Por Camila Moraes
Entra em cartaz em São Paulo na próxima sexta-feira, 16 de setembro, um filme chileno que dá conta de algo mais do que dele mesmo. Um filme que mostra que há fôlego de público, no Brasil, para muitas produções latinas entrarem em cartaz ao mesmo tempo. Cada uma com seu estilo, e todas, de uma maneira geral, evidenciando a qualidade crescente do cinema da região.
Essa não é uma constatação difícil: basta perceber, por exemplo, que o afrancesado Reserva Cultural (onde esse filme chileno estreia) está atualmente exibindo, em metade de suas salas, dois filmes argentinos. Sem falar de outros cinemas, mostras não comerciais etc, apresentando títulos latinos. A constatação, apesar de não ser reveladora, é uma boa notícia, que vem reforçada pelo nascimento de distribuidoras independentes de cinema latino-americano – como é o caso da Tucumán Filmes (a que está comercializando esse chileno) e da Esfera Filmes (que distribuiu o mexicano “Cinco dias sem Nora”), ambas, talvez coincidentemente, sediadas no Rio de Janeiro. É decididamente uma perspectiva animadora.
Mas, agora, chega de mistério: o filme é “Ilusões óticas”, dirigido por Cristián Jiménez e que estreou no Brasil primeiro no Festival do Rio de 2010. Uma história de múltiplos personagens que se cruzam na fria e úmida Valdívia, cidade onde o diretor nasceu e à qual ele dedicou este que é seu primeiro longa-metragem. Essa citação não vem à toa. Valdívia – ou talvez qualquer cidade de pouca luz, com escassos momentos de sol para destacar as cores das pessoas, das paisagens e dos objetos – é tão personagem quanto os demais personagens, todos desiludidos (des-ilusão, finalmente, dá a tom emocional de uma ilusão ótica) e apáticos, cinzas como o lugar onde vivem.
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