Para conhecer mais sobre essas plataformas, leia abaixo a entrevista com Jacobine van der Vloed, coordenadora sênior do CineMart e do Rotterdam Lab (e no LatAm cinema, a versão completa, em espanhol).
Quais são as principais características dos programas impulsionados pelo Festival de Rotterdam?
O Binger Filmlab é uma plataforma de formação com sede em Amsterdam, que tem duas rondas anuais: uma em março, na qual se escolhem três projetos, e outra em agosto, quando são escolhidos outros dois. Os ganhadores conseguem um financiamento de até 10 mil euros para o desenvolvimento de seus filmes, além de formação “on demand” para a escrita de roteiros. Para finalizar, a capacitação se completa em Amsterdam, onde os realizadores apresentam seus projetos no Boost!, uma seção do CineMart destinada a obras que estão em fase menos avançada de escrita, porque para apresentar os projetos do CineMart o roteiro tem que estar mais avançado. No Boost!, os realizadores mantém reuniões individuais a cada 25 minutos, que é o que lhes dá a chance de falar sobre o projeto e receber comentários. Como aprendizagem, acreditamos que é um processo muito enriquecedor e, apesar de ser improvável que os realizadores fechem um acordo de forma imediata, é uma oportunidade de verem como funciona o mercado e quais seriam as possibilidades de coprodução com outros países. No Binger, em Amsterdam, os realizadores também recebem formação de pitching e capacitação em geral. A ideia é guiar certos projetos em sua primeira fase de desenvolvimento.
Como você vê o cinema latino-americano neste momento?
É uma pergunta difícil, porque a variedade é enorme. Por exemplo, estive no Festival de Cartagena e me chamou a atenção o bom nível do cinema colombiano. O ano passado recebemos um par de projetos muito lindos do Brasil, agora temos projetos da Bolívia… É curioso, porque até um tempo atrás tudo vinha da Argentina, mas agora há outros países. Inclusive a Venezuela está se fazendo notar. De fato, acho que a Argentina não está passando pelo seu melhor momento. É um país muito grande e há muitíssimos realizadores, a concorrência é enorme e não é fácil conseguir dinheiro do INCAA. Muitos filmes vão pra frente sem apoio público, o que até certo ponto faz com que as pessoas sejam mais criativas, mas é difícil. O que fica claro é que no continente já não são somente Argentina, Brasil e México; há em cena outros países cujo cinema cresceu muito, e isso está muito bem. Por outro lado, também acontece que cineastas, por exemplo, da Bolívia vão estudar em Buenos Aires e depois voltam a seu país de origem para fazer cinema.
Quais são os requisitos para se apresentar ao fundo? E que critérios levam em conta na hora de escolher os projetos?
As pautas para se apresentar ao fundo são muito simples, basta pertencer a um dos países incluídos na convocatória. Agora, no caso dos critérios de seleção, é muito mais complicado. São interessantes pra nós os projetos que mostram os países de onde vêm. Não tem que ser político nem ter pautas específicas, mas sim certa sensibilidade e também um “gosto” determinado que esteja em sintonia com a linha editorial do Festival de Rotterdam.
O que você aconselharia aos diretores latinos para que seus projetos tenham mais projeção internacional?
Eu lhes diria que estudem muito bem os tempos do projeto e que não tenham pressa em apresentá-lo, pelo menos no caso do CineMart. É uma pena quando os projetos aparecem em fase muito inicial, porque uma vez que sejam apresentados, estão no mercado e não podem ser enviados novamente, a menos que passem por mudanças muito grandes. Com o fundo, a situação é distinta, mas também lhes aconselho que pensem muito bem no que estão mandando. Especialmente, que façam uma boa tradução, o que pode parecer um conselho bobo, mas já vimos muitas traduções ruins. O mesmo vale para a apresentação geral. Sei que não é fácil escrever uma boa sinopse ou um bom argumento, mas nesta etapa também têm que pensar como realizadores. Para um realizador, é difícil se distanciar do projeto, mas é importante perguntar se uma pessoa que nunca escutou a história seria capaz de entendê-la. Esse é meu conselho: que procurem se distanciar um pouco de seus projetos.
Por Gerardo Michelin






