VEM AÍ

  • O QUÊ: Festival de Cinema de Cannes
  • Ano: 2012
  • Quando: de 16 a 27 de maio
  • Onde: Na Riviera Francesa e no www.festival-cannes.fr
  • Por quê: É considerado o Oscar do mercado cinematográfico e importante vitrine do cinema autoral.
  • Mais: o festival este ano tem boa representação de filmes latino-americanos.

Conheça os títulos latinos selecionados para a 65 edição.

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Arquivos com a Tag: mercado

Dia 06
junho 2011

Doc Montevideo apresenta as novidades de sua terceira edição

Teatro Solis, a sede do Doc Montevideo

Teatro Solis, a sede do Doc Montevideo

Doc Montevideo, o mais importante evento de cinema documental no Uruguai, acaba de divulgar as principais novidades de sua terceira edição, que acontece de 20 a 29 de julho.

Segundo Luis González Zaffaroni, diretor do festival, o encontro desta vez será mais internacional “graças aos acordos estabelecidos com mercados de vários países, que permitirão que os projetos participantes tenham acesso ao Doc Meeting Argentina, ao DocsBarcelona, ao mercado do Visions du Réel, da Suíça, e The Edinburgh Pitching, da Escócia”.

O evento propõe principalmente encontros de negócios e atividades de formação. No primeiro caso, se destacam os Doc Meetings, nos quais os participantes se reúnem pessoalmente com compradores e distribuidores internacionais para mostrar seus filmes já finalizados. Também haverá seções de pitching, nas quais serão selecionados 13 projetos latino-americanos em fase de desenvolvimento.

Na área de formação, a principal atividade é o Workshop Documental, através do qual a organização pretende dar ferramentas práticas e conceituais aos realizadores de cinema documental. Acontecerão também aulas magnas de diretores e produtores reconhecidos no gênero, entre eles os documentaristas brasileiros João Moreira Salles, o polonês Marcel Lozinski, a espanhola Marta Andreu, e o norte-americano Simon Kilmurry, que fará uma apresentação sobre o trabalho de Point of Views, um programa de documentários para a televisão pública dos Estados Unidos. Acontece também a seção Work in Progress, que este ano o documentário “Exiliados”, de Mariana Viñoles, desde a sua criação até seus últimos passos no mercado.

A programação de filmes, claro, não poderia faltar. Durante 6 noites, serão exibidos gratuitamente documentários em sessões das quais participam os diretores.

Saiba mais no site do festival.

(Via LatAm cinema)

Dia 22
novembro 2010

Cinepolis, a rede mexicana que quer conquistar o Brasil

Como faz para comer crepe no cinema sem derramar molho?

Como faz para comer crepe no cinema sem derramar molho?

Para quem acha que os multiplex (redes de salas de cinema com programação voltada a filmes de altas bilheterias) são todas iguais, já chegou ao Brasil uma novidade. Bom, talvez não uma novidade em seu sentido mais amplo, mas certamente algo devidamente mascarado de novo.

É a rede Cinepolis, a maior do México e da América Latina e a quinta do mundo em número de salas de exibição. Está aí a primeira novidade: made in México. Alejandro Ramirez, dono da Cinepolis, afirmou que “poucos mercados no mundo apresentam um potencial tão grande quanto o brasileiro”, animado com o fato de que, em 2009, 111 milhões de entradas de cinema foram vendidas no país (um crescimento de 25% em relação ao ano anterior). Isso explica porque os mexicanos estão de olho no Brasil, mesmo sendo esse nosso mercado bastante controlado pela rede Cinemark.

Mas a Cinepolis quer dar maior atenção às classes C e D, aquelas cujo poder aquisitivo está em ascensão por aqui. Aí está a segunda novidade. A rede acaba de instalar no Shopping Largo 13, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, um novo complexo de cinemas. A região é carente de cinemas, e a notícia não deixa de ser boa. Se bem que é estranho que as entradas continuam custando caro, mesmo em “território” mexicano. Na Cinepolis, elas custam de 10 a 21 (!) reais.

A terceira novidade tem a ver com a parte das guloseimas. Saem os clássicos chocolates, doces e pipocas hiperinflacionados e entram comidas menos tradicionalmente cinematográficas, como as pizzas, os sushis e os crepes. Finalmente, eles estão investindo forte também em tecnologia 3D (três salas só no Largo 13).

A briga da Cinepolis com a Cinemark para entrar no país começou em meados de 2009. Agora, ambas lutam para ocupar os espaços abertos por novos shoppings (em São Paulo, eles não param de aparecer). Por isso, a rede mexicana está de olho também nas classes altas, em especial o segmento “AAA”, para o qual anuncia a abertura de salas VIP no futuro shopping Iguatemi Alphaville, em Barueri (SP), a exemplo das que já existem nos shoppings Cidade Jardim e no Vila Olímpia.

Ainda bem que o Belas Artes, um antigo cinema de rua da cidade, anunciou que conseguiu “um grande patrocinador”. Que se cuidem as “velhas” salas.

Dia 14
maio 2010

Bollywood latina

Pôster do filme indiano ''Kites'', de Anurag Basu

Pôster do filme indiano ''Kites'', de Anurag Basu

Deu no UOL Cinema que Bollywood está de olho no mercado latino-americano.

Para a prolífica indústria cinematográfica indiana, a ideia de divulgar seus filmes por aqui veio da participação de uma atriz uruguaia em um filme local, “Kites”, sobre um fugitivo tido como morto no deserto mexicano, onde encontra o amor de sua vida e – adivinhem? – tenta cruzar a fronteira para os Estados Unidos.

Outro estímulo para distribuir suas ficções musicalizadas por aqui é o sucesso internacional de “Meu nome é Khan”, um dos raros filmes produzidos por Bollywood que fez sucesso internacionalmente (17 milhões da renda que arrecadou vem de fora da Índia). A distribuidora Fox Star Studios classificou o filme como “o primeiro filme verdadeiramente global de Bollywood”, de passo, uma indústria que causa furor na Índia mas ainda não no exterior.

Rakesh, produtor de “Kites”, o filme com a uruguaia, explica que adoraria lançar na maior quantidade de países latinos possível. “Com a globalização, o mundo está cada vez menor e por isso filmes da Coreia do Sul e de outros países asiáticos podem ter um impacto em Hollywood e outros mercados”.

Considerando que já estamos dominados (em número de salas ocupadas e de filmes em cartaz) pelo cinema de Hollywood e que Bollywood pelo jeito não oferece grandes novidades (tendo em conta, pra começar, os temas de fronteiras), será que sobra espaço entre nós para a Índia?

Dia 17
abril 2007

Proteção vs. livre comércio, por Lucrecia Martel

Lucrecia Martel

É sobretudo pela distribuição e pelo efetivo acesso do público aos filmes que cinematografias fortes só se constroem com apoios e medidas de proteção por parte do Estado – e não simplesmente a partir de iniciativas individuais de realizadores que desejam (e conseguem) expressar suas visões artísticas.

A Argentina, um dos mercados de cinema mais produtivos da América Latina, ao lado do México e do Brasil, é um dos países que contam com instituições e leis que apóiam a produção nacional. Com suas medidas, o governo muitas vezes enfrenta acusação de atentar às leis de livre comércio.

Lucrecia Martel (“O pântano”, de 2001, e “A menina santa”, de 2004), atualmente um dos talentos mais sobressalentes do cinema argentino, publicou sua opinião sobre o tema no principal jornal do país, lançando a provocação: quem acredita que existe liberdade de mercado quando a disponibilidade de capital é tão restringida?

Vale a pena conferir na íntegra o artigo publicado originalmente em 6 de agosto de 2006 na seção “Opinião” do jornal La Nación, de Buenos Aires, e reproduzido por INFOR-MET e Reconquista-popular.

Petróleo

Alguém ainda acredita que venderam o petróleo porque éramos ineficientes?

Por Lucrecia Martel

Se nos esquecemos por um momento de que o cinema é, sobretudo, uma visão do mundo, veremos que, como qualquer indústria, sobrevivem os produtos de empresas com grandes concentração de capital, que dispõem de enormes somas de dinheiro, que são donas dos sistemas de distribuição e exibição – como é o caso das multisalas, que surgiram nos anos 90 e que têm amplo acesso à promoção televisiva.

Isso é para os que, quando se fala sobre cota de tela ou de subsídios para o cinema nacional, saem em defesa da vulnerável liberdade de mercado. Quem, com dois dedos à frente, acredita que existe liberdade de mercado quando a disponibilidade de capital é tão restringida? Ainda existe alguém que acredita que os serviços privatizados são agora melhores e mais baratos? Ou que vendemos nosso petróleo porque éramos ineficientes? Existe alguém que acredite, verdadeiramente, que uma medida de proteção à indústria argentina é um agravante à liberdade de mercado? Este país foi zona livre de comércio durante uma década. O resultado são 21 milhões de pobres.

O cinema argentino está protegido por subsídios e agora também o estará pela cota de tela, que teremos que ir melhorando.

Não está distante à aparição de centenas de técnicos, diretores, produtores, atores e filmes argentinos o diferencial de que em um país exista um Instituto de Cinema e uma Lei de Cinema. Existe vontade por parte do Estado de apoiar essa indústria. O cinema não é somente o resultado do esforço individual de expressão.

Em qualquer encontro internacional de cinema se destaca, sem espanto algum, que a indústria argentina está muito ativa em um país em que muitas indústrias estão em perigo. Não está ativa somente pelos dois ou três filmes argentinos que, felizmente, este ano superaram, ou pouco falta para que o façam, um milhão de espectadores, mas também porque há outros vinte filmes que esperam seu lançamento e outras tantas em produção.

No cinema se reproduz um fenômeno que conhecemos muito bem na Argentina: a contínua ameaça contra as pequenas e médias empresas, assim como contra o trabalho artesanal.

Acredito que os anos 90 tenham sido um grande espetáculo que mostrou como um Estado deixa de planejar o desenvolvimento do país e é arrasado por aqueles que detém o poder econômico. Qual é o benefício para um país com pequenas e médias empresas? Entre outras coisas, é que esse é o setor que mais reinveste, que registra menos evasão impositiva e que, proporcionalmente, mais recolhe impostos, o que está mais próximo aos conflitos da sociedade, o que se instala regionalmente, o que mais necessita de educação terceirizada e universitária para seu desenvolvimento e, por isso mesmo, o que mais tem interesse na educação pública.

O cinema argentino que compete agora internacionalmente é fruto de pequenas e médias empresas argentinas, formadas, em sua maioria, por filhos, netos, sobrinhos, filhos de amigos de muitos que lerão essa nota. Ainda não é um cinema exclusivamente nas mãos de duas ou três empresas vinculadas a grandes poderes financeiros ou com empresas multimídia. Por isso mesmo, é diverso em suas opiniões sobre o mundo e suas propostas estéticas, ainda que lhe falte incorporar mais setores sociais que possam se expresar. Nessa diversidade nem sempre é possível que surjam filmes massivos. O objetivo não é criar um cinema excluente: é próprio do que é diverso os diferentes alcances.

Com a cota de tela, o Estado abriu um terreno para que se desenvolva o cinema argentino. Esperamos que ele não se transforme em um bairro fechado.

***

A cota de tela – ou cuota de pantalla– é, por definição, o estabelecimento por parte do Estado argentino de uma quantidade obrigatória de filmes nacionais por sala em um período determinado.

Mais informações sobre as atuais condições em que se desenvolve o cinema argentino podem ser encontradas no site do Istituto Nacional de Cine y Artes Visuales (INCAA): www.incaa.gov.ar.

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