Yahima, que vive na França desde 2003 e, nessa que foi sua estreia no cinema, faz o papel “de uma africana explorada como objeto científico e sexual na Europa do século 19”, segundo reportagem que a Folha de São Paulo dedicou a ela no sábado, sem poupar elogios. Desde o título – “Atriz cubana dribla Portman e Deneuve” –, o texto fala da anônima (a atriz até agora não figura no IMDb, o mais conhecido banco de dados online de cinema) que derrubou nomes cantados para vitória, como os das atrizes Natalie Portman (“Black Swain”) e Catherine Deneuve (“Potiche”).
Yahima conta que deixou Havana em 2003 atraída pela ideia de viver na França, terra que conhecia pelas histórias do pai, marinheiro. Chegou a Paris, deu aulas de espanhol e, um dia, foi descoberta na rua pelo diretor, Kechiche. Depois de ganhar o prêmio em Veneza, a internet já se encarregou de corrigir seu anonimato. Várias entrevistas com a atriz relatam sua enorme surpresa primeiro por ter sido recrutada para o filme, depois por ter sido premiada no festival mais antigo do mundo. “Minha vida mudou”, disse na coletiva de Veneza.
“Vênus Noire” conta a história de Venus Hotentote, que na verdade é Saartjie Baartman – uma mulher sul-africana com características corporais consideradas exóticas pelos europeus, que foi exibida como atração de circo no século 19 e teve o corpo exposto em museu francês até a década de 1980.
E o grande prêmio – o Leão de Ouro – foi para Sofia Coppola, por “Somewhere”. Apesar de elogiado, o filme ganhador não se livrou das fofocas ao ser anunciado por Tarantino, presidente do júri e ex-namorado de Sofia. O espanhol Alex de la Iglesia, que levou das mãos de Tarantino os prêmios de melhor direção e melhor roteiro por “Balada triste de trompeta”, tampouco ficou de fora da tese do nepotismo nessa 67a edição do festival italiano. Ele é visto como um dos discípulos do diretor de Pulp Fiction.
Não que tudo isso importe. Mas que bom ter Yahima.





