NÃO PERCA

  • O QUÊ: Série "Fronteras" - 8 directores cruzando límites
  • Ano: 2011
  • Quando: desde dezembro
  • Onde: No site da TNT
  • Por quê: Para conhecer diferentes lugares do mundo através do olhar de novo consagrados diretores latino-americanos - incluindo a peruana Claudia Llosa, cujo "Loxoro" será apresentado em fevereiro no Festival de Berlim.
  • Mais: Um projeto da TNT apresentado pelo cineasta argentino Juan José Campanella.

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Começo:
21 de Agosto de 2010
Fim:
29 de Novembro de 2010
Local:
Memorial da América Latina
Endereço:
Google Map
www.memorial.sp.gov.br, São Paulo, São Paulo, Brazil
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Os cursos de cinema começaram a pipocar nos grandes centros urbanos do Brasil, como Rio de Janeiro e São Paulo, ultrapassando inclusive as fronteiras das universidades. Ótima notícia. Dessa onda, fazem parte iniciativas de difusão da produção cinematográfica latina, que, com sua crescente visibilidade (agradecemos ao Oscar 2010, por exemplo, pela preferência…), virou um tema caro aos interessados em, pelo menos, filmes.

O Memorial da América Latina oferece constantemente cursos de extensão universitária (não só a “universitários”, vale lembrar, mas ao público em geral) que têm o objetivo de fazer circular a expressão cultural latino-americana. Na agenda que vem por aí está um curso de “Literatura e Cinema: Intersecções”, que analisará sete longas-metragens latinos cujos roteiros foram adaptados de livros (dos nove títulos que fazem parte do programa).

São 10 aulas que acontecem de 21 de agosto a 27 de novembro, aos sábados, ministradas por Mari Sugai e Sueli Dutra , especialistas em audiovisual e literatura, respectivamente. A dupla conversou com o La Latina para contar detalhes do curso e mais. Confiram.

Falem um pouco da trajetória de vocês separadamente e como chegaram à ideia de dar esse curso juntas.

Mari: Sou graduada em Cinema pela FAAP e há 10 anos trabalho como produtora ligada ao audiovisual (curtas, médias, longas e tv) e de eventos culturais (mostras e festivais de cinema). Após participar de um programa de estágio em TV no Japão, decidi retomar os estudos e finalizei no início de julho deste ano um mestrado pela Universidade de São Paulo (FFLCH – USP), com pesquisa sobre o filme Encontros e desencontros, dirigido por Sofia Coppola, e a modernização e a ocidentalização de Tóquio mostradas pelo filme. Conheci a Sueli, que é de Letras, em uma das disciplinas que cursei durante o mestrado. Juntas, decidimos criar um curso que unisse minha área e a dela, e fizemos a proposta ao Memorial da América Latina, que topou.

Sueli: Sou completamente apaixonada pela literatura. Depois da graduação, fiz vários cursos na FFLCH e em outras instituições sobre cinema, que foram fundamentais pra pensar na literatura e cinema, ali, juntinhos. As formas narrativas e distinção no jeito de contar as histórias me encantam, seja na forma do documento ou ficção. Isso sem contar o conteúdo histórico, social, cultural que são levantados por ambas as artes. Um mar sem fim de coisas maravilhosas a serem desfrutadas. Foi num dos cursos da FFLCH que conheci a Mari. Daí pra conversa sobre o curso, foi um pulo!

O curso abordará as relações entre literatura e cinema. O foco é a produção cultural da América Latina? O que vocês destacariam do programa que criaram?

Mari: Sim, o objetivo do curso é analisar nove filmes que foram realizados a partir de obras literárias. Deles, sete são produções latinas e nacionais adaptadas de autores latinos e brasileiros, esse é o foco principal. Decidimos dedicar uma aula somente ao diretor brasileiro Fernando Meirelles, que coincidentemente, até o momento, só realizou filmes a partir de livros ou peças teatrais. Um ponto que fizemos questão de utilizar como critério foi que tanto os filmes quanto os livros (produzidos fora do país) tivessem sido lançados no Brasil, porque como não exibiremos todos os filmes e nem detalharemos os livros, os participantes do curso que quiserem ver ou ler as obras, terão acesso integral a elas. Considero que o destaque do programa talvez seja o tema, pois até onde tenho conhecimento, é inédito. Certamente há cursos que analisam adaptações cinematográficas, mas não encontrei nenhum que fosse sobre produções e autores latinos. Considero esse o ponto mais importante.

Sueli: Pensar numa proposta para o Memorial da América Latina nos fez refletir sobre as produções latinas para além do Brasil. Pelo que verificamos, não há muitos trabalhos sobre os filmes latinos, principalmente sobre adaptações. Pensamos em levantar filmes razoavelmente acessíveis, obras interessantes de autores relevantes.

Qual a importância, na opinião de vocês, de cursos como esse, que de alguma maneira ajudam a formar o espectador brasileiro em relação ao cinema da região?

Mari: Enquanto fazíamos a escolha das obras, o mais difícil foi encontrar produções cinematográficas latinas. Uma parte das adaptações foi realizada por filmes norte-americanas, mas nós insistimos nas produções realizados por latinos, mesmo que não realizadas pelo país de origem do autor do livro. Não estávamos procurando por uma versão blockbuster e felizmente conseguimos um programa satisfatório do curso. Pela dificuldade de trânsito dos filmes latinos na América Latina, creio que esta será uma boa oportunidade para que os participantes revejam algumas obras mais conhecidas e conheçam outras novas, além de incentivá-los a procurá-las.

Sueli: No meu ponto de vista, mais que formar o espectador, gostaríamos de fomentar a curiosidade, a vontade de ler e assistir mais obras latinas. A produção literária e cinematográfica não é nada desprezível e tem muita coisa boa. É vasculhar e aproveitar!

Que público vocês esperam para as aulas?

Mari: Acho que o público será bem diverso, desde participantes que conhecem pouco até os que já possuem algum conhecimento sobre literatura ou então sobre cinema. Não há pré-requisito, portanto, creio que essa diversidade será saudável para todos. Vale lembrar que o curso não será sobre como escrever um livro ou roteiro e sim analisar ambas as linguagens. O aluno terá oportunidade de fazer no final das aulas um exercício prático, para que possa experimentar, mesmo que brevemente, como funciona essa transposição das palavras em imagens em movimento.

Sueli: Não há pré-requisitos quanto à formação das pessoas. Como o curso é de extensão universitária, acreditamos que boa parte seja de estudantes, mas também de pessoas interessadas em conversar sobre o tema e compreender do imbricamento destas artes a partir das adaptações.

O que vocês opinam sobre a circulação do cinema latino, tanto aqui como em outros países?

Mari: Como disse anteriormente, não compreendo por que não há circulação de obras audiovisuais entre os países latinos. No Brasil, conhecemos pouco ou quase nada das outras cinematografias. Argentina e México têm mais presença aqui, mas não conhecemos filmes de outros países. Algumas oportunidades vê-los existem em mostras e festivais, como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o Festival de Cinema Latino de São Paulo, que aconteceu recentemente, e algumas outras. Mas, a exemplo da circulação comercial dos filmes argentinos, que funciona bem, por que não abrir para os demais países? Produção há. Talvez esteja na hora de criar um Mercosul Audiovisual, algum sistema ou instituição que permita o acesso a toda a diversidade cinematográfica da região.

Sueli: Esse foi um nos nossos limites: a escolha dos filmes latinos, que deveriam ser razoavelmente acessíveis e não necessariamente comerciais. A gente não encontra filmes latinos em qualquer locadora. Quanto à exibição, sabemos bem que eles são exibidos em algumas salas mais ‘alternativas’, sobretudo em regiões de São Paulo. O mesmo problema, por sinal, ocorre também com os filmes brasileiros…

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Fruto de uma genuína paixão pela força cultural que emana da América Latina, o blog La Latina é um espaço dedicado ao cinema latino-americano e aos demais braços da produção audiovisual dessa região, que comprende as Américas do Sul e Central e o México. O primeiro criado com esse escopo no Brasil e em português.

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