Quarta, 23 de Julho de 2008
Daniel Burman homenageado em Veneza

O diretor argentino Daniel Burman (da trilogia Esperando o messias, O abraço partidoDireito de família) receberá, na próxima edição do Festival de Veneza, o prêmio Robert Bresson, dado pelo Vaticano, pelo valor humanístico de seus filmes. 

Burman é o primeiro realizador latino a receber esse prêmio, criado em 2000 pelo Papa João Paulo II e que já foi entregue a cineastas como Giuseppe Tomatore, Manoel de Oliveira, Theo Angelopoulos e Wim Wenders.

Logo após receber a homenagem, o diretor argentino apresentará seu último filme, El nido vacío, na 56ª edição do Festival de Cinema de San Sebastián. Esse, que é o sexto longa metragem de Burman, fez bastante sucesso na Argentina, contabilizando mais de 300 mil espectadores, considerada uma cifra alta para produções nacionais.

Via LatAm Cinema.

 
   
 Segunda, 21 de Julho de 2008
América Latina no Festival de Locarno

O Festival de Locarno, na Suíça, divulgou há alguns dias a seleção de filmes para sua próxima edição – que acontece de 6 a 16.08 –, avisando que o cinema latino terá destaque especial.

Na competição oficial, são três os títulos com participação de países da América Latina: Dioses, segundo filme do diretor peruano Josué Méndez (foto) - autor de Días de Santiago -, que tem estréia mundial nesta ocasião; Parque Vía, do mexicano Enrique Rivero; e Um amor de perdição, produção luso-brasileira do português Mario Barroso.

A presença latina se intensifica com a seção Cineastas do Presente, que inclui Alicia en el país, do Chile, La orilla que se abisma e El sueño del perro, da Argentina, e Filmefobia, do Brasil em co-produção com a Alemanha. Já do jurado fazem parte nomes como a produtora Bertha Navarro, o cineasta brasileiro Cao Guimarães e a cineasta argentina Albertina Carri.

Novos talentos

O programa Open Door, que integra o festival suíço, tem o objetivo de apoiar jovens realizadores e produtores para que terminem seus filmes e fechem acordos de co-produção na Europa. Foram 12 os projetos selecionados de 10 países latino-americanos.

Dessa seleção, fazem parte Concordia, da argentina Celina Murga, Corazón de piedra, do peruano Miguel Barreda Delgado, e O homen das multidões, do realizador brasileiro Marcelo Gomes – além de três filmes do Chile, que representam a presença mais significativa de um só país no evento, e de produções da Colômbia, República Dominicana, México, Guatemala etc.

Saiba mais no site oficial do Festival de Locarno.

 Quarta, 16 de Julho de 2008
Entrevista: Tomi Streiff, do New World Cinema Series

Os Estados Unidos verão em 2009 o nascimento de uma nova iniciativa dirigida a distribuir filmes “não norte-americanos” nas suas salas comerciais. Com o nome de New World Cinema Series (NWCS), Matson Films e Belladonna Productions têm previsto estrear seis filmes latino-americanos independentes em 20 cidades dos Estados Unidos. Confira a entrevista de Tomi Streiff, responsável pela seleção de películas, ao portal LatAm Cinema

Como nasceu o NWCS?

Desta iniciativa participam três partes. Em Nova York, está a Belladonna Films, que é uma produtora de cinema e tem vasta experiência no campo de publicidade. Hoje em dia, é necessário muito dinheiro para lançar um filme, e a novidade neste caso é que utilizaremos patrocínios para financiar esses lançamentos. Por isso, o que é interessante do NWCS é que não será necessário recuperar o investimento inicial para divulgar o lançamento dos filmes e distribuir os lucros. Neste caso, 60% irão para o cinema, como é habitual, e os 40% restantes serão divididos em partes iguais entre o distribuidor e o produtor. Desde a primeira entrada vendida.

Belladonna é a parte financeira. Também tem a Matson Films, que é uma distribuidora que sabe muito bem como distribuir cinema alternativo nos Estados Unidos. Neste momento, as grandes empresas estão investindo em média uns 25 milhões de dólares na publicidade dos filmes independentes. Por isso, se você não tem esse dinheiro, tem que saber se mover bem e criar eventos como este, onde vai haver seis filmes passando por distintas cidades.

Que tipo de filmes vocês estão buscando?

A terceira parte deste esquema somos nós, a Streiffschuss Films, que, graças à experiência em ambos mundos, vai servir de conexão entre os Estados Unidos e a América Latina. Com respeito à seleção, vai ser muito aberta, e nela pode haver desde documentários até filmes de ficção. Como requisitos indispensáveis, as fitas têm que ter mais de 70 minutos, não mais de quatro anos e não podem ter sido estreadas nem distribuídas comercialmente nos Estados Unidos, ainda que sim valorizemos positivamente participações em festivais. Em termos gerais, buscamos obras que sejam autênticas, diferentes e com uma dimensão global. Não queremos nos centrar em um cinema local que seja difícil de entender no resto do mundo.

A que público se dirigem?

Pensamos tanto num público interessado em filmes de “art house” como num público latino que não pode ver seu cinema nos Estados Unidos. Por isso, vamos estar presentes em cidades que tenham uma comunidade hispânica importante, mas também onde exista um público interessado em ver cinema de outras partes do mundo. De todas as maneiras, é importante destacar que os filmes serão estreados em salas comerciais, não em centros culturais ou museus.

Quanto tempo os filmes ficarão em cartaz?

Temos planejado lançar um novo filme a cada dois meses. Os filmes serão estreados em umas 20 cidades, onde permanecerão em média dois meses. Em outras palavras, a estréia será em duas ou três cidades ao mesmo tempo. A idéia é que o diretor esteja presente para apresentar seu filme na maior quantidade de cidades possível.

Quando termina o processo de seleção?

Estamos no começo da etapa de seleção. O primeiro filme será estreado em janeiro de 2009, assim que o processo de seleção vai até o mês de agosto. Logo será feita a seleção final, e começará a ser movimento todo o mecanismo comercial do projeto.

A experiência continua em 2010?

Esperemos que sim. Provavelmente será com filmes do leste europeu. De todas as maneiras, tudo vai depender de como funciona este primeiro ciclo. De repente, o ciclo sul-americano funciona bem e repetimos a experiência.

 Terça, 15 de Julho de 2008
Cine latino em curtas IX

Festival de Gramado anuncia sua programação para agosto e os três projetos latino-americanos que serão apoiados pelo World Cinema Fund.

:: 36º Festival de Gramado confirma seleção oficial de filmes nacionais e estrangeiros
A 36ª edição do Festival de Gramado já tem data e programação confirmadas: o evento, que exibirá o filme Dias e noites (foto), de Beto Souza, na abertura, acontece de 10 a 16.08 com seis filmes brasileiros e cinco estrangeiros na competição principal.

Da seleção nacional fazem parte Juventude, de Domingos Oliveira, Nome próprio, de Murilo Salles, Vingança, de Paulo Pons, A festa da menina morta, de Matheus Nachtergaele, Netto e o domador de cavalos, de Tabajara Ruas, e Pachamama, de Eryk Rocha. Já entre os importados estão Perro come perro, de Carlos Moreno (Colômbia), Muñeca, de Sebastián Arrau (Chile), Por sus propios ojos, de Liliana Paolinelli (Argentina), Cochochi, de Israel Cardenas e Laura Guzmán (México), e Mindelo, de Alexis Tsafas (Cabo Verde).

Os homenageados desta edição são os brasileiros Walmor Chagas, Júlio Bressane e Renato Aragão e o cineasta cubano Julio García Espinosa. O Festival de Gramado organiza também a mostra competitiva de curtas metragens, uma mostra não-competitiva e uma seleção especial de curtas gaúchos.

:: World Cinema Fund apoiará um brasileiro, um argentino e um colombiano
O fundo alemão de apoio à produção cinematográfica selecionou a produção brasileira Filmofobia, primeiro longa de ficção de Kiko Goifman, que receberá 25 mil euros para finalizar a sua edição. Os outros dois selecionados latinos num total de 110 inscritos foram o argentino Medianeras, de Gustavo Taretto, e o colombiano La sociedad del semáforo, de Rubén Mendoza, que serão beneficiados cada um com 50 mil euros. A lista também conta com o libanês Every day is a holiday, de Dima El-Horr, e o turco Pandora's Box, de Yesim Ustaoglu, que receberão, respectivamente, 50 e 25 mil euros.

 Segunda, 14 de Julho de 2008
Festival Latino de SP premia Jogo de cena e Estrellas

Terminou neste domingo (13.07) mais uma edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que reuniu mais de 16 mil pessoas interessadas no cinema feito do México à Argentina nas exibições de 125 filmes, quatro mesas de debate, cinco oficinas, dois lançamentos de livros e uma aula magna. A programação, apesar de ter incluído poucos títulos realmente recentes dos países participantes, apresentou bons filmes ao longo de sete dias de evento.

Jogo de cena
, de Eduardo Coutinho (foto), foi o vencedor do festival segundo o público (e do prêmio da crítica no Festival de Paulínia, que aconteceu quase que em paralelo). Já de acordo com o júri especializado, quem levou foi o filme argentino Estrellas, de Federico León e Marcos Martinez. O curta Habitación, do argentino Juan Carlos Zapata, da Universidad del Cine (FUC), foi o escolhido pela crítica na mostra paralela de filmes produzidos por estudantes das escolas de cinema latino-americanas filiadas à CILECT (International Association of Film and Television Schools). O mexicano Hamac Caziim, de Jerónimo Barriga, levou a menção honrosa.

Além da homenagem a Fernando Solanas na noite de encerramento – ocasião em que foi exibido seu Tangos, o exílio de Gardel –, alguns filmes receberam menção honrosa do júri de críticos, presidido pela jornalista Maria do Rosário Caetano. Entre eles, estão o documentário Serras de desordem, de Andrea Tonacci, e Una novia errante, de Ana Katz.

 Quinta, 10 de Julho de 2008
Alice Braga em júri do Festival de Veneza

A atriz brasileira Alice Braga, que ficou conhecida a partir de suas atuações em Cidade de Deus (Fernando Meirelles) e Cidade Baixa (Sérgio Machado), foi convidada para fazer parte do júri Luigi di Laurentiis do Festival de Veneza – que premia o melhor filme de um cineasta estreante e terá como presidente o cineasta da Tunísia Abdellatif Kechiche, de O segredo do grão (La graine et le mulet).

Alice é atualmente a mais cotada atriz brasileira em Hollywood, atuando em filmes de grande porte internacional como Eu sou a lenda, de Francis Lawrence, e, recentemente, Blindness, De Fernando Meirelles - que estréia no Brasil em 12.09.

O Festival de Veneza, um dos três mais importantes da Europa ao lado de Cannes e Berlim, celebra este ano sua 65ª edição, que acontecerá de 27.08 a 06.09. O júri da competição oficial será comandado pelo cineasta alemão Wim Wenders, e o filme Burn after reading, de Ethan e Joel Coen, abrirá esta edição.

 Terça, 08 de Julho de 2008
Ingrid cinematográfica

A gente já sabia que a notícia ia pipocar, mas que tenha sido tão rápido e com tantos detalhes definidos não deixa de surpreender: o resgate épico da ex-senadora colombiana Ingrid Betancourt junto com outros 14 seqüestrados pelas FARC vai virar filme nas mãos do cineasta colombiano – radicado nos Estados Unidos – Simon Brand (Unknown e Paraíso Travel). 

Veja entrevista anterior de Simon Brand à Latina aqui.

A chamada “Operación Jaque” vai para o cinema com o apoio do canal RCN Televisión, que irá supervisar as filmagens realizadas pela produtora de Brand ainda não se sabe se na França, nos Estados Unidos ou na Colômbia.

Realmente, era de se esperar. O episódio do resgate tem tanto de cinematográfico, que Ingrid já foi convidada pelo presidente do Festival de Veneza, Paolo Baratta, e pelo prefeito da cidade, Massimo Cacciari, para comparecer à 65ª edição do evento, que será realizado entre 27.08 e 06.09. Ingrid, por sinal, já está cotada para receber o próximo Nobel da Paz. E viva a sociedade do espetáculo.

The kidnapping of Ingrid Betancourt

Ingrid é tema de um documentário realizado em maio de 2002 pelos cineastas norte-americanos Victoria Bruce e Karin Hayes. Na época, por causa o seqüestro que aconteceu em fevereiro do mesmo ano, a dupla transformou o filme que ia fazer sobre sua campanha eleitoral para a presidência da Colômbia em um registro da luta da família de Ingrid pela sua liberação pelas FARC. Saiba mais no site da produtora responsável

Por Camila Moraes

(Via La Tercera)

 Segunda, 07 de Julho de 2008
Cine latino em curtas VIII

Latinos selecionados para o festival de Torono, o filme brasileiro Estômago no exterior e os vencedores do Cinesul no Rio de Janeiro. Confira!

:: Festival de Toronto anuncia filmes selecionados; de Cannes, vêm os latinos Trapero e Walter Salles

Evento importante no circuito dos grandes festivais internacionais de cinema, o Festival de Toronto já confirmou os primeiros títulos que farão parte da sua 34ª edição, que acontece de 04 a 13.09. Entre os latinos, estarão presentes vários argentinos: Los paranoicos (seção Discovery), de Gabriel Medina, Leonera (seção Contemporary World Cinema), de Pablo Trapero, Liverpool (seção Visions), de Lisandro Alonso, e Salamandra (seção Discovery), de Pablo Agüero – além de uma co-produção com o Uruguai, intitulada Uruguay Acné, de Fernando Veroj (seção Contemporary World Cinema). Do Brasil, comparece Linha de passe, de Walter Salles e Daniela Thomas, que esteve em maio em Cannes, assim como Leonera, de Trapero. Acompanhe novidades no site do festival.

:: Estômago representa o Brasil no exterior

Estômago, de Marcos Jorge, vai abrir abrir a Mostra Première Brazil no MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York), dia 17.07. O filme, protagonizado pelo ator João Miguel (foto) irá representar o Brasil em mais dois eventos internacionais: 25º Festival de Cinema de Jerusalém, de 10 a 19.07, em Israel, e, na África do Sul, no Festival Internacional de Cinema de Durban, de 23.07 a 03.08.

:: Mexicanos levam os prêmios do Cinesul 

Os mexicanos levaram os prêmios máximos do 15º Cinesul, encerrado em 29.06. Na categoria longa-metragem de ficção, Partes usadas (Aarón Fernández Lesur) saiu vencedor e, na de documentários, quem levou foi Bajo Juaréz: la ciudad devorando a sus hijas (Alejandra Sánchez Orozco y José Antonio Cordero). Ao longo de 11 dias, o festival exibiu 260 produções de 16 países ibero-americanos. Segundo a organização do evento, seis mil espectadores assistiram aos filmes selecionados este ano. No prêmio do júri popular, importante dentro do festival, que tem o objetivo de formar público, o vencedor foi o filme colombiano Buscando a Miguel (Juan Fischer).

 Sexta, 04 de Julho de 2008
Paulínia e cinema: festival é inaugurado neste sábado com filmes inéditos

Paulínia, cidade pequena localizada a 118 quilômetros de São Paulo, quer virar referência nacional na área de cinema. Seu projeto de entrar no mapa da indústria cinematográfica do país, fomentando projetos e gerando recursos para a cidade, está centrado na criação do Pólo Magia do Cinema e agora promete decolar com a inauguração do I Festival de Cinema de Paulínia. 

O evento, que acontece de 05 a 12.07, vem importante e cheio de boas notícias, como a ótima seleção de filmes brasileiros, que inclui estréias de inéditos como Feliz natal, o primeiro longa do ator Selton Mello como diretor.

No destaque da programação, está a mostra competitiva, que irá premiar o vencedor com o Troféu Menina de Ouro, além de R$ 60 mil, e inclui seis filmes: o já mencionado Feliz natal, de Selton Mello, Encarnação do demônio, o novo filme do Zé do Caixão (que não fazia um filme havia mais de 30 anos), Onde andará Dulce Veiga, o novo filme de Guilherme de Almeida Prado, Pequenas histórias, de Helvécio Ratton, Alucinados, de Roberto Santucci, e Os desafinados, de Walter Lima Júnior, que tem como tema a bossa nova. Tem ainda uma competição só de documentários e duas seções de curtas-metragens (uma delas só para realizadores da região).

O Teatro Municipal da cidade (foto), criado pelo arquiteto Sola, também responsável pela Sala São Paulo e pela reforma da Estação da Luz, será inaugurado especialmente para a ocasião. Lá, Fernanda Montenegro abre o evento com a pré-estréia do filme O mistério do samba, de Lula Buarque de Hollanda e Carol Jabor, documentário sobre a Velha Guarda da Portela, que teve sua estréia na Mostra Cinéma de la Plage de Cannes cancelada por conta da chuva. Já a festa de encerramento será comandada no mesmo lugar por Claudia Raia e Miguel Falabella, com a exibição do filme Era uma vez, de Breno Silveira.

O corpo de jurados é composto pelo presidente da Mostra Internacional de São Paulo, Leon Cakoff, pelos cineastas Marcelo Machado e Tata Amaral, pelo ator Ney Latorraca, pelo diretor de programação do Cinemark, Ricardo Szperling, por João Nunes, do jornal Correio Popular, Silvia Rabello, do Grupo de Cinema Labocine, pelo jornalista e roteirista Hermes Leal, da Revista de Cinema e por Vera Scatena, sócia-diretora da Moviecenter.

Em paralelo

As atividades complementares do festival incluem um concurso de roteiro com R$ 15 mil para cada um dos três projetos vencedores. Há ainda outros prêmios, que totalizam R$ 650 mil e serão distribuídos em 41 categorias. Para os interessados, debates com as equipes dos filmes serão realizados diariamente. E tema ainda a mostra paralela, com sete títulos no “novo cinema brasileiro”, exibidos sempre às 16h. Entre eles: Polaróides urbanas, de Miguel Fallabela, Chega de saudade, de Laís Bodanzky, e Jogo de cena, de Eduardo Coutinho.

Veja a programação completa e saiba mais no site do Pólo Magia do Cinema.

Por Antonia Kee

 Sexta, 04 de Julho de 2008
Novo trailer de Blindness

Já está circulando pela internet um novo trailer de Blindness, a adaptação para o cinema de Fernando Meirelles do livro Ensaio sobre a cegueira, do Nobel José Saramago.

Nesta versão, mais concentrada no argumento da história, fica claro o papel de destaque de Julianne Moore, a mulher do médico que é a única a enxergar, e os de personagens como os dos atores Gael García Bernal (o chefe do quarto três, que comanda os estupros) e Mark Ruffalo (o médico).

O filme, que abriu este ano o festival de Cannes, além de ter participado da competição oficial, tem estréia prevista para 12.09 no Brasil e, no Canadá, dia 16.09, no Toronto Film Festival. 

 Quinta, 03 de Julho de 2008
La mujer sin cabeza estréia na Flip

O terceiro e mais recente filme de Lucrecia Martel, roteirista e diretora de O pântano e A menina santa, estréia no Brasil em sessão especial e gratuita (basta levar um quilo de alimento não-perecível para doação) da FLIP, a Festa Literária Internacional de Parati, neste sábado (05.07). A exibição é parte da seção FLIP ETC e acontece na Casa de Cultura às 23h.

No dia anterior, a sexta-feira (04.07), Lucrecia participa de uma mesa de discussão sobre ficções ao lado do escritor João Gilberto Noll, com mediação de Samuel Titan Jr às 11h45 (evento pago). Em comum, a argentina e o brasileiro têm o estilo não linear de escrever ficção, além da construção de uma atmosfera sufocante e metafórica, essencial ao desenvolvimento da história.

Lucrecia

Um dos grandes nomes do cinema contemporâneo argentino, a roteirista e diretora Lucrecia Martel (1966, Salta, Argentina) estreou com o curta-metragem Rey muerto, em 1995. Em seguida, os longas O pântano (2001) e A menina santa (2004) a consagraram pela atmosfera sufocante, a atenção particular aos efeitos sonoros da narrativa e a câmera, sempre muito próxima dos personagens. O pântano garantiu a Lucrecia o prêmio de melhor direção no Festival de Havana de 2001 e A menina santa foi indicado à palma de ouro em Cannes em 2004.

FLIP ETC

A FLIP ETC é uma seleção de eventos de cinema, teatro, artes plásticas e fotografia que ocorre em paralelo à programação da Tenda dos Autores. A entrada é franca, mediante entrega de um 1kg de alimento não perecível por pessoa, na entrada de cada evento. Todo alimento arrecadado será doado para a Associação de Caridade São Vicente de Paula e para a Casa Escola, ambas entidades sediadas em Paraty. Acesse a página "programação" e confira a grade completa do FLIP ETC.

Mais informações sobre a Flip: www.flip.org.br.

 Quarta, 02 de Julho de 2008
Protagonista de El violín morre aos 83 anos

Faleceu nesta segunda-feira, 30.06, o músico mexicano Ángel Tavira, protagonista do premiado filme El violín, de Francisco Vargas, também mexicano. A causa da morte aos 83 anos foi falência renal, segundo afirmaram seus parentes em nota da agência EFE.

El violín (2005) conta a história de Don Plutarco (Ángel Tavira), um violinista camponês manco, cujo filho é perseguido pelo governo federal do México por fazer parte da guerrilha deste país. Rodado em branco e preto, o filme ganhou muitos prêmios em festivais, além de ter sido distribuído para vários países, incluindo o Brasil – apesar de estar longe de ser uma produção massiva.

Entre os prêmios está o melhor ator na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes 2006 para Tavira. O ator, que deixa 12 filhos e foi casado duas vezes, era descendente de Juan Bartola Tavira, de quem herdou o gosto pela música, o que o levou a tocar o violino aos seis anos.

O violinista, que participou em 2004 do documentário Tierra caliente, também de Francisco Vargas, perdeu a mão direita aos 13 anos em um acidente, mas seguiu atuando como músico, dirigindo o grupo Hermanos Tavira Band.

 Terça, 01 de Julho de 2008
Argumento de En la cama anda popular

Parece que Matías Bize detectou no ar uma história que muita gente andava querendo contar. O cineasta chileno lançou em 2005 seu premiado En la cama (foto), uma co-produção Chile-Alemanha de 85 minutos, dirigida por ele com roteiro escrito por Julio Rojas.

Filmado em um quarto de hotel, o filme narra a noite de um casal de desconhecidos que passa uma noite juntos – argumento que atraiu, em um primeiro momento, o colombiano Gustavo Nieto Roa, que lançou este ano seu Entre sábanas, feito na Colômbia com um ator colombiano (Marlon Moreno) e uma atriz mexicana (Karina Mora). Aparentemente, Gustavo teve alguns embates com Matías e seu produtor pela semelhança entre as histórias, mas seguiu adiante e filmou também Entre lençóis, a versão brasileira de Entre sábanas, que poderá ganhar também um remake norte-americano no futuro.

Quem também se comoveu com o encontro casual de um homem e uma mulher foi Julio Medem, diretor de Tierra, Los amantes del círculo polar, Lucía y el sexo e, recentemente, Caótica Ana. O espanhol também já anunciou seu remake, que terá Elena Anaya (Lucía y el sexo, Hable com ella) como a mulher que passa a noite com um desconhecido russo no quarto de um hotel em Roma.

Por Camila Moraes

 Segunda, 30 de Junho de 2008
Colômbia tem três estréias nacionais em julho

Polvo de ángel, El ángel del acordeón (foto) y Yo soy otro são os três filmes colombianos cujas estréias estão previstas para o mês de julho.

A onda de títulos nacionais começa dia 04.07 com Polvo de ángel, uma co-produção Colômbia-México, dirigida pelo mexicano Oscar Blancarte (veja o trailer clicando no site oficial do filme).



Uma semana mais tarde é a vez de El ángel del acordeón (trailer acima), a história de jovens talentos de vallenato na costa atlântica da Colômbia, que é a primeira obra de María Camila Lizarazo, produzida pela CMO Producciones.

Por fim, dia 25.07 chega às salas Yo soy otro (trailer acima), filme de ficção científica realizado pelo documentarista Oscar Campo, de Cali.

Em 2008, a estimativa da Direção de Cinematografia do Ministério de Cultura colombiano é estrear 18 filmes.

Via LatAm Cinema.

 Sexta, 27 de Junho de 2008
Cinema latino aos montes e grátis em São Paulo

Firmando-se como um dos principais festivais de cinema latino no Brasil, o Festival Latino Americano de São Paulo anuncia sua 3ª edição, que acontece de 7 a 13 de julho com sede no Memorial da América Latina, com todas as entradas às sessões de cinema gratuitas.

O gancho deste ano é a comemoração dos 40 anos do clássico do cineasta cubano Tomáz Gutierrez Alea, Memórias do subdesenvolvimento (foto), realizado a partir do livro homônimo – escrito por Edmundo Desnoes e que será lançado oficialmente no Brasil pelo Memorial junto com o festival.

Fernando Solanas é o grande homenageado desta edição. O argentino, um dos cineastas mais importantes de seu país e até hoje responsável por importantes documentários de denúncia, é a atração da aula magna, que acontece em 12.07, às 15h, e também de uma sessão da programação dedicada à sua obra, com oito filmes: Argentina latente (2007), Os filhos de Fierro (1972), A hora dos fornos (1968), Memória do saqueio (2004), A nuvem (1998), Sur (1988), Tangos, o exílio de Gardel (1985) e A viagem (1992).

No total, a agenda inclui 121 obras, organizadas em oito seções. Na mostra contemporânea – que é destaque, porque renova o tradicional discurso ao redor do cinema latino, sempre tão ligado aos anos 60 –, são 35 títulos, incluindo sucessos de outros festivais. PVC-1, do colombiano Spiros Stathoulopoulos, é um exemplo: premiadíssimo e feito em plano contínuo, traz o desespero de uma mulher que tem um colar-bomba preso em seu pescoço e é uma história baseada num evento real. Outros longas esperados são De quem é a cinta-liga, o segundo filme do cantor argentino Fito Páez, o mexicano Partes usadas, de Aarón Fernández, o cubano A noite dos inocentes, além de outras produções do Brasil (destaque para a seção “Desdobramento do Cinema Novo”), Argentina, Bolívia, México, Uruguai, Haiti etc.

Pra completar, o festival exibe uma sessão só com as pré-estréias dos dez primeiros documentários da série “Os Latino-Americanos”, desenvolvida pela TAL – Televisão América Latina. E também promove quatro mesas-redondas e cinco oficinas que têm o objetivo de gerar debate sobre temas atuais e pertinentes, além de apoiar a formação de novos realizadores. Para participar, é preciso fazer inscrição prévia (saiba mais no site do Memorial, abaixo).

Segundo a organização do evento: “O Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo tem por objetivo discutir a singularidade estética da cinematografia latino-americana. É uma realização do Memorial da América Latina, da Secretaria Estadual de Relações Institucionais de São Paulo e da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, com apoio da Cinemateca Brasileira, Cinusp Paulo Emílio e Sesc São Paulo. Apóiam o evento ainda a TAL – Televisión America Latina, FIA – Fundación Investigación Audiovisual, CILECT - Centre International de Liaison des Écoles de Cinéma et Telévision e Consulado Geral do México em São Paulo. A organização é da Associação do Audiovisual”.

Informações, programação completa e contatos no site do Memorial. Clique aqui.

 Quarta, 25 de Junho de 2008
Lima anuncia 12º festival com Vargas Llosa

12ª edição do Festival de Lima já tem data e presidente definidos: começa dia 07.08 e terá o peruano Mario Vargas Llosa na cabeça do júri. O escritor também será homenageado pelo evento com uma grande exibição de filmes inspirados na sua obra, como La fiesta del chivo (Luis Llosa), Pantaleón y las visitadoras (Francisco Lombardi) e La ciudad y los perros (Francisco Lombardi).

O cartaz (acima), ainda em fase de aprovação, é novamente da agência de publicidade Toronja e aproveita a boa onda gastronômica do Peru no exterior. Diz o slogan: “Lo más sabroso de Latinoamérica” (o mais saboroso da América Latina). No começo de julho, também começam a ser rodados na rede de cinema Cineplanet e no CCPUCP (Centro Cultural da Pontifícia Universidade Católica do Peru) os spots criados pelos ganhadores do último concurso do Conacine (Conselho Nacional de Cinematografia do Peru), Fabrizio Aguilar e Frank Pérez-Garland, que trabalharam a mesma idéia da relação com a culinária local.

Aguardemos mais novidades!

 Segunda, 23 de Junho de 2008
Latina no Portal del Cine Latinoamericano

O cinema latino está em pleno período de expansão – apesar das dificuldades que ainda prejudicam a regularidade de produção, a formação de público e outros avanços do cinema como indústria. Como não poderia deixar de ser, com esse crescimento, surgem também novas fontes de informação sobre o tema.

Uma das mais importantes, criada nos últimos meses de 2006, é o Portal del Cine y del Audiovisual Latinoamericano y Caribeño, uma iniciativa da Fundación del Nuevo Cine Latinoamericano, de Cuba, e importante referência sobre novos filmes, acervo, instituições, produções, festivais etc. O portal comemorou em 2008 também um importante crescimento de seu público: 1.017.956 visitas, com uma média de 50 mil visitantes únicos este mês – muito mais que as 53.143 de quando estreou.

Acolhido como projeto pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) e apoiado pelo Cubarte, o Ministério de Cultura de Cuba, e o grupo Cineastas en Red, o portal tem objetivo de se fortalecer como plataforma para o desenvolvimento e o conhecimento do cinema latino, além de espaço de intercâmbio entre realizadores e usuário interessados no universo audiovisual.

Entre os blogs especializados no mesmo tema, o site destaca a Latina, além de outras páginas importantes sobre o audiovisual da América Latina. Se ainda não conhece, confira!

 Quinta, 19 de Junho de 2008
15º Cinesul, com programação grátis de cinema latino, começa no Rio

Começou nesta quarta-feira, 18.06, mais uma edição do Cinesul, no Rio de Janeiro. Com o sobrenome de “Festival Ibero-Americano de Cinema e Vídeo”, o evento é uma reunião de mostras – todas com entrada grátis – destinadas à formação de público para o cinema latino fora do padrão hollywoodiano.

Em seu 15º oferecimento, o Cinesul vem com 240 filmes na programação, que rola até dia 29.06. Destes, 80 estão na competição oficial, enquanto os outros 160 longas, médias e curtas-metragens do festival fazem parte das dez mostras paralelas. Produções recentes de países como Argentina, Brasil, Espanha, Portugal, México, Venezuela, Chile e Cuba serão exibidos em cinco locais da cidade: o Centro Cultural Banco do Brasil, o Centro Cultural Correios, Casa França-Brasil, Cinemateca do MAM e no Ponto Cine, a única sala de cinema de Guadalupe, zona norte do Rio.

Segundo Leonardo Gavina, organizador do evento, a principal inovação deste ano é a aceitação de filmes em qualquer formato. Espécie de vitrine democrática do cinema latino-americano, o Cinesul foi criado em 1994 pela pesquisadora e professora Ângela José Nascimento.

Veja mais informações e a programação do festival no site oficial.

 Quarta, 18 de Junho de 2008
Entrevista: Fernando Meirelles fala sobre Blindness e mais

Para complementar o artigo postado há pouco na Latina e originalmente publicado na revista colombiana Arcadia sobre Blindness, uma entrevista exclusiva com Fernando Meirelles feita por e-mail em abril. Por blocos, sobre o novo filme, a carreira, cinema brasileiro etc.

Deixem seus comentários!

SOBRE BLINDNESS

Como foi o convite para filmar Blindness? Sabemos da história do seu interesse, anos atrás, e depois do retorno dessa chance a você através do produtor Niv Fichman. Mas, você sabe por que queriam que você o dirigisse?

Perguntei para o Niv, mas nunca entendi bem a razão dele.  Acho que o fato de eu ter lido a história no original em português deve ter pesado na decisão. Sei lá.

O que mais te encanta na história escrita por Saramago e qual foi a maior dificuldade de fazer o filme?

Me encanta o fato de ser uma história com muitas portas de entradas, que possibilita muitas leituras, no nível psicológico, sociológico, filosófico. É também uma história que acontece muito mais no mundo emocional do que no mundo sensorial. Difícil, portanto. Esse desafio foi também o que me atraiu.

As obras de Gabriel García Márquez, o Nobel colombiano, sempre enfrentaram enormes dificuldades ao serem passadas para o cinema, seja pelo próprio ou por um roteirista. Qual a grande dificuldade que você sentiu, se é que sentiu, ao adaptar este clássico de Saramago? Alguma vez, antes de topar o projeto, você pensou em não fazê-lo?

Sempre achei os livros do Garcia Marques melhor que as adaptações para cinema. Neste meu caso pode não ser diferente. O Ensaio sobre a cegueira não é uma história de fácil adaptação. Quem escreveu o roteiro foi o canadense Don McKellar. Acho que fez um excelente trabalho nos seis anos que levou adaptando. Espero que o filme esteja à altura do roteiro que está a altura do livro. Durante o processo muitas vezes me arrependi de ter entrado. Achei várias vezes que nunca daria certo. Ainda não sei se deu.

Aparentemente, pelos seus comentários no blog de Blindness e algumas notas da imprensa, o filme passou (ou está passando) por uma complicada fase de edição, com muitos cortes. A que se deve essa dificuldade? Você teve autonomia, ao lado do editor, para definir a cara do filme? Houve maiores dificuldades por se tratar de uma co-produção entre vários países? Quais foram?

Por contrato e de fato o corte final é meu. Não há nenhuma imposição de nada, mas foi um longo processo de montagem. Depois de uma primeira versão pronta comecei a mostrá-lo para amigos e audiências de testes e constatei que o filme estava excessivamente duro. Mais pesado do que deveria. Na montagem final acho que consegui manter a dureza da história, mas deixando o filme mais “assistível”. Esses acertos fazem parte do processo.

Você criou um blog para falar so filme abertamente na internet, provavelmente para economizar alguns papos individuais com jornalistas. Foi complicado o trato com a imprensa ou, em geral, é muito o assédio? Você se preocupou com algum risco de que determinadas informações vazassem?

Escrevi o blog para me distrair durante as filmagens e também para colocar certa perspectiva no trabalho tentando ver um pouco de fora o que estava acontecendo. Se isso me economizar tempo de entrevistas no lançamento melhor ainda. Este momento de promoção é o mais difícil para mim. Em geral minha cabeça já está em outro lugar, mas é preciso ficar falando do passado. É um pouco como fazer um discurso em um funeral diante do caixão. Nada do que se possa dizer vai trazer o morto de volta.

Qual sua opinião geral sobre a pirataria?

A mesma que a sua sobre um batedor de carteiras.


SOBRE CARREIRA

Depois de Cidade de Deus, como diretor de cinema, você tem se dedicado a realizar projetos de terceiros. Por quê?

Como assim? CDD era uma adaptação de um livro assim como os outros (poucos) filmes que fiz... Talvez alguma hora eu faça um projeto inteiramente original.

Como CDD, além do óbvio (que são os prêmios e a repercussão mundial que teve), mudou sua vida?

CDD me abriu as portas do mercado internacional. Hoje é mais fácil financiar projetos, fazer parcerias etc. Facilitou minha vida.

Qual foi a pior crítica que fizeram ao filme e o que você achou dela? E o melhor elogio, qual foi?

No Brasil disseram que o filme parecia um grande comercial de TV. Evidentemente não concordo. Dos elogios prefiro não falar. São sempre como um afago no ego e um ego “afagado” é sempre perigoso.

Depois da sua experiência de cinco longas, o que você prefere (e se não prefere, por quê): câmara na mão ou mega produção?

Mais do que do resultado, o que gosto a respeito de câmera na mão é a velocidade da filmagem. Em Blindness não usamos muito câmera na mão, mas em compensação filmamos muitas cenas com 3 câmeras ao mesmo tempo o que acaba acelerando a filmagem da mesma maneira.  Esperar é chato. Dá sono. Esfria.

Você tem projetos pessoais que pensa realizar em breve? Fale de um mais concreto, o que puder comentar.

Vamos rodar uma minisérie chamada Som e fúria para a TV Globo entre julho e outubro. É uma história de uma companhia Shakespeariana. Alem de ser ótimo texto vai me dar uma boa desculpa para não participar de todos os eventos de promoção de Blindness que eu teria que participar se eu estivesse inteiramente disponível.

Muitos jornalistas, sobretudo internacionais, quando falam de você, fazem referência a um “estilo”, o “estilo do brasileiro Fernando Meirelles”. Que estilo é esse, no seu ponto de vista?

Acho que este tal estilo, se é que existe, deveria ser chamado de “estilo do Fernando e do César Charlone”, o fotógrafo e parceiro com quem trabalho. Nós nunca decupamos as cenas, passeamos pelos cenários imaginando como rodar cada cena, mas as idéias e marcações são muito fluídas. Mudamos as decisões e enquadramentos o tempo todo, ao sabor do que está acontecendo no dia. Esta certa improvisação na filmagem acontece também com os atores que estão sempre livres para se movimentarem e trocarem partes do texto se isso os ajudar a parecerem mais verdadeiros. Raramento corto uma cena na filmagem, costumamos rodar sempre os textos de ponta a ponta, isso cria uma certa organicidade quero acreditar.

Pergunta curta, mas profunda: por que cinema, para você?

Minha opção quando jovem foi pela arquitetura, mas acabei dirigindo filmes. Nunca planejei muito esta carreira. Foi acontecendo. Acho que seria feliz também se trabalhasse com reflorestamento.

Como você vê o avanço das tecnologias de video para internet e da nova relação do espectador com esse tipo de entretenimento. Você acredita que isso afeta o cinema (tradicional)? Tem interesse em se envolver, de alguma maneira, com essa área?

Na O2 Filmes, produtora da qual sou sócio, temos um departamento que chamamos de “digital”. Fazemos filmes para internet e telefones. Acho que se trata de um formato diferente, com propósitos diferentes e não deve afetar o cinema. Ao mesmo tempo em que estas mídias simples proliferam, o cinema se sofistica em relação à qualidade de imagem, de som, de projeção. São dois caminhos complementares. Sou daqueles que acredita que o escuro de uma sala, ao lado de outras pessoas, te coloca num estado entre o sonho e a vigília e te transporta para um mundo que uma tela de computador ainda não é capaz de transportar.  Veja bem: “ainda não é capaz”.   Mas no fundo não importa nada este negócio de tecnologia. Shakespeare escrevia com uma pena e não sei se algum autor que usa Final Draft (programa de roteiro) já o igualou em seu mergulho na alma humana.


SOBRE CINEMA BRASILEIRO

Parece que 2008 será um bom ano para o cinema do Brasil. Vários filmes estão se destacando em festivais, há casos de destaque na bilheteria do país, como Tropa de elite e Meu nome não é Johnny, e muito expectativa ao redor de Cannes, com seu Blindness e com outros filmes também. Falando sobre cinema brasileiro, como você vê a atual fase da indústria nacional? Você tem críticas aos estímulos estatais ao audiovisual (leis de cinema)?

Acho que estamos colhendo hoje o que foi plantado com a criação das leis de incentivo à cultura e ao áudio visual no governo FHC. Com um fluxo de dinheiro constante para produção a indústria brasileira está mais madura do que nunca. Todos os anos surgem novos diretores e autores, o público responde a isso e sinto que entramos num círculo virtuoso.


SOBRE CINEMA COLOMBIANO

Por se tratar de uma entrevista para revista colombiana de cultura: você tem alguma familiaridade com filmes colombianos? Viu algum ou poderia opinar sobre o cinema da Colômbia?

Infelizmente é difícil filmes colombianos chegarem ao Brasil. Conheço A vendedora de rosas, de Victor Gaviria, que adoro e acho que tem alguma relação com meu Cidade de Deus. Me falaram muito do filme Gamin, que parece ter também relação com CDD. Um precursor talvez. Tenho interesse em assistir o documentário Ciudadano Escobar do Sérgio Cabrera sobre o qual li a respeito, mas acho que terei que ir até a Colômbia para assisti-lo.

Foto: Alexandre Ermel.

 Terça, 17 de Junho de 2008
Quem é o cego?*

O cineasta brasileiro Fernando Meirelles se arriscou a levar ao cinema a grande obra do escritor português José Saramago, Ensaio sobre a cegueira. Em Cannes, onde o filme foi apresentado recentemente pela primeira vez, as reações foram em boa parte negativas. Mas o que se deve concluir quando o dono da história gosta do resultado, e muito?

Sobre a arte de converter livros em filmes, alguém disse uma vez que enquanto o desafio da literatura é transformar o significativo em imagens, o do cinema é transformar imagens em algo significativo. Aí está, possivelmente, a origem da dificuldade de adaptar as obras de Gabriel García Márquez. O mesmo risco parece correr Ensaio sobre a cegueira, do português José Saramago, levada ao cinema pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus). O filme, uma megaprodução realizada entre Brasil, Canadá e Japão com um orçamento de 25 milhões de dólares e que recebeu o nome de Blindness, foi exibido pela primeira vez na 61ª edição do Festival de Cannes, celebrado na Riviera Francesa de 14 a 25 de maio.

Antes de conhecer as reações de Cannes, disse o próprio Meirelles: “Os livros de García Márquez sempre me pareceram melhores que suas adaptações ao cinema. Neste meu caso, pode ser que não seja diferente. Ensaio sobre a cegueira não é uma história de fácil adaptação. Durante o processo, muitas vezes me arrependi de ter começado este projeto, por acreditar que não funcionaria. Ainda não sei se funcinou”. A resposta hoje, depois do festival francês e apesar das críticas negativas, é que, sim, funcionou. E Meirelles sabe disso. A questão será decidir em que esfera – se na pública o na privada – o veredicto tem mais valor.

Uma das maiores preocupações do diretor brasileiro em relação ao seu filme, segundo os comentários feitos por ele no blog que criou especialmente para falar de Blindness (blogdeblindness.blogspot.com), era o momento de mostrá-lo a Saramago, quem por muitos anos se negou a vender os direitos de adaptação, afirmando que “o cinema destrói a imaginação”. “Tremo ao pensar neste dia”, declarou. Pois o dia chegou, em um pequeno cinema de Lisboa, especialmente reservado para a ocasião. A reação de Saramago? Não podia haver crítica melhor.

Escreveu Meirelles para o jornal brasileiro Folha de São Paulo sobre o momento em que se acenderam as luzes da sala: “Saramago olhava a tela sem reação. ‘Saiu tudo mal’, pensei. Toquei seu braço suavemente e lhe disse que ele não tinha que dizer nada naquele momento, mas, então, com uma voz embargada, ele me disse pausadamente: ‘Fernando, me sinto tão feliz hoje, ao terminar de ver este filme, como quando terminei de escrever o Ensaio sobre a cegueira’”.

A seqüência do texto de Meirelles fala de lágrimas, nos rostos de um e de outro, e termina com uma pequena lição de Saramago de como encarar as críticas, através de uma história sobre um senhor que caminha puxando um burro montado por um menino. Uma pessoa vê essa situação e acha absurdo que o menino seja carregado, enquanto o senhor tem que caminhar. Os dois invertem suas posições e um pedestre se queixa ao ver que o senhor está confortavelmente sentado sobre o burro, enquanto o menino tem que caminhar. Finalmente, os dois decidem carregar o burro nas costas, até que outro pedestre observa como são estúpidos os dois por carregar o animal. Enfim, o velho decide voltar a posição original. “Isso é o que eu faço sempre”, finaliza o escritor.

Metáfora dos males do século XX

Fernando Meirelles disse que se preparou “para a colisão” quando Blindness foi convidado a abrir o 61º Festival de Cannes, do qual também participou na competição oficial (uma exceção concedida pelo evento, conhecido por não permitir que os filmes de abertura participem da competição). E o choque não demorou. “Metáfora dos males do século XX”, nas palavras de Meirelles, o filme conta a história de ma grande cidade não definida onde ocorre uma estranha epidemia de cegueira. Os primeiros doentes, personagens sem nome e quase sem história pessoal (como na novela de Saramago) são isolados por risco de contágio e devem viver por conta própria em uma sociedade de cegos na qual somente uma mulher consegue ver (interpretada por Juliane Moore), esposa do oftalmologista (Mark Ruffalo). O espaço deixado no livro para a imaginação do leitor (personagens sem passado, cidade anônima e a própria cegueira branca) é recriado no filme em momentos de escuridão e outros de branco total na tela, além de um som limpo e audível até os detalhes, ensinando, assim, como se afinam os demais sentidos dos personagens cegos.

Entre os que rechaçaram Ensaio sobre a cegueira está a revista inglesa Screen, cuja crítica escrita por Fionnula Halligan diz: “Meirelles parece lutar para encontrar um tom, e o filme perde tensão antes da escalada para entrar em um estranho sentimentalismo no ato final”. Uma das reações mais duras foi a da revista Variety, nas palavras de Justin Chang: “Impacto mínimo e excesso estilístico” no retrato do “caos pessoal e coletivo que resultaria se a humanidade perdesse o sentido da visão” e avaliou que o filme “raramente alcança a força visceral da prosa de Saramago”. Já o jornal francês Le Figaro afirma que o filme “prometia uma reflexão antes de se converter em uma metáfora de auto-destruição”.

No outro extremo, Saramago não foi o único a aplaudir Blindness (“Gostei muito, muito. Me emocionei algumas vezes”, disse em uma coletiva de imprensa em Lisboa). O crítico do jornal britânico The Guardian, Peter Bradshaw, afirmou em seu texto que Ensaio sobre a cegueira é um drama “com imagens soberbas e alucinantes do colapso urbano. É uma verdadeira espiral de horror, iluminada com delicadeza e humor. É cinema valoroso, magistral”. No diário norte-americano Los Angeles Times, Kenneth Turan também aprovou o filme: “Na realidade, só um diretor com a particular combinação de talentos de Meirelles poderia levar com sucesso à tela do cinema a mistura de desespero e esperança do livro”, escreveu.

Fazendo as contas, Meirelles contabiliza “80% de críticas negativas”. Mas não deixa de defender sua obra: “Tem muita experimentação neste filme. Está claro que é mais fácil seguir um caminho conhecido. Mas, por alguma razão, eu sempre me coloco em situações de risco”, disse a um jornal brasileiro. E finaliza o balanço com a que foi sua grande lição ao estrear Blindness em Cannes: “Se você tem um filme polêmico, não o leve a um festival”. Sobretudo – se poderia acrescentar – quando ele está feito para espectadores reais e não para críticos.

Por Camila Moraes

* Este artigo foi publicado originalmente na revista colombiana Arcadia, em espanhol. Clique aqui para ler o texto original.