Os gêneros têm marcado a recente produção cinematográfica da Argentina. Há quem negue que se trate de um esforço planejado para conquistar público, mas a questão se deixa notar sem esforços com o surgimento de relatos clássicos que antes não se contavam, com forte apelo comercial. Das histórias mínimas, muitos filmes passaram a apostar na ficção científica, como no caso de “Fase 7”, no drama romântico, como o oscarizado “O segredo dos seus olhos” e, agora, no western, com “Aballay, el hombre sin miedo”.
A produção, realizada em parceria com a Espanha, foi escolhida pela academia de cinema argentina para representar o país na disputa por um lugar nos concorrentes ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2012. Com 22 votos de uma comissão composta por 69 especialistas, deixou para trás “Um conto chinês” (12 votos), grande bilheteria do ano passado na Argentina e atualmente em cartaz no Brasil, e “El estudiante” (16 votos), filme mais aplaudido na última edição do BAFICI, o mais importante festival argentino hoje.
“Aballay, el hombre sin miedo”, assim como “O segredo de seus olhos”, é uma adaptação de uma obra literária: o conto “Aballay” de Antonio di Benedetto. É uma história de vingança e culpa, em que o formato do western ajuda a resgatar o esquecido gênero “gauchesco”. Segundo seu diretor, Fernando Spiner, “é uma honra que as pessoas que fazem cinema na Argentina tenham visto nesta história o filme que mais méritos tem para nos representar no Oscar… É um filme de ‘gauchos’, assim que nos caracteriza com muita ‘argentinidade’. Neste sentido, creio que se escolheu algo muito autêntico da nossa cultura para ser mostrado no exterior”.
Spiner, 53 anos, tem ampla experiência como produtor, roteirista e diretor de séries e filmes televisivos e também realizou curtas e documentários. Esse é seu segunda longa-metragem de ficção para o cinema (o primeiro foi “Adiós, querida luna”, de 2005).
Vale comentar que a escolha de “Aballay” foi inesperada (o favorito era “Um conto chinês, de Sebastián Borensztein). Tendo feito entre 20 e 30 mil espectadores nas salas argentinas e ainda sem distribuição nos Estados Unidos, talvez não leve a Argentina aos Oscar do ano que vem.
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