e de um concurso de longas, foi concretizada pelos dois institutos de cinema em 2010. Que venham muitos mais…

Dia 31
agosto 2011

Começou Veneza; Argentina tem recorde de filmes selecionados

Imagem de "Nocturnos", do argentino Edgardo Cozarinsky

Imagem de "Nocturnos", do argentino Edgardo Cozarinsky

Começou nesta quarta-feira, 31 de agosto, a 68a edição do Festival de Cinema de Veneza. Vários filmes latino-americanos – com destaque para os argentinos – participam das diferentes mostras do evento, especialmente da Orizzonti, que oferece um panorama mundial de novos diretores e produções independentes.

Nela estão os longas “Girimundo”, dos brasileiros Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina, “Nocturnos”, do escritor argentino Edgardo Cozarinsky, e “Verano”, do chileno José Luis Torres. Outro argentino da mostra, coproduzido com a Escandinávia, é o média-metragem “Accidentes gloriosos”, dos diretores Mauro Andrizzi e Marcus Lindeen. Fora de competição, na seleção oficial, comparece a coprodução “¡Vivan las antípodas!”, do russo Victor Kossakovsky, realizada entre Argentina, Alemanha, Rússia e Holanda.

Tem ainda duas seções autônomas, onde a Argentina sem dúvida leva a melhor: a Semana Internacional da Crítica, com o argentino “El campo”, de Hernán Belón, e o mexicano “Kyzza Terrazas – El lenguaje de los machetes”, de realização coletiva, e a Venice Days – Jornadas dos Autores, com os argentinos “Otros silêncios”, de Santiago Amigorena (em coprodução com o Brasil, a França e o Canadá), “Tierra Sublevada II: Oro Negro”, de Pino Solanas, “El mundial olvidado”, de Filippo Macelloni e Lorenzo Garzella, e “Historias que sólo existen cuando las recuerdas”, de Julia Murat.

Segundo o site EscribiendoCine, este ano a Argentina alcançou representação recorde no festival, que vai até dia 10 de setembro.

Saiba mais sobre os filmes e a programação no site oficial.

Dia 04
agosto 2011

Seção de novas tendências do cinema em Veneza tem cinco latinos

“Nocturnos”, do argentino Edgardo Cozarinsky

“Nocturnos”, do argentino Edgardo Cozarinsky

Cinco dos seis longas-metragens latino-americanos que fazem parte da 68a edição do Festival de Veneza (11 31 de agosto a 10 de setembro) estão na seção Orizzonti, dedicada às novas tendências do cinema mundial.

O evento, que é o festival de cinema mais antigo do mundo, dá este ano especial atenção à Argentina, com dois filmes, depois ao Brasil, ao México e ao Chile, com um filme cada. São eles: “Accidentes gloriosos”, de Mauro Andrizzi e Marcus Lindeen (Suécia, Dinamarca, Argentina); “Nocturnos”, de Edgardo Cozarinsky (Argentina); “Girimunho”, de Helvécio Marins Jr e Clarissa Campolina (Brasil, Espanha, Alemanha); “Lung Neaw Visits His Neighbours”, de Rirkrit Tiravanjia (Tailândia, México), e “Verano”, de José Luis Torres Leiva (Chile).

Fora da Orizzonti, aparece o documentário “Vivan las antípodas”, uma co-produção entre Alemanha, Argentina, Holanda, Chile e Rússia dirigida russo Victor Kossakovsky. O filme, que é o segundo a ser exibido na abertura do festival, aborda a noção de antípoda – indivíduo que habita, no globo terrestre, lugar diametralmente oposto a outro –, relatando eventos que acontecem na Argentina e na China, no Chile e na Rússia, Havaí e Botsuana e Nova Zelândia e Espanha.

Dia 03
agosto 2011

Colômbia é a principal representante latina do Festival de Locarno

64 Festival de Locarno

64 Festival de Locarno

Começa hoje a 64a edição de um dos festivais mais antigos da Europa: o de Locarno, na Suíça, que se estende até o próximo dia 13. Sob o comando do francês Olivier Père pelo segundo ano, o evento se esforça para conseguir maior visibilidade e público este ano, apostando forte na presença de filmes dos Estados Unidos e de atores e diretores para caminhar em seu red carpet.

E se por um lado as visitas de Claudia Cardinale, Harrison Ford, Daniel Craig, Pierre Richard e Maribel Verdú são esperadas, por outro não há tanto o que esperar da presença latino-americana na programação. Argentina e Chile são os países contemplados com a seleção de longas-metragens nas principais mostras competitivas (Concurso Internacional e Concurso Cineastas do Presente).

Da Argentina, o destaque vai para “El estudiante”, de Santiago Mitre, que estreou este ano no BAFICI, onde ganhou vários reconhecimentos, entre ele o Prêmio Especial do Júri. E também para “Abrir puertas y ventanas”, de Milagros Mumenthaler, uma co-produção da Argentina precisamente com a Suíça. E do Chile, o único representante foi selecionado para a competição internacional o primeiro longa-metragem de Sebastián Lelio.

Curtas-metragens do Brasil e do Equador completam o aporte latino à Locarno, cujo júri será presidido pelo produtor português Paulo Branco, já premiado em Locarno, e conhecido, entre outras coisas, por relançar a carreira dos cineastas Manuel de Oliveira e Raul Ruiz.

Carte blanche apresenta novos filmes colombianos

"La playa", do colombiano Juan Andrés Arango

"La playa", do colombiano Juan Andrés Arango

Mas nem tudo é exíguo para os latinos no Festival neste ano. A Colômbia celebra uma parceria estabelecida com o evento para promover longas-metragens colombianos em etapa de pós-produção. A ideia rendeu a criação da “Carte Blanche”, uma iniciativa que projetará por ano oito filmes em busca de financiamento para serem finalizados, convidando a cada edição um país diferente.

Da seleção de 2011, organizada pelo Ministério de Cultura da Colômbia, pela agência Proimágenes de promoção do cinema colombiano e pela seção Open Doors de Locarno, fazem parte várias estreias de jovens diretores, como Juan Andrés Arango, que lança seu “La playa”.

Saiba mais no site oficial do Festival de Locarno.

Dia 23
maio 2011

Câmera de Ouro para “Las acacias”, da Argentina

Hebe Duarte e Nayra Calle Mamani (bebê), atrizes de "Las acacias"

Hebe Duarte e Nayra Calle Mamani (bebê), atrizes de "Las acacias"

Terminou neste domingo, 22 de maio, a 64ª edição do Festival de Cinema de Cannes, com os filmes de vários “top” realizadores (como Pedro Almodóvar, Nani Moretti, Lars Von Trier), polêmicas do além-tela (com Von Trier e suas bizarras declarações) e a Palma de Ouro para o norte-americano Terrence Malick por “A árvore da vida”, filme estrelado por Brad Pitt.

Este ano, o cinema latino-americano brilhou pouco na Riviera Francesa, mas tampouco passou ileso: “Las acacias“, primeiro filme do montador argentino Pablo Giorgelli na direção, foi premiado com a Câmera de Ouro da Semana da Crítica. Além dele, a co-produção majoritariamente colombiana “Porfirio”, de Alejandro Landes, foi positivamente acolhido na Quinzena de Realizadores, segundo reportaram vários blogs e sites que fizeram a cobertura do evento.

“Las acacias” é a cativante história minimalista de apenas três personagens principais – uma paraguaia procurando trabalho, sua filhinha de cinco meses e um caminhoneiro argentino que lhes dá carona –, que convivem no trajeto de Assunção a Buenos Aires. Diante da chegada das duas, o caminhoneiro reage de maneira quase hostil, mas seu comportamento muda aos poucos graças ao contato com a mulher e especialmente com o bebê, que desperta nele um frustrado e reprimido sentimento de paternidade. “Excelente roteiro e encenação atrevida, que opta por uma maioria de cenas filmadas na cabine do caminhão”, afirmou o critico Julio Feo para o site RFI em espanhol.

O trailer (veja abaixo) dá uma ideia geral do filme e, inclusive, de como a menininha contribui com uma especial atuação. Giorgelli falou a respeito: “Hebe Duarte, que é paraguaia e interpreta a Jacinta, não é uma atriz profissional. Fizemos testes durante dois anos com outras pessoas, mas ela foi se impondo. E o bebê, que se chama Nayra Calle Mamani, foi realmente um milagre. Ainda hoje, vendo o filme, fico surpreendido que não sejam realmente mãe e filha”.

O road movie de Giorgelli passou por um longo processo de escrita e de realização de cinco anos.

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