Sem deixar de lado a carreira de ator, Marco Ricca estreou detrás das câmeras com o longa-metragem “Cabeça a prêmio”, que entrou nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Campo Grande na última sexta-feira, 27 de agosto. Protagonizado por Alice Braga e pelo uruguaio Daniel Hendler (ator dos três primeiros filmes do diretor argentino Daniel Burman, entre eles “O abraço partido”), o filme tem como cenário a fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia, onde duas famílias disputam poder como pecuaristas e traficantes de drogas. Conta, também, a história de um casal que vive um romance determinado pelas dificuldades do seu entorno. Trata-se de uma adaptação para a tela do romance de Marçal Aquino, feita por Marco Ricca e Felipe Bragança. Veja trailer no You Tube.
Outra adaptação em cartaz no Brasil é o filme “400 contra 1” (trailer), de Caco Souza, baseado na auto-biografia de William da Silva Lima, que relata sua experiência no Comando Vermelho, a organização criminosa que nos anos 70 misturava presos políticos e presos comuns dentro da prisão Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Quem dirige é Caco Souza, com Daniel de Oliveira e Daniela Escobar nos papeis principais.
E a atual trinca de nacionais se fecha com “Cinco vezes favela – Agora por nós mesmos”, o longa em episódios que foi dirigido por jovens cineastas em formação de diferentes favelas do Rio, sob a tutoria de Cacá Diegues – um dos autores do filme original, que inspirou o projeto. O filme foi exibido fora de competição no Festival de Cannes deste ano e tem recebido boas críticas desde então. Não sem razão: está aí um filme de episódios com propósitos em parte sociais que não fica só no auxílio e nem na auto-propaganda. Assista ao trailer.
(Essa notícia foi publicada em espanhol no site LatAm cinema).
Cena do documentário “Dzi Croquettes” (2009), de Raphael Alvarez e Tatiana Issa, outra boa pedida da Première Brazil
O MoMA de Nova York abre as portas hoje, 15 de julho, para os 11 filmes brasileiros que integram o 8o festival Première Brazil NY.
O evento, que rola até dia 29, será aberto pelo documentário “Lixo extraordinário”, dirigido por Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley e que fala da vida do artista plástico Vik Muniz (e de sua relação com os catadores do Jardim Gramacho, o maior lixão do mundo).
“Os Famosos e os Duendes da Morte”, de Esmir Filho, e “É proibido fumar”, de Anna Muylaert, também fazem parte da programação, assim como as tradicionais voltas ao passado do cinema nacional, com “Xica da Silva” e “Bye Bye Brasil”, do cineasta Cacá Diegues.
Ah, e a mostra é resultado de uma parceria entre o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro e o Museu de Arte Moderna de Nova York. Mais? Aqui.
O colchão de xita (ou é chita?) protagoniza uma das belas passagens do filme
Uma carta de amor daquelas que começa pra não acabar, narrada durante uma viagem a trabalho de um geólogo pelo sertão nordestino. Uma viagem de reconhecimento do território, do solo, das bases, que oferece não só a metáfora do retorno ao interior e às raízes, mas que mostra a dor do protagonista pela ruptura de uma relação amorosa. Ele não aparece uma só vez ao longo da história. Entre recordações, o peso da solidão parece tão implacável quanto a aridez da paisagem, que se repete pela janela do carro quilômetros afora.
O longa é dos diretores Karim Aïnouz (“Madame Satã” e “O Céu de Suely”) e Marcelo Gomes (“Cinema, aspirinas e urubus”) e arrebata qualquer preconceito de verniz ideológico ou cosmopolita com passagens embaladas por uma trilha sonora com sucessos do brega como “Morango do Nordeste”, por exemplo.
O filme nasceu de uma coletânea de imagens captadas ao longo de 10 anos pelo sertão. Mais do que um road movie, “Viajo” é uma ficção tão realista quanto poética, que lança mão de momentos documentais, como os desvios e paradas nessa viagem que tem cronograma e destino certo. Nessas passagens, o entristecido narrador larga mão do papel de espectador de seu drama e começa a ver, retratar e ouvir novas histórias ao longo do caminho, que, como ele, está prestes a mudar.
Estreou semana passada nos cinemas do país o novo filme do diretor paranaense Sérgio Bianchi, “Os inquilinos”. A produção participou da última edição do Festival do Rio, onde levou os prêmios de melhor roteiro (Beatrice Bracher) e melhor atriz coadjuvante (Cássia Kiss).
Para este filme, o diretor de “Quanto vale ou é por quilo?” (2005) utilizou cenários da Brasilândia, bairro da periferia de São Paulo, para falar do medo que se sente em relação ao que mora ao lado, levando especialmente em conta o contexto social de seus personagens. A história acompanha o dia-a-dia de uma família, que muda com a chegada de um grupo de jovens, supostamente criminosos, que aluga a casa ao lado.
Adaptado de um conto homônimo escrito por Vagner Giovani Ferrer, o filme tem Marat Descartes e Ana Carbatti como protagonistas.
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Fruto de uma genuína paixão pela força cultural que emana da América Latina, o blog La Latina é um espaço dedicado ao cinema latino-americano e aos demais braços da produção audiovisual dessa região, que comprende as Américas do Sul e Central e o México. O primeiro criado com esse escopo no Brasil e em português.