
Digitar relatórios de autópsias?
O “outro” fatídico 11 de setembro, o chileno, que na verdade aconteceu primeiro, mas foi superado na memória coletiva pelo ataque às Torres Gêmeas de Nova York, está no único filme latino-americano selecionado para a competição oficial do 67. Festival de Veneza, que acontece de 1 a, exatamente, 11 de setembro deste ano.
Trata-se de “Post Mortem”, de Pablo Larrain, o terceiro longa-metragem do diretor santiaguino que abocanhou fama com “Tony Manero” – uma co-produção entre Chile o Brasil lançada em 2008 na Quinzena de Realizadores de Cannes e que foi premiada em vários festivais, como o de Rotterdam.
“Post Mortem”, coproduzido entre Chile, Alemanha e México, retrata Mario (Alfredo Castro, ator que também protagonizou “Tony Manero”), um homem de 55 anos que trabalha em um necrotério digitando relatórios de autopsias. Em meio ao golpe de 1973 ao governo de esquerda de Salvador Allende, ele sonha com sua vizinha, Nancy, uma bailarina de cabaré, que desaparece no dia 11 de setembro daquele ano. Mario passa a buscar sua “lover to be” desesperadamente. E contar mais seria estragar o filme.
A obra foi definida pelo próprio diretor como uma “história de amor no Chile no durante o golpe de Estado de 1973”. “Inicialmente, era uma irmã de ‘Tony Manero’, mas terminou sendo só uma prima”, relatou ao jornal chileno La Tercera.
Para ele, que nasceu em 1976 e debutou no cinema com “Fuga” em 2005, “competir em Veneza abre portas para divulgar o filme no exterior”. No Chile, seu aguardado novo trabalho, o primeiro filme chileno a competir pelo Leão de Ouro desde 1990, estreia comercialmente dia 25 de novembro em Santiago. Em 90, quem representou o país no festival italiano foi “La luna del espejo”, de Silvio Caiozzi.