VEM AÍ

  • O QUÊ: Festival de Cinema de Cannes
  • Ano: 2012
  • Quando: de 16 a 27 de maio
  • Onde: Na Riviera Francesa e no www.festival-cannes.fr
  • Por quê: É considerado o Oscar do mercado cinematográfico e importante vitrine do cinema autoral.
  • Mais: o festival este ano tem boa representação de filmes latino-americanos.

Conheça os títulos latinos selecionados para a 65 edição.

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Arquivos com a Tag: lucrecia martel

Dia 16
agosto 2011

Lucrecia Martel realiza curta-metragem para a Miu Miu

Lucrecia Martel filmou "Muta" no Paraguai

Lucrecia Martel filmou "Muta" no Paraguai

O prestígio e o talento de Lucrecia Martel chegaram às garras do mundo da moda. A cineasta argentina lançou em julho, em uma pomposa festa em Los Angeles, o curta-metragem que fez para a Miu Miu.

Realizado no Paraguai, o filme é o segundo da série “Women’s Tales”, que a grife criou para explorar o universo feminino e suas simbologias – e, nessa áurea cinematográfica, lançar suas luxuosas coleções. O primeiro, “The powder room”, foi dirigido por Zoe Cassavetes, e, pelo que dizem, mais filmes de outros “big” cineastas virão por aí.

Titulado “Muta”, unindo as palavras “mute” (mudo) e “transformation” (transformação), o curta faz um belo e enigmático retrato de um grupo de mulheres em um barco: lindas e bem vestidas, elas estão envolvidas em uma espécie de intriga cheia de significados ocultos. A atriz María Alché, protagonista de “A menina santa”, participou do trabalho, que tem, claro, todo a atmosfera e o estilo feminino e misterioso de Lucrecia.

Assista ao filme de Lucrecia – e ao de Zoe – no site da Miu Miu (onde dá para se divertir com o material extra-filmagens também).

Dia 26
janeiro 2011

Os primeiros anúncios do festival número 40 de Rotterdam

Rotterdam, de olho no cinema latino

Rotterdam, de olho no cinema latino

Tudo pronto para o 40o Festival Internacional de Cinema de Rotterdam, uma vitrine e tanto do cinema independente contemporâneo, incluindo vários títulos procedentes da América Latina. Essa edição acontece de 26 de janeiro a 6 de fevereiro na segunda maior cidade da Holanda, com uma tradicional programação que ultrapassa 400 títulos em exibição (em diferentes seções) e outras tantas atividades paralelas.

A competição oficial, a Tiger Awards Competition, só foi anunciada em parte até o momento e, entre os sete longas citados, não está nenhum representante latino (os demais serão apresentados nos próximos dias). Seja como for, a cineasta argentina Lucrecia Martel representa o toque latino-americano no júri, que conta com outros quatro nomes bem variados. Como essa é uma edição de aniversário, alguns Tiger Awards do passado serão exibidos em uma seção especial. Dela farão parte filmes de vários cineastas asiáticos – outro tradicional foco de atenção do evento.

A parte do festival que já anunciou todos seus participantes é o CineMart, o mercado de co-produção de Rotterdam, agora em sua 28a edição. Dos 33 projetos selecionados, há quatro provenientes da América Latina. São eles: “Tree Shade”, o novo projeto do mexicano Pedro González Rubio, que recebeu o Tiger Award em 2010 por “Alamar”, “Bull Down”, de Gabriel Mascaró (Brasil-Uruguay), “El instructor”, de Santiago Otheguy (Argentina-Francia), e “Post tenebras lux”, do diretor mexicano Carlos Reygadas. Ótimas oportunidades para esses filmes: 850 possíveis parceiros e investidores estarão presentes.

E aí tem o cobiçado fundo do festival, o Hubert Bals Fund, que este ano selecionou 24 projetos para apoiar em diferentes categorias. Em pós-produção, estão a ficção “Ausências”, da argentina Milagros Mumenthalers, e “Artificial Paradises”, primeira ficção da mexicana Yulene Olaizola (cujo documentário “Intimidades entre Shakespeare e Victor Hugo”, de 2008, é multipremiado). Em produção digital: “Las voces”, do mexicano Carlos Armella. Em desenvolvimento de roteiro: “Mai Morire”, o segundo projeto de longa-metragem do mexicano Enrique Rivero, de “Parque Vía”, “King”, do chileno Niles Atallah, “Conurbano”, do argentino Gregorio Cramer, “Dos disparos”, do argentino Martín Rejtman, “La mujer de barro”, do chileno Sergio Castro San-Martín, e “Sombra del arbol”, do mexicano Pedro Gonzalez-Rubio (outra vez ele, do “Alamar”).

Em breve, mais atualizações sobre Rotterdam rolarão aqui. Enquanto isso, fique de olho no site do festival.

Dia 29
outubro 2010

Obrigatório: 10 latinos da década

Não só O Pântano, mas os outros dois filmes da Lucrecia fazem parte da seleção da Cinema Tropical

Não só O Pântano, mas os outros dois filmes da Lucrecia fazem parte da seleção da Cinema Tropical

Talvez não sirvam de muito os rankings – pelo menos, para os filmes rankeados e para as cinematografias em si. Mas eles são um bom termômetro pessoal: se você não viu, é porque não está em dia com aquele assunto.

Bom, para quem quer ficar em dia com o cinema da região – e, por que não, com as “culturalidades” temáticas da América Latina hoje – pode passar o olho pelo ranking que a associação Cinema Tropical, que difunde o cinema latino nos Estados Unidos, acaba de apresentar.

Ela escolheu os 10 melhores filmes latino-americanos da década (2000 a 2010), e a lista vem encabeçada por ele: “O pântano”, longa-metragem de estreia da cineasta argentina Lucrecia Martel. Sem dúvida, não só um dos melhores filmes latinos, mas uma daquelas obras que marca a trajetória do cinema como um todo. Há quem diga que, se for pra queimar todo o cinema feito no mundo nos últimos anos, Lucrecia ficaria fora da fogueira.

Animações pessoais à parte, a seleção é boa mesmo (se você não viu a maioria, está desinformado…) e conta com outros ganhadores de festivais e bons de bilheteria, como os mexicanos “Y tu mamá también” (Alfonso Cuarón) e “Luz silenciosa” (Carlos Reygadas), o uruguaio “Whisky” (Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll) e o brasileiro “Cidade de Deus” (Fernando Meirelles e Kátia Lund). Saiba mais no site da premiação que rolou – e corra pra locadora.

Dia 17
abril 2007

Proteção vs. livre comércio, por Lucrecia Martel

Lucrecia Martel

É sobretudo pela distribuição e pelo efetivo acesso do público aos filmes que cinematografias fortes só se constroem com apoios e medidas de proteção por parte do Estado – e não simplesmente a partir de iniciativas individuais de realizadores que desejam (e conseguem) expressar suas visões artísticas.

A Argentina, um dos mercados de cinema mais produtivos da América Latina, ao lado do México e do Brasil, é um dos países que contam com instituições e leis que apóiam a produção nacional. Com suas medidas, o governo muitas vezes enfrenta acusação de atentar às leis de livre comércio.

Lucrecia Martel (“O pântano”, de 2001, e “A menina santa”, de 2004), atualmente um dos talentos mais sobressalentes do cinema argentino, publicou sua opinião sobre o tema no principal jornal do país, lançando a provocação: quem acredita que existe liberdade de mercado quando a disponibilidade de capital é tão restringida?

Vale a pena conferir na íntegra o artigo publicado originalmente em 6 de agosto de 2006 na seção “Opinião” do jornal La Nación, de Buenos Aires, e reproduzido por INFOR-MET e Reconquista-popular.

Petróleo

Alguém ainda acredita que venderam o petróleo porque éramos ineficientes?

Por Lucrecia Martel

Se nos esquecemos por um momento de que o cinema é, sobretudo, uma visão do mundo, veremos que, como qualquer indústria, sobrevivem os produtos de empresas com grandes concentração de capital, que dispõem de enormes somas de dinheiro, que são donas dos sistemas de distribuição e exibição – como é o caso das multisalas, que surgiram nos anos 90 e que têm amplo acesso à promoção televisiva.

Isso é para os que, quando se fala sobre cota de tela ou de subsídios para o cinema nacional, saem em defesa da vulnerável liberdade de mercado. Quem, com dois dedos à frente, acredita que existe liberdade de mercado quando a disponibilidade de capital é tão restringida? Ainda existe alguém que acredita que os serviços privatizados são agora melhores e mais baratos? Ou que vendemos nosso petróleo porque éramos ineficientes? Existe alguém que acredite, verdadeiramente, que uma medida de proteção à indústria argentina é um agravante à liberdade de mercado? Este país foi zona livre de comércio durante uma década. O resultado são 21 milhões de pobres.

O cinema argentino está protegido por subsídios e agora também o estará pela cota de tela, que teremos que ir melhorando.

Não está distante à aparição de centenas de técnicos, diretores, produtores, atores e filmes argentinos o diferencial de que em um país exista um Instituto de Cinema e uma Lei de Cinema. Existe vontade por parte do Estado de apoiar essa indústria. O cinema não é somente o resultado do esforço individual de expressão.

Em qualquer encontro internacional de cinema se destaca, sem espanto algum, que a indústria argentina está muito ativa em um país em que muitas indústrias estão em perigo. Não está ativa somente pelos dois ou três filmes argentinos que, felizmente, este ano superaram, ou pouco falta para que o façam, um milhão de espectadores, mas também porque há outros vinte filmes que esperam seu lançamento e outras tantas em produção.

No cinema se reproduz um fenômeno que conhecemos muito bem na Argentina: a contínua ameaça contra as pequenas e médias empresas, assim como contra o trabalho artesanal.

Acredito que os anos 90 tenham sido um grande espetáculo que mostrou como um Estado deixa de planejar o desenvolvimento do país e é arrasado por aqueles que detém o poder econômico. Qual é o benefício para um país com pequenas e médias empresas? Entre outras coisas, é que esse é o setor que mais reinveste, que registra menos evasão impositiva e que, proporcionalmente, mais recolhe impostos, o que está mais próximo aos conflitos da sociedade, o que se instala regionalmente, o que mais necessita de educação terceirizada e universitária para seu desenvolvimento e, por isso mesmo, o que mais tem interesse na educação pública.

O cinema argentino que compete agora internacionalmente é fruto de pequenas e médias empresas argentinas, formadas, em sua maioria, por filhos, netos, sobrinhos, filhos de amigos de muitos que lerão essa nota. Ainda não é um cinema exclusivamente nas mãos de duas ou três empresas vinculadas a grandes poderes financeiros ou com empresas multimídia. Por isso mesmo, é diverso em suas opiniões sobre o mundo e suas propostas estéticas, ainda que lhe falte incorporar mais setores sociais que possam se expresar. Nessa diversidade nem sempre é possível que surjam filmes massivos. O objetivo não é criar um cinema excluente: é próprio do que é diverso os diferentes alcances.

Com a cota de tela, o Estado abriu um terreno para que se desenvolva o cinema argentino. Esperamos que ele não se transforme em um bairro fechado.

***

A cota de tela – ou cuota de pantalla– é, por definição, o estabelecimento por parte do Estado argentino de uma quantidade obrigatória de filmes nacionais por sala em um período determinado.

Mais informações sobre as atuais condições em que se desenvolve o cinema argentino podem ser encontradas no site do Istituto Nacional de Cine y Artes Visuales (INCAA): www.incaa.gov.ar.

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