NÃO PERCA

  • O QUÊ: Série "Fronteras" - 8 directores cruzando límites
  • Ano: 2011
  • Quando: desde dezembro
  • Onde: No site da TNT
  • Por quê: Para conhecer diferentes lugares do mundo através do olhar de novo consagrados diretores latino-americanos - incluindo a peruana Claudia Llosa, cujo "Loxoro" será apresentado em fevereiro no Festival de Berlim.
  • Mais: Um projeto da TNT apresentado pelo cineasta argentino Juan José Campanella.

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Arquivos com a Tag: cinema chileno

Dia 31
janeiro 2012

Entrevista: Marialy Rivas, de “Joven y alocada”, um dos filmes chilenos premiados em Sundance

Marialy Rivas

Marialy Rivas

No último domingo, 29 de janeiro, chegou ao fim o primeiro grande festival do ano. Sundance, focado em cinema independente, deu dois prêmios importantes para o cinema chileno: o de melhor drama internacional para “Violeta de los cielos”, de Andrés Wood, e o de melhor roteiro internacional para “Joven y alocada”.

O Chile, que vem aumentando sua produção cinematográfica e que em 2011 recuperou o fôlego das bilheterias, comemora os prêmios e o posto de cinematografia latina da vez nos festivais internacionais.

Nosso site-parceiro, LatAm cinema, publicou um bate-papo com a chilena Marialy Rivas, de “Joven y alocada”. Confira a entrevista abaixo (disponível completa e em espanhol aqui).

A realizadora Marialy Rivas – conhecida pelo curta “Blokes” – debuta na direção de longas-metragens com “Joven y alocada”, a história do despertar sexual de uma adolescente bissexual, que, utilizando o apelido que é o título do filme e o anonimato virtual, se permite refutar o mandato familiar e expressar livremente sua sexualidade, abafada por uma estrita educação evangélica. Um filme vivaz, moderno e arriscado, que segue o processo de amadurecimento de uma jovem dividida entre prazer e culpa. Protagonizada por Alicia Rodríguez e María Gracia Omegna e produzida por Fábula (a produtora dos filmes de Pablo Larraín), participa da competição Generation 14plus do Festival de Berlim. Depois de vencer o prêmio a melhor roteiro internacional em Sundance, sua estreia comercial no Chile está prevista para 26 de abril.

Por Cynthia García Calvo

O ponto de partida da história é um blog real, que tem o mesmo nome. Que elementos você encontrou nele para converter em filme e como foi esse processo?

O que me atraiu no blog foram os relatos vibrantes, cheios de humor negro, que a autora faz de sua vida tanto sexual como evangélica. Eram fortes e gráficos, ao mesmo tempo, ternos e divertidos. Me seduziu completamente. O processo foi longo, fizemos entrevistas com ela e criamos histórias para compor o personagem Pedro Peirano. Depois partimos da estrutura que armamos para reescrever com ela os diálogos e as vozes em off. Na verdade, a forma final do filme surgiu na edição. Inclusive, chegamos a filmar depois algumas cenas que achávamos que estavam faltando. Acho que é difícil estruturar qualquer filme, ninguém imagina… Nem eu, até que o fiz e me vi escalando o Everest.
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Dia 22
novembro 2011

Entrevista: Chile está acordando de um sono de 40 anos, diz cineasta Miguel Littin

Miguel Littín

Miguel Littín

Por Camila Moraes para o site Opera Mundi

Uma marmota que despertou de um sono de 40 anos. Essa é a visão do cineasta Miguel Littin sobre a atual conjuntura política no Chile. “As manifestações que estão acontecendo no país é o que houve de mais importante no Chile neste século e no anterior”.

Quando se pensa em cinema chileno contemporâneo, é comum concluir que, cada vez mais, muitos realizadores optam por abordar em suas obras o espinhoso tema da ditadura do general Augusto Pinochet – uma das mais sangrentas e duradouras da América Latina. Disso, filmes dos reconhecidos Andrés Wood (“Machuca”, “Violeta”) e Pablo Larraín (“Post Mortem”) são exemplos claros da última década.

O veterano cineasta Miguel Littín, cujo filme mais recente – “Dawson Ilha 10” (2009), sobre a ilha onde o ditador chileno instalou um campo concentração para ex-ministros e funcionários do governo Allende – estreia dia 25 de novembro em cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, descorda da teoria. “O cinema chileno nunca abandonou sua linha”, ressalta o realizador do clássico “O chacal de Nahueltoro” (1970), lembrando que no cinema de seu país sempre esteve presente a recuperação da memória.

Quem tem a palavra é o diretor de “Acta general de Chile” (1986), filme realizado durante a ditadura, sob condições improváveis: Littín, exilado, se disfarçou para voltar ao Chile e filmar a repressão militar nas ruas de todo o país – incluindo cenas filmadas no Palácio de La Moneda, perto do gabinete de Pinochet. A experiência, inclusive, virou tema de um livro-reportagem do colombiano Gabriel García Márquez, que escreveu nos anos 80 “A aventura de Miguel Littín clandestino no Chile”.

Sobre cinema, memória e política no Chile, Miguel Littín falou com exclusividade ao Opera Mundi. Confira a entrevista.

Como surgiu a ideia para fazer “Dawson Ilha 10”?

Esse é um filme que trata de temas que sempre dão voltas ao meu redor. Fazem parte da história do país e da minha, pessoal. Quando li “Ilha 10”, livro em que Sergio Bittar conta sua experiência como prisioneiro de Dawson e no qual se baseia o filme, fui cativado pela serenidade do relato e pela sobriedade com a qual se aborda um fato tão dramático como a existência de um campo de concentração ao qual o governo de Pinochet enviava presos políticos. Decidi investigar mais, visitar a ilha algumas vezes e, assim, nasceu “Dawson”.

Muitos filmes chilenos recentes têm explorado o tema da ditadura. A que você atribui essa reconstrução da memória através do cinema, que acontece no Chile como já aconteceu na Argentina, por exemplo?

Não se trata de uma corrente de hoje. O cinema chileno nunca perdeu a sua linha. Dos anos 60 em diante, a recuperação da memória sempre esteve presente nos filmes realizados no Chile. Felizmente, é uma tradição que se renova com realizadores como Andrés Wood e Pablo Larraín, mais ligados à ficção, documentais como “I love Pinochet” [2003], de Marcela Said, e outros exemplos.

A seu ver, que momento vive atualmente a sociedade chilena?

É como se estivesse despertando do sono de 40 anos de uma marmota. As manifestações que estão acontecendo no país é o que houve de mais importante no Chile neste século e no anterior. Não é apenas um movimento de jovens. A juventude nas ruas, apoiada por seus avós, pais, professores e cidadãos em geral, recebeu informação que foi passada de geração em geração e não reclamam só por eles, mas exigem o fim do Chile como paraíso do neoliberalismo. Ao lutar contra a educação privatizada, dizem: “Não queremos a educação de Pinochet”. Estão, na verdade, abrindo uma grande panela de repressão social e exigindo a transição não só das formas, o que lentamente se deu, mas também dos conteúdos herdados da ditadura.

Você já observa uma influência das manifestações no que se produz artisticamente e culturalmente no país?

Nesse momento, é mais interessante pensar o contrário: que influência há da arte nessas manifestações. E há muita. Nas ruas, as pessoas reivindicam Pablo Neruda, são criativas, se reinventam. Trataram no passado de formar uma geração de esquecidos, mas isso não aconteceu. A informação foi passada adiante, e a memória está viva. As duas coisas vão acontecer – arte nas ruas e as ruas na arte –, mas o que vejo agora é essa força criativa.

Como se deu a coprodução com o Brasil para a realização de “Dawson Ilha 10”?

Essa é a primeira coprodução que faço com o Brasil. Fui convidado a um seminário de cinema na Bahia [Cine Futuro - Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual] e lá conheci o Walter Lima, produtor do filme. Conversamos bastante sobre ideias e sentimentos comuns, e o acordo se deu, entre confiança e sedução. Considero esse modelo de produção uma saída importante que o cinema de conteúdo da América Latina tem para crescer e lutar contra filmes feitos só com fins de lucro. Não é compreensível que não exista um intercâmbio cultural que seria natural dentro de um mesmo continente.

O filme foi indicado ao Goya, pré-candidato estrangeiro ao Oscar e premiado no Festival de Roma. Que importância têm esses reconhecimentos, em sua opinião?

Um filme, como tudo o que faço, é algo para oferecer aos outros. Há dois lados dos prêmios, e o lado pessoal eu refuto totalmente. O aspecto importante é que eles servem para que o filme chegue ao público. Em Roma, por exemplo, “Dawson” foi aplaudido de pé pelos espectadores durante 15 minutos. Isso, sim, foi muito gratificante. Os festivais se converteram no refúgio do cinema de autor. Quando alguns diretores latino-americanos fizeram seus filmes nos anos 60 e 70, como foi meu caso com “O chacal de Nahueltoro”, não se pensava em festivais. Para nós, o mundo se projetava a partir da América Latina. Hoje, o momento é outro.

Você já tem um novo projeto cinematográfico em vista?

Sim. É uma ficção sobre a entrada de Salvador Allende no Palácio de la Moneda, com todos as honras institucionais de sua posse, e a saída de seu corpo, às duas da tarde do mesmo dia, coberto por uma manta boliviana. O que aconteceu entre esses dois momentos lá dentro? Será uma coprodução entre Chile, Venezuela, Argentina e talvez o Equador. A combinação de países sul-americanos é perfeita para o tema, porque Allende não é um nome, mas um sentimento que cobre a pele de todos nós. Algo vigente, que se presta a uma nova forma de valores humanos, longe do homem-objeto.

Dia 14
setembro 2011

“Ilusões óticas” e uma defesa do cinema latino nas telas

Por Camila Moraes

Ver nem sempre é enxergar em "Ilusões óticas"

Ver nem sempre é enxergar em "Ilusões óticas"

Entra em cartaz em São Paulo na próxima sexta-feira, 16 de setembro, um filme chileno que dá conta de algo mais do que dele mesmo. Um filme que mostra que há fôlego de público, no Brasil, para muitas produções latinas entrarem em cartaz ao mesmo tempo. Cada uma com seu estilo, e todas, de uma maneira geral, evidenciando a qualidade crescente do cinema da região.

Essa não é uma constatação difícil: basta perceber, por exemplo, que o afrancesado Reserva Cultural (onde esse filme chileno estreia) está atualmente exibindo, em metade de suas salas, dois filmes argentinos. Sem falar de outros cinemas, mostras não comerciais etc, apresentando títulos latinos. A constatação, apesar de não ser reveladora, é uma boa notícia, que vem reforçada pelo nascimento de distribuidoras independentes de cinema latino-americano – como é o caso da Tucumán Filmes (a que está comercializando esse chileno) e da Esfera Filmes (que distribuiu o mexicano “Cinco dias sem Nora”), ambas, talvez coincidentemente, sediadas no Rio de Janeiro. É decididamente uma perspectiva animadora.

Mas, agora, chega de mistério: o filme é “Ilusões óticas”, dirigido por Cristián Jiménez e que estreou no Brasil primeiro no Festival do Rio de 2010. Uma história de múltiplos personagens que se cruzam na fria e úmida Valdívia, cidade onde o diretor nasceu e à qual ele dedicou este que é seu primeiro longa-metragem. Essa citação não vem à toa. Valdívia – ou talvez qualquer cidade de pouca luz, com escassos momentos de sol para destacar as cores das pessoas, das paisagens e dos objetos – é tão personagem quanto os demais personagens, todos desiludidos (des-ilusão, finalmente, dá a tom emocional de uma ilusão ótica) e apáticos, cinzas como o lugar onde vivem.
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Dia 27
junho 2011

Destaque do FAM: “A vida dos peixes”, do chileno Matías Bize

Blanca Lewin e Santiago Cabrera em "La vida de los peces"

Blanca Lewin e Santiago Cabrera em "La vida de los peces"

O grande destaque da Mostra de Longas Mercosul, seção não-competitiva do Florianópolis Audiovisual Mercosul, é o filme mais recente do diretor chileno Matías Bize: “La vida de los peces”, premiado em vários festivais e ganhador do Goya no começo deste ano.

Conhecido internacionalmente por “Na cama”, filme também exibido no FAM, em 2005, Matías é um dos jovens realizadores chilenos mais premiados atualmente. O diretor esteve presente para apresentar seu novo trabalho, que segundo o produtor Adrián Solar, tem chances de ser distribuído comercialmente em algumas cidades brasileiras.

Veja o trailer aqui e saiba mais sobre o filme no artigo abaixo. E torça!

UM HOMEM SENSÍVEL

Por Camila Moraes

Para discutir relações, deixe de lado ‘espetacularidades’. É essa, pelo menos, a regra que segue o diretor chileno Matías Bize, 31, na hora de fazer seus filmes. O mais recente deles, “La vida vida de los peces”, foi o vencedor do prêmio Goya na categoria de melhor filme hispano-americano durante a 25a festa da Academia Espanhola de Cinema, que aconteceu em 13 de fevereiro.

Bize conquistou não só mais um reconhecimento para o seu cinema mínimo, bastante atento às típicas discussões que marcam a vida dos mais variados casais, como levou para casa um galardão que considera ser uma alegria para o seu país, ao que dedicou a estatueta em seu discurso de agradecimento. “Foi algo que saiu naturalmente. Os terremotos e o episódio com os mineiros deram notoriedade negativa ao Chile. Acho que esse prêmio é algo positivo para os chilenos, e é bom poder levar para casa uma alegria. O cinema é uma janela muito importante do nosso país”, declarou em entrevista ao La Latina.
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Dia 11
abril 2011

BAFICI: Boas novas do cinema chileno

Cena do incrível "Nostalgia da luz", doc de Patricio Guzmán

Cena do incrível "Nostalgia da luz", doc de Patricio Guzmán

O cinema feito no Chile, segundo comentou em entrevista ao La Latina o diretor do BAFICI, Sergio Wolf, “ainda está construindo sua plataforma de cineastas e buscando definir seu estilo e construir sua indústria”, porém, “tem chamado atenção” com bons filmes.

De fato, no últimos anos, o país marcou presença no festival portenho com as últimas novidades de sua produção independente. Três foram os filmes chilenos que vi em Buenos Aires, e todos são dignos de recomendação.

Abaixo, um rápido resumo de cada um pode ser uma boa dica aos interessados.
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Dia 15
fevereiro 2011

Goya: “La vida de los peces” e outros hispano-americanos

A estatueta do Goya

A estatueta do Goya

Aconteceu, no último domingo (13.2), a festa do Goya, o Oscar da Academia Espanhola de Cinema – que se despediu, na ocasião, do cineasta Alex de la Iglesia, seu presidente até a data. A premiação conta com uma categoria de filmes hispano-americanos, na qual normalmente competem filmes de cortes variados – dos independentes aos de pegada mais comercial.

Neste ano, levou esse Goya um candidato que faz certa simbiose entre esses dois extremos: “La vida de los peces”, o novo filme do diretor chileno Matías Bize. Matías – jovem, porém já com cinco longas e três curtas no currículo – alçou certa fama em 2006 com seu segundo longa-metragem, “En la cama” – um drama mínimo de um casal de desconhecidos que passa a noite em um motel discutindo relações, por sinal, também indicado ao Goya de 2007. “Na cama”, como se chama em português (circulou, inclusive comercialmente, no Brasil), “inspirou” dois filmes de mesma sinopse dirigidos pelo colombiano Gustavo Nieto Roa (a produção colombiana “Entre sábanas” e a brasileira “Entre lençóis”, esta última com Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira. Mas essa é outra história, e ela é longa.

Voltemos a “La vida de los peces”. O filme conta a história de Andrés, que depois de 10 anos solitários na Alemanha, volta ao Chile apenas para uma visita, na qual o plano é se desfazer de pendências para voltar à Europa. Vai a uma festa e lá reencontra Beatriz, grande amor de seu passado, que o leva a reavaliar sua vida. Considerado “mínimo” como os dramas anteriores do diretor (que também é co-roteirista deles), o longa parece ter contado até agora com boa repercussão tanto da crítica (estreou no Festival de Veneza), como do público (foi exibido no Festival do Rio ano passado, onde a notícia é de que agradou muito os espectadores). Veja o trailer.

Agora, uma rápida passagem sobre os outros candidatos ao Goya Hispano-Americano. Tem a produção colombo-peruana “Contracorriente”, de Javier Fuentes-León, sobre um triângulo amoroso envolvendo homossexuais, “El hombre de al lado”, da dupla Gastón Duprat e Mariano Cohen, aclamada por seu trabalho na televisão argentina, sobre vizinhos em disputa, e “El infierno”, do mexicano Luis Estrada, sobre um mexicano que volta ao seu país deportado dos Estados Unidos e se depara com várias desgraças terceiro-mundistas. Esse último tem algo de interessante: representa uma categoria, ainda confusa, mas existente, de filmes que acolhem em parte uma platéia de chicanos (latinos que vivem nos Estados Unidos e que tomam contato com as culturas de seus países através, entre outras coisas, de filmes).

Mas essa é só uma breve passada. Veja os trailers abaixo e tire suas próprias conclusões.

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