Confira as últimas notícias (rápidas) relacionadas ao cinema latino:
ROTTERDAM-2009
Reconhecido por sua atenção ao cinema independente, especialmente às cinematografias independentes, o Festival de Cinema de Roterdã, que acontece de 21 de janeiro a 1 de fevereiro, anunciou quatro participantes latinos em sua seção CineMart – o mercado de co-produção do evento, que seleciona 36 filmes anualmente. São eles: “3”, do uruguaio Pablo Stoll, “Girimunho”, dos brasileiros Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina (co-produção com a Alemanha), “Galloping mind”, do belga Wim Vandekeybus em co-produção com a brasileira Ginga Eleven Filmes, “Un mundo misterioso”, do argentino Rodrigo Moreno, e “La tercera orilla del río”, da argentina Celina Murga. Fique de olho na cobertura exclusiva da Latina durante o Festival de Rotterdam.
CANNES-2009
Isabelle Huppert (foto), a atriz francesa projetada por filmes como “Violette Noziere” (Claude Chabrol) e “A professora de piano” (Michael Haneke), presidirá o júri da 62ª edição do Festival de Cannes, que acontece entre os dias 13 e 24 de maio. Huppert já participou de Cannes, graças às suas atuações, 25 vezes.
CINEMA BRASILEIRO
A comédia romântica brasileira “Se eu fosse você 2”, de Daniel Filho, foi lançada na última sexta-feira (2 de janeiro) e alcançou, em seu primeiro fim de semana de exibição, 570 mil espectadores (com 330 cópias distribuídas). É o recorde da bilheteria nacional nos últimos 14 anos. “Carandiru” (2003), de Hector Babenco, é o filme que tinha a maior cifra correspondente até então: 468 mil espectadores na abertura. “Se eu fosse você”, o primeiro filme, foi lançado em 2006, quando alcançou 3,6 milhões de espectadores no total (com 197 cópias).
FILMES ONLINE
Anote a dica: o site The Authors, operando em ainda versão beta, oferece ao cinéfilo que já perdeu os pudores injustificados de alugar filme online um catálogo muito além dos blockbusters, que inclui títulos do cinema latino. Por no máximo cinco dólares cobrados no cartão de crédito, você pode assistir (sem baixar ao computador, porém) títulos como o argentino “Água”, de Verónica Chen. Nas duas primeiras páginas da seção Library, há outros três títulos argentinos e um mexicano (não perca também a lista de obras do cinema mundial). E, para terminar, o melhor: o site também oferece filmes de graça. O ótimo documentário “Mondovino”, do norte-americano que cresceu na França e se radicou no Brasil Jonathan Nossiter, é uma das opções do momento. (E, para quem ainda não conhece, Butaca.tv é outro portal de "aluguel" de filmes, desta vez especializado em cinema latino. Visite!)
La Latina enfim retoma suas atividades, com notícias, entrevistas e artigos sobre o nosso cinema, e contando com a colaboração e as dicas de interessados e entusiastas. Aqui estamos, com boas novidades para o novo ano, incluindo uma cobertura exclusiva, direta e in loco do Festival Internacional de Cinema de Rotterdam
(aí vai a primeira novidade). Acompanhem!
O diretor mexicano Alberto Cortés (Amor a la vuelta de la esquina, Quinceañera y Corazón salvaje) passou para a ficção em seu novo longa, Corazón del tiempo, a vida cotidiana de uma comunidade zapatista em Chiapas, sudeste do México. Segundo suas declarações, seu objetivo maior com este filme é mostrar uma experiência social desconhecida, "cujo êxito ou fracasso", ele acredita, depende em grande arte dos rumos que tomará seu país. Cortés apresentou pela primeira vez o filme, de orçamento modesto e grande importância histórica, na secção Horizontes Latinos do Festival de Cinema de San Sebastián, em setembro do ano passado. No circuito comercial, ainda não há datas de estréia.
Corazón del tiempo é interpretado por membros das diversas comunidades zapatistas de Chiapas; gente que nunca havia visto uma câmera diante de si e dentre os quais não há nenhum insurgente ou integrante do EZLN (Exército Zapatista Nacional), que muitas vezes esteve em conflitos com o exército e os paramilitares mexicanos. Homens e mulheres que vivem nas terras mais férteis da região e pertencem a diversas etnias indígenas mostram seus anseios e rostos sem portar o passa-montanha, gorro que lhes cobre os olhos e a face e se tornou símbolo de sua luta com a vinda em público do porta-voz zapatista Subcomandante Marcos. Além de símbolo de uma luta, o passa-montanha é também um ícone que resgata os mitos do sudeste mexicano, traduzindo séculos de resistência indígena social e cultural.
A trama gira em torno de Sonia, uma jovem comprometida com um rapaz da comunidade fictícia Esperanza de San Pedro, mas que se apaixona por um rebelde do exercito zapatista e decide não se submeter a um casamento arranjado pela família. Sua determinação se transforma em um problema de toda a comunidade. Por um lado, as tradições indígenas são questionadas e, por outro, requer-se a intervenção dos próprios insurgentes, que terão que admitir Sonia em suas trincheiras.
O diretor nega que esteja dando uma visão idílica da região e explica que considerava “muito importante” aproximar-se de uma realidade quase desconhecida até mesmo para quem vive no México. “Conhecemos mais a parte política, sobretudo a atividade do Subcomandante Marcos, mas não como se vive o zapatismo sem passa-montanhas. As pessoas esperam violência quando se fala de Chiapas, mas essa gente leva quinze anos vivendo uma experiência incrível, única no mundo, e aprendeu a não responder a provocações dos militares, porque aí tudo desanda", declarou o diretor à agência Efe.
O zapatismo surgiu em 1994 como contraponto às reformas desastrosas do neoliberalismo e a entrada do México no Nafta, que não foi capaz de extinguir muros e vigílias agressivas na fronteira com os Estados Unidos. De lá para cá, os zapatistas tornaram-se conhecidos pela luta que portava valores universais como: paz, justiça e liberdade.
Se os números do cinema no Brasil não foram exatamente promissores em 2008 (veja post anterior), os do Chile realmente deixam muito a desejar. Pouco mais de 20 filmes estrearam nas salas do país este ano. O site Chileaudiovisual, que publica dados oficiais, ainda não divulgou as cifras de público total, mas consta – segundo post do site peruano Cinencuentro – que o filme de maior bilheteria alcançou pouco mais de 210 mil espectadores.
31 minutos, o vencedor, é um filme baseado numa série de televisão para crianças. Em seguida, vem El regalo, de Cristián Galaz e Andrea Ugalde, que foi assistido por 200 mil. O resto das estréias não ultrapassou os 100 mil, inclusive La buena vida, de Andrés Wood (Machuca), que estreou mundialmente em outubro no Festival do Rio e foram selecionados para competir ao prêmio de melhor produção sul-americana nos prêmios Goya, da Espanha, no começo de 2009.
O mesmo post do Cinencuentro suscita então a pergunta: com tudo o que custa o processo de distribuição e exibição de um filme, ele tem realmente que estrear em uma sala de cinema? O autor acredita que não, e como saída fala das estréias de filmes online. No próprio Chile, com sua cinematografia ainda mais incipiente que, por exemplo, a da Argentina ou a do Brasil, esse pensamento já está se difundindo, com a iniciativa concreta do lançamento, em 09.04 do ano que vem, de Tanto tiempo, de Claudio Polgati.
Trata-se de uma produção com atores desconhecidos, que quer estrear online e nada mais e, além disso, é herdeira de casos parecidos (filmes lançados na internet), como The princess of Nebraska, de Wayne Wang, que estreou na seção Screening Room do You Tube (veja o trailer aqui). De repente, seja realmente esta a saída para o problema da exibição, no Chile ou onde seja: ampliar a oferta de telas e perder o medo de deixar as salas de cinema. Na produção, já superamos – em parte – a dependência da película.
A produção cinematográfica brasileira é cada vez mais constante e, portanto, melhor desde a criação da lei nacional de incentivo, há mais de 10 anos. Mas o público, ainda que tenha hoje uma percepção mais positiva de seu próprio cinema do que 10 anos atrás, parece que não anda respondendo à altura.
Em 2008, mesmo que o público total tenha se mantido o mesmo de 2007 (89 milhões de pessoas foram às salas), caiu a quantidade de espectadores de filmes nacionais. Os números exatos só serão divulgados no começo de janeiro pelo Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas, mas já se sabe que a cifra está abaixo dos 9% de 2007.
Há sete anos, o público de filmes estrangeiros se mantém estável, ao redor de 80 milhões (a exceção é 2004, que alcançou 100 milhões). A participação de filmes nacionais em exibição caiu em 2008, ficando entre 9% e 10%, número menor do que os 11,5% de 2007 e os 11% de 2006. As salas de cinema aumentaram em 3,6%, com 119 novas salas.
A expectativa, como sempre, é que a coisa melhore em 2009, ano que já tem garantida a distribuição de 41 longas nacionais.
Foto: cena de Feliz Natal, de Selton Mello, que estreou como diretor em 2008.
Pode ser que o adeus ao ano velho e as tentativas de juntar energias para o ano novo sejam tão irreais como qualquer conto de Natal, mas que fazer planos para uma nova vida nessa época do ano, todo mundo faz, não há dúvida. Pois acrescente “ver mais filmes latinos (incluindo os brasileiros)” na sua listinha, de preferência antes de “juntar dinheiro” ou “emagrecer”, que a promessa vale a pena.
Para ajudar seu projeto 2009, a Latina preparou uma listinha das estréias de filmes latinos (a relação dos brasileiros você confere direto aqui) no Brasil. É claro que as informações podem mudar – e oxalá a lista cresça, porque pelo que foi confirmado até agora, está minguada –, então fique de olho semana a semana nas novidades.
Aqui vão as boas novas do ano que vem até agora:
CAFÉ DE LOS MAESTROS (Café dos maestros), de Miguel Kohan (Argentina)
É provável que Gustavo Santaolalla, o compositor argentino que foi duas vezes oscarizado e que teve a brilhante idéia, antes dos Oscars, de lançar o Bajofondo, tenha se inspirado em Buena Vista Social Club, de Wim Wenders, ao decidir produzir esse filme. Não importa. Aqui a história é o tango, e o tango merece que todos entendamos de onde ele veio. Jogue-se nesse documentário (foto), que é pura Buenos Aires das antigas, com direito a saber quem são as figuras mestres por trás deste maravilhoso presente da Argentina ao mundo.
Estréia: 25.12.
EL NIDO VACÍO (Ninho vazio), de Daniel Burman (Argentina)
Pelo menos levando em consideração seus filmes, pode-se dizer que Daniel Burman é um “cara família”. Este filme representa uma mudança à trilogia anterior do diretor argentino, como, por exemplo, o abandono momentâneo de seu ator-fetiche Daniel Hendler, mas o tema maior continua vindo da esfera familiar. Seja como for, vale a pena ver: Burman consegue ser autor e ser comercial ao mesmo tempo. Sem falar, para os que se preocupam, que o filme ganhou vários prêmios festivais afora.
Estréia: 09.01.
TONY MANERO, de Pablo Larraín (Chile)
Sem dúvida, o chileno Pablo Larraín conseguiu um argumento curioso: um cara obcecado pelo personagem de John Travolta em Embalos de sábado à noite (Tony Manero) começa a cometer uma série de crimes, enquanto outros sósias de Manero são perseguidos pela polícia secreta em tempos de ditadura do Pinochet. O filme acaba de ganhar o Festival da Havana, é co-produção brasileira e também conseguiu seus vários troféus por aí (inclusive de melhor ator).
Estréia: 23.01.
CHE (O argentino), de Steven Soderbergh (Estados Unidos)
A primeira parte da saga de Che Guevara, na versão cinematográfica de Soderbergh, estréia separada da segunda (que chega em maio) no Brasil. Benicio del Toro, porto-riquenho que vive nos Estados Unidos desde quase sempre, é quem faz o papel do guerrilheiro argentino – e por ele ganhou, por exemplo, a melhor atuação masculina de Cannes 2008. Mas o que interessa mesmo é que, antes deste filme duplo (que é co-produção entre Estados Unidos, Espanha e França), não havia ficção sobre o Che no cinema. Uns gostam, outros não. O fato é que vale a pena ver.
Estréia: 20.02.
ARRÁNCAME LA VIDA (Arranca-me a vida), de Roberto Sneider (México)
O filme do mexicano Roberto Sneider flerta com o cubano Como água para chocolate, mas isso não chega a ser um problema (até porque Como água é bem simpático). Para quem gosta da combinação história de época, famílias em disputa e amores para toda a vida, é uma boa pedida.
Estréia: 27.02.
RUDO Y CURSI, de Carlos Cuarón (México)
Neste que é o primeiro filme de Carlos Cuarón sozinho na direção, brigam dois irmãos envolvidos com o universo do futebol profissional. Nele, atua novamente a dupla Gael García Bernal e Diego Luna, de Y tu mamá también (filme que Carlos escreveu junto com seu irmão Alfonso, que também o dirigiu).
Estréia: 20.03.
CHE – GUERRILHA, de Steven Soderbergh (Estados Unidos)
Aí vai a segunda parte da trajetória de Che na guerrilha latino-americana.
Estréia: em maio (ainda sem data).
A ILHA DA MORTE, de Wolney Oliveira (Brasil)
O diretor é brasileiro e atual diretor da Casa Amarela Eusélio Oliveira, em Fortaleza, mas o filme é uma co-produção entre Brasil, Cuba e Espanha. Além disso, a história acontece na Ilha, ou seja, em Cuba, onde o jovem Rodolfo sonhar ser um cineasta em tempos de pré-revolução. Abriu o 17º Festival de Cinema do Ceará, do qual Wolney é coordenador, e é inspirado na real trajetória dos estudantes da famosa escola de cinema e televisão de San Antonio de los Bãnos, lugar, mítico se não fosse tão verdadeiro, que representa boa parte do talento cinematográfico latino-americano.
Estréia: em maio (ainda sem data)
LA VENTANA, de Carlos Sorín (Argentina)
Historias mínimas e El perro fizeram do argentino Carlos Sorín um dos pilares mais interessantes do cinema argentino atual. Simples, poéticas e levemente bem humoradas, as histórias de Sorín merecem ser vistas. Essa relata o último dia da vida de Antonio, escritor de 80 anos que aguarda a visita de seu filho em sua fazenda no norte da Patagônia.
Tony Manero, o filme chileno que participou de várias competições em 2008, incluindo Cannes, e ganhou os troféus de melhor filme e melhor atuação masculina em Toronto, na Itália, foi o grande vencedor do 30º Festival de Havana, que aconteceu em Cuba entre os dias 02 e 12 de dezembro.
Lá, o segundo longa de Pablo Larraín (Fuga, 2006) também conquistou os prêmios de melhor filme e melhor ator para Alfredo Castro, que faz o papel de um homem de 50 anos obcecado com Tony Manero, o personagem de John Travolta e seus passos de dança no filme Embalos de sábado à noite. A partir de uma perspectiva pessoal, o filme aborda os horrores da ditadura de Augusto Pinochet.
Co-produção brasileira e distribuído pela Imovision, Tony Manero tem estréia prevista no Brasil para janeiro. Diretor e ator já confirmaram presença no lançamento. Veja o trailer abaixo.
O júri, encabeçado pelo realizador peruano Francisco Lombardi, premiou também o brasileiro Linha de passe, de Walter Salles e Daniela Thomas, no segundo lugar, e o cubano El cuerno de la abundancia, de Juan Carlos Tabío, no terceiro. Repetindo a conquista de Cannes este ano, a atriz brasileira Sandra Corveloni, de Linha de passe, foi premiada pela melhor atuação feminina.
O Coral (nome do troféu do Festival de Havana) de melhor direção foi para a argentina Albertina Carri, por La rabia, enquanto outro argentino, Pablo Trapero, levou o prêmio especial do júri por Leonera, que também ganhou por melhor direção de arte. Já os mexicanos Parque vía, de Enrique Rivero, e Desierto adentro, de Rodrigo Plá, ficaram com os troféus de melhor primeiro filme (dividido com os filmes brasileiros Mutum e Filmefobia) e fotografia, respectivamente.
Uma das novidades deste ano no festival foi a entrega do prêmio “Latinoamérica Primera Copia” de pós-produção para primeiros filmes. Levaram o uruguaio Gigante e o argentino Andrés no quiere dormir la siesta.
O polêmico presidente venezuelano está pronto para voltar ao cinema e à TV. Hugo Chávez, o personagem, será tema de dois novos documentários: o primeiro feito por Oliver Stone e o segundo, pelo chileno Marco Enríquez-Ominami. Ambos cineastas estão na fase de produção de seus filmes, que prometem lançar entre 2009 e 2010.
Enquanto o enfoque de Stone é tomar Chávez como parte de um contexto histórico que explicaria o ideal bolivariano de integração continental, Ominami pretende retratar Chávez num primeiro filme de um projeto maior, que engloba os demais líderes de esquerda da América do Sul. Aliás, projeto semelhante é o Renaissance, financiado pela Arte-France (produtora de tv e cinema franco-alemã), CNC (Centre National de la Cinématographie - França), da Yle (a maior emissora de TV pública da Finlândia) e RTBF (Bélgica) e que visa a analisar as figuras de Lula, Bachelet, Rafael Corrêa, Evo Morales e do próprio Chávez.
Voltando ao projeto de Stone, suas filmagens começaram junto às negociações de Chávez com as Farc pela entrega dos reféns, frustradas pela interferência do governo colombiano em dezembro de 2007. A exclusividade das filmagens era sua. "Nunca estive numa coisa assim. Estou orgulhoso de fazer parte disto", declarou Stone na ocasião à agência portuguesa Lusa. Veterano do Vietnã, ele questiona há muito as relações e políticas estadunidenses, e sua filmografia mostra títulos como Looking for Fidel e Comandante, sobre Fidel Castro, e Persona non grata, sobre o líder palestino Yasser Arafat. Em declaração recente à revista Variety, Stone definiu seu documentário atual, sem esconder suas preferências políticas: "É sobre Chávez e a renovação na América do Sul".
Já Marco Enríquez-Ominami buscou uma parceria com a produtora Cine TV France. O chileno define o “bolivarianismo” de Chávez como "um dos mais potentes já vistos na América do Sul nas últimas décadas". Ominami é filho de Marco Ominami, fundador do MRI (Movimento Revolucionario de Izquierda) e morto em confronto com militares em 1975, e tem grandes expectativas em relação ao seu trabalho: "Gostaria de somar ao projeto estas novas figuras que encarnam novos e antigos sonhos para mostrar os matizes das esquerdas latino-americanas", como disse ao jornal chileno La Tercera.
Santiago do Chile foi o lugar escolhido pelo famoso roteirista norte-americano Robert McKee para seu primeiro curso ministrado na América Latina. Entre os dias 25 e 28 de abril, McKee – que, segundo afirmam os números do seu currículo, já orientou mais de 40 mil profissionais de cinema – promete abordar desde os temas básicos da construção de uma história até conceitos mais avançados. O nome do seminário, que já tem inscrições abertas na internet, é Santiago Story. Gostou? Então corre pra reservar seu lugar: www.mckeestorychile.com.
Começa amanhã, 16.12, a segunda edição do Bahia Afro Film Festival, evento que nasceu na Casa de Cinema da Bahia, dirigida pelo cineasta Lázaro Faria, cujo objetivo é divulgar de integrar e promover discussões em torno da produção audiovisual nacional e internacional com o afro-descendente como tema principal.
Este ano, com atividades até o dia 21.12, o festival fará uma homenagem a Zumbi dos Palmares, promovendo uma reflexão em torno da data mais importante para o calendário afro- descendente no Brasil: os 120 anos da abolição da escravatura.
A iniciativa conta com o apoio da Fundação Cultural Palmares do Ministério da Cultura do Brasil, cuja proposta é fazer da cidade do Salvador da Bahia um pólo de cinema que dissemine a experiência e sabedoria africanas, dando ênfase que às experiências e influências da diáspora africana no mundo, o sincretismo resultante e sua resistência cultural. Como opina Lázaro Faria sobre a visibilidade e integração histórica da cidade com o negro "Foi aqui que a África foi reinventada", o cineasta dirigiu filmes como Orixás da Bahia, Mandinga em Manhattan e Cidade das mulheres.
Serão montadas oficinas, palestras, além de seminários e manifestações artísticas e culturais que resgatem e valorizem o cinema afro-descendente. Além disso, será disponibilizado para o público um acervo audiovisual na Casa de Cinema que irá abrigar mostras e exibições especiais durante todo o ano.
Estréia hoje, 12.12, nos cinemas da Colômbia mais um filme de ficção, que se somará aos 14 lançamentos em 2008 no país. Helena, de Jaime César Espinosa, foi rodada em Manizales, Antioquia, com atores, equipe e cenários da própria cidade. Na história, que recebeu apoio do Ministério de Cultura para sua fase de pós-produção, memória e esquecimento se enfrentam na tentativa desesperada de uma mulher lutando para ser salva pelo amor.
Segundo seus produtores, “Helena é um filme feito com recursos limitados, mas cheio de mistério e tratamentos visuais bastante arriscados: luz natural, improvisações, rigor de composição de quadro e trabalho a partir de criação de figuras e formas de organização sistemáticas dentro do plano, tempos mortos bastante rítmicos, exploração de espaços, economia das informações e algo maravilhoso: o emprego de atores profissionais e não famosos, que dão frescura e zero antecipação de gestos, reações e tensões. Helena busca construir atmosferas dando soltura às situações e diálogos”. Veja o trailer e saiba mais no site oficial do filme.
Já o documentário 16memorias, de Camilo Botero, estreou recentemente em salas especiais, depois de um longo processo de montagem e construção. Trata-se da recopilação de um material esquecido em arquivos por mais de 30 anos, que foi recuperado por Camilo para ser convertido em um documentário sobre a história de uma tradicional família do estado colombiano de Antioquia. 16 memorias resgata 80.000 pés de película que Mario Posada Ochoa registrou em 16 mm entre 1945 e 1971 na Colômbia, nos Estados e na Europa. Veja o trailer e outras informações no site do filme.
muito bom o trailer do 16 memórias, fiquei a fim de ver. o outro, nem tanto. já vi muito filme ruim que o trailer era nesse estilo. mas o mais importante, camila, é: parabéns pelo blog. mandou bem na idéia e está muito legal. diz uma coisa: qual a melhor forma de descobrir se e quando esses filmes vão entrar em cartaz no brasil? esses e outros, eu digo, porque pode ser útil para as nossas dicas culturais.
um beijo e boa sorte.
A revista argentina Haciendo Cine convida o público a participar de sua primeira edição de 2009, de janeiro e fevereiro. A tarefa é votar nos melhores de 2008 (entre os títulos que estrearam oficialmente na Argentina): filmes de destaque, atores e atrizes-revelação, surpresas e acontecimentos marcantes. Para isso, caso esteja interessado, complete o questionário abaixo e envie para redaccion@haciendocine.com.ar. Como prêmio, HC promete sortear 10 DVDs.
MELHOR FILME NACIONAL (argentino)
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
MELHOR DOCUMENTÁRIO
SURPRESA
DECEPÇÃO
SOPA OUTRA VEZ
MELHOR ATRIZ (nacional e internacional)
MELHOR ATOR (nacional e internacional)
MELHOR DIRETOR (nacional e internacional)
ATRIZ REVELAÇÃO (nacional e internacional)
ATOR REVELAÇÃO (nacional e internacional)
MELHOR PERSONAGEM
MELHOR CAPA HC (ver o site da revista)
MELHOR ACONTECIMENTO DO ANO (não filme)
MELHOR CENA DO ANO
FIGURA DO ANO
Ricardo Larraín, um dos cineastas mais importantes do Chile, é o responsável por uma iniciativa que presta homenagem ao cinema chileno recente. Estimulado pela Escuela de Cine de la Universidad Mayor e pela Cineteca Nacional, associadas para este projeto à editora Ocho Libros, Larraín acaba de publicar uma coleção de 10 roteiros de filmes chilenos pós-golpe de 1973.
Além de publicar os roteiros (o que por si só é um avanço), a excelente idéia permite aos interessados uma visão da produção cinematográfica chilena recente através de uma seleção de histórias que oscila entre a denúncia política, o final da ditadura e o período posterior, de revisão, o relato policial e a comédia.
Ausências sentidas, como relata o site peruano Cinencuentro, são os roteiros Amnesia (1994), de Gonzalo Justiniano, y de El chacotero sentimental (1999), de Cristián Galaz – ambos sucessos do cinema local.
Leia no jornal chileno El Mercurio uma entrevista com Ricardo Larraín sobre o projeto.
A primeira “Mostra Luta” surge para afirmar um dos direitos mais básicos do ser humano: o direito à comunicação. De 01 a 06.12, em Campinas, no interior do estado de São Paulo, muitos sem-voz falarão, através de vídeos, sobre sua realidade, sonhos e lutas: a luta dos sem-terra, dos sem-teto, dos sem-trabalho, a luta contra a privatização das nossas riquezas, pela diversidade sexual e pelo acesso à arte e cultura, a luta operária e estudantil, a luta antimanicomial, enfim, a luta geral pela sobrevivência.
Os organizadores da mostra e produtores relacionados mostram o desejo de que o evento seja, em si, uma resposta popular aos maiores grupos de comunicação do Brasil, estabelecidos pelas famílias Civita, Marinho, Frias, Saad, Abravanel e Sirotsky, responsáveis respectivamente pelo Grupo Abril, Organizações Roberto Marinho-Rede Globo, Grupo Folha da Mnahã (de São Paulo), Bandeirantes, SBT e RBS, o maior império de comunicação do sul do Brasil.
Toda a informação produzida e retransmitida por eles chega aos 184 milhões de habitantes do país. Quase sem fiscalização, tais grupos concentram em suas mãos um poder gigantesco de manipulação, contrariando a própria legislação federal e constantemente estão a criminalizar as lutas dos movimentos sociais e distorcer a realidade vivida pelos trabalhadores. É com esse poder que formam a opinião pública, tratando, em geral, as manifestações populares como casos de polícia. Daí a militância eletrônica que se revela pelas brigadas audiovisuais de coletivos independentes ou como braços de antigas e já estabelecidas lutas sociais.
O documentário Nem um minuto de silêncio: fora Syngenta do Brasil foi produzido de forma independente pela Brigada de Audiovisual da Via Campesina Brasil. Com este primeiro filme, camponeses e camponesas, acampados e acampadas, assentados e assentados, todos moradores da periferia rural brasileira, começam a se organizar para produzir um contraponto audiovisual à deturpação e violência engendrada pelas transnacionais e pelos representantes do agronegócio. Uma violência que é legitimada e defendida pela grande mídia - através de suas novelas e telejornais - e por cineastas subjugados à lógica comercial.
O documentário analisa os acontecimentos que levaram ao assassinato em outubro de 2007 do camponês Valmir Mota Keno no interior do estado do Paraná, por uma milícia armada contratada pela transnacional Syngenta Seeds. Keno era integrante do MST e já vinha sofrendo ameaças de morte.
O objetivo deste trabalho é aprofundar a discussão sobre a questão agrária brasileira, contrapondo o modelo de desenvolvimento voltado para a produção de transgênicos e liderado por grandes empresas transnacionais, ao modelo que busca o fortalecimento da agricultura familiar voltado para a garantia da soberania alimentar de todo o povo brasileiro.
A Syngenta é uma transnacional suíça, que dentre outras atividades ilegais, mantinha um campo de testes com transgênicos dentro da faixa de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu, patrimônio natural da humanidade. Em uma ocupação pacífica da Via Campesina no local, pistoleiros assassinaram o dirigente do MST Valmir Mota, o Keno.
Como perceberam os leitores assíduos deste blog, a Latina esteve fora do ar por algumas semanas – não por sua vontade, senão por problemas técnicos devido a uma migração de servidor. Pedimos desculpas pelas férias forçadas e convidamos a todos os interessados a passear por aqui diariamente, que o blog que está voltando com tudo, aquecendo as energias para 2009.
Por ocasião das reuniões da Conferência de Autoridades Audiovisuais e Cinematográficas da Ibero-América (CAACI) e do Programa Ibermedia, que aconteceram entre os dias 25 e 28.11 em Montevidéu, LatAm cinema, site parceiro da Latina, entrevistou Martín Papich, diretor do Instituto de Cinema e Audiovisual do país anfitrião. Confira.
Quais são as expectativas do Instituto de Cinema do Uruguai em relação a essas reuniões?
Tiveram que passar mais de 10 anos desde a criação do Ibermedia para que o Uruguai fosse sede do encontro entre a CAACI e o Comitê Intergovernamental do Programa. Estamos felizes, já que esse fato, longe de ser uma casualidade, tem relação com um “momento” de desenvolvimento de um desenho programático de políticas públicas que se soma como sócio real a uma plataforma de realização consolidada. Temos certeza que esta será uma nova oportunidade para fortalecer nosso vínculo com o programa, não somente medido através do apoio aos projetos nacionais, mas também pelo fator multiplicador que significa a interação com o resto das autoridades e instituições da região.
A distribuição e exibição são dois dos principais desafios que enfrenta o cinema ibero-americano atual. Que medidas vocês pensam impulsionar a partir da CAACI e do Programa Ibermedia para fomentar a circulação e exibição de filmes?
O ‘gargalo da garrafa’ do setor é a circulação dos conteúdos realizados. Nessa medida, cada vez mais, é um tema de análise recorrente e de tomada de medidas que se visualizarão a partir da concretização de algumas ajudas à distribuição e à exibição, que atualmente estão sendo processadas no âmbito das autoridades ibero-americanas. Essas medidas tendem a fortalecer o papel dos modelos de negócios que priorizem a presença dos ‘nossos’ filmes. Serão medidas que se adotarão tomando a globalidade da dificuldade.
Os aportes dos 17 países membros do Programa Ibermedia não superam os sete milhões de dólares anuais, uma cifra insignificante levando em conta os custos da produção cinematográfica. Qual é o futuro do programa Ibermedia?
O Programa Ibermedia demonstrou ser bem-sucedido no apoio às co-produções; atualmente é uma realidade da grande maioria dos países membros e, portanto do coletivo, o fato de ter uma balança deficitária entre a quantidade de projetos e a limitação dos instrumentos de apoio. Em dois sentidos poderá ser minimizada essa situação: com eventuais maiores aportes e através da busca de mecanismos para tornar favorável a participação do setor privado. No meio, poderão estar instrumentos tais como os fundos de garantia, os fideicomissos e os incentivos fiscais.
Na reunião passada, em Quito, falou-se do relançamento do Doc TV Ibero-América, programa dirigido a fomentar o documentário na região. Qual foi o balanço da primeira edição e como você acredita que o programa evoluirá?
O Doc TV IB é uma prova formidável do que pode ser um modelo bem-sucedido de distribuição e exibição. O primeiro passo dado confirmou a necessidade de combinar esforços e de somar as televisões públicas como sócios naturais do setor cinematográfico. Foi um acerto. O será na medida em que se aprofunde seu alcance em curto prazo. No Uruguai, entendemos que não somente é possível, senão absolutamente necessário.
Como repercutiu o funcionamento do Programa Ibermedia no cinema uruguaio?
O cinema uruguaio é em 80% sinônimo de co-produção, e falar de co-produção na região é falar de Ibermedia. O programa é um componente privilegiado na organização dos projetos. Para o Uruguai é um ‘comum denominador’ do que se conseguiu até o momento.
O Uruguai acaba de aprovar a primeira lei de cinema da sua história. Quais serão as primeiras iniciativas que você previstas neste sentido?
Concebemos a lei como um componente de uma formulação estratégica que identificamos como ‘Integralidade Programática’: Lei de Cinema e Audiovisual, Lei de Patrocínio (incentivos fiscais), Cluster, atenção impositiva particular ao setor, âmbito institucional favorável, somado a outros instrumentos já existentes – como o FONA, MVD Sócio-Audiovisual, Locações Montevideanas – são peças desse pool de instrumentos que hoje apontam, em um papel de sócio, para este complexo cultural-econômico. O Uruguai o definiu como prioridade. Estes mecanismos apontam para toda cadeia de valor e para um desenvolvimento integral e equilibrado: quantidade sim, mas também qualidade artística, tendo claro que o objetivo destas políticas públicas é o cidadão.
Terminou este domingo, 16.11, a 23ª edição do Festival de Mar del Plata – o único festival latino-americano que é considerado “classe A” pela Federação Internacional de Associações de Produtores de Filmes – com o prêmio de melhor filme latino para o mexicano Los bastardos, de Amat Escalante (veja entrevista com ele publicada neste blog aqui). Já o troféu principal, o Astor de Oro, foi para o filme japonês Still walking, do realizador Hirokazu Kore-eda. Do Japão, vem também o melhor diretor eleito pelo evento, Kiyoshi Kurosawa, por Tokyo Sonata. Outro vencedor latino é o documentário argentino Regreso a Fortín de Olmos, que recebeu menção especial do júri. Veja acima o trailer de Los bastardos.
:: Brasileiros e argentinos na pré-seleção do Sundance/NHK
Dois filmes brasileiros e um argentino saíram pré-selecionados entre os 12 finalistas de 2009 para o prêmio da cadeia japonesa de televisão NHK – ligada ao Festival de Sundance desde 1996 para apoiar jovens realizadores independentes. São eles Casa grande, de Felipe Barbosa, e O homem das multidões, co-dirigida por Marcelo Gomes e Cao Guimarães, ambos do Brasil, e La preceptora nacional, de Diego Lerman, da Argentina. Cada prêmio (é entregue um para cada região) é de 10 mil dólares e incluem os direitos de veiculação das obras pela NHK. Entre os latinos, já ganharam o estímulo em anos anteriores filmes como Central do Brasil, de Walter Salles (Brasil), e Lake Tahoe, de Fernando Eimbcke (México).
:: Cinema brasileiro em fase de exportação
Depois de investir em moda made in Brazil, a APEX (Agência Brasileira de Promoção e Exportação) decidiu partir para o universo do entretenimento nacional, lançando o chamado “Talento Brasil”. Com uma mostra já lançada de 11 a 13.11 em Madri, o projeto tem o objetivo de divulgar e promover os três setores considerados emergentes da cultura brasileira, que são a música, as letras e o audiovisual. Segundo anuncia a agência, a iniciativa irá circular por vários países, sempre com a presença de músicos, escritores e realizadores audiovisuais que irão promover a produção artística brasileira, assim como aconteceu na Espanha. Mais a respeito no site da APEX.
Um “país embriagado” é o que Pedro Urano, realizador do documentário A Estrada Real da Cachaça (veja o trailer acima), quis retratar com seu primeiro filme como diretor, que é também uma espécie de estréia para da bebida mais popular do Brasil no cinema. "Quando falamos de cachaça, falamos também de transe, que pode ser extático, de alegria, mas também anestesiante, num país que conhece suas contradições, mas nem por isso consegue superá-las", disse Urano em entrevista à Reuters.
O documentário foi filmado como um road movie, percorrendo a chamada Estrada Real da Cachaça, um "caminho poético" que mostra diferentes zonas de produção, consumidores e rituais que vinculam a bebida ao candomblé.
A Estrada Real é o único filme em competição na seção latino-americana do 23º Festival de Mar del Plata, onde, de acordo com a imprensa, foi muito bem recebido pelo público. O diretor explicou o projeto em entrevista à Ansa, por por ocasião do festival argentino: "Tempos atrás, eu estava numa festa em que todos tomavam cachaça à vontade e me disse: 'alguém deveria fazer um filme sobre essa bebida que deixa as pessoas tão felizes'. O que começou como brincadeira, terminou como um grande projeto".
Enquanto espera o resultado de seu filme na competição, que será divulgado no próximo domingo, 16.1, Urano dedica-se ao seu próximo documentário, que ele começará a rodar em duas semanas e que aborda as falências na educação e na saúde, através da história de um edifício modernista do Rio de Janeiro.
Um projeto que reúne argentinos, colombianos, chilenos, equatorianos, mexicanos, peruanos, venezuelanos e até franceses, cozinhado a partir de Buenos Aires e escrito em esquema de colaboração interativa: aí está a rápida descrição de Ezeia 15 59, “uma história de amor interativa”.
Longe do esquema dos grandes produtores e dos fundos cinematográficos internacionais e mais democrático em termos de público do que os blockbusters e os refinados espectadores de festivais, esse “longa-metragem livre” é uma obra conjunta de vários roteiristas que trabalham em ambiente virtual para mais tarde entregar o resultado final a vários diretores, que serão os encarregados de filmá-lo a partir de 17.11. Tem uma produtora por trás, que é Silvina Dell’Occhio (Argentina), mas não distribuidor oficial: em troca, usarão a Web 2.0 para promovê-los em meios alternativos (YouTube, Vimeo, Torrent, Emule, etc).
Em Ezeiza 15 59, o roteiro nos apresenta a Vera. Ao começar o filme, ela acaba de se despedir de seu namorado, quem voltou para seu país. Ao longo da história, e de acordo com as sucessivas decisões tomadas pelo espectador, Verá irá lidar de distintas formas com essa ausência, afetando o desenvolvimento até recorrer a um de seus oito possíveis universos paralelos. Desde a espera fiel até a aparição de seu ex ou do sexo puro a uma nova história de amor.