Com o anúncio dos indicados ao Oscar 2012 na última terça-feira, dia 24 de janeiro, fica confirmada a suspeita: o cinema latino-americano não conquistou a Academia americana este ano. Ou, pelo menos, não diretamente.
O fato é que, às vezes, é melhor considerar o Oscar pelo que a premiação não seleciona do que pelo que ela legitima. Claro que um prêmio a melhor filme estrangeiro, por exemplo, é sempre bem-vindo para impulsionar o público e despertar interesse por determinada cinematografia – sem falar no gás que ganha a carreira de um diretor. A lógica é simples: se esse impulso flui por aqui, melhor para nós.
Mas falemos desta vez do que é pouco alardeado e do que não entrou.
Na primeira categoria, temos a canção “Real in Rio”, composta por Carlinhos Brown e Sérgio Mendes (supostamente, em tempo mínimo). O tema faz parte da trilha da animação gringa “Rio”, dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha. Se, por um lado, não é cinema brasileiro, por outro… É talento brasileiro de exportação, algo que talvez se torne mais comum nos anos vindouros.
Falando ainda em animação, talvez aí resida uma semente de sucesso.
O que não entrou (e talvez esse caso seja mais interessante) é o curta-metragem argentino “Luminaris”, de Juan Pablo Zaramella, que ficou entre os semifinalistas da categoria de curta de animação.
Queridinho de vários festivais ao longo de 2011, muitos deles especializados em cinema de animação, “Luminaris” ganhou o prêmio de público e de crítica (FIPRESCI) no Festival Internacional de Animação de Annecy. É um dos mais importantes da área, onde, por sinal, Juan Pablo Zaramella ganhou uma retrospectiva em 2010. O filme não foi selecionado, mas a Argentina chegou perto de ter um curta celebrado em Hollywood.
Selecionado, sim, foi o longa de animação espanhol “Chico & Rita”, de Fernando Trueba e Javier Mariscal, cuja (bela) história acontece em Cuba. Não é nosso, mas já que esse ano o Oscar é das compensações… Por que não torcer?



